Ir para o conteúdo

Estrela Cadente (escola de samba)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Casa do Samba Estrela Cadente
Fundação 1 de janeiro de 2001 (25 anos)
Escola-madrinha Flor da Vila Dalila
Cores      Turquesa      Branco (atuais)
     Azul      Vermelho      Preto (históricas)
Símbolo Estrela Cadente
Bairro Vila Jacuí, São Miguel Paulista, São Paulo
Presidente Raphael Maslionis
Yves Alexeiv
Presidente de honra Ricardo Estrela (in memoriam)
Desfile de 2026
Enredo Moradia é um Direito

A Casa do Samba Estrela Cadente (anteriormente Centro Recreativo e Cultural da Escola de Samba Estrela Cadente - CRCAES Estrela Cadente) é uma escola de samba brasileira com sede na Vila Jacuí, distrito de São Miguel Paulista, na Zona Leste da cidade de São Paulo. Fundada em 1º de janeiro de 2001 no bairro Cidade Tiradentes por sambistas oriundos da Baixada Santista, foi a segunda escola de samba fundada no distrito, ao lado da tradicional Príncipe Negro – com quem sempre manteve uma relação de coexistência pacífica e sem rivalidades, cada uma representando diferentes facetas da cultura local. A agremiação construiu uma trajetória de mais de duas décadas marcada por títulos expressivos, graves crises estruturais, dois períodos de suspensão e uma reinvenção profunda em meados da década de 2020. Em 2025, passou por uma reestruturação administrativa e filosófica, adotando o nome Casa do Samba Estrela Cadente e transferindo sua sede para a Vila Jacuí, mantendo, contudo, seu CNPJ original e sua data de fundação. O projeto, focado em transformação social e enredos de relevância política, culminou com a vitória inédita no Carnaval de 2026 no Grupo de Acesso de Bairros 3 da UESP.

História

[editar | editar código]

Das origens na Baixada Santista à fundação em Cidade Tiradentes (2001)

[editar | editar código]

A história da Estrela Cadente está profundamente enraizada na rica tradição do Carnaval da Baixada Santista, uma região litorânea de São Paulo reconhecida nacionalmente desde o final do século XIX como um dos polos carnavalescos mais vibrantes do país e um celeiro de grandes sambistas. Foi nesse ambiente de efervescência cultural que Ricardo Estrela, figura central da futura agremiação, cresceu imerso no universo do samba, absorvendo ritmos, tradições e o amor pela folia. Embora as fontes históricas não especifiquem a qual escola santista ele pertencia, o contexto da época é revelador: entre 2001 e 2005, a cidade de Santos viveu um hiato nos seus desfiles oficiais, o que pode ter servido como um catalisador para o sonho de transplantar essa paixão para a capital paulista, criando um espaço onde a tradição santista pudesse florescer em novo solo.[1]

Foi assim que, em 1º de janeiro de 2001, Ricardo Estrela uniu-se a outros sambistas — Álvaro Fumaça, Filinho e Matozo — para fundar o Centro Recreativo e Cultural da Escola de Samba Estrela Cadente (CRCAES Estrela Cadente). A escolha do nome e das cores originais — azul, vermelho e preto — foi uma homenagem direta ao fundador, trazendo consigo a carga simbólica do sonho que ele carregava desde o litoral.[1]

O local escolhido para fincar as primeiras bandeiras foi o distrito de Cidade Tiradentes, na extrema Zona Leste de São Paulo. A decisão, longe de ser aleatória, refletia uma percepção aguda das carências e potencialidades daquele território. Cidade Tiradentes é um dos maiores complexos habitacionais da América Latina, fruto de políticas públicas de remoção de favelas e reassentamento populacional a partir da década de 1980. Na virada do século, o bairro era tipicamente classificado como uma "cidade-dormitório": gigantesco, populoso, porém drasticamente carente de infraestrutura, opções de lazer, equipamentos culturais e transporte público de qualidade. A população, majoritariamente trabalhadora e de baixa renda, enfrentava longas jornadas de deslocamento diário para o centro expandido, deixando o bairro como um local de passagem e descanso, com poucas oportunidades de integração comunitária e expressão cultural. Foi nesse cenário de desafios que a Estrela Cadente surgiu, oferecendo não apenas entretenimento, mas um poderoso instrumento de pertencimento, identidade e orgulho local.

