Argumento do livre arbítrio

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O argumento do livre arbítrio (também chamado de paradoxo do livre-arbítrio o ou fatalismo teológico) afirma que a onisciência e o livre arbítrio são incompatíveis e que qualquer concepção de Deus, que incorpora as duas propriedades é, portanto, inerentemente contraditória[1] [2]

Pessoa e seu livre-arbítrio[editar | editar código-fonte]

Se Deus fez o jogo, as regras e os jogadores, então como pode o jogador ser livre?

Alguns argumentos contra Deus tem o foco na suposta incoerência da humanidade possuir o livre-arbítrio. Esses argumentos estão profundamente preocupados com as implicações da predestinação. Maimônides formulou um argumento sobre o livre-arbítrio de uma pessoa, em termos tradicionais de ações boas e más, como segue:[3]

… "Deus sabe ou não se um determinado indivíduo vai ser bom ou ruim? Se dizes: 'Ele sabe', então segue-se necessariamente que o homem é compelido a agir como Deus já sabia de antemão como ele iria agir, caso contrário, o conhecimento de Deus seria imperfeito..."[4]


Vários meios de conciliar a vontade onisciente de Deus com o livre arbítrio humano têm sido propostas:

Reconceituando o livre arbítrio[editar | editar código-fonte]

  • Deus pode saber com antecedência o que vou fazer, porque o livre arbítrio é para ser entendido apenas como a liberdade de coerção, e tudo o que for além disso é uma ilusão. Este é o movimento feito por filosofias compatibilistas.
  • A soberania (autonomia) de Deus, existente dentro de um agente livre,,[5] prevê fortes compulsões internas em direção a um curso de ação (chamada), e o poder de escolha (eleição).[6] As ações de um ser humano são, portanto, determinadas por uma ação humana sobre impulsos relativamente fortes ou fracos (ambos da parte de Deus e do ambiente ao seu redor) e seu próprio poder em relação à escolha.[7]
  • Bhaktivedanta Swami Prabhupada afirmou que o homem não tem livre arbítrio limitado, ele pode decidir se quer ou não se render à vontade de Krishna. Todos os outros acontecimentos materiais e suas implicações são inconcebivelmente predestinados.
  • Na literatura rabínica de Rabi Akiva haveria uma contradição entre o poder de deus e o livre-arbítrio quando afirmou: "Tudo está previsto; e o livre-arbítrio concedido".[8] [9]

Reconceituando a onisciência[editar | editar código-fonte]

  • O Molinismo argumenta que Deus pode saber com antecedência o que vou fazer, mesmo que o livre-arbítrio no sentido mais completo da frase não exista, porque Deus tem de alguma forma de contingentes de pleno conhecimento futuro - que é, o conhecimento de como os agentes agiriam livremente em quaisquer circunstâncias.[10]
  • A onipotência de Deus inclui o poder de definir um limite para o que pode ser conhecido e, assim, seu próprio conhecimento. Além disso, Deus escolhe saber e predeterminar algumas coisas, mas não outras. Isto permite livre escolhas morais pela humanidade para as coisas que Deus escolheu não predestinar.[11]
  • "Não é possível para Deus saber o resultado de uma livre escolha humana". Assim o resultados da escolha de um ser humano não está incluído na onisciência de Deus (aqui entendida como "o conhecimento de tudo o que pode ser conhecido") mais do que o suposto "conhecimento" de como um "círculo quadrado" seria. Os críticos afirmam que a onisciência deve incluir as escolhas que o ser humano vai fazer, ou então Deus não poderia saber nada após a primeira escolha humana já feita.
  • Em linha com o Presentismo, Deus sabe tudo o que já aconteceu e o que está acontecendo, mas não pode saber o futuro, porque ele não existe. Porque não é possível saber algo que não existe, não saber o futuro não afeta a onisciência de Deus.
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Referências

  1. Linda Zagzebski, Foreknowledge and Free Will, Stanford Encyclopedia of Philosophy, 20/08/2013, (em inglês)
  2. Internet Encyclopedia of Philosophy, Foreknowledge and Free Will
  3. Embora Maimônides não estava argumentando contra a existência de Deus, mas sim para a incompatibilidade entre o "total exercício" de Deus de sua onisciência e o genuíno livre arbítrio humano, seu argumento é considerado por alguns como afetado por falácia modal. Veja-se, em particular, o artigo do Prof Norman Swartz na Internet Encyclopedia of Philosophy, Foreknowledge and Free Will e Section 6: The Modal Fallacy
  4. The Eight Chapters of Maimonides on Ethics (Semonah Perakhim), edited, annotated, and translated with an Introduction by Joseph I. Gorfinkle, pp. 99–100. (New York: AMS Press), 1966.
  5. Evangelho de Tomé, III
  6. "Por isso, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em fazer firme a vossa vocação e eleição; porque fazendo isto, não tropeçareis jamais.", II Pedro 1:10
  7. The Philosopher's Handbook, Stanley Rosen, ed., Random House Reference, New York, 2000.
  8. Mishná 19: "Tudo está previsto (no alto), entretanto, nos foi dado o livre-arbítrio (...)" Evaristo Eduardo de Miranda, José Manuel Schorr Malca. Sábios fariseus. [S.l.]: Edições Loyola, 2001. p. 218. ISBN 978-85-15-02390-5
  9. Jacques Alkalai Wainberg. A Pena, a Tinta E O Sangue: A Guerra Das Ideias E O Isla. [S.l.]: EDIPUCRS. p. 54. ISBN 978-85-7430-652-0
  10. Ken Perszyk. Molinism: The Contemporary Debate. [S.l.]: Oxford University Press. p. 214. ISBN 978-0-19-959062-9
  11. Karen Baker-Fletcher. Dancing with God: The Trinity from a Womanist Perspective. [S.l.]: Chalice Press, 2006. p. 28. ISBN 978-0-8272-0640-3

Ver também[editar | editar código-fonte]