Príncipe Negro (escola de samba)
Príncipe Negro
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| Fundação | 23 de fevereiro de 1964 (62 anos) |
| Escola-madrinha | Vai-Vai |
| Cores | |
| Símbolo | Coroa |
| Bairro | Cidade Tiradentes |
| Presidente | Gleicy Kathleen |
| Desfile de 2026 | |
| Enredo | Herança Ancestral, o Axé Que Nos Guia – Dos ventos de Angola, ecoa a força dos ancestrais |
O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Sambo Príncipe Negro de Cidade Tiradentes é uma tradicional escola de samba brasileira da cidade de São Paulo, tendo desfilado por três ocasiões no Grupo Especial. Fundada em 23 de fevereiro de 1964 no bairro da Vila Prudente, na zona leste da capital paulista, a agremiação carrega em sua trajetória uma história de resistência cultural e deslocamento territorial que reflete os processos de transformação urbana e segregação socioespacial da metrópole paulistana. Em 1996, a escola migrou para o extremo da zona leste, estabelecendo-se em Cidade Tiradentes, onde se tornou a primeira escola de samba oficialmente constituída no distrito.
A história do Príncipe Negro, como a de diversas agremiações da cidade que não figuram nas primeiras divisões do carnaval, não estava registrada. Este verbete baseia-se em pesquisa acadêmica que reconstituiu essa trajetória por meio de história oral e levantamento de documentos, demonstrando que a fundação da escola na Vila Prudente é uma importante evidência da significativa presença negra no bairro — presença esta omitida pelas narrativas oficiais que atribuem a ocupação da região exclusivamente a imigrantes europeus.
História
[editar | editar código]Fundação e Primeiros Anos na Vila Prudente (1964-1979)
[editar | editar código]o Príncipe Negro foi fundada em 23 de fevereiro de 1964, na residência do Sr. Deusdedeth Galvão, na Rua Coelho Barradas, no bairro da Vila Prudente. A escola tem como madrinha a tradicional Vai-Vai, do bairro do Bixiga.
O nome "Príncipe Negro" originou-se de um time de futebol de várzea cujos jogadores, em sua maioria negros, eram chamados de "príncipes" devido à sua beleza e elegância em campo. Rossimara Vieira Isaias (Inhana), atual presidente e filha de fundadores, relata: "Era um time de futebol e a maioria dos jogadores eram negros, negros bonitos, de boa aparência. Aí falavam: 'Olha! Parece um príncipe jogando'. E ficou Príncipe Negro".
A presença do futebol de várzea é uma constante na história de diversas agremiações carnavalescas paulistanas. A prática do futebol era uma importante alternativa de lazer e congraçamento dos negros, e as rodas de samba à beira dos campos também se constituíam em formadoras dos "batuques" das agremiações. O time do Príncipe Negro chegou a participar de campeonatos promovidos pelos sambistas das Escolas de Samba, vencendo por três anos consecutivos equipes como Vai-Vai e Camisa Verde e Branco, o que levou à extinção da competição.
A primeira apresentação oficial da agremiação ocorreu no Carnaval de 1965, no bairro da Lapa. No ano seguinte, em 1966, a escola já competia no Grupo 2 (atual Acesso 1), conquistando por duas vezes o vice-campeonato. A década de 1970 foi marcada por uma sequência de resultados expressivos, com destaque para os vice-campeonatos no Grupo 2 nos anos de 1970, 1971 e 1975.
O envolvimento dos sambistas na agremiação começava desde a infância. Em 1972, a Folha de S.Paulo estampou em sua capa fotografias de 20 mulheres, em sua maioria crianças e adolescentes, todas componentes do Príncipe Negro, durante a apresentação da Escola no Vale do Anhangabaú. Dentre elas estavam Rosinéia Vieira Rodrigues (5 anos), Rita Maria Acácio da Silva (6 anos) e Sandra Regina de Sales (9 anos), que seguem ligadas à história da escola até hoje.
O carnaval de 1971 e a morte de Tia Geraldina
[editar | editar código]O desfile de 1971 ficou marcado pela morte de Geraldina Silva de Oliveira, a Tia Geraldina, presidente da ala feminina e uma das figuras mais queridas da agremiação. Tia Geraldina trabalhava como figurinista, costureira e orientadora da escola, mas nunca havia desfilado porque precisava consertar fantasias e orientar as sambistas. Em 1971, pela primeira vez, aos 58 anos, iria realizar seu sonho de desfilar na ala das baianas.
No domingo de carnaval, durante um ensaio preparatório na Rua José Vicente, em Vila Prudente, ela olhou para sua escola e comentou: "A minha escola está linda". Quinze minutos depois, caiu no asfalto vítima de um enfarte, causado pela emoção. Tia Geraldina havia dito à filha antes do desfile: "E quando eu sair com essa fantasia, não sei se volto para casa de novo. Se eu cair, quero que o samba não pare, que continue a ser tocado pela escola". Seu desejo foi respeitado: mesmo após sua morte, o samba continuou por mais meia hora.
No dia seguinte, 24 de fevereiro, aniversário de 7 anos da escola, o enterro de Tia Geraldina foi acompanhado por mais de mil pessoas, com a bateria do Príncipe Negro e integrantes do Bloco dos Cabeções de Vila Prudente, que se uniram no cortejo fúnebre tocando um "toque de lamento". À noite, a escola desfilou no Anhangabaú cumprindo a promessa: "Ela disse que mesmo se morresse, o samba deveria continuar. E nós temos que continuar".
O primeiro grande título
[editar | editar código]O primeiro grande título veio em 1979, quando o Príncipe Negro sagrou-se campeã do Grupo 2 com o enredo "O Ajuricaba filho da Amazônia", garantindo o direito de desfilar no Grupo Especial (então denominado Grupo 1) em 1980. O enredo contava a história de Ajuricaba, líder indígena da etnia Manaós que no século XVIII liderou a resistência contra os colonizadores portugueses na região amazônica. A escolha de um herói indígena, somada à tradição africana da escola, afirmava uma visão decolonial da história do Brasil, celebrando a resistência dos povos originários.
Nesse período, a escola contava com uma jovem intérprete que viria a se tornar um dos grandes nomes do carnaval paulistano: Eliana de Lima, que aos 18 anos gravou e defendeu na avenida o samba "Cultura, divindades e tradições de um povo".
A passagem pelo Grupo Especial, porém, foi breve. Em 1980, a escola classificou-se em 11º lugar, sendo rebaixada. No ano seguinte, com o vice-campeonato no Grupo 2 (enredo "Hoje tem feijoada"), retornou ao Grupo Especial em 1982, quando apresentou o enredo "Maravilhosa cidade" e terminou na 10ª colocação.
A Marca dos Enredos Negros
[editar | editar código]Uma característica fundamental do Príncipe Negro, que a aproxima de escolas como a Barroca Zona Sul, é a constante busca por enredos que valorizam a cultura e a história afro-brasileira, mesmo em períodos de forte repressão política. Durante a ditadura militar (1964-1985), os enredos eram submetidos à censura do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), o que tornava ainda mais significativa a escolha de temas negros.
Principais enredos de afirmação negra:
- 1968: "Navio Negreiro" — Em pleno regime militar, o enredo já anunciava a vocação da escola para abordar a temática afro-brasileira, remetendo ao período da escravidão e ao sofrimento dos negros trazidos forçadamente da África.
