Cultura da Indonésia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde dezembro de 2008). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo. Considere utilizar {{revisão-sobre}} para associar este artigo com um WikiProjeto e colocar uma explicação mais detalhada na discussão.
Cultura da Indonésia.

As formas de cultura da Indonésia vêm sido moldadas pela interação de diversos grupos étnicos nativos da região e de culturas estrangeiras. A Indonésia se localiza em uma região atravessada por rotas comerciais entre o Médio Oriente, a Ásia Meridional e o Extremo Oriente, o que contribuiu para a difusão de diversas religiões na região, incluindo o Hinduísmo, Budismo, Confucionismo, Islamismo e Cristianismo, todas elas amplamente praticadas nas cidades mercantis indonésias até os dias atuais. O resultado dessa interação multicultural definiu o caráter complexo da cultura do país, assim como deu origem a inúmeros conflitos de sua história (a exemplo da repressão em Timor-Leste e na Papua Ocidental).

O contexto geográfico único da Indonésia gerou formas mistas de religiosidade, a exemplo da crença Abangan dos javaneses (que une elementos do Islamismo e do Hinduísmo), do Bodha (que une o Budismo e características do animismo) e o Kaharingan (que funde Hinduísmo e animismo das crenças aborígenes).

A tradição de dança oriunda da ilha de Bali conta de de antigos reinos budistas e hindus, ao passo que formas de arquitetura e arte islâmica estão presente na ilha de Sumatra, especialmente nas regiões de Minangkabau e Aceh. O Silat (Pencak Silat) é uma arte marcial exclusiva do arquipélago, que combina arte tradicional, música e esportes.

A cultura ocidental influencia até hoje as práticas científicas e indústria de entretenimento do arquipélago, assim como sua organização política e econômica. A música e cinema indiano contam como outras influências importantes nas práticas culturais indonésias; a dança popular dangdut mistura elementos de música folclórica malásia e árabe.

Também bem conhecidos são os espetáculos de teatro de sombras wayang kulit, de Java e Bali. Várias ilhas são famosas pelo seu vestuário batik e ikat.

Por fim, apesar da abertura dos indonésias para práticas culturais estrangeiras, diversas regiões remotas do arquipélago se esforçam para preservar sua identidade cultural única. Grupos étnicos como os Mentawai, Asmat, Dani, Dayak e Toraja, entre centenas de outros, ainda praticam suas rituais, costumes e modos de vida aparte das tendências urbanas da Indonésia pós-colonial.

Língua[editar | editar código-fonte]

Bahasa Indonésia é a língua nacional do país. As crianças aprendem a língua de sua região em casa antes de entrarem na escola. Na escola, aprendem a Bahasa Indonésia.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Pramoedya Ananta Toer é o autor indonésio de maior celebridade fora do país, tendo sido contemplado com o prêmio Magsaysay, além de ter concorrido ao Prêmio Nobel de Literatura diversas vezes. Outra figura central da literatura indonésia do início do século é Chairil Anwar, um poeta e membro da chamada "geração de 45", grupo de intelectuais ativo no movimento de Independência Indonésia. A forte censura do longo período de presidência de Suharto (1967 a 1998) impediu a veiculação e desenvolvimento de novas tendências literárias no país, sobretudo aquelas voltadas a questões sociais. Pramoedya Ananta Toer, por exemplo, passou boa parte de sua vida preso, e ditava seus livros para outros prisioneiros através das paredes da cela, que por sua os repassava para fontes externas e os publicavam no exterior.[1] Nos anos 60 e 70, os escritores Günter Grass e Jean-Paul Sartre organizaram na Europa campanhas a favor da libertação de Toer; Sartre chegou a enviar uma máquina de escrever para a Indonésia como presente para Toer.[2] De qualquer forma, a obra dele e dos maiores poetas locais tiveram de ser adquiridas no mercado negro até meados de 2000.

