Bento Santiago

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Bento de Albuquerque Santiago
Personagem fictícia de Dom Casmurro
Outro(s) nome(s) Bentinho
Bento
Dom Casmurro
Sexo Masculino
Amigo(s) Escobar
Criado por Machado de Assis
Primeira aparição Dom Casmurro (1899)
Última aparição Capitu (2008)
Época(s) Século XIX
Interpretado por Michel Melamed
Othon Bastos

Bento de Albuquerque Santiago, também conhecido como Bento Santiago, Bentinho ou ainda Dom Casmurro, é personagem do livro Dom Casmurro de Machado de Assis.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Dom Casmurro

A história de Bento Santiago é contada por ele mesmo no livro Dom Casmurro. Desta forma, tudo que se sabe a respeito de sua vida é extraído do livro de Machado de Assis. Como a história é narrada pelo próprio personagem é possível que contenha imprecisões ou mesmo alterações dos fatos, de modo que favoreçam o seu ponto de vista enquanto narrador da história ou ainda que uma determinada lembrança de um fato dê lugar a uma análise inconsciente do narrador [1].

Características do personagem[editar | editar código-fonte]

Bento Santiago pode ser considerado um anti-herói. Neste contexto, observa-se três fases distintas: a do menino Bentinho, o advogado Bento Santiago e por fim, o recluso Dom Casmurro.[2]

Dom Casmurro[editar | editar código-fonte]

Um homem desiludido começa a surgir. Bento torna-se um homem duro de hábitos difíceis. Nem mesmo a notícia da morte do filho o demove de seus hábitos. Em sua visão dos fatos, a traição de sua esposa com seu melhor amigo age sobre ele, transformando-o de um gentil e ingênuo Bentinho no duro, cruel e cínico Dom Casmurro.[3]

Lugar na Obra[editar | editar código-fonte]

Bentinho obviamente possui lugar de destaque dentro da obra Dom Casmurro. Apesar de ficcional, Machado de Assis toma o cuidado de inserir Bento Santiago como personagem-autor.

É o próprio Bento Santiago que explica o porquê de ser chamado Dom Casmurro quando adormece no momento que um rapaz lia alguns versos de um poema para ele:

"No dia seguinte, entrou a dizer de nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meu hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou"
— Bento Santiago (in Dom Casmurro)

Além desta confissão, o personagem-autor também trata de fazer um paralelo entre sua história e a de Otelo de William Shakespeare, esclarecendo entretanto que diferente da Desdêmona original, a sua é culpada[4]:

"De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto e estimei a coincidência. (...) O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. (...) - E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo: - que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu?"
— Bento Santiago (in Dom Casmurro)

Outro ponto de interesse é que - como a narrativa sempre é desenvolvida segundo a ótica do personagem-narrador, é natural que a observação dos acontecimentos, os julgamentos e reflexões sejam as impressões do próprio personagem. Em suma, quem condena Capitu não é o leitor, mas sim o personagem que pretende persuadir o leitor com sua versão dos fatos.[5]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Uma questão a ser abordada também é o amor entre pessoas de classes diferentes. Ele, um homem de posses pertencente a aristocracia e ela uma moça pobre, mas esperta que terá seu futuro definido por um bom ou mau casamento.[6]

A visão da sociedade e de suas relações também variam conforme mudam os costumes. Assim, elementos que não eram vistos como condenatórios e determinantes para traição consumada em determinada época, passam a ser definitivos em outros momentos. Em uma destas abordagens, questionou-se uma possível relação homo-afetiva ente Bento e Escobar. Nesta abordagem, o alvo do ciúme de Bento não é a traição de Capitu com o seu melhor amigo, mas sim ele - por imposição da sociedade da época - não poder ter Escobar para si.[7]

Por fim, a religião também é um tema controverso para Bento Santiago. Aliás, o contraste entre Bento (derivado de Benedito, abençoado) e Capitu (que pode lembrar o termo capeta). Inicialmente fadado a vida clerical por conta de uma promessa de sua mãe ele chega ao seminário e somente pela observação sagaz de Escobar é que ele consegue abandonar o seminário e voltar para casa. E também para Capitu.[8]

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Também é personagem da minissérie televisiva Capitu, da Rede Globo de Televisão, onde foi interpretado pelo ator Michel Melamed. e personagem do filme homônimo baseado no livro de Machado de Assis. No filme, Bentinho foi interpretado por Othon Bastos.

Referências

  1. SILVA, Armando Sergio (2002). J. Guinsburg: Diálogos sobre Teatro 2 ed. [S.l.]: Edusp. p. 234-237. ISBN 8531407443 
  2. «Personagens de Dom Casmurro». Consultado em 3 de outubro de 2014 
  3. CALDWELL, Helen (2002). O Otelo brasileiro de Machado de Assis: um estudo de Dom Casmurro. [S.l.]: Atelie Editorial. p. 29. ISBN 8574800937 
  4. CALDWELL, Helen (2002). O Otelo brasileiro de Machado de Assis: um estudo de Dom Casmurro. [S.l.]: Atelie Editorial. p. 20-23. ISBN 8574800937 
  5. Felipe dos Santos Matias. «A presença de Otelo em Dom Casmurro» (PDF). Revista de C. Humanas, Vol. 10, Nº 1, p. 134-145, jan./jun. 2010. Consultado em 3 de outubro de 2014 
  6. «"Dom Casmurro" - Análise da obra de Machado de Assis». Guia do Estudante. 23 de agosto de 2012. Consultado em 3 de outubro de 2014 
  7. Millôr Fernandes (26 de janeiro de 2005). «O outro lado de Dom Casmurro». Revista Veja. Consultado em 3 de outubro de 2014 
  8. «A problemática de Dom Casmurro». Vestibulando Web. Consultado em 3 de outubro de 2014