- 1975: "Epopeia Negra" — Marco na história da escola, contava a saga do povo negro desde a África até o Brasil, passando pela escravidão e chegando à resistência cultural. O samba exaltava a diáspora e enumerava contribuições como a capoeira, o jongo, a congada e o próprio samba.
- 1979: "O Ajuricaba filho da Amazônia" — Abordagem da resistência indígena contra o colonizador, conectando as lutas dos povos originários à resistência negra.
- 1981: "Hoje tem feijoada" — Enredo com forte cunho político, elaborado com a participação do ativista negro Valter Hylário. O texto defendia que a feijoada foi uma invenção dos escravizados como forma de sobrevivência e "grande demonstração de amor que o escravo deixou, mesmo aqueles que o massacravam". A sinopse afirmava que "os grandes valores são banidos e apagados, onde o negro de hoje está sem raízes e bases".
- 1988: "Exaltação à Zumbi" — No centenário da Abolição da Escravatura, a escola lembrou que a liberdade não veio com a assinatura da Lei Áurea, mas com a luta nos quilombos.
- 2000: "Brasil dos Orixás - 500 Anos de Axé" — Resposta direta às comemorações oficiais dos 500 anos do "descobrimento" do Brasil. Enquanto o governo celebrava a chegada dos portugueses, o Príncipe Negro lembrava que o Brasil que existe é também o Brasil dos Orixás, construído sobre o axé e a resistência dos povos africanos.
- 2008: "120 Anos da Abolição da Escravatura" — Novamente a escola marcava posição diante de uma data oficial, problematizando o significado da "abolição" e lembrando a exclusão social e a falta de políticas de reparação aos negros libertos.
- 2013: "Príncipe Negro exalta as nações do Candomblé!" — Celebração das diferentes nações do candomblé (Ketu, Jeje, Angola), destacando suas particularidades, rituais e divindades.
O Processo de Expulsão e a Migração Forçada: Gentrificação e Apagamento da Presença Negra
[editar | editar código]A partir da década de 1980, o Príncipe Negro começou a enfrentar um processo de enfraquecimento em seu bairro de origem. A Vila Prudente, que se consolidava como uma região de classe média, passou por transformações urbanísticas significativas que impactaram diretamente a população negra local. Este processo não foi isolado, mas parte de uma dinâmica histórica de expulsão da cultura negra das áreas centrais de São Paulo, como ocorreu com o Largo da Banana (extinto em 1958 para a construção do Viaduto Pacaembu) e, mais recentemente, com a expulsão da Vai-Vai do Bixiga para a construção da Estação de Metrô Saracura/14 Bis [citation:4][citation:6].
Pesquisa acadêmica desenvolvida por Gleuson Pinheiro, do Laboratório Cultura, Cidade e Diáspora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), demonstra que a construção da Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello foi determinante para a expulsão dos moradores negros da região. Em sua dissertação de mestrado, o pesquisador — que também é carnavalesco — analisa o caso do Príncipe Negro como um exemplo típico do deslocamento forçado da população negra para as periferias mais distantes, acompanhando a valorização imobiliária trazida pelas obras de infraestrutura urbana [citation:4].
"A história do príncipe, originalmente sediado na Vila Prudente, é um caso típico da expulsão da população negra para as periferias mais distantes, conforme a metrópole se expande. Naquele caso, a construção da Avenida Professor Luiz Inácio de Anhaia Mello foi determinante para que negros perdessem a moradia e não tivessem condições de permanecer na região" — Gleuson Pinheiro .[1]
O pesquisador complementa que a periferia deixa de ter um significado exclusivamente espacial e passa a definir o lugar de determinadas manifestações culturais: "manifestações culturais da população negra são empurradas duplamente para as margens: tanto para os limites periféricos da cidade — acompanhando a expulsão da população negra para a periferia — quanto para fora dos eventos, circuitos e espaços culturais oficiais da cidade".
O contexto da obra da Avenida Anhaia Mello
[editar | editar código]O projeto da Avenida Anhaia Mello nasceu de propostas de retificação do Córrego da Mooca na década de 1940, com argumentos sanitaristas, e transformou-se em um projeto de avenida de fundo de vale na década de 1950, sob influência do rodoviarismo. A lei que autorizou a obra foi publicada em 1958, durante a gestão do prefeito Adhemar de Barros, mas as obras só se intensificaram na década de 1970.
A análise dos processos de desapropriação revela que a faixa de desapropriação incidiu principalmente sobre a margem sul do córrego, área de ocupação predominantemente residencial onde moravam as famílias negras, preservando a margem norte, onde se localizavam galpões industriais. Famílias que residiam legalmente na região há décadas foram desalojadas com indenizações insuficientes para adquirir nova moradia no bairro valorizado.
Rita Maria Acácio da Silva, ex-componente que reside até hoje no mesmo endereço na Rua Coelho Barradas, relembra a ocupação da região antes da avenida:
"Desse pedacinho pra lá, era o fervo. Eles falavam que era a rua da negrada. O lado de lá que ainda tinha uns dois ou três italianos, mas o resto - de ponta a ponta – parecia um quilombo. Muita, muita, muita gente. E nas esquinas também... Da praça pra cá, era só alegria".[1]
Além das desapropriações diretas, a valorização imobiliária tornou inviável a permanência das famílias negras. Rossimara Vieira Isaias explica:
"A família do meu pai tinha casa na Anhaia Mello, quando ainda não existia a avenida. E aí desapropriou. E a casa da minha avó materna era bem onde passou a Avenida Anhaia Mello. Então desapropriou e eles receberam o valor e se mudaram para Mauá, porque na época o valor eles não conseguiam comprar ali na região. [...] Dentro dessa história tem várias histórias assim: perderam casa por não conseguir pagar IPTU, porque você ficava na família ali, o terreno era grande, moravam várias famílias. Parou de pagar o IPTU, não conseguia porque o IPTU da Vila Prudente é muito caro".
A nova população que chegava ao bairro via a escola com preconceito:
"Ali onde ficava a Escola de Samba nos últimos anos a vizinhança, nossa! Não respeitava enquanto cultura, achava que a grande maioria negros, maloqueiros, que estavam fazendo bagunça ali. Eles não tinham aquela visão de saber da história, quantos anos estava no bairro, que eles estavam chegando lá [...] E lá na Vila Prudente, eles achavam: 'Como você vai achar que isso é cultura? Jamais! Isso daqui é uma coisa que nos incomoda. A gente não quer isso como referência para o nosso bairro!'".[1]
A Tentativa de Fusão e a Dissidência: União Independente da Vila Prudente (1982-1994)
[editar | editar código]Diante das dificuldades, em 1982 as diretorias do Príncipe Negro e dos Cabeções de Vila Prudente — escola fundada em 1968 por funcionários da Companhia Industrial Paulista de Papéis e Papelões, e que já havia desfilado no Grupo Especial em 1974, 1979 e 1981 [citation:1] — decidiram pela fusão das duas agremiações como forma de construir uma agremiação competitiva. Em 11 de maio de 1982, nascia a União Independente da Vila Prudente, presidida por Arcílio Antunes, reunindo as cores e símbolos de ambas as escolas [citation:1][citation:10].
A ideia de fusão não era nova: em 1978, um delegado de polícia já havia sugerido a união das duas escolas após brigas entre torcidas. Naquele momento, sob a ditadura militar, a interferência em organizações culturais era comum.
