Djamila Ribeiro

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Djamila Ribeiro
Conhecido(a) por ciberfeminismo e militância negra
Nascimento 1 de agosto de 1980 (41 anos)
Santos, SP, Brasil
Residência Brasil
Nacionalidade brasileira
Alma mater Universidade Federal de São Paulo
Prêmios Vencedora do Prêmio Jabuti na categoria de Ensaios - Ciências Humanas
Orientador(es)(as) Edson Luís de Almeida Teles
Campo(s) Filosofia, feminismo e negritude

Djamila Taís Ribeiro dos Santos (Santos, 1 de agosto de 1980) é uma filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira. É pesquisadora e mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Tornou-se conhecida no país por seu ativismo na Internet, atualmente é colunista do jornal Folha de S. Paulo.[1]

Djamila Ribeiro tornou-se um nome conhecido quando se fala em ativismo negro no Brasil, tudo isso sob um espectro popular: presença ativa nas redes sociais, possuindo mais de 800 mil seguidores, somente no Instagram. Conhecida como filósofa pop, já que alguns de seus feitos englobam uma presença em diversos meios de comunicações populares, que estão desde participações no programa Saia Justa, do GNT, até um programa de entrevistas conduzido por ela no canal Futura. Em 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Iniciou o contato com a militância ainda na infância. Uma das grandes influências foi o pai, estivador, militante e comunista, um homem que mesmo com pouco estudo formal, era culto. O nome Djamila, de origem africana, foi uma escolha dele.[1] Aos 18 anos se envolveu com a Casa da Cultura da Mulher Negra, uma organização não governamental santista, e passou a estudar temas relacionados a gênero e raça.[3]

Graduou-se em Filosofia pela Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 2012, e tornou-se mestra em Filosofia Política na mesma instituição, em 2015, com ênfase em teoria feminista. Em 2005, interrompeu uma graduação em Jornalismo. Suas principais atuações são nos seguintes temas: relações raciais e de gênero e feminismo. É colunista online da CartaCapital, Blogueiras Negras e Revista AzMina e possui forte presença no ambiente digital, pois acredita que é importante apropriar a internet como uma ferramenta na militância das mulheres negras, já que, segundo Djamila, a "mídia hegemônica" costuma invisibilizá-las.[4]

Em maio de 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Fernando Haddad.[5]

Escreveu o prefácio do livro Mulheres, Raça e Classe da filósofa negra e feminista Angela Davis, obra inédita no Brasil e que foi traduzida e lançada em setembro de 2015.[1] Participa constantemente de eventos, documentários e outras ações que envolvam debates de raça e gênero.[6][7][8]

Em 2018, a ensaísta prolífica Djamila Ribeiro foi um dos 51 autores, oriundos de 25 países, convidados a contribuir para Os papéis da liberdade ("The Freedom Papers").[9] Ao longo de sua trajetória, recebeu algumas premiações como Prêmio Cidadão SP em Direitos Humanos, em 2016. Trip Transformadores, em 2017. Melhor colunista no Troféu Mulher Imprensa em 2018, Prêmio Dandara dos Palmares e está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo abaixo de 40 anos, segundo a ONU. Também é conselheira do Instituto Vladimir Herzog e visitou a Noruega a convite do governo Norueguês para conhecer as políticas de equidade de gênero do país, em 2017. Foi escolhida como “Personalidade do Amanhã” pelo governo francês em 2019. Djamila foi capa da Revista Gol, Revista Claudia, colunista da Carta Capital e Revista Elle Brasil.[10][11]

Fez consultoria de conteúdo para a marca Avon[12], para a Rede Globo de Televisão no programa Amor e Sexo, entre outras empresas e instituições. É idealizadora e coordenadora do Selo Sueli Carneiro.[13]

Vida Acadêmica[editar | editar código-fonte]

Graduou-se em Filosofia pela Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 2012, e tornou-se mestra em Filosofia Política na mesma instituição, em 2015, com ênfase em teoria feminista. Atualmente, Djamila compõe o corpo docente do curso de Jornalismo da PUC-SP.

Antes de ingressar no curso de Filosofia, Djamila iniciou a graduação em jornalismo. Contudo, interrompeu os seus estudos na área em 2005.

