Guerra Italiana de 1521–1526

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Guerra Italiana de 1521-1526
Guerras Italianas
Battle of Pavia, oil on panel.jpg
"Batalha de Pavia", autor flamengo desconhecido, séc. XVI
Data 1521-26
Local Itália-França-Espanha
Desfecho Vitória decisiva do Império Espanhol
Combatentes
Flag of Île-de-France.svg Reino da França
Flag of Most Serene Republic of Venice.svg República de Veneza
Flag of Cross of Burgundy.svg Império Espanhol
Inglaterra Reino da Inglaterra
Coat of arms Holy See.svg Estados Pontifícios
Wappen röm.kaiser.JPG Sacro Império Romano-Germânico
Comandantes
Francisco I de França,
Carlos III de Bourbon,
Odet de Foix,
Guillaume Gouffier,
Pierre Terrail
Carlos I de Espanha,
Carlos de Lannoy,
Fernando de Ávalos,
Carlos III de Bourbon,
Prospero Colonna

A Guerra italiana de 1521–1526, também conhecida como Guerra dos Quatro Anos,[1] faz parte das Guerras Italianas. O conflito se desenvolveu entre 1521 e 1526, e nele lutaram Francisco I de França e a República de Veneza contra o sacro império romano-germânico Carlos I de Espanha, Henrique VIII da Inglaterra e os Estados Pontifícios. Entre as causas do conflito estavam a eleição, em 1519-20, de Carlos I como imperador do Sacro Império Romano e a necessidade do Papa Leão X de aliar-se a este para combater as ideias de Martinho Lutero e sua Reforma.

O conflito eclodiu na Europa Ocidental, em 1521, quando a França invadiu os Países Baixos e ajudou o rei Henrique II de Navarra a recuperar seu reino. As forças imperiais repeliram a invasão e atacaram o norte da França, onde os francos detiveram seu avanço. Então o imperador, o papa e Henrique VIII firmaram uma aliança formal contra a França, e as hostilidades começaram na península Itálica. Na batalha de Bicocca, os exércitos imperiais e do papado derrotaram as tropas francesas, que foram expulsas do Milanesado. Depois da batalha, a luta voltou novamente para solo francês, enquanto a República de Veneza assinava a paz em separado. O exército inglês invadiu a França em 1523, enquanto Carlos de Bourbon, condestável francês, contrariado pelas tentativas de Francisco em apoderar-se de sua herança, o trai, aliando-se com Carlos I. Em 1524, falha a tentativa francesa de recuperar o ducado milanês, dando a Bourbon a oportunidade de invadir a Provença à frente de um exército espanhol.

O mesmo Francisco dirigiu um segundo ataque contra o Milanesado - na atual Lombardia - em 1525. Sua desastrosa derrota na batalha de Pavia, em que foi capturado e a maioria de seus principais nobres morreu, conduziu ao final da guerra. Enquanto estava encarcerado na Espanha, Francisco assinou o Tratado de Madri, no qual renunciava a suas aspirações italianas, na Borgonha e em Flandres. Depois de algumas semanas de sua libertação, sem titubear, rechaçou os termos do tratado, começando desta forma a Guerra da Liga de Cognac. Ainda que as Guerras Italianas continuassem por outras três décadas, estas terminaram sem que a França pudesse recuperar nenhum território substancial na Itália.

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

Territórios controlados por Carlos I em 1519. Devido à concentração de títulos em mãos de Carlos I, França passa a estar numa posição geopolítica complicada.

Até 1518, a paz que havia prevalecido na Europa, depois da Batalha de Marignano, começou a desmoronar-se. As principais potências de então (Espanha, França, Inglaterra e o Sacro Império) viviam em trégua, acordada pelo Tratado de Londres segundo o qual se um país decidisse romper a paz, todos os demais se aliariam a fim de derrotá-lo. Entretanto, a sucessão da Coroa Imperial foi divida pelos quatro soberanos. O imperador Maximiliano I queria ser sucedido por um Habsburgo como ele, e com este fito iniciara uma campanha em favor de Carlos I de Espanha, enquanto Francisco se colocava como candidato alternativo. Ao mesmo tempo, o Papado e o Sacro Império Romano-Germânico viram-se obrigados a fazer frente ao surgimento da Reforma e ao auge das ideias luteranas que, para além das questões teológicas, davam aos príncipes eleitores uma razão para alijarem-se dos poderes imperiais e do Vaticano. Assim, Francisco fazia frente ao cardeal Thomas Wolsey, que buscava aproveitar os movimentos diplomáticos do continente para benefício da Inglaterra e seu próprio.

A morte de Maximiliano I levou a eleição imperial ao primeiro plano da política de alianças europeia. O Papa Leão X, ainda ameaçado pela presença de tropas espanholas a menos de 70 km do Vaticano, apoiou a candidatura francesa. Os próprios príncipes eleitores, com exceção de Frederico II, que recusara-se a fazer campanha, prometeram sua ajuda aos candidatos. Antes de sua morte, Maximiliano havia prometido somas de quinhentos mil florins aos eleitores em troca de seus votos, mas Francisco comprometera-se a pagar até três milhões, e Carlos decidiu então superar o montante do seu rival, com arrecadações oriundas dos impostos extraordinários em Castela e endividando-se junto aos Fugger.[2] O resultado final, entretanto, não foi determinado pelos subornos exorbitantes, que incluíam a promessa de fazer do Arcebispado de Mogúncia uma legação papal.[3] O povo, em geral alheio e cordato, considerou um ultraje a ideia de um francês no comando do Sacro Império, o que levou os eleitores a dar uma pausa durante a deliberação. Isto, somado ao fato de que Carlos havia estacionado seu exército próximo a Frankfurt – onde estavam reunidos – fez com que os eleitores se decidissem finalmente por ele.[4] A 23 de outubro de 1520 foi coroado imperador do Sacro Império, título que somava aos recém-unificados reinos espanhóis e às possessões da Casa de Borgonha nos Países Baixos.