A primeira diretoria, formada após um campeonato interno, refletia esse espírito comunitário e contava com Ricardo Estrela (presidente), Dona Mazé (vice-presidente), João do Carmo (diretor de carnaval), além de Álvaro Fumaça, Jamaica e Mi na harmonia.[1]

Glórias em Cidade Tiradentes: a força da comunidade (2002-2009)

[editar | editar código]

O primeiro desfile oficial da escola, em 2002, já demonstrou sua pujança. Com o enredo infantil "Criança – Paz e esperança na magia do mundo infantil", a Estrela Cadente sagrou-se campeã de seu grupo. O regulamento da época, no entanto, impedia o acesso imediato, exigindo que a escola somasse pontuação durante três anos para conquistar a ascensão.[1] Ainda assim, a semente estava lançada.

Os anos seguintes consolidaram a agremiação como uma força emergente no cenário do samba paulistano. Em 2004, sob a presidência de Ricardo da Rocha Dantas, a escola apresentou o enredo "Encanto e Magia nas Histórias da Vovó", assinado por Filhinho do Grimaldi, e contou com um time de intérpretes formado pelo próprio fundador Ricardo Estrela, ao lado de Álvaro Fumaça e Minho, obtendo a 11ª colocação no Grupo de Espera.[2]

O ponto alto dessa primeira fase, no entanto, foi o carnaval de 2006. Com um enredo que exaltava a própria identidade local, intitulado "Cidade Tiradentes: quem te viu e quem te vê, de bairro dormitório a polo de comércio na zona Leste", a Estrela Cadente foi campeã com uma vantagem expressiva sobre as concorrentes.[3] Mais do que a vitória, o que marcou aquele desfile foi a demonstração de força comunitária: a escola apresentou o maior número de componentes do grupo, provando que o samba era capaz de mobilizar e unir a população de um bairro tão vasto e fragmentado. O desfile de 2006 ganhou contornos históricos também pela presença ilustre de Bruno Covas (neto do engenheiro Paulo Sérgio Covas, um dos responsáveis pelo projeto de construção do bairro), que desfilou no carro abre-alas, simbolizando uma integração simbólica entre o poder público e a iniciativa cultural da região.[1]

Naquele período, a agremiação consolidou-se como uma das principais forças do extremo leste, ao lado da tradicional Príncipe Negro – primeira escola fundada no distrito. É importante notar que, ao contrário do que se poderia supor, não havia rivalidade entre as duas escolas. Ambas coexistiam em seus territórios, representando diferentes facetas da cultura local: enquanto a Príncipe Negro ostentava a tradição de uma comunidade mais antiga, a Estrela Cadente representava a pujança e a energia de uma nova população em busca de afirmação identitária. Ambas compartilhavam o objetivo comum de levar arte e entretenimento à periferia. O próprio samba-enredo de 2006 fazia referência à coirmã: "Príncipe Negro samba tradição / Aqui na Zona Leste eu também sou campeão".[3]

Em 2007, a escola obteve um 3º lugar no Grupo 1 com o enredo "Belas Artes – 20 anos de Escalet".[4] O ano de 2008, porém, registra uma informação curiosa: segundo o portal Brasil Carnaval, a escola não desfilou naquele ano.[5] As razões para essa ausência não são claras, mas podem indicar as primeiras dificuldades estruturais que viriam a se agravar. Em 2009, a escola retornou com o enredo "O fantástico mundo das crianças", obtendo a 14ª colocação no Grupo 3-UESP,[6] um sinal de alerta para os problemas que se avizinhavam.

A crise de 2010 e o primeiro período de suspensão (2010-2015)

[editar | editar código]

O crescimento rápido e a mobilização comunitária, por si só, não foram suficientes para sustentar a agremiação diante das exigências burocráticas e estruturais do carnaval. Diferente da estrutura mais consolidada da Príncipe Negro, que contava com uma sede própria e uma comunidade mais enraizada, a Estrela Cadente enfrentou problemas crônicos para manter o número de componentes e a organização financeira ano após ano.

No carnaval de 2010, a escola obteve uma pontuação abaixo do mínimo exigido pelo regulamento da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP). Como consequência direta, a agremiação foi suspensa por cinco anos dos desfiles oficiais.[1] Foi um golpe duríssimo. O período entre 2011 e 2015 marcou um hiato forçado, um silêncio na avenida que relegou a escola a um período de reorganização nos bastidores, mantendo a chama acesa apenas na memória e na esperança de seus fundadores e integrantes mais fiéis. Não se trata de uma licença ou pausa voluntária, mas de uma suspensão imposta pelo regulamento, um momento de reclusão e reflexão sobre os erros do passado.