Alguns autores indonésios contemporâneos são: Seno Gumira Adjidarma, Andrea Hirata, Habiburrahman El Shirazy, Ayu Utami, Gus tf Sakai, Eka Kurniawan, Ratih Kumala, Dee e Oka Rusmini. Apenas alguns deles possuem livros traduzidos para outras línguas. As traduções das obras de Ananta Toer para o português foram todas feitas em Portugal.[3]

Poesia[editar | editar código-fonte]

A Indonésia tem um rica tradição de poesia oral chamada pantun, característica por seu caráter interativo e improvisado, e que geralmente estudada como indissociada da tradição poética malaia. A chamada poesia dos antigos poetas (Pujangga Lama) foi dividida em cinco modalidades principais: além dos mencionados pantun, enquadram-se nela os poemas narrativos tradicionais (syair, análogos às epopeias ocidentais), aforismos (gurindam), contos e fábulas (hikayat) e crônicas históricas (babad). A geração do pujangga lama é geralmente enquadrada no período prévio a 1900; poetas posteriores misturaram a prática tradição com influências estrangeiras diversas. Alguns dos poetas contemporâneos mais notáveis são Sutardji Calzoum Bachri, Rendra, Taufiq Ismail, Afrizal Malna, Binhad Nurrohmat, Joko Pinurbo e Sapardi Djoko Damono.

Religião[editar | editar código-fonte]

Quase 88 por cento dos indonésios se declarou muçulmano no censo de 2000,[4] fazendo da Indonésia a nação com a maior porcentagem de muçulmanos no mundo. Outros grupos religiosos do país são cristãos (9% do país, 2/3 deles protestantes e o restante católicos), hindus (2%) e budistas (1%). Muitos indonésios acreditam em espíritos, e combinam o ritual dos antepassados e da natureza comum a outras nações asiáticas com elementos do islamismo e cristianismo.

A Constituição Indonésia garante a liberdade de profissão religiosa[5] , embora apenas seis religiões oficiais sejam reconhecidas: Islã, Protestantismo, Catolicismo, Hinduísmo, Budismo e Confucionismo[6] [7] [8] . A lei local obriga os cidadãos a portarem documentos de identidades em que uma dessas seis religiões deve constar, embora é possível que os cidadãos requeiram que esse campo seja deixado em branco[9] . Ademais, o governo indonésia não reconhece agnosticismo ou ateísmo, e tanto a profissão de descrença em uma divindade quanto blasfêmia constituem práticas ilegais.[10]

Os povos de Bali e Lombok ocidental seguem no uma religião chamada Bali-Hinduísmo. É baseada no hinduísmo, mas inclui antigas crenças da tradição de Bali e de Java. Os bali-hindus cultivam o espírito da natureza incluindo montanhas e grandes árvores. Honram também os espíritos dos antepassados que eles acreditam que venham visitá-los. Bali tem milhares de templos Bali-Hindu onde muitos feriados religiosos são comemorados. As cerimônias incluem danças e encenações dramáticas. Budismo e hinduísmo eram religiões importantes na região há cem anos, tendo perdido praticantes para os monoteísmos. Os povos em algumas áreas isoladas ainda seguem antigas crenças locais, como ocorre em Bornéu, por exemplo.