A filósofa é pesquisadora ativa na academia, tendo como principal campo de pesquisa as relações raciais e de gênero, bem como o feminismo. Djamila é colunista da Folha de S. Paulo, e também já escreveu para os portais onlines da CartaCapital, Blogueiras Negras e Revista AzMina, além de ser coordenadora da coleção Feminismos Plurais, da editora Pólen.

A filósofa é autora das obras “Lugar de Fala”, "O que é Lugar de fala?", "Quem tem medo do feminismo negro?" e "Pequeno Manual Antirracista" , que venderam, juntos, mais de 500 mil exemplares no país. Além dos livros publicados, Djamila criou o Selo Sueni Carneiro, que publicou livros de autores negros com preços mais acessíveis.

Vida Política[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Fernando Haddad.

Além disso, foi convidada, em 2020, para ser vice na chapa de Jilmar Tatto (PT) à prefeitura de São Paulo, tendo, contudo, recusado o convite.

Em 2022, na abertura da temporada do programa Provoca, da TV Cultura, apresentado por Marcelo Tas, a escritora verbalizou que não sentaria para conversar com pessoas ligadas ao bolsonarismo, tendo em vista a representação dessa administração. Em suas palavras:

“Eu não sentaria com gente bolsonarista por conta da representação dessa administração. Os constantes ataques aos povos negros, indígenas e mulheres. Além de todos os retrocessos que eles defenderam. Inclusive, defenderam políticas de morte. Foge totalmente dos ideais republicanos”

Obras[editar | editar código-fonte]

Lançado em 2017, Djamila discute nesse livro o silenciamento histórico da mulher negra. É a primeira obra de uma coleção denominada Feminismos Plurais, projeto que visa abranger as interseccionalidades das desigualdades a partir da ótica de autoras negras. A autora discorre, no livro, sobre o lugar de fala da mulher negra, mulher essa que foi muito silenciada até mesmo (e principalmente) nas pautas feministas ditas universalizantes. A partir das questões levantadas, a Autora desmistifica o conceito de lugar de fala, identificando as diversas vivências que permitem diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.

O livro reúne um longo ensaio autobiográfico da autora, além de alguns artigos publicados por ela no blog da revista Carta Capital. Inicialmente, Djamila narra o processo de silenciamento e apagamento pelos quais passou durante sua infância e adolescência até conhecer autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes. A obra traça diálogos com autoras como Chiamanda Ngozi Adichie, Bell Hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo. A partir da interlocução com tais autoras, Djamila apresenta conceitos como empoderamento feminino e interseccionalidade, além de abordar temas como políticas de cotas raciais, e as origens do feminismo negro no Brasil e nos Estados Unidos.

A obra trata de temas que servem para o leitor aprofundar sua percepção acerca de discriminações racistas estruturais e enraizadas, possibilitando sua contribuição para a transformação da sociedade, a partir do privilégio conferido a cada um. Em onze capítulos, a Autora apresenta, de maneira didática, estratégias para eliminar o racismo contra pessoas negras, além de outras formas de opressão.

  • Lugar de Fala. São Paulo: Pólen Livros, 2019. ISBN 978-85-98349-68-8.
  • Cartas para minha avó. São Paulo. Companhia das Letras, 2021.

A obra Cartas para minha avó é a mais pessoal da Autora e revive momentos de sua infância e adolescência para discutir a ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. Djamila aborda também temas como relacionamentos amorosos e experiências profissionais que contribuíram para sua construção pessoal, além da percepção da importância das lutas e conquistas das pessoas negras que vieram antes para o incentivo às lutas atuais.

Prêmios e Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Ao longo de sua trajetória, Djamila recebeu premiações como o Prêmio Cidadão SP em Direitos Humanos no ano de 2016, Trip Transformadores em 2017, Melhor colunista no Troféu Mulher Imprensa em 2018 e Prêmio Dandara dos Palmares.

A autora também foi indicada em 2019 ao Prêmio Jabuti, na categoria Humanidades, pela publicação do livro "O que é Lugar de fala?", ocasião em que chegou a ser finalista. Em 2020, Djamila conquistou o Prêmio Jabuti, dessa vez pela sua obra "Pequeno Manual Antirracista".