A fusão, no entanto, não foi consensual. Ademir Gomes da Silva, componente desde a fundação, relembra:
"Nós éramos da mesma bateria, tinha a bateria que era dos cabeções e tinha a bateria que era do Príncipe Negro. Aí sabe, não pegou, não chegou a encaixar e aí muita gente foi saindo".[1]
Rossimara complementa: "A maioria dos componentes — que a escola de samba são os componentes — não aceitaram essa união que se tornou uma outra escola".
Apesar da dissidência, a União Independente conseguiu resultados expressivos: em 1983 foi campeã do Grupo 2 com o enredo "Sonhos e Ilusões de um Mestre-Sala", ascendendo ao Grupo 1 [citation:10]. Em 1984, desfilou no Grupo 1 com o enredo "Elis Regina - o Som da Festa Eterna Desta Musa", interpretado por Dom Marcos — mesma voz que havia eternizado o clássico "Do Iorubá ao Reino de Oyó" nos Cabeções em 1981 [citation:1][citation:9]. A escola obteve a 8ª colocação, permanecendo na elite [citation:10]. No entanto, em 1985, com o enredo "Magia de uma Raça", a União foi rebaixada [citation:10].
Foi após esse resultado negativo que o grupo dissidente do Príncipe Negro, liderado pela família de Rossimara, deixou definitivamente a União Independente e, acompanhando outros ex-moradores da Vila Prudente que já haviam se mudado para o extremo leste, iniciou o processo de reorganização da agremiação com a denominação de Príncipe Negro da Cidade Tiradentes [citation:1].
A Chegada em Cidade Tiradentes: O Maior Conjunto Habitacional da América Latina
[editar | editar código]Em 1996, Rossimara Vieira Isaias, conhecida como Inhana, filha de um dos fundadores da escola, liderou a transferência oficial da sede do Príncipe Negro para o distrito de Cidade Tiradentes, no extremo da zona leste.
O novo território que recebia a escola tinha uma característica peculiar: tratava-se do maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com cerca de 40 mil unidades, a maioria delas construídas na década de 1980 pela COHAB (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo), CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e por grandes empreiteiras. O bairro foi planejado para deslocar populações removidas de áreas centrais — um destino semelhante ao da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
- O contexto da ocupação da COHAB:** A partir do final dos anos 1970 e durante toda a década de 1980, Cidade Tiradentes recebeu um enorme contingente populacional formado por famílias que viviam em cortiços, favelas e ocupações em regiões que passavam por forte processo de valorização imobiliária e gentrificação, como o Bixiga, a Barra Funda e o Glicério [citation:6]. Muitas foram removidas para dar lugar a obras de infraestrutura viária — como a própria Avenida Anhaia Mello — ou para a construção de estações de metrô. A vereadora Elaine Mineiro (PSOL), cuja família foi removida do Bixiga para Cidade Tiradentes em 1987, relembra: "Só falaram que era na zona leste. Depois que eles descobrem o que é a Cidade Tiradentes. Meu pai tinha que andar 40 minutos até conseguir pegar um ônibus e vir para o centro"[2] . Doné Kika de Bessem, também removida do Bixiga, descreve a chegada ao conjunto habitacional: "Quando a gente chega, não tem nada. Inclusive a gente buscava água numa bica" [citation:6].
A população do distrito, que segundo o censo de 2010 alcançava 211.501 habitantes numa densidade de 14.100 hab./km², é formada majoritariamente por famílias que, como os integrantes do Príncipe Negro, foram empurradas para as bordas da cidade. Cidade Tiradentes é um dos distritos de São Paulo com o maior percentual de autodeclarados negros (mais de 56% em 2019), configurando-se como um território negro na periferia [citation:6].
Em Cidade Tiradentes, o Príncipe Negro encontrou acolhimento na grande quantidade de sambistas que já residia no bairro. Com o apoio dos novos moradores, a escola tornou-se a primeira agremiação oficialmente constituída e documentada dentro do Carnaval de São Paulo no distrito. No mesmo ano da migração, a escola conquistou o título de campeã do Grupo Seleção-A (organização da UESP) com o enredo "As Principais Danças do Folclore Brasileiro", afirmando sua vitalidade no novo território.
A Segunda Escola do Bairro: A Relação com a Estrela Cadente
[editar | editar código]Em 1º de janeiro de 2001, Cidade Tiradentes ganhou sua segunda escola de samba. Fundada por Ricardo Estrela e outros sambistas oriundos da Baixada Santista — como Álvaro Fumaça, Filinho e Matozo — nascia o Centro Recreativo e Cultural da Escola de Samba Estrela Cadente (CRCAES Estrela Cadente). A agremiação trazia em suas cores e em seu nome a memória do litoral paulista, adaptando-se ao novo território da extrema zona leste [citation:3].
Ao contrário do que a rivalidade natural entre agremiações de um mesmo território poderia sugerir, Príncipe Negro e Estrela Cadente sempre mantiveram uma relação de coexistência pacífica e respeito mútuo. Cada uma representava diferentes facetas da cultura local: enquanto o Príncipe Negro ostentava a tradição de uma comunidade mais antiga e enraizada, a Estrela Cadente simbolizava a pujança e a energia de uma nova população em busca de afirmação identitária. Ambas compartilhavam o objetivo comum de levar arte e entretenimento à periferia [citation:3].
Essa amizade e reconhecimento ficaram registrados nos próprios sambas-enredo. O samba da Estrela Cadente para o carnaval de 2006, que a consagrou campeã, fazia uma referência explícita à coirmã mais velha em seus versos: "Príncipe Negro samba tradição / Aqui na Zona Leste eu também sou campeão" [citation:3]. A menção é um raro exemplo de como duas escolas de um mesmo bairro, longe da rivalidade, podem celebrar suas histórias de forma integrada, construindo um legado cultural compartilhado.
Após mais de uma década de coexistência, a Estrela Cadente passou por uma profunda reestruturação administrativa em meados da década de 2020 e, em 2025, transferiu sua sede para a Vila Jacuí, no distrito de São Miguel Paulista [citation:3]. Com essa mudança, o Príncipe Negro tornou-se a única escola de samba com sede oficial no distrito de Cidade Tiradentes, mantendo viva a chama do carnaval no território onde é pioneira desde 1996.
o Príncipe Negro na Atualidade: Organização Comunitária e Ações Sociais
[editar | editar código]Sob a liderança de Inhana, que presidiu a escola por muitos anos, o Príncipe Negro consolidou sua trajetória nos grupos de acesso do carnaval paulistano. Em 2003, a agremiação conquistou seu segundo título em Cidade Tiradentes, sagrando-se campeã do Grupo 3-UESP com o enredo "A Receita da Sorte e Proteção".
A escola está localizada na Rua Orieste Ristori, 6 - Cidade Tiradentes, São Paulo - SP, 08470-310, esquina da Avenida dos Metalúrgicos (principal avenida do bairro), na altura do número 1111, ao lado da EMEFM Oswaldo Aranha Bandeira de Mello, realizando desfiles anuais durante o carnaval na própria Avenida dos Metalúrgicos.