O retorno e a luta diária: a era da família Balbino e Dario Nascimento (2016-2023)

[editar | editar código]

O retorno à ativa em 2016 foi marcado pela formação de um novo quadro de diretores, com a chegada de figuras determinantes para a sobrevivência da escola. Sob a liderança de Anderson Balbino (que assumiu a presidência) e do experiente carnavalesco Dario Nascimento, e contando com o apoio fundamental da matriarca Dona Gilce Balbino (mãe de Anderson), a escola reapresentou-se à cidade com o enredo "Respeitável público. Abre os portais da magia para o grande picadeiro místico", conquistando um honroso 4º lugar.[1]

Uma das histórias mais emblemáticas e comoventes dessa fase foi retratada pelo jornal O Estado de S. Paulo no Carnaval de 2016, em uma reportagem intitulada "A festa dos nossos trapos coloridos". A saga da família Balbino, em sua casa na Rua Jorge Riguetti, em Cidade Tiradentes, tornou-se um símbolo da crueza e da beleza do carnaval de bairro, movido unicamente pela paixão e pela força da comunidade.[7]

Na falta de recursos e de um barracão oficial, a família transformou o quintal de casa em um ateliê e fábrica de fantasias. Dona Gilce, uma costureira experiente, passava horas diante de sua máquina Singer com quase meio século de uso, costurando peças com esmero. As fantasias eram criadas a partir da reciclagem de materiais doados ou garimpados no "lixo" de outras escolas de samba mais estruturadas. O carro alegórico, único, foi emprestado pela Gaviões da Fiel, e estacionado na garagem da casa, coberto com lonas para se proteger das chuvas de verão. A bateria, coração da escola, contava com 30 componentes e instrumentos em sua maioria de segunda mão, alguns recauchutados com esforço.[7]

A vizinhança, aos poucos, foi tomando partido. Os ensaios aconteciam na própria rua, e os moradores saíam de suas casas, ocupavam as calçadas com cadeiras de plástico, subiam nos lajes para acompanhar o batuque. O ensaio geral de quinta-feira, descrito na reportagem, mostrava a comissão de frente formada por estudantes, atendentes de telemarketing e desempregados; a porta-bandeira Foguetão, que dormia no sofá da sala para ajudar nos ajustes finais; e o mestre-sala Napa, surgido como um salvação de última hora. Era o retrato mais puro da resistência cultural na periferia.[7]

Os anos seguintes foram de altos e baixos na classificação, mas de uma luta incessante nos barracões improvisados. Dario Nascimento tornou-se o guardião da chama criativa, assinando a maioria dos desfiles. Em 2017, com "A Estrela Cadente chegou... Então faça o seu pedido", ficou em 7º lugar. Em 2018, "Oceanus, a Epopeia dos Mares" rendeu um 6º lugar.[8] Em 2019, já no Acesso 2 de Bairros, o enredo "Deixa a Tristeza pra Lá, eu Quero é ser Feliz!", agora com o carnavalesco Nathan Vinicius, resultou em um 12º lugar.[9] Em 2020, de volta ao comando de Dario Nascimento e com o enredo "Na passarela do Samba de Jorge Ben, o Samba Rock é a Estrela Principal!", a escola foi 8ª no Acesso 3 de Bairros.[10] Após o cancelamento dos desfiles em 2021 devido à pandemia de Covid-19,[11] a escola retornou em 2022 com "As sete estrelas da linha da Umbanda, meu terreiro de bamba!", conquistando um 7º lugar.[12]

No entanto, a falta de recursos e, principalmente, de componentes, continuou sendo um problema crônico e não resolvido. Em 2023, após o desfile "Água, Dádiva da vida", a escola obteve um mau resultado (13º lugar)[13] que, somado à dificuldade crônica de reunir um número mínimo de desfilantes, resultou em uma nova suspensão, desta vez de um ano.[1] O fantasma que já havia causado a paralisação em 2010 voltava a assombrar a agremiação. A localização em Cidade Tiradentes, embora profundamente simbólica e cheia de significado afetivo, tornava-se um obstáculo logístico para atrair novos componentes de outras regiões da cidade, e a estrutura familiar e precária, que havia garantido a sobrevivência por tantos anos, mostrava seus limites para alavancar o crescimento.

