Ação Revolucionária Armada

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A Acção Revolucionária Armada - ARA foi uma organização criada pelo PCP cujo objectivo foi a luta armada contra o regime fascista e em especial contra as injustas e criminosas guerras coloniais em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. O regime de Salazar e, a partir de 1969, de Marcelo Caetano que lhe sucedeu após aquele ter ficado fisicamente incapacitado, era uma ditadura que oprimia e mantinha no atraso o povo português desde 1926. Encontrava-se isolado internacionalmente, impedido de aceder à maior parte das organizações democráticas internacionais. A ARA não era uma organização terrorista como a PIDE a designava e como alguns seus antigos membros ou amigos aqui, neste texto, têm vindo a dizer (alterando o texto original). A prova disso é que nunca atacou pessoas e fez tudo para evitar que as acções armadas tivessem vítimas pessoais. E muitíssimo mais fácil do que as sabotagens realizaas era atingir pessoas indefesas ou os agentes da própria pide. Durante toda a atividade da ARA só morreu, por acidente, uma pessoa que ia a passar na rua, às 4 horas da manhã, na explosão que atingiu a escola da PIDE, em Sete Rios.

== História ==

A ARA surgiu publicamente em Outubro de 1970 com a publicação de um comunicado em que reivindicava a sua primeira acção armada, em 26 deste mês, contra o navio Cunene, o mais moderno navio de transporte utilizado na logística das guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné (Bissau) e suspendeu a luta armada em Maio 1973.

O levantamento da organização iniciou-se em 1964,com acções de carácter logístico. Todas as armas e quase todos os explosivos foram desviados por militantes ou amigos da ARA dos quartéis em que prestavam serviço, incluindo alguns oficiais do quadro permanente. O levantamento da ARA foi dirigido no início por Rogério de Carvalho, membro do Comité Central do PCP a viver na clandestinidade na região de Lisboa e por Raimundo Narciso, estudante de engenharia do IST e teve a participação entre outros de António Pedro Ferreira, então tenente miliciano do Exército e estudante de Economia e do tenente paraquedista do quadro permanente, Cassiano Bessa, colocado no Regimento de Paraquedistas em Tancos. A actividade de organização teve um novo impulso em Janeiro de 1965 com a deslocação a Moscovo e a Cuba de Rogério de Carvalho e de Raimundo Narciso. Rogério de Carvalho foi, no entanto preso em Lisboa logo em Outubro de 1965, só sendo libertado pela revolução de 1974. Foi denunciado em consequência da sua actividade na organização do PCP que estava em processo de passagem para outros quadros. A ARA tinha uma estrutura autónoma e muito compartimentada, dirigida, na fase operacional, por um Comando Central de três elementos. A sua ligação ao PCP só foi assumida por este partido depois do derrubamento da ditadura, em 1974. No entanto essa ligação tornou-se conhecida da polícia política, e da opinião pública alguns meses após a primeira acção armada.

A ARA foi responsável por vários acções armadas entre as quais se destacam a sabotagem e destruição de 11 aviões e 17 helicópteros dentro da base militar de Tancos ou a sabotagem ao COMIBERLANT - Comando Ibérico da Área Atlântica da NATO, três dias antes da sua inauguração.

Índice

[editar] Acções armadas

  • 26 de Outubro de 1970 - Bomba no navio Cunene, ao serviço das guerras coloniais.
  • 20 de Novembro de 1970 - Escola Técnica da PIDE/DGS; Centro Cultural dos EUA; material de guerra destinado às guerras coloniais, no Cais da Fundição, em Lisboa.
  • 8 de Março de 1971 - Explosão de engenhos na base aéra de Tancos que destruiu e danificou 28 aviões e helicópteros.
  • Junho de 1971 - Sabotagem da central de telecomunicações nacionais e internacionais, em Lisboa, durante a conferência ministerial da NATO que deixou o país isolado quanto a telecomunicações.
  • Junho de 1971 - Corte da rede eléctrica de alta tensão em Sacavém e Belas em simultâneo com o corte das telecomunicações.
  • 3 de Outubro de 1971 - Assalto ao Paiol na Serra da Amoreira.
  • 27 de Outubro de 1971 - Sabotagem do Quartel General do Comiberlant três dias antes da sua inauguração.
  • 12 de Janeiro de 1972 - Sabotagem de Material de Guerra que seguia para a guerra colonial antes de embarcar no navio Muxima.
  • Agosto de 1972 - Cortes de torres da rede eléctrica de alta tensão em Lisboa (Alhandra e Belas), no Porto e Coimbra, no dia da "eleição" do Presidente da República Almirante Américo Tomaz.

[editar] Estrutura

[editar] Comando Central

  • Jaime Serra
  • Francisco Miguel
  • Raimundo Narciso

[editar] Principais Operacionais

  • Carlos Coutinho
  • Gabriel Pedro
  • Manuel Guerreiro
  • Angelo de Sousa
  • Manuel Policarpo Guerreiro
  • António João Eusébio
  • Ramiro Morgado
  • António Pedro Ferreira
  • Francisco Presúncia
  • Alberto Serra
  • Amado Ventura da Silva
  • Jorge Trigo de Sousa
  • Mário Abrantes da Silva
  • Victor Eça
  • José Brandão

[editar] Publicações

  • As Explosões que Abalaram o Fascismo. O que foi a ARA (Acção Revolucionária Armada)143 páginas. Jaime Serra, Lisboa, Ed. Avante, 1999. ISBN 9725502701
  • A.R.A. Acção Revolucionária Armada. A história secreta do braço armado do PCP, 406 páginas.Raimundo Narciso, Lisboa, Publicações Dom Quixote,2000, ISBN 972-20-1842-6

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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