Geertz analisa em seu ensaio[carece de fontes?] a natureza social do pensamento, usando como exemplo uma ilha da Indonésia, Bali, onde a maneira pela qual o povo de lá se percebe e percebe aos outros possui características bastante peculiares de outras “civilizações” ocidentais. Vale ressaltar que o estudo científico da cultura, muito descritivo normalmente, tem dificuldades maiores que o estudo das relações econômicas, políticas e sociais de uma sociedade, já que sua própria matéria é ilusória. A forma como nos percebemos é discutida por Geertz a partir da caracterização dos seres de maneira individualizada. Afinal, todos os lugares tem estruturas simbólicas nas quais as pessoas são percebidas, sem rodeios, como exemplo, “fileiras nobres, status de faixa etária, categorias ocupacionais”. Contudo, o autor traz a baila alguns padrões associados à cultura balinesa, embora também aplicável à cultura ocidental, que seriam os “semelhantes” entre si em: “antecessores”, “contemporâneos”, “consociates” e “sucessores”, padrões estes relacionados à identidade pessoal, à ordem temporal e estilos comportamentais das pessoas. Para esclarecer esses padrões utilizarei os exemplos trazidos pelo autor. Consociates são os amantes, enquanto o amor durar, ou os cônjuges até se separarem – pessoas que se encontram. Contemporâneos “são pessoas que partilham uma parcela de tempo, mas não de espaço”, por exemplo, um amigo ausente, que não tenho mais notícias. Antecessores e Sucessores não compartilham tempo, pois são de gerações diferentes, apesar de terem suas vidas influenciadas um pelos outros. Em Bali, especificamente, existem ainda seis tipos de etiquetas, rótulos que uma pessoa pode aplicar a outra. O nome pessoal relacionado ao simples fato de descrever a pessoa, sem conexões familiares. O nome por ordem de nascimento. O termo de parentesco, definindo indivíduos em uma taxonomia. O Teknonyms, onde não é o ato de casar que identifica a pessoa, mas o poder de procriação, “um casal com dez filhos não é mais honrado do que um casal com cinco […] o que conta é a continuidade reprodutiva, a preservação da capacidade da comunidade para perpetuar-se”. Os títulos de status, ou também conhecido por castas, sendo um sistema de prestígio, onde “não é moral, nem econômico nem político, mas religioso”. E por fim, os títulos públicos, dados aos chefes, governantes, sacerdotes e deuses. Geertz ainda analisa os calendários balineses, o lunar-solar e o permutacional. “Na prática, o calendário lunar-solar é usado da mesma maneira para os mesmos tipos de coisas que para o permutacional. O fato é que ele é vagamente ancorado em contextos agrícolas e alguns templos tem ligação simbólica com a agricultura ou com a fertilidade”. Assim, a interação das estruturas simbólicas que definem as pessoas juntamente com as estruturas simbólicas de tempo, em Bali, influenciam em seu comportamento interpessoal, de modo que “o conceito de integração cultural que Weber chamou de Sinnzusammenhang pode ser legitimamente aplicada”, já que essas estruturas formam uma espécie de polvo, cujos tentáculos conectam e interconectam nossas relações pessoais. [11]

Culinária da Indonésia[editar | editar código-fonte]

O arroz é a base da alimentação dos indonésios, com exceção dos “malukus” e dos residentes em Papua Ocidental (a parte indonésia da Nova Guiné), onde a base é a farinha da palmeira-sago, a batata-doce e a mandioca, estes últimos trazidos das “índias ocidentais”. As preparações de carne, peixe e vegetais são consumidos em pequenas quantidades, e sempre bastante condimentadas, ao contrário dos ocidentais que, por essa razão, sofrem com o picante da culinária indonésia. [12]

Referências

  1. O documentário "The Storyteller" de Arngrim Ytterhus trata dessas questões com detalhe e está disponível gratuitamente no site do autor.
  2. [1].
  3. Catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal.
  4. Indonesia—The World Factbook.
  5. "The 1945 Constitution of the Republic of Indonesia" (2002). Página visitada em 11/08/2014.
  6. Yang, Heriyanto. . "The History and Legal Position of Confucianism in Post Independence Indonesia". Religion, 10. Página visitada em 11/08/2014.
  7. Hosen, N.. . "Religion and the Indonesian Constitution: A Recent Debate". Journal of Southeast Asian Studies. Página visitada em 11/08/2014.
  8. Sugana, Marsha (06/10/2011). Religious Affiliation & National Identity: Kartu Tanda Penduduk (KTP). Jakarta Post..
  9. United States Department of State (2009). Report on International Religious Freedom - Indonesia. "Section II. Status of Government Respect for Religious Freedom".
  10. "‘God Does Not Exist’ Comment Ends Badly for Indonesia Man" (20/01/2012).
  11. Geertz, C. 1973 (1988) Person, time and conduct in Bali: na essay in cultural analysis. In: Interpretation of culture
  12. (em inglês) Culinária da Indonésia, por Nancy Freeman, no site sallybernstein.com
Ícone de esboço Este artigo sobre Cultura é um esboço relacionado ao Projeto Cultura. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.



Flag-map of Indonesia.png Indonésia
História • Política • Subdivisões • Geografia • Economia • Demografia • Cultura • Turismo • Portal • Imagens