A reinvenção: Casa do Samba Estrela Cadente e a nova sede em Vila Jacuí (2025)

[editar | editar código]

Diante do segundo afastamento em pouco mais de uma década, a direção da escola entendeu que a sobrevivência dependia de uma reinvenção profunda. Não bastava apenas retornar; era preciso repensar o modelo de gestão, a proposta artística e até mesmo o território de atuação. A solução encontrada foi uma parceria com um novo grupo gestor, liderado por Judson Sales, Raphael Maslionis e Yves Alexeiv, que assumiram a presidência com uma proposta inovadora e profissionalizante.[14]

Em 9 de julho de 2025, em uma cerimônia realizada no Mirante do Vale, um dos edifícios mais emblemáticos do centro de São Paulo, foi lançada a Casa do Samba Estrela Cadente. O novo nome representava mais que uma simples alteração comercial; era a fundação de uma nova identidade e um novo propósito. A sigla CRCAES (Centro Recreativo e Cultural da Escola de Samba) deu lugar a um conceito mais amplo: "Casa do Samba" simbolizava um espaço de acolhimento, formação, resistência cultural e transformação social, para além de uma mera agremiação carnavalesca que existe apenas para o desfile. A proposta era ser uma plataforma de cultura e educação durante todo o ano.[14]

A nova gestão também anunciou a mudança da sede para a Vila Jacuí, um sub-bairro do distrito de São Miguel Paulista, também na Zona Leste, mas estrategicamente mais próximo do centro e com melhores acessos e infraestrutura do que a distante Cidade Tiradentes. São Miguel Paulista é uma região com tradição operária e uma história de luta e organização popular, que remonta às antigas indústrias e à ferrovia. A mudança visava aproximar a escola de um novo público, facilitar o deslocamento de componentes e colaboradores, e viabilizar parcerias com equipamentos culturais e sociais da região. Um ponto crucial, porém, foi mantido: o CNPJ da escola não foi alterado, preservando sua data de fundação original (2001) e toda a sua trajetória histórica, garantindo a continuidade legal e simbólica com o passado.[14]

O manifesto da nova gestão era claro e ambicioso: a agremiação prometia "fazer enredos importantes, emoção na Avenida e principalmente transformação na vida das pessoas", apostando em um time jovem e profissional para comandar o carnaval. A apresentação no Mirante do Vale contou com a presença de lideranças de escolas consagradas como Rosas de Ouro, Acadêmicos do Tatuapé e Mocidade Alegre, sinalizando o apoio e o reconhecimento da comunidade do samba a esse novo e ousado projeto.[14]

A consagração: a vitória de 2026 com o enredo do MTST

[editar | editar código]

Para o Carnaval de 2026, a Casa do Samba Estrela Cadente mostrou que a nova proposta não era apenas discurso. Com o enredo "Moradia é um Direito", a escola fez uma ode ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de São Paulo, baseando-se na tríade de princípios do movimento: "teto, trabalho e pão". Foi a primeira vez que um movimento social inspirou o enredo de escolas de samba em São Paulo e no Rio de Janeiro.[15]

O samba-enredo, composto por Júlio Hercowitz, Fabio Gonçalves, Ezequiel Arruaça e Paulinho Folhas Secas, e interpretado por Cacá Camargo, denunciava com força poética a especulação imobiliária, a gentrificação e a omissão do Estado frente ao déficit habitacional, ao mesmo tempo em que celebrava a organização popular, a luta por dignidade e a esperança de uma moradia para todos.[16] O lançamento oficial ocorreu em 27 de setembro de 2025, ao lado do Casarão Cultural do MTST – Espaço Lélia Gonzalez, no Bixiga, um símbolo da resistência urbana e cultural paulistana. Na ocasião, foram empossados o casal de mestre-sala e porta-bandeira Renato Neto e Hanna Rodrigues, e coroada a rainha de bateria Graziela Bastos, à frente da bateria "Invocada da Casa", comandada por Mestre Vitão.[17]

A estética do desfile foi igualmente inovadora e alinhada ao discurso político. Sob a direção artística de Gleuson Pinheiro, em colaboração com Fábio Souza e a rainha de bateria Graziela Bastos (que também atuou na direção artística), as fantasias foram criadas de forma integralmente sustentável, utilizando materiais reutilizados como tampinhas de garrafa, garrafas PET, sacos de lixo, sobras de espuma e cápsulas de café.[18] Essa escolha consciente transformou o desfile em uma poderosa reflexão sobre meio ambiente, consumo e dignidade, provando que era possível fazer um carnaval bonito, impactante e politicamente engajado com poucos recursos financeiros, mas com muita criatividade e consciência.