Os ensaios da escola acontecem principalmente na Praça 65, localizada na Avenida dos Metalúrgicos, 2180 — um marco histórico, social e cultural do bairro, assim denominada em referência à linha de ônibus 3065 (Cidade Tiradentes - Terminal São Mateus)[3], que desde os anos 1980 ligava Cidade Tiradentes a São Mateus. Na época da chegada dos primeiros moradores, antes da criação do novo centro comercial e cultural na região da Rua Milagre dos Peixes (nas travessas do início da Avenida dos Metalúrgicos com a Rua dos Têxteis, Rua Sara Kubischck e Avenida Souza Ramos), a Praça 65 era o principal ponto de encontro e convivência do bairro, abrigando a quadra poliesportiva, a pista de skate e o comércio local. Até hoje, a "Comunidade Samba da Praça", promovida pelo Príncipe Negro, mantém viva essa tradição.
Atualmente, a escola possui uma característica singular: sua sede é o bar da família da presidente, montado na garagem do prédio onde mora. A agremiação não dispõe de quadra para ensaios nem de barracão para construir seus carros alegóricos. Os ensaios, que chegam a reunir de quinhentas a setecentas pessoas, ocorrem na Praça 65, na quadra poliesportiva ao lado do prédio e, nos últimos ensaios, pelas ruas do bairro.[4]
A produção do carnaval é um esforço coletivo e caseiro. Para o carnaval de 2008, por exemplo, apenas o escultor foi remunerado; todos os demais trabalhos foram realizados voluntariamente pela comunidade em suas próprias casas. As fantasias eram confeccionadas em três ou quatro apartamentos, incluindo o da presidente, o de sua mãe e o de vizinhos. Os carros alegóricos foram construídos em um terreno baldio. Componentes como destaques, mestre-sala e porta-bandeira, além de contribuir para a confecção de suas fantasias, arcavam com os custos adicionais para incrementá-las.[4]
Para baratear os custos, a escola recicla material de anos anteriores e adquire novos insumos diretamente dos fabricantes, inclusive de cidades do interior. A receita é complementada com a venda de agasalhos e camisetas da escola, e com a realização de rodas de samba com feijoada, cujos ingredientes são fornecidos pelos próprios componentes.[4]
Apesar das dificuldades, os componentes se orgulham da trajetória. No início da década de 1990, chegaram a usar como carro abre-alas um carrinho de cachorro-quente enfeitado com uma porta de apartamento com o nome da escola. Hoje, a escola já consegue doar estruturas de carros antigos para agremiações menores, uma prática comum no passado, mas que as grandes escolas gradualmente abandonaram, preferindo vender o material não utilizado.[4]
Ações Sociais e Relação com a Comunidade
[editar | editar código]o Príncipe Negro desenvolve uma série de ações sociais e culturais que extrapolam o carnaval, utilizando os espaços físicos de clubes, escolas públicas e associações comunitárias do bairro. Dentre as ações, destacam-se:[4]
- Um time de futebol com várias categorias.
- O projeto "Recreio nas Férias", em parceria com a Prefeitura, atendendo cerca de 450 crianças.
- Cursos de adereços e atividades artísticas e culturais, muitos em parceria com o governo Municipal.
- Cursos de surdo, tamborim, caixa, repinique, agogô, ganza, etc.
- Fornecimento de fantasias gratuitas para a comunidade desfilar.
O objetivo desses projetos, segundo Inhana, é duplo: proporcionar oportunidades para a comunidade e melhorar a imagem da escola perante os moradores do bairro. Em entrevista, ela afirmou:[4]
"[...] essa é a contrapartida; ela [escola de samba] faz um trabalho social. A escola só se estrutura se ela faz um trabalho social. Com esses projetos, principalmente com os projetos que a gente fez com crianças, que a gente conseguiu mostrar, principalmente para a comunidade, que a nossa escola não é uma escola de maloqueiro, de bandido e coisa e tal. A gente começou a procurar esses projetos pra mudar essa cara, pra mostrar pra comunidade esse trabalho social e a cara da escola."[4]
A escola organiza ainda festa junina, comemoração ao dia de São Cosme e São Damião com distribuição de doces para as crianças, festa do axé às sextas-feiras e confraternizações com oferecimento de canja de galinha após os ensaios. Todas as ações são realizadas com contribuição e trabalho voluntário de seus componentes, muitos dos quais são líderes de outras associações do bairro.[4]
Curiosidades e Integração Comunitária
[editar | editar código]A popularidade da escola a torna presença constante em eventos locais, como inaugurações de supermercados, postos de saúde, desfiles cívicos, festas em escolas públicas e até casamentos comunitários, sempre sem cobrar nada. A agremiação também empresta instrumentos e fantasias para peças de teatro e aniversários, buscando a integração com diferentes setores do bairro.[4]
Um dos aspectos mais notáveis do Príncipe Negro é sua abertura e inclusão. Inhana destaca com orgulho:[4]
"[...] a escola de samba, além de ter que fazer um trabalho social, agrega todo tipo de pessoa, sem preconceito, sem exceção. E consegue, o que não é fácil, agregar todo mundo. Acho que uma das poucas escolas de samba que tem corte gay é o Príncipe Negro. Nós suamos um pouquinho para fazer, mas a gente faz o concurso gay e a bateria tem que tocar (...). Como o concurso da corte das mulheres, tem o concurso gay. 'Ah! Mas o pessoal fica zoando'. Aí eu falo: gente, carnaval sem purpurina não é carnaval e as 'bibas' são a purpurina do carnaval."[4]
Essa integração rende frutos inusitados. O taxista do ponto da praça, que já se tornou amigo, "fia" corridas quando há necessidade. Moradores evangélicos do prédio onde fica a sede oferecem suas garagens para guardar pertences da escola e afirmam que a colocam em suas orações. O dono da padaria, embora não contribua financeiramente, torce e acompanha o desempenho da agremiação. Nos dias de ensaio, os jovens que jogam basquete dividem a quadra com os casais de mestre-sala e porta-bandeira, que ensaiam em um lado enquanto eles jogam no outro.[4]
A escola também realiza romarias para a cidade de Tietê durante a Festa de São Benedito, onde encontra representantes de outras escolas tradicionais, como Vai-Vai e Unidos do Peruche, fortalecendo os laços com a cultura caipira e religiosa do interior paulista.[4]
Desafios e Resiliência
[editar | editar código]A distância do local de desfile é um fator de desestímulo. Por dois anos (1997 e 1998), o desfile oficial ocorreu na própria Cidade Tiradentes, o que gerou grande economia para a escola. Em outros períodos, desfilaram em passarelas na Zona Leste, o que facilitava a presença da comunidade. No entanto, em 2007, 2008 e 2009, os desfiles do grupo da escola foram realizados no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul, um local ermo, distante e com pista inadequada, o que provocou uma leve diminuição no número de componentes e muitas críticas por parte da agremiação.[4]
Apesar de todos os obstáculos, a presidente Inhana mantém uma visão crítica sobre o processo de profissionalização do carnaval, valorizando o amor à escola acima de tudo:[4]
"[...] daqui a alguns anos aqui vai virar uma grande família. Aqui funciona como antigamente. Como a gente aprendeu, funciona. O carnaval, o samba é por amor; você gosta da coisa. O negócio de profissionalizar o carnaval eu acho que perde. É um lazer; é um divertimento. Eu faço porque eu gosto. O pessoal não tem mais camisa, não veste mais uma camisa por uma entidade; se perde isso. 'De que escola que você é?' Da que pagar mais. Não tem aquele amor. 'De que escola você é?' Eu bato no peito: sou de coração Príncipe Negro."[4]
Inhana reconhece que a escola de samba não é economicamente importante para o bairro, mas afirma que, culturalmente, tem uma importância fundamental, pois formou diversos sambistas, enraizou o samba na Cidade Tiradentes e levou o nome do distrito para o carnaval paulistano.[4]
Enredos
[editar | editar código]- 1968 - A escola conquistou a 6ª colocação no Grupo 3 com o enredo "Navio Negreiro". Este enredo, em pleno regime militar, já anunciava a vocação da escola para abordar a temática afro-brasileira, remetendo ao período da escravidão e ao sofrimento dos negros trazidos forçadamente da África. O desfile, ainda nos primeiros anos de oficialização do concurso pela prefeitura , acontecia no Vale do Anhangabaú, então principal palco dos desfiles paulistanos entre 1968 e 1972.