Também no ano de 2019, Djamila recebeu o Prêmio Prince Claus na categoria Filosofia, oferecido pelo Ministério das Relações Exteriores da Holanda, que reconheceu a sua luta ativista. No mesmo ano, foi escolhida como “Personalidade do Amanhã” pelo governo francês.

Em 2021, Djamila Ribeiro se tornou a primeira pessoa brasileira a ser laureada no BET Awards, o maior prêmio da comunidade negra estadunidense, sendo consagrada na categoria Global Good.

Além de todas as premiações, a filósofa também está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo abaixo de 40 anos, segundo a ONU. Também é conselheira do Instituto Vladimir Herzog.

Em maio de 2022, Djamila Ribeiro foi eleita para a Academia Paulista de Letras, ocupando a 28ª cadeira, anteriormente ocupada pela escritora Lygia Fagundes Telles.[14]

Influência na Mídia[editar | editar código-fonte]

Djamila Ribeiro já ministrou aulas de feminismo para um grupo de atrizes e diretoras da TV Globo na casa de Camila Pitanga, no Rio de Janeiro, além de prestar consultoria especializada para programas da emissora, como o transgressor Amor & Sexo, de Fernanda Lima e o programa Saia Justa, do GNT. No instagram, Djamila conta atualmente com 1,2 milhão de seguidores.

Frases Famosas[editar | editar código-fonte]

“É impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre.”

“É importante estarmos em todos os lugares. Estarmos contra a maré, no lado da resistência. Precisamos encontrar estratégias e conversar com um número maior de pessoas.”

“Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.”

“Não basta só reconhecer o privilégio, precisa ter ação antirracista de fato. Ir a manifestações é uma delas, apoiar projetos importantes que visem à melhoria de vida das populações negras é importante, ler intelectuais negros, colocar na bibliografia.”

“Não me interessa guardar para mim a reflexão se acredito na potência da transformação das mentalidades.”

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Ana Flávia Oliveira (ed.). «Djamila Ribeiro, a voz da consciência negra feminina no Brasil». VICE. Consultado em 8 de dezembro de 2016 
  2. «Djamila Ribeiro: a filósofa que se tornou uma das principais vozes no combate ao racismo | Donna». GaúchaZH. 17 de maio de 2019. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  3. Djamila Ribeiro (ed.). «Djamila Ribeiro». Afronta. Consultado em 8 de dezembro de 2016 
  4. Marieta Cazarré (ed.). «Movimentos sociais encontram na internet o caminho para mobilizar militantes». Agência Brasil. Consultado em 8 de dezembro de 2016 
  5. Norma Odara (ed.). «Djamila Ribeiro é nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos de São Paulo». Brasil de Fato. Consultado em 8 de dezembro de 2016 
  6. Rádio ONU (ed.). «Brasileiros são destaque em evento da ONU sobre afrodescendentes». Rádio ONU. Consultado em 8 de dezembro de 2016 
  7. Redação Hypeness (ed.). «Recém lançado, doc feminista 'Corpo Manifesto' reúne depoimentos de Laerte, Márcia Tiburi e Djamila Ribeiro». Hypeness. Consultado em 8 de dezembro de 2016 
  8. Artur Francischi (ed.). «Documentário brasileiro reúne histórias de mulheres negras; confira entrevista com a diretora Day Rodrigues». Prosa Livre. Consultado em 8 de dezembro de 2016 
  9. «Djamila Ribeiro - Prince Claus Fund». princeclausfund.org. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  10. «Djamila Ribeiro já entrou para a História literária». Geledés. 10 de novembro de 2018. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  11. «Djamila Ribeiro - Grupo Companhia das Letras». www.companhiadasletras.com.br. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  12. Pensamento, Fronteiras do. «Djamila Ribeiro». Fronteiras do Pensamento. Consultado em 30 de maio de 2021 
  13. «Djamila Ribeiro: a filósofa que se tornou uma das principais vozes no combate ao racismo | Donna». GaúchaZH. 17 de maio de 2019. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  14. Academia Paulista de Letras (23 de maio de 2022). «DJAMILA RIBEIRO É ELEITA PARA A ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, OCUPANDO A VAGA DA SAUDOSA LYGIA FAGUNDES TELLES». Academia Paulista de Letras. Consultado em 2 de junho de 2022. Cópia arquivada em 2 de junho de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]