O pré-carnaval da escola foi um sucesso de comunicação e visibilidade. O clipe do samba-enredo, gravado no heliponto do Edifício Copan, um dos cartões-postais modernistas de São Paulo, com a imensidão de prédios ao fundo, viralizou nas redes sociais e trouxe atenção nacional para a proposta da escola.[16] A imagem contrastante da beleza arquitetônica da cidade com a dura realidade da falta de moradia para milhares de pessoas foi uma poderosa síntese visual do enredo. O ensaio fotográfico das fantasias, realizado nas ruas da cidade pela fotógrafa Liz Yau (responsável pela comunicação da escola), foi amplamente elogiado pela crítica especializada e por veículos de imprensa como o Portal Terra, que destacaram a beleza, a originalidade e a força da mensagem por trás das criações.[19]

No dia do desfile, 14 de fevereiro de 2026, a Avenida Eliseu de Almeida, no Butantã, foi tomada pela emoção. Como oitava escola a desfilar no sábado de Carnaval pelo Grupo de Acesso de Bairros 3 da UESP, a Casa do Samba Estrela Cadente apresentou um desfile tecnicamente competente, visualmente arrebatador e emocionalmente profundo. A bateria "Invocada", comandada por Mestre Vitão, sustentou o ritmo com segurança. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Renato Neto e Hanna Rodrigues conduziu o pavilhão com elegância e imponência. A rainha de bateria Graziela Bastos liderou sua ala com a energia de quem também ajudou a conceber aquele espetáculo. A escola inteira cantou o samba com um fervor que parecia ser a celebração de uma vitória que já se anunciava antes mesmo das notas.

E a vitória veio. A Casa do Samba Estrela Cadente foi declarada campeã do Grupo de Acesso de Bairros 3, conquistando seu primeiro título na nova fase e garantindo o acesso para o Grupo de Acesso de Bairros 2 para o Carnaval de 2027. O título não foi apenas esportivo; foi a validação de um novo modelo de fazer carnaval, que une a paixão tradicional do samba de bairro com uma gestão profissional, enredos de forte relevância social e um profundo engajamento com as lutas populares. A Estrela Cadente, que um dia caiu por falta de gente, renasceu das cinzas como Casa do Samba, provando que o carnaval pode, sim, ser uma poderosa ferramenta de transformação social e que, para uma estrela, cair pode ser apenas o começo de uma nova e brilhante trajetória ascendente.

Segmentos

[editar | editar código]

Presidentes

[editar | editar código]
Nome Mandato Ref.
Ricardo Estrela 2001 - meados dos anos 2000 [1]
Dona Mazé meados dos anos 2000 [1]
Ricardo da Rocha Dantas 2004 [2]
Anderson Balbino meados da década de 2010 - até 2021 [7]
Dario Nascimento 2022 - 2024
Judson Sales, Raphael Maslionis e Yves Alexeiv 2025 (transição) [14]
Raphael Maslionis e Yves Alexeiv 2025 - atualidade [14]

Diretores

[editar | editar código]
Período Diretor de Carnaval Direção Geral de Harmonia Mestre de Bateria Ref.
2017 Cleiton Balbino e Gilce Merenciana Neto Reis Cleiton Balbino
2019 Ednaldo Santos Anderson Balbino Mestre Leonardo Santos
2020 Comissão Márcia Gorete e Vera Lúcia Mestre Leonardo Santos
2023 Dema Vai-Vai Henrique Silva Mestre Leonardo Santos
2026 Comissão de Carnaval Carol Cardoso e Murillo Romano Mestre Vitão [16]

Intérpretes

[editar | editar código]
Carnavais Intérprete oficial Referências
2004 Ricardo Estrela, Álvaro Fumaça e Minho [2]
2016-2017 André Menezes [1]
2018-2023 André Ricardo [20]
2026 Cacá Camargo [16]

Carnavalescos

[editar | editar código]
Carnavais Carnavalesco Referências
2002-2010 Comissão de Carnaval [3]
2016-2018 Dario Nascimento [1]
2019 Nathan Vinicius [21]
2020-2022 Dario Nascimento [22]
2023 Alexandre [23]
2026 Gleuson Pinheiro, Fábio Souza e Graziela Bastos [18]

Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira

[editar | editar código]
Período Nome Ref.
2016 Foguetão e Napa [7]
2017 João Paulo Santos e Maria Cristina Barba
2018 Thiago Vicente Macorin e Maria Cristina Barba
2019-2020 João Paulo Santos e Maria Cristina Barba
2022 Eduardo Santos e Maria Cristina Barba
2023 Gabriel Almeida e Mariana
2026 Renato Neto e Hanna Rodrigues [17]

Corte de Bateria

[editar | editar código]
Período Rainha Ref
2023 Bruna BomBom
2026 Graziela Bastos [17]

Carnavais

[editar | editar código]

Estrela Cadente

[editar | editar código]
Ano Colocação Grupo Enredo Carnavalesco Intérprete Ref.
2002 Campeã Grupo de Classificação Criança – Paz e esperança na magia do mundo infantil Comissão de Carnaval [1]
2003 Vice-campeã Grupo de Avaliação Profissões, O Dom de Cada um na Dignidade do Trabalho Comissão de Carnaval [24]
2004 11º Lugar Grupo de Espera Encanto e Magia nas Histórias da Vovó Comissão de Carnaval Ricardo Estrela, Álvaro Fumaça e Minho [2]
2005 8º Lugar Grupo de Espera Água - Fonte de Vida Natural, Pura, Sensibilização Pro Uso Racional Comissão de Carnaval [25]
2006 Campeã Grupo de Espera Cidade Tiradentes, Quem te Viu e Quem te Vê. De Bairro Dormitório a Pólo Progressivo na Zona Leste Comissão de Carnaval [3]
2007 3º Lugar Grupo 1-UESP Bebidas... Origens, Prazer, Emoções, um Brinde de Paz Entre as Nações Comissão de Carnaval [26]
2008 Não desfilou
2009 14º Lugar 3-UESP O fantástico mundo das crianças Comissão de Carnaval [27]
2010 6º Lugar 4-UESP O Mundo Encantado de Aquarela Comissão de Carnaval [28]
2011 Suspensa
2012 Suspensa
2013 Suspensa
2014 Suspensa
2015 Suspensa
2016 4º Lugar 4-UESP Respeitável público, abre os portais da magia para o grande picadeiro místico Dario Nascimento André Menezes [1]
2017 7º Lugar 4-UESP A Estrela Cadente chegou... Então faça seu pedido Dario Nascimento André Menezes [1]
2018 6º Lugar 4-UESP Oceanus, a Epopeia dos Mares Dario Nascimento André Ricardo [29]
2019 12º Lugar Acesso 2 de Bairros Deixa a Tristeza pra Lá, eu Quero é ser Feliz! Nathan Vinicius André Ricardo [30]
2020 8º Lugar Acesso 3 de Bairros Na passarela do Samba de Jorge Ben, o Samba Rock é a Estrela Principal! Dario Nascimento André Ricardo [31]
2021 Inicialmente adiados para o mês de julho, os desfiles do Carnaval 2021 foram cancelados devido a pandemia de Covid-19 [32]
2022 7º Lugar Acesso 3 de Bairros As sete estrelas da linha da Umbanda, meu terreiro de bamba! Dario Nascimento André Ricardo [33]
2023 13º Lugar Acesso 3 de Bairros Água, Dádiva da vida Alexandre André Ricardo [34]
2024 Suspensa
2025 Suspensa
2026 Campeã Acesso 3 de Bairros "Moradia é um Direito" Gleuson Pinheiro, Fábio Souza e Graziela Bastos Cacá Camargo [15]
2027 Acesso 2 de Bairros
Divisão Total Ano
Acesso de Bairros 3 (UESP) 1 2026
Grupo de Espera (UESP) 1 2006
Grupo de Classificação (UESP) 1 2002