- 1969 - Vice-campeã do Grupo 3 com "As Flores não falam". O enredo, de caráter mais lírico, inspirava-se na famosa canção de Cartola, buscando estabelecer um diálogo entre a poesia do samba e a natureza.
- 1970 - Vice-campeã do Grupo 2 com "Salve meu Brasil". Tratava-se de uma exaltação ufanista ao país, em um período de forte nacionalismo imposto pelo regime militar, mas que nas mãos da comunidade negra do Príncipe Negro ganhava contornos de afirmação da identidade brasileira a partir de suas raízes populares.
- 1971 - Vice-campeã do Grupo 2 com "Coisas lindas do meu país". Este foi um dos carnavais mais emblemáticos e tristes da história da escola. O desfile ficou marcado pela morte de Geraldina Silva de Oliveira, a Tia Geraldina, presidente da ala feminina e uma das figuras mais queridas da agremiação . Tia Geraldina, que há anos trabalhava como figurinista, costureira e orientadora da escola, nunca havia desfilado porque precisava ficar consertando fantasias e orientando as sambistas. Em 1971, pela primeira vez, aos 58 anos, iria realizar seu sonho de desfilar na ala das baianas. No domingo de carnaval, durante um ensaio preparatório na Rua José Vicente, em Vila Prudente, ela olhou para sua escola e comentou: "A minha escola está linda". Quinze minutos depois, caiu no asfalto vítima de um enfarte, causado pela emoção. Seu corpo foi levado ao Pronto Socorro, mas já chegou sem vida . Tia Geraldina havia dito à filha antes do desfile: "E quando eu sair com essa fantasia, não sei se volto para casa de novo. Se eu cair, quero que o samba não pare, que continue a ser tocado pela escola". Seu desejo foi respeitado: mesmo após sua morte, o samba continuou por mais meia hora até a notícia se espalhar. No dia seguinte, 24 de fevereiro, aniversário de 7 anos da escola, o enterro de Tia Geraldina foi acompanhado por mais de mil pessoas, com a bateria do Príncipe Negro e também integrantes do Bloco dos Cabeções de Vila Prudente, que se uniram no cortejo fúnebre tocando um "toque de lamento" . À noite, a escola desfilou no Anhangabaú cumprindo a promessa: "Ela disse que mesmo se morresse, o samba deveria continuar. E nós temos que continuar" .[5]
- 1972 - A escola foi desclassificada no Grupo 2 com o enredo "Cem anos de poesia". O resultado negativo contrastou com a força demonstrada no ano anterior, mas não abalou a determinação da comunidade.
- 1973 - Vice-campeã do Grupo 3 com "País das Cores". O enredo celebrava a diversidade cultural e natural brasileira, em uma abordagem otimista e festiva.
- 1974 - 5º lugar no Grupo 2 com "Brasil, ontem, hoje e sempre". Novamente uma exaltação ao país, buscando conectar passado, presente e futuro em uma narrativa de esperança.
- 1975 - Vice-campeã do Grupo 2 com "Epopeia Negra". Este foi um marco na história da escola: o enredo contava a saga do povo negro desde a África até o Brasil, passando pela escravidão e chegando à resistência cultural. Era uma afirmação clara da identidade da escola e um prenúncio dos títulos que viriam.
- 1976 - 10º lugar no Grupo 1 (Grupo Especial) com "Tributo a Gonçalves Dias". Esta foi a primeira passagem da escola pelo elite do carnaval paulistano, conquistada pelos bons resultados anteriores. O enredo homenageava o poeta maranhense, autor de "Canção do Exílio", e sua obra que exaltava a natureza brasileira. A escola não conseguiu se segurar na primeira divisão, sendo rebaixada.
- 1977 - 5º lugar no Grupo 2 com "Tobias de Aguiar". Enredo de cunho histórico, homenageando o militar e político paulista, uma figura regional.
- 1978 - 3º lugar no Grupo 2 com "Apoteose do Samba". O enredo celebrava o próprio samba como gênero musical e manifestação cultural, exaltando seus ritmos, compositores e intérpretes. Foi um aquecimento para o título do ano seguinte.
- 1979 - Campeã do Grupo 2 com "O Ajuricaba filho da Amazônia" . Este foi o primeiro grande título da história do Príncipe Negro. O enredo contava a história de Ajuricaba, líder indígena da etmana Manaós que no século XVIII liderou a resistência contra os colonizadores portugueses na região amazônica. A escolha de um herói indígena, somada à tradição africana da escola, afirmava uma visão decolonial da história do Brasil, celebrando a resistência dos povos originários. Com este título, a escola garantiu o direito de desfilar no Grupo Especial (Grupo 1) em 1980.
- 1980 - 11º lugar no Grupo 1 (Especial) com "Cultura, divindades e tradições de um povo". Este desfile marcou a estreia de uma jovem intérprete que se tornaria um dos grandes nomes do carnaval paulistano: Eliana de Lima, que aos 18 anos gravou e defendeu o samba na avenida. O enredo mergulhava nas raízes africanas, abordando os orixás e as tradições religiosas de matriz africana. A escola foi rebaixada.
- 1981 - Vice-campeã do Grupo 2 com "Hoje tem feijoada" . O enredo celebrava um dos pratos mais emblemáticos da culinária afro-brasileira, a feijoada, associando-a à confraternização e à resistência cultural. Com o vice-campeonato, a escola retornou ao Grupo Especial.
- 1982 - 10º lugar no Grupo 1 com "Maravilhosa cidade". O enredo era uma exaltação à cidade de São Paulo, celebrando seus monumentos, bairros e diversidade. A escola não conseguiu se manter na elite, sendo novamente rebaixada.
- 1983 - A escola não desfilou, refletindo a crise interna e a dispersão de seus componentes.
- 1984 a 1987 - Neste período, a escola desfilou no Grupo de Seleção, com enredos que buscavam manter viva a chama da agremiação: "O Esplendor de Ouro Preto" (1984), exaltando a cidade histórica mineira; "Pernambuco" (1985), celebrando a cultura pernambucana; "O Menino Maluquinho" (1986), inspirado no personagem de Ziraldo; e "Rio Amazonas" (1987), novamente sobre a região amazônica. Eram desfiles com poucos recursos, refletindo as dificuldades financeiras e a redução do número de componentes.
