Cabo Delgado (província)

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Cabo Delgado
Província de Moçambique Moçambique

Dados gerais
Capital Pemba
Município(s) Chiúre, Mocímboa da Praia, Montepuez, Mueda e Pemba.
Características geográficas
Área 82 625 km²
População 2 333 278 hab. (2017)
Densidade 28,2 hab./km²
Cabo Delgado Province in Mozambique 2018.svg
Província de Cabo Delgado em Moçambique
Dados adicionais
Código postal 32xx[1]
Prefixo telefónico +258 272
Sítio Portal do Governo da Província de Cabo Delgado
Projecto África  • Portal de Moçambique

A província de Cabo Delgado é uma subdivisão de Moçambique localizada no extremo nordeste do país. A sua capital é a cidade de Pemba, localizada a cerca de 2 600 km norte de Maputo, a capital do país. A província tem uma área de 82 625  km² e tinha, em 2017, uma população de 2 333 278 habitantes. Está dividida em 17 distritos e possui, desde 2013, cinco municípios: Chiúre, Mocímboa da Praia, Montepuez, Mueda e Pemba.

Localização[editar | editar código-fonte]

A província de Cabo Delgado está situada na região norte de Moçambique, fazendo fronteira, a norte com a Tanzânia, da qual está separada pelo rio Rovuma, a oeste com a província do Niassa e com a província de Nampula a sul, na outra margem do rio Lúrio. A este o limite é o Oceano Índico.

Governo[editar | editar código-fonte]

A província é dirigida por um governador provincial nomeado pelo presidente da República.

Governadores[editar | editar código-fonte]

  • (????-1980) Raimundo Pachinuapa
  • (1980-1983) Armando Panguene
  • (1983-1986) Alberto Joaquim Chipande
  • (1986-1987) João Baptista Cosme
  • (1987-1995) António Simbine
  • (1995-1997) Jorge Muanahumo
  • (1997-2005) José Pacheco[2]
  • (2005-2007) Lázaro Mathe[3][4]
  • (2007-2014) Eliseu Joaquim Machava[5][4][6]
  • (2014-2015) Abdul Razak[7]
  • (2015-2017) Celmira Da Silva[8]
  • (2017-) Júlio José Parruque[9]

História[editar | editar código-fonte]

A província tem o nome do Cabo Delgado, um promontório situado na fronteira entre Moçambique e a Tanzânia, no ponto mais setentrional de Moçambique. Entre 1890 e 1929, o território da atual província foi administrado, juntamente com o território da atual província de Niassa, pela Companhia do Niassa.[10]

Mapa da província

Guerra colonial[editar | editar código-fonte]

Em 25 de setembro de 1964, guerrilheiros da FRELIMO chegaram da Tanzânia e, com a ajuda de alguns habitantes da região, atacaram um posto administrativo português, em Cabo Delgado. Esse ataque marcou o início da Guerra Colonial Portuguesa, a luta armada entre as autoridades coloniais da então África Oriental Portuguesa e o movimento independentista. Cabo Delgado foi o foco da Operação Nó Górdio, cujo objetivo era desmantelar as bases da guerrilha na região.

A província foi formada a partir do que fora o distrito de Cabo Delgado, no período colonial[11]

Ataques do Daesh[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Insurgência em Cabo Delgado

A província de Cabo Delgado contém o maior e mais rico projeto de gás natural liquefeito da África. Operado pela empresa francesa Total, estima-se que tenha um valor de USD 60 bilhões com investimentos de vários países. A população local reclama que viu pouco dessa riqueza ou investimento passar para a comunidade, o que teria motivado o início da insurgência - mais tarde "internacionalizada", ao ganhar apoio do Daesh (Estado Islâmico).[12]

Desde outubro de 2017, bandos wahhabitas armados, ligados ao Daesh, têm atacado a região de Cabo Delgado,[13][14] cometendo decapitações em massa.[15] Em agosto de 2020, tomaram a cidade portuária de Mocímboa da Praia.[16][17] O grupo, por vezes, autointitula-se al-Shabaab (em árabe, 'os jovens' ou 'os rapazes') embora não tenha ligações conhecidas com o grupo somali al-Shabaab, que é afiliado a al-Qaeda, enquanto o grupo de Cabo Delgado é ligado ao rival Estado Islâmico (EI). Eles adotaram o título de Província da África Central do Estado Islâmico (ISCAP), o que também é enganoso, já que Moçambique não faz parte da África Central.[17][15][12]

Em março de 2021, o Departamento de Estado dos EUA designou o grupo Ahlu Sunna Wal Jammah (ASWJ) - que opera em Cabo Delgado com a participação de "combatentes estrangeiros" da Tanzânia - como uma franquia do EI e acrescentou-o à sua lista de organizações terroristas estrangeiras. Em março de 2021, o International Crisis Group relatou que, embora o EI tivesse contato com os extremistas de Moçambique e dado algum apoio financeiro a eles, provavelmente não exercia autoridade de comando e controle sobre o grupo.[18][19]

As Forças Armadas de Moçambique têm combatido os extremistas, sem muito sucesso.[19] Mais de 700 000 civis foram deslocados em razão dos ataques.[20] Em setembro de 2020, insurgentes do EI ocuparam a Ilha Vamizi, no Oceano Índico.[21] Mais de cinquenta pessoas foram decapitadas na província, em abril de 2020, e um número semelhante, em novembro de 2020.[22] Em março de 2021, a ONG Save the Children relatou que os militantes wahhabitas também estavam decapitando crianças.[23]