Anos 2000

[editar | editar código]
  • 2002 – "Criança – Paz e esperança na magia do mundo infantil": primeiro desfile da escola, já consagrou a Estrela Cadente como campeã de seu grupo, abordando o universo lúdico infantil e a esperança depositada nas novas gerações, em um bairro repleto de crianças e famílias jovens.[1]
  • 2003 – "Profissões, O Dom de Cada um na Dignidade do Trabalho": enredo que exaltava a diversidade de ofícios e a dignidade do trabalho, em sintonia com a realidade da população trabalhadora de Cidade Tiradentes, que enfrentava longas jornadas para sustentar suas famílias.[35]
  • 2004 – "Encanto e Magia nas Histórias da Vovó": resgatava a tradição oral e a sabedoria dos mais velhos, representados na figura da avó contadora de histórias, um elemento fundamental na formação cultural das comunidades periféricas.[2]
  • 2005 – "Água - Fonte de Vida Natural, Pura, Sensibilização Pro Uso Racional": temática ambiental pioneira, abordando a importância da água e a necessidade de seu uso consciente, em um momento de crescente preocupação com os recursos naturais.[36]
  • 2006 – "Cidade Tiradentes, Quem te Viu e Quem te Vê. De Bairro Dormitório a Pólo Progressivo na Zona Leste": o enredo mais emblemático da primeira fase, uma verdadeira carta de amor ao bairro. Exaltava a transformação de Cidade Tiradentes, deixando de ser mera "cidade-dormitório" para se tornar um polo de desenvolvimento. O samba trazia versos que se tornaram hino local: "Príncipe Negro samba tradição / Aqui na Zona Leste eu também sou campeão", numa saudação à coirmã de bairro. A presença de Bruno Covas no abre-alas selou o caráter histórico do desfile.[3]
  • 2007 – "Bebidas... Origens, Prazer, Emoções, um Brinde de Paz Entre as Nações": enredo que percorria a história das bebidas ao redor do mundo, desde os rituais ancestrais até as celebrações contemporâneas, propondo um brinde à paz e à união entre os povos.[37]
  • 2008 – "Negro Arte... Made in Brazil": enredo que celebrava a contribuição da cultura negra para a identidade brasileira, explorando manifestações artísticas como a música, a dança, a culinária e a religiosidade de matriz africana. A escola, no entanto, não desfilou neste ano por razões não esclarecidas.[5]
  • 2009 – "O fantástico mundo das crianças": retomada do universo infantil, explorando a imaginação, a fantasia e os sonhos das crianças, em um contraponto à dura realidade enfrentada por muitas delas na periferia.[38]

Anos 2010

[editar | editar código]
  • 2010 – "O Mundo Encantado de Aquarela": inspirado na música de Toquinho e Vinicius, o enredo mergulhava no universo da imaginação infantil, pintando um mundo colorido e cheio de possibilidades. Foi o último desfile antes da primeira suspensão.[39]
  • 2011-2015: período de suspensão, sem desfiles.
  • 2016 – "Respeitável público, abre os portais da magia para o grande picadeiro místico": o enredo do retorno celebrava o universo do circo, com suas cores, magia e encantamento. Foi o desfile que marcou a volta da escola à avenida, após cinco anos de ausência, e que ficou eternizado pela saga da família Balbino, retratada pelo Estadão.[7]
  • 2017 – "A Estrela Cadente chegou... Então faça seu pedido": em uma alusão ao próprio nome, o enredo convidava o público a fazer pedidos e acreditar nos sonhos, em uma mensagem de esperança e renovação para a comunidade.[1]
  • 2018 – "Oceanus, a Epopeia dos Mares": aventura pelos oceanos, explorando mitologias, lendas e a importância dos mares para a humanidade, com referências a navegadores, criaturas marinhas e a preservação ambiental.[40]
  • 2019 – "Deixa a Tristeza pra Lá, eu Quero é ser Feliz!": enredo leve e otimista, que propunha deixar as dificuldades de lado e celebrar a vida, o samba e a alegria de viver, características intrínsecas ao carnaval.[41]

Anos 2020

[editar | editar código]
  • 2020 – "Na passarela do Samba de Jorge Ben, o Samba Rock é a Estrela Principal!": homenagem ao icônico cantor e compositor carioca Jorge Ben Jor, celebrando sua obra que mescla samba, rock, funk e soul, ritmos que embalaram gerações e dialogavam com a juventude da periferia.[42]
  • 2021: desfiles cancelados devido à pandemia de Covid-19.
  • 2022 – "As sete estrelas da linha da Umbanda, meu terreiro de bamba!": primeiro enredo da escola a abordar explicitamente a religiosidade de matriz africana, homenageando as sete linhas da Umbanda e a figura do "bamba" – o sambista talentoso – como um elo entre o terreiro e a escola de samba.[43]
  • 2023 – "Água, Dádiva da vida": retorno à temática ambiental, abordando a importância da água para a sobrevivência do planeta e a necessidade de preservação dos recursos hídricos, em um momento de crescentes crises climáticas.[44]
  • 2024-2025: período de suspensão e reestruturação.
  • 2026 – "Moradia é um Direito": o enredo da consagração. Inspirado na luta do MTST, denunciava a especulação imobiliária, a gentrificação e a omissão do Estado, celebrando a organização popular e a esperança por moradia digna. Com fantasias sustentáveis e engajamento político, marcou a estreia vitoriosa da "Casa do Samba" e o acesso ao Grupo 2.[15]