- 1988 - 5º lugar no Grupo 3-UESP com "Exaltação à Zumbi". O enredo homenageava Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo da história brasileira, no ano do centenário da Abolição da Escravatura (1888-1988). A escolha do tema era uma afirmação política: enquanto o país celebrava os 100 anos da Lei Áurea, a Príncipe Negro lembrava que a liberdade não veio com a assinatura de uma lei, mas com a luta nos quilombos.
- 1989 - Vice-campeã do Grupo 3-UESP com "Rainha Negra". O enredo celebrava a figura da mulher negra, sua força, beleza e resistência, em um desfile que já apontava para a recuperação da escola.
- 1990 - 9º lugar no Grupo 2-UESP com "Quem Não Tem Balangandãs, Não Vai ao Bonfim". O enredo, inspirado na famosa frase associada à Igreja do Bonfim em Salvador, abordava as tradições sincréticas baianas e os objetos de proteção das religiões afro-brasileiras.
- 1991 - 8º lugar no Grupo 3-UESP com "Mistura de Raças". O tema celebrava a miscigenação brasileira, mas sob a ótica da valorização das três matrizes (indígena, africana e europeia), destacando a contribuição negra.
- 1992 - 12º lugar no Seleção-B com "O Verde é a Vida". Enredo ecológico, abordando a preservação da natureza, em um momento de crescente conscientização ambiental.
- 1993 - 6º lugar no Seleção-B com "História de Um Nêgo Véio". O enredo contava a história de um negro velho, suas memórias da escravidão, suas dores e sabedorias, em uma narrativa emocionante e profundamente identificada com a comunidade da escola.
- 1994 - 7º lugar no Seleção-A com "As Raízes Culturais". Uma volta às origens, celebrando as manifestações culturais populares brasileiras.
- 1995 - 4º lugar no Seleção-A com "As Belezas dos Mais Famosos Orixás". O enredo, assinado pela carnavalesca Julieta da Silva Vieira, abordava os orixás do candomblé, como Oxalá, Iemanjá, Oxum e Xangô, em uma celebração aberta da religiosidade afro-brasileira. Foi o prenúncio da retomada.
- 1996 - Campeã do Seleção-A com "As Principais Danças do Folclore Brasileiro" . Este foi o primeiro título em Cidade Tiradentes, logo no ano da chegada. A escola apresentou 500 componentes, distribuídos em 14 alas e 2 alegorias, com samba-enredo dos compositores G.B. Nascimento e Sônia Maria . A sinopse do enredo explicava que "as festas populares, com danças, música e desfile do povo; os folguedos infantis de rua; as comidas, doces e salgados; as bebidas de todos os dias de festa; os usos e costumes" constituem o folclore de um povo . O desfile percorria danças como o afoxé ("o sagrado participando do profano"), os caboclinhos (mistura de autos populares e tradições indígenas), o frevo ("filho legítimo da capoeira"), o maracatu (cortejo que do sagrado passou ao profano), a capoeira ("ao mesmo tempo uma luta e uma dança"), a congada (adaptação da "Canção de Rolando" com influência dos jesuítas) e, claro, o samba ("dança de origem africana, palavra que significa umbigada na língua angolesa") . A vitória foi a afirmação de que a escola sobreviveria e triunfaria no novo território.
- 1997 - 3º lugar no Grupo 3-UESP com "Kizomba". O enredo celebrava a cultura angolana e sua influência no Brasil, em sintonia com o movimento Black Rio e a valorização das raízes africanas contemporâneas.
- 1998 - Vice-campeã do Grupo 3-UESP com "Festas Populares". O desfile percorria as principais festas do calendário brasileiro, como o Bumba-meu-boi, a Festa do Divino, as Folias de Reis e o próprio Carnaval.
- 1999 - Vice-campeã do Grupo 3-UESP com "As Três Raças Que Deram Origem ao Povo Brasileiro". Em um momento de debates sobre ações afirmativas, o enredo buscava reequilibrar a narrativa da miscigenação, destacando o protagonismo negro e indígena.
- 2000 - Vice-campeã do Grupo 3-UESP com "Brasil dos Orixás - 500 Anos de Axé". O enredo foi uma resposta direta às comemorações oficiais dos 500 anos do "descobrimento" do Brasil. Enquanto o governo celebrava a chegada dos portugueses, a Príncipe Negro lembrava que o Brasil que existe é também o Brasil dos Orixás, construído sobre o axé e a resistência dos povos africanos. Foi uma afirmação política e religiosa de grande impacto.
- 2001 - 9º lugar no Grupo 2-UESP com "Signos, As Constelações do Zodíaco". Com carnavalesca Julieta da Silva Vieira, a escola abordou o tema da astrologia, conectando as estrelas e os signos com as personalidades humanas.
- 2002 - 7º lugar no Grupo 2-UESP com "Carnaval - A Magia Que Contagia o Povo Brasileiro". Um metatenma, celebrando o próprio carnaval como fenômeno cultural que mobiliza o país.
- 2003 - Campeã do Grupo 3-UESP com "A Receita da Sorte e Proteção" . O enredo abordava as simpatias, amuletos e rituais de proteção presentes nas culturas populares e religiosas brasileiras, especialmente nas tradições afro-indígenas.
- 2004 - 8º lugar no Grupo 2-UESP com "Sampa Turismo Divirta-se. Uma Visão Turística de São Paulo". O enredo, de certa forma irônico para uma escola da periferia, convidava a conhecer São Paulo sob uma ótica turística, destacando pontos como a Avenida Paulista, o Parque Ibirapuera e, quem sabe, a própria Cidade Tiradentes.
- 2005 - 3º lugar no Grupo 2-UESP com "Lenda Africana: Contos e Encantos de Oyá" . A carnavalesca Julieta da Silva Vieira assinou este desfile dedicado a Oyá-Iansã, orixá dos ventos, tempestades e do fogo, senhora dos eguns (espíritos dos mortos). O enredo contava lendas e mitos dessa poderosa divindade feminina.
- 2006 - 10º lugar no Grupo 1-UESP com "Circuito da Folia, Carnaval no Nordeste". A escola celebrou as diversas formas de carnaval no Nordeste brasileiro, do frevo pernambucano ao axé baiano, passando pelo maracatu e pelo bloco de rua.
- 2007 - 6º lugar no Grupo 2-UESP com "O Príncipe da Corte dos Orixás" . O enredo construía a figura de um "príncipe" que percorria a corte dos orixás, sendo recebido por cada um deles e aprendendo seus segredos e sabedorias.
- 2008 - 4º lugar no Grupo 2-UESP com "120 Anos da Abolição da Escravatura" . Novamente, a escola marcava posição diante de uma data oficial: enquanto o país lembrava os 120 anos da Lei Áurea, a Príncipe Negro problematizava o significado da "abolição", lembrando a exclusão social e a falta de políticas de reparação aos negros libertos.
- 2009 - 9º lugar no Grupo 1-UESP com "Obará, Oxé, Iká – Ori Ilê-Axé". O enredo, cujo título traz termos em iorubá, adentrava os segredos do candomblé, referindo-se a elementos rituais e à importância do Ori (a cabeça, o destino) e do Ilê-Axé (a casa de culto).
- 2010 - 11º lugar no Grupo 1-UESP com "Príncipe Negro, Exalta as Festas e Faz a Festa". O enredo celebrava as festas populares brasileiras, em uma abordagem alegre e descontraída, com a escola como protagonista da festa.