Demografia[editar | editar código-fonte]

População[editar | editar código-fonte]

De acordo com os resultados preliminares do Censo de 2017, a província tem 2 333 278 habitantes em uma área de 82 625km², e, portanto, uma densidade populacional de 28,2 habitantes por km². Quando ao género, 51,5% da população era do sexo feminino e 48,5% do sexo masculino.[24]

O valor de 2017 representa um aumento de 699 116 habitantes ou 42,8% em relação aos 1 634 162 residentes registados no censo de 2007.[25]

População da província de Cabo Delgado[24][25]
1980 1997 2007 2017
900 704 1 287 814 1 634 162 2 333 278

Subdivisões da província[editar | editar código-fonte]

Distritos[editar | editar código-fonte]

Cabo Delgado está dividida em 17 distritos, os 16 distritos já existentes quando foi realizado o censo de 2007,[26] mais o distrito de Pemba, estabelecido em 2013 para administrar as competências do governo central, e que coincide territorialmente com o município do mesmo nome. Na mesma data, o distrito de Pemba-Metuge passou a ser designado como distrito de Metuge:[27]

Municípios[editar | editar código-fonte]

Esta província possui 5 municípios:[28][29]

De notar que a vila de Mueda se tornou município em 2008 e a de Chiúre em 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Código Postal nos Correios de Moçambique Acesso 2011 outubro 4
  2. "Quem é José Pacheco?" . NotíciasSexta-Feira, 27 de Março de 2009.
  3. Guebuza concluiu nomeação do seu governo. Noticias Lusófonas, 11 de fevereiro de 2005.
  4. a b "Formado novo Governo". TVM Televisão de Moçambique citando Jornal Noticias, 18 de janeiro de 2010.
  5. "PR quer governação aberta e inclusiva". Imensis citando Noticias. 26 de Outubro de 2007 Acesso 2011 outubro 16
  6. Eis a composição ministerial do novo governo. O País online. 18 de janeiro de 2010.
  7. "Abdul Razak novo governador de Cabo Delgado. O País online, 14 de janeiro de 2014.
  8. «Novos Governadores provinciais nomeados por Filipe Nyusi». 19 de janeiro de 2015. Consultado em 2 de janeiro de 2016 
  9. «PR exonera ministros e nomeia novo governador para Cabo Delgado». 23 de novembro de 2017. Consultado em 23 de novembro de 2017 
  10. Medeiros, Eduardo da Conceição , História de Cabo Delgado e do Niassa (c. 1836-1929). Maputo: Central Impressora, 1997, p. 139.
  11. Decreto-lei nº 6/75 de 18 de Janeiro.
  12. a b Mozambique: Why IS is so hard to defeat in Mozambique. Por By Frank Gardner. BBC, 31 de março de 2021
  13. Eric Morier-Genoud, The jihadi insurgency in Mozambique: origins, nature and beginning, Journal of Eastern African Studies, Vol. 14, número 3, pp. 396-412 (julho de 2020).
  14. David M. Matsinhe & Estacio Valoi, The genesis of insurgency in northern Mozambique, ISS Southern Africa Report, Vol. 2019, No. 27.
  15. a b Max Bearak, com/world/2021/03/31/mozambique-palma-attack-insurgency/ As militants overrun Mozambique oil town, fears rise of 'humanitarian catastrophe', Washington Post, 31 de Março de 2021.
  16. «Armed groups attack Mozambique town closest to gas projects: sources». Reuters. 24 de março de 2021 
  17. a b Andrew Meldrum, Rebels leave beheaded bodies in streets of Mozambique town. Associated Press, 29 de março de 2021.
  18. Understanding the New U.S. Terrorism Designations in Africa, International Crisis Group, 18 de março de 2021.
  19. a b Cabo Delgado: "É melhor aceitar ajuda agora do que perder a guerra". DW, 23 de abril de 2021.
  20. «'Jihadists behead' Mozambique villagers». BBC News. 29 de maio de 2018. Cópia arquivada em 13 de junho de 2018 }
  21. «ISIS take over luxury islands popular among A-list celebrities». News.com.au. 18 de setembro de 2020 
  22. «Militant Islamists 'behead more than 50' in Mozambique». Yahoo. 26 de agosto de 2018. Cópia arquivada em 10 de novembro de 2020 
  23. «Mozambique insurgency: Militants beheading children, aid agency reports». BBC News. 16 de março de 2021 
  24. a b «DIVULGAÇÃO OS RESULTADOS PRELIMINARES IV RGPH 2017». Instituto Nacional de Estatística. 29 de dezembro de 2017. Consultado em 31 de dezembro de 2017 
  25. a b «Indicadores Sócio Demográficos Província de Cabo Delgado 2007» (PDF). Instituto Nacional de Estatística. 2012. Consultado em 7 de janeiro de 2018 
  26. Instituto Nacional de Estatística Acesso 2011 outubro 5
  27. Lei nº 26/2013, publicada no Boletim da República nº 101, I Série, de 18 de Dezembro de 2013, pág. 1059-1061 (3)
  28. "Resolução n.º 7/87, de 25 de Abril publicado no Boletim da República (BR), I Série, Nº 16 de 1987" in Estudo "Desenvolvimento Municipal em Moçambique: As Lições da Primeira Década". pp. 24 e 25. Banco Mundial. Maio 2009. Acesso 2011 outubro 5
  29. «Parlamento Aprova Criação de 10 Novos Municípios». SapoNotícias. Consultado em 1 de Janeiro de 2015 
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