Ver também

[editar | editar código]

Referências

[editar | editar código]
  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Estrela Cadente (escola de samba)». Wikipédia. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  2. a b c d e «CARNAVAL 2004 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  3. a b c d e «CARNAVAL 2006 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  4. «CARNAVAL 2007 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  5. a b «G.R.E.S. Estrela Cadente». Brasil Carnaval. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  6. «CARNAVAL 2009 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  7. a b c d e f «A festa dos nossos trapos coloridos». O Estado de S. Paulo. 2016. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  8. «Grupo 4». UESP. Consultado em 25 de janeiro de 2018 
  9. «Central do Carnaval 2019». SASP. Consultado em 25 de janeiro de 2019 
  10. «Central do Carnaval 2020». SASP. Consultado em 17 de fevereiro de 2020 
  11. Santiago, Tatiana (12 de fevereiro de 2021). «Após adiar carnaval em 2021, Prefeitura de SP anuncia cancelamento da festa neste ano». G1. Consultado em 28 de abril de 2021 
  12. «Confira o resultado final do carnaval 2022». SASP. Consultado em 3 de junho de 2022 
  13. «Central do Carnaval 2023». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2023 
  14. a b c d e f «Nasce escola de samba em São Paulo: 'Mais do que um projeto de Carnaval'». SRzd. 11 de julho de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  15. a b c «MTST inspira enredo inédito no Carnaval de São Paulo com estreia da escola Casa do Samba Estrela Cadente». Alma Preta Jornalismo. 4 de agosto de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  16. a b c d «Casa do Samba Estrela Cadente lança clipe que exalta o MTST». SRzd. 14 de outubro de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  17. a b c «Casa do Samba Estrela Cadente lança samba-enredo sobre luta por moradia ao lado do Casarão do MTST, no Bixiga». Canal do Carnaval. 24 de setembro de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  18. a b «Estrela Cadente revela fantasias ecológicas em ensaio». Portal ABC do ABC. 13 de novembro de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  19. «Escola de samba apresenta fantasias sustentáveis para desfile sobre sem-teto em SP». Terra. 14 de novembro de 2025. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  20. «Grupo 4». UESP. Consultado em 25 de janeiro de 2018 
  21. «Central do Carnaval 2019». SASP. Consultado em 25 de janeiro de 2019 
  22. «Central do Carnaval 2020». SASP. Consultado em 17 de fevereiro de 2020 
  23. «Central do Carnaval 2023». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2023 
  24. «CARNAVAL 2003 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  25. «CARNAVAL 2005 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  26. «CARNAVAL 2007 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  27. «CARNAVAL 2009 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  28. «CARNAVAL 2010 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  29. «Grupo 4». UESP. Consultado em 25 de janeiro de 2018 
  30. «Central do Carnaval 2019». SASP. Consultado em 25 de janeiro de 2019 
  31. «Central do Carnaval 2020». SASP. Consultado em 17 de fevereiro de 2020 
  32. Santiago, Tatiana (12 de fevereiro de 2021). «Após adiar carnaval em 2021, Prefeitura de SP anuncia cancelamento da festa neste ano». G1. Consultado em 28 de abril de 2021 
  33. «Confira o resultado final do carnaval 2022». SASP. Consultado em 3 de junho de 2022 
  34. «Central do Carnaval 2023». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2023 
  35. «CARNAVAL 2003 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  36. «CARNAVAL 2005 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  37. «CARNAVAL 2007 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  38. «CARNAVAL 2009 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  39. «CARNAVAL 2010 - C.R.C.A.E.S. ESTRELA CADENTE». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2026 
  40. «Grupo 4». UESP. Consultado em 25 de janeiro de 2018 
  41. «Central do Carnaval 2019». SASP. Consultado em 25 de janeiro de 2019 
  42. «Central do Carnaval 2020». SASP. Consultado em 17 de fevereiro de 2020 
  43. «Confira o resultado final do carnaval 2022». SASP. Consultado em 3 de junho de 2022 
  44. «Central do Carnaval 2023». SASP. Consultado em 19 de fevereiro de 2023