- 2011 - 9º lugar no Grupo 2-UESP com "Festival folclórico de Parintins". O enredo homenageava o famoso festival boi-bumbá de Parintins, no Amazonas, celebrando a rivalidade entre os bois Garantido e Caprichoso e as lendas da região.
- 2012 - 9º lugar no Grupo 2-UESP com "Príncipe Negro na festa do Halloween". Um dos enredos mais polêmicos e criativos da escola, abordava a festa do Halloween (Dia das Bruxas) sob a ótica da cultura popular brasileira, estabelecendo um paralelo com entidades como saci, mula sem cabeça e outras figuras do folclore nacional.
- 2013 - 9º lugar no Grupo 2-UESP com "Príncipe Negro exalta as nações do Candomblé!". O enredo celebrava as diferentes nações do candomblé (Ketu, Jeje, Angola), destacando suas particularidades, rituais e divindades, em mais uma afirmação da identidade religiosa da escola
- 2014 - 5º lugar no Grupo 2-UESP com "Lenda Afro-Indígena – Maculele Karingana Ua Karingana" . Compositores: Vladimir "Santista", André Ricardo, Dema, Afonsinho BV, Minuetto e Marcelo Tamborim. O enredo celebrava o Maculelê, dança dramática de origem afro-indígena que simula uma luta com bastões, associada à cultura de Santo Amaro, na Bahia. "Karingana Ua Karingana" é uma expressão em língua africana que remete ao ato de contar histórias. O desfile celebrava os 50 anos da escola, completados naquele ano.
- 2015 - 12º lugar no Grupo 2-UESP com "Jureme, Jurema" . Compositores: André Ricardo, Vladimir, Afonsinho BV, Minuetto e Febem da Cuíca. O enredo abordava a Jurema, árvore sagrada e também nome de uma entidade espiritual presente em cultos de matriz indígena e africana, especialmente na Umbanda e no Catimbó. Foi o último ano de Inhana na presidência; em 2015, ela passou o cargo para sua filha, Gleice Kathleen.
- 2016 - 8º lugar no Grupo 3-UESP com "Tradições Nordestinas" . Compositores: Vladimir, André Ricardo e Dema. O enredo celebrava a cultura nordestina, tão presente na periferia paulistana, com suas danças, comidas típicas e manifestações como o repente, a embolada e o forró.
- 2017 - 4º lugar no Grupo 3-UESP com "Respeitável Público - Do olhar do Príncipe Negro a grande magia do circo". O enredo homenageava o universo circense, com suas cores, alegrias e personagens, estabelecendo um paralelo entre a magia do circo e a magia do carnaval.
- 2018 a 2023 - A escola alternou participações nos grupos de acesso, mantendo a tradição de enredos afro-brasileiros e de valorização da cultura popular.
- 2024 - 12º lugar no Acesso de Bairros 1 com enredo em homenagem aos 60 anos da escola. A celebração do sexagenário reafirmou a trajetória de resistência e a importância da agremiação para o carnaval paulistano.
- 2025 - 7º lugar no Grupo 4 com "A Herança de Um Povo: Príncipe Negro Canta o Legado Africano e Suas Riquezas". O enredo abordava o legado material e imaterial deixado pelos povos africanos, em suas contribuições para a ciência, arte, tecnologia e cultura brasileira .
- 2026 - A escola prepara o enredo "Herança Ancestral, o Axé Que Nos Guia – Dos ventos de Angola, ecoa a força dos ancestrais", dando continuidade à sua tradição de valorização da cultura afro-brasileira e celebrando as raízes angolanas do samba e do povo brasileiro.
Segmentos
[editar | editar código]Presidentes
[editar | editar código]| Nome | Mandato | Ref. |
|---|---|---|
| Rossimara Vieira Isaias "Inhana" | ?–2014 | [6] |
| Gleice Kathleen Aparecida Vieira Isaías | 2015–atualidade | [7] |
Diretores
[editar | editar código]| Ano | Diretor de Carnaval | Diretor geral de harmonia | Mestre de bateria | Ref. |
|---|---|---|---|---|
| 2015 | Inhana | Neia | Comissão de bateria | [7] |
| 2016 | Gleicy | Neia | Denis | |
| 2017 | Gleicy | Gizelle | Fabio | |
| 2018 | Gleicy | Romao | Romao Cesar e Fabio | |
| 2026 | Comissão de Carnaval | Rose | Romão Cezar | [8] |
Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira
[editar | editar código]| Ano | Nome | Ref. |
|---|---|---|
| 2013 | Marlon Lamar e Jessika Barbosa | |
| 2014-2015 | Edmilson Dias e Cida | [7] |
| 2018 | Guilherme Alves e Cida | |
| 2024-2026 | Julio Cesar e Nicinha Simpatia | [9] |
Intérpretes
[editar | editar código]| Ano | Nome | Ref. |
|---|---|---|
| 2026 | André Ricardo, Giselle Bidu, Lua Lucas e Cintia | [8] |
Carnavais
[editar | editar código]| Príncipe Negro de Cidade Tiradentes | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Ano | Colocação | Grupo | Enredo | Carnavalesco | Ref |
| 1968 | 6º lugar | 3 | Navio Negreiro | ||
| 1969 | Vice-campeã | 3 | As Flores não falam | ||
| 1970 | Vice-campeã | 2 | Salve meu Brasil | ||
| 1971 | Vice-campeã | 2 | Coisas lindas do meu país | ||
| 1972 | Desclassificada | 2 | Cem anos de poesia | ||
| 1973 | Vice-campeã | 3 | País das Cores | ||
| 1974 | 5º lugar | 2 | Brasil,ontem, hoje e sempre | ||
| 1975 | Vice-campeã | 2 | Epopeia Negra | ||
| 1976 | 10º lugar | 1 | Tributo a Gonçalves Dias | ||
| 1977 | 5º lugar | 2 | Tobias de Aguiar | ||
| 1978 | 3º lugar | 2 | Apoteose do Samba | ||
| 1979 | Campeã | 2 | O Ajuricaba filho da Amazônia | ||
| 1980 | 11º lugar | 1 | Cultura,divindades e tradições de um povo | ||
| 1981 | Vice-campeã | 2 | Hoje tem feijoada | ||
| 1982 | 10º lugar | 1 | Maravilhosa cidade | ||
| 1983 | Não Desfilou | ||||
| 1984 | 9º lugar | Grupo de Seleção | O Esplendor de Ouro Preto | ||
| 1985 | 8º lugar | Grupo de Seleção | Pernambuco | ||
| 1986 | 9º lugar | Grupo de Seleção | O Menino Maluquinho | ||
| 1987 | 8º lugar | Grupo de Seleção | Rio Amazonas | ||
| 1988 | 5º lugar | 3-UESP | Exaltação à Zumbi | ||
| 1989 | Vice-campeã | 3-UESP | Rainha Negra | ||
| 1990 | 9º lugar | 2-UESP | Quem Não Tem Balangandãs, Não Vai ao Bonfim | ||
| 1991 | 8º lugar | 3-UESP | Mistura de Raças | ||
| 1992 | 12º lugar | Seleção-B | O Verde é a Vida | ||
| 1993 | 6º lugar | Seleção-B | História de Um Nêgo Véio | ||
| 1994 | 7º lugar | Seleção-A | As Raízes Culturais | ||
| 1995 | 4º lugar | Seleção-A | As Belezas dos Mais Famosos Orixás | ||
