Capitu

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Maria Capitolina Santiago
Personagem de Dom Casmurro
Outro(s) nome(s) Capitu
Morada Rua de Matacavalos
Rio de Janeiro, Flag of Empire of Brazil (1870-1889).svg Brasil
Sexo Feminino
Características meio safadinha
Amigo(s) sua bff
Criado por Machado de Assis
Filme(s) Capitu (1968)
Primeira aparição Dom Casmurro (1899)
Última aparição Capitu (2008)
Época(s) Século XIX
Interpretado por Isabella
Maria Fernanda Cândido

Maria Capitolina Santiago (Capitu, como é conhecida), é uma personagem do livro Dom Casmurro de Machado de Assis (1839-1908), publicado em 1899.

Penetrou no imaginário coletivo como tipo feminino, justificando estudos psicológicos e literários. Segundo Maria Lucia Silveira Rangel, Capitu é a personagem "mais discutida, a mais famosa, e seria repetição falar sobre a grande dúvida em que o escritor deixa o leitor sobre o adultério da esposa de Bentinho – o romance abre-se num leque com opções a favor ou contra o fato." (LB – Revista Literária Brasileira, nº 17).

O ciúme de Bento Santiago, o Bentinho e mais tarde Casmurro, seu esposo, a todo instante conjecturava sobre seu caráter, contribuindo para a essência enigmática da “criatura de quatorze anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo, desciam-lhe pelas costas. Morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo. As mãos, a despeito de alguns ofícios rudes, eram curadas com amor; não cheirava a sabões finos nem águas de toucador, mas com água do poço e sabão comum trazia-as sem mácula. Calçava sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos”. Foi pelos olhos profundos e inexplicáveis, diferentes conforme as circunstâncias, que Capitu, mulher de personalidade forte e envolvente, se consagrou, deixando na literatura brasileira uma marca inconfundível: "olhos de cigana oblíqua e dissimulada" ou "olhos de ressaca" (descrição influenciada pela opinião de sua mãe, tia e um agregado, que não desejavam o casamento), segundo o parecer do marido ciumento, o sr. Bento Santiago, vulgo "Dom Casmurro".

Sinopse[editar | editar código-fonte]

No romance machadiano, protagonizado pelo casal, o narrador constrói uma narrativa ambígua por natureza, fazendo com que o leitor ora duvide, ora acredite na inocência de Capitu, acusada de adultério pelo marido, ex-seminarista e advogado. O sacerdote e o jurisconsulto se unem para condenar a esposa, num tribunal de provas refutáveis e inconsistentes. O veredicto final fica por conta do leitor, mas é o próprio acusador que a absolve, na mesma medida que a condena: "Capitu era mais mulher do que eu homem". De fato, a grandeza de Capitu nos seduz e se torna um exemplo de força, coragem, audácia em pleno século XIX.

Capitu, conhecida por seus olhos de ressaca e Bentinho com sua insegurança em relação à ninfa (como a chama no primeiro beijo do casal), nos faz lembrar dos nossos próprios medos e receios. E o fim do livro nos deixa uma dúvida: afinal ela traiu ou não Casmurro?

Julgamento[editar | editar código-fonte]

O assunto da 'culpa' ou 'inocência' de Capitu é fonte de permanente discussão. No romance, o foco narrativo está centrado em Bento Santiago, o Dom Casmurro, favorecendo, portanto sua visão de que ela seria, de fato, adúltera. A escritora Lygia Fagundes Telles, por exemplo, que chegou a publicar artigo demonstrando a culpa de Capitu, em 2009 declarou ter percebido, afinal, que Capitu era inocente. O debate em torno dessa personagem criada há mais de um século é uma demonstração da força criativa da ficção de Machado. Muito já se debateu sobre a personalidade de Capitu. Um grupo de estudantes de Direito brasileiros inocentou a personagem da acusação de adultério por "falta de provas".

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Adaptações para cinema: Capitu (1968) de Paulo César Saraceni, Dom (2003) de Moacyr Góes; para teatro: Criador e criatura - o encontro de Machado e Capitu (1999) de Flávio Aguiar e Ariclê Perez, Capitu (1999) de Marcus Vinícius Faustini; para ópera: Dom Casmurro (1992) de Ronaldo Miranda e Orlando Codá (fonte: machadodeassis.org.br); Microssérie para TV: Capitu (Rede Globo - 2008)

O compositor paulista Luiz Tatit compôs uma canção intitulada Capitu, gravada por Zélia Duncan e Ná Ozzetti que, apesar do título, refere-se a uma internauta que usa o nome de Capitu (a letra rima "hábil, hábil, hábil" com "www").[1]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • GOMES, Eugênio. O enigma de Capitu.
  • CASTRO, Manuel Antônio de. O enigma "É": Capitu ou Dom Casmurro?
  • GLEDSON, John. Impostura e realismo.
  • RANGEL, Maria Lucia Silveira. As Personagens Femininas em Machado de Assis, in LB – Revista Literária Brasileira, nº 17.