| 1996 | Campeã | Seleção-A | As Principais Danças do Folclore Brasileiro | ||
| 1997 | 3º lugar | 3-UESP | Kizomba | ||
| 1998 | Vice-campeã | 3-UESP | Festas Populares | ||
| 1999 | Vice-campeã | 3-UESP | As Três Raças Que Deram Origem ao Povo Brasileiro | ||
| 2000 | Vice-campeã | 3-UESP | Brasil dos Orixás - 500 Anos de Axé | ||
| 2001 | 9º lugar | 2-UESP | Signos, As Constelações do Zodiaco | Julieta da Silva Vieira | |
| 2002 | 7º lugar | 2-UESP | Carnaval - A Magia Que Contagia o Povo Brasileiro | Julieta da Silva Vieira | |
| 2003 | Campeã | 3-UESP | A Receita da Sorte e Proteção | Julieta da Silva Vieira | |
| 2004 | 8º lugar | 2-UESP | Sampa Turismo Divirta-se. Uma Visão Turística de São Paulo | ||
| 2005 | 3º lugar | 2-UESP | Lenda Africana: Contos e Encantos de Oyá | Julieta da Silva Vieira | |
| 2006 | 10º lugar | 1-UESP | Circuito da Folia, Carnaval no Nordeste | Julieta da Silva Vieira | |
| 2007 | 6º lugar | 2-UESP | O Príncipe da Corte dos Orixás | Julieta da Silva Vieira | |
| 2008 | 4º lugar | 2-UESP | 120 Anos da Abolição da Escravatura | Julieta | |
| 2009 | 9º lugar | 1-UESP | Obará, Oxé, Iká –Ori Ilê-Axé | Julieta | |
| 2010 | 11º lugar | 1-UESP | Príncipe Negro, Exalta as Festas e Faz a Festa | Julieta | |
| 2011 | 9º lugar | 2-UESP | Festival folclórico de Parintins | ||
| 2012 | 9º lugar | 2-UESP | Príncipe Negro na festa do Halloween | Julieta da Silva Vieira | |
| 2013 | 9º Lugar | 2-UESP | Príncipe Negro exalta as nações do Candomblé! | ||
| 2014 | 5º lugar | 2-UESP | Lenda Afro-Indigena – Maculele Karingana Ua Karingana
Compositores:Vladimir "Santista", André Ricardo, Dema, Afonsinho Bv, Minuetto e Marcelo Tamborim. |
Julieta da Silva Vieira | [10][6] |
| 2015 | 12º lugar | 2-UESP | Jureme, Jurema
Compositores:André Ricardo, Vladimir, Afonsinho BV, Minuetto e Febem da Cuíca |
Afonsinho BV | [7] |
| 2016 | 8º lugar | 3-UESP | Tradições Nordestinas
Compositores:Vladimir, André Ricardo e Dema |
[11][12] | |
| 2017 | 4º lugar | 3-UESP | Respeitável Público - Do olhar do Príncipe Negro a grande magia do circo | Julieta Silva | |
| 2018 | 9º lugar | 3-UESP | Negra Mulher – Príncipe Negro exalta a raiz ancestral guerreira | Vinny Bichara | [13] |
| 2019 | 10° lugar | 3-UESP | De Canudos para o Mundo. Entre Becos e Vielas meu Nome é Favela | Vinny Bichara | [14] |
| 2020 | 9º lugar | Acesso 1 de Bairros | Alawo Ewe Ni Aye o verde é vida, Príncipe Negro um canto à ecologia | Filipi Dellatorre | [15] |
| 2021 | Inicialmente adiados para o mês de julho, os desfiles do Carnaval 2021 foram cancelados devido a pandemia de Covid-19. | [16] | |||
| 2022 | 9º lugar | Acesso 1 de Bairros | Carnaval! Samba é resistência | [17] | |
| 2023 | 4º lugar | Acesso 1 de Bairros | [18] | ||
| 2024 | 12º lugar | Acesso 1 de Bairros | Príncipe Negro comemora 60 anos de história de no Carnaval de São Paulo | [19] | |
| 2025 | 7º lugar | Acesso 2 de Bairros | A Herança de um Povo: Príncipe Negro Canta o Legado Africano e Suas Riquezas | [9] | |
| 2026 | 9º lugar | Acesso 2 de Bairros | Nação Angola: Herança ancestral, o axé que nos guia. Dos ventos de Angola, ecoa a força dos ancestrais | Comissão de Carnaval | [8][1] |
| 2027 | Acesso 2 de Bairros | ||||
Títulos
[editar | editar código]| Títulos do Príncipe Negro | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Divisão | Total | Ano | |||
| Grupo 2 (atual Acesso 1) | 1 | 1979 | |||
| Grupo Seleção-A / Grupo 3-UESP | 2 | 1996, 2003 | |||
Ver também
[editar | editar código]- Carnaval no Brasil
- Carnaval da cidade de São Paulo
- Escola de samba
- Lista de escolas de samba e blocos carnavalescos de São Paulo
- Estrela Cadente (escola de samba)
- Cabeções de Vila Prudente
- União Independente da Vila Prudente
Referências
- ↑ a b c d Silva, Gleuson Pinheiro (23 de julho de 2020). «Raça, cultura e disputa territorial: o caso do Príncipe Negro da cidade Tiradentes». Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Estudo mostra como expulsão de negros formou bairro periférico em SP». Agência Brasil. 9 de março de 2024. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ Paulo, Do G1 São (30 de outubro de 2013). «Veja mudanças nas linhas de ônibus na Zona Leste de SP». São Paulo. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q Belo, Vanir de Lima (1 de julho de 2009). «Carnaval das Escolas de Samba: profissionalização e ação social». Ponto Urbe. Revista do núcleo de antropologia urbana da USP (em francês) (4). ISSN 1981-3341. doi:10.4000/pontourbe.1992. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Tia Geraldina ia desfilar pela 1ª vez, mas morreu no carnaval de 1971: 'A minha escola está linda'». Estadão. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Carnaval 2014. «Carnaval 2014». Arquivado do original em 31 de maio de 2014
- ↑ a b c d «Carnaval 2015». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026. Arquivado do original em 8 de dezembro de 2015
- ↑ a b c «Acesso de Bairros 2 2026». UESP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ a b «Acesso de Bairros 2 2025». UESP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ SASP. «Carnaval 2014». Consultado em 31 de maio de 2014. Arquivado do original em 31 de maio de 2014
- ↑ «Carnaval 2016». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Uesp define suas campeãs de 2016». Sidney Rezende. Consultado em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Grupo 3». UESP. Consultado em 25 de janeiro de 2018
- ↑ «Central do Carnaval 2019». SASP. Consultado em 25 de janeiro de 2019
- ↑ «Central do Carnaval 2020». SASP. Consultado em 17 de fevereiro de 2020
- ↑ Santiago, Tatiana (12 de fevereiro de 2021). «Após adiar carnaval em 2021, Prefeitura de SP anuncia cancelamento da festa neste ano». G1. Consultado em 28 de abril de 2021
- ↑ «Confira o resultado final do carnaval 2022». SASP. Consultado em 3 de junho de 2022
- ↑ «Central do Carnaval 2023». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2023
- ↑ «Agremiações 2024». UESP. Consultado em 15 de fevereiro de 2024