O cardeal Wolsey, esperando ampliar a influência de Henrique VIII no continente, ofereceu os serviços da Inglaterra como mediadora do conflito entre Carlos e Francisco. Henrique e este último efetuaram um encontro no Campo do Pano de Ouro. Enquanto isso, Wolsey entretinha-se com Carlos, em Calais. Depois das reuniões, Wolsey se dispôs a melhorar sua reputação com vistas ao seguinte conclave, para o que organizou uma conferência de arbitragem em Calais, que durou até abril de 1522 e que não conseguiu solucionar o conflito.

Francisco I de França, pintado por Jean Clouet. Francisco, em sua ambição de chegar a ser sacro imperador romano-germânico, levou a Europa à guerra. De mentalidade medieval, chegou a desafiar, para duelo, o marquês de Pescara e o próprio imperador Carlos.[5]

Em dezembro, os franceses começaram a planejar a guerra. Francisco não desejava atacar Carlos abertamente, pois Henrique VIII havia anunciado sua intenção de intervir contra o primeiro que rompesse a frágil paz. Em vez disso, deu mais apoio secreto a incursões dentro do território imperial e espanhol. Foi organizado um ataque pelo rio Mosa, sob o comando de Robert de la Marck. Os planos franceses logo se mostraram inapropriados depois da intervenção de Henrique de Nassau, que tolheu a ofensiva do Mosa.[6]

Simultaneamente, outro exército apoiava Henrique II de Navarra para recuperar o reino que havia sido conquistado por Fernando II de Aragão em 1512; o contra-ataque navarro-gascão foi capitaneado por Andrés de Foix, Senhor de Asparrots.[7]

As operações foram supridas e financiadas pelos franceses, que negavam toda responsabilidade.[8] Em Navarra, enquanto a população se sublevava contra a invasão gasconha-aragonesa, entrava o exército navarro-gascão sob comando do general Asparrots. O reino foi libertado em pouco tempo, mas o exército castelhano reagiu enviando reforços de trinta mil homens bem equipados, enfrentando nas proximidades de Pamplona as tropas franco-navarras, que eram três vezes menos numerosas, na Batalha de Esquiroz, em 30 de junho de 1521,[6] sendo esta determinante para o controle espanhol de Navarra pela Espanha.[9]

Carlos estava todavia ocupado com os assuntos de Lutero, com quem enfrentou-se na Dieta de Worms em março de 1521. O imperador, que não falava alemão, via o catolicismo como uma forma de ligar os diversos estados do Sacro Império até ele. Como o Papa Leão X, por seu lado, não estava disposto a tolerar o desafio público de sua autoridade, ambos foram forçados a apoiarem-se mutuamente contra o reformista, que se achava então respaldado por Frederico da Saxônia e Franz von Sickingen.[10] A 25 de maio, Carlos e o Cardeal Girolamo Aleandro, núncio papal, proclamaram o Édito de Worms contra Lutero. Ao mesmo tempo, o imperador prometia ao Papa a devolução de Parma e Piacenza aos Médicis, e Milão aos Sforza. Leão X, que necessitava do apoio imperial para sua campanha contra o que via como uma perigosa heresia, prometeu ajudar na expulsão dos franceses da Lombardia, deixando a Francisco somente a República de Veneza como sua aliada.[11]

Tordesilhas[editar | editar código-fonte]

O Tratado de Tordesilhas, celebrado entre Portugal e Espanha, foi um dos fatores determinantes para as hostilidades francesas. Francisco I assistia a uma expansão da sua marinha, mas encontrava obstáculos na divisão das novas terras, com a chamada mare clausum, feita entre os países ibéricos, e questionava onde estava a cláusula do testamento de Adão que legava aos dois países a divisão do mundo.[12]

Portugal viu-se diretamente afetado pelas ambições francesas, tendo os corsários francos ameaçado seus domínios em África e sobretudo no Brasil, onde desde muito cedo os piratas a serviço do rei de França instalaram seus postos.[12]

Movimentos iniciais (1521–1522)[editar | editar código-fonte]

Em junho os exércitos imperiais, sob comando de Henrique de Nassau, invadiram o noroeste da França, tomando as cidades de Ardres e Mouzon e sitiando Tournai. Foram retidos pela tenaz resistência dos franceses, liderados pelo Pierre Terrail, Senhor de Bayard, e por Anne de Montmorency, durante o Cerco de Mézières, o que deu tempo a Francisco de reunir um exército para enfrentar o ataque.[13] A 22 de outubro de 1521, Francisco encontrou-se com o grosso do exército imperial, que era comandado por Carlos V em pessoa, perto de Valenciennes. Apesar da urgência que dava Carlos de Bourbon, Francisco vacilou em atacar, o que deu tempo a Carlos para retirar-se. Quando os franceses finalmente estavam prestes ao avanço, o começo de chuvas persistentes impediu-os de fazer uma perseguição efetiva, e as forças imperiais puderam escapar sem que houvesse nenhuma batalha.[14] Pouco depois, tropas francesas sob o comando de Guillaume Gouffier, Senhor de Bonnivet, e Cláudio de Lorena, Duque de Guise, após uma prolongada série de manobras, sitiaram a estratégica cidade de Fuenterrabía, na desembocadura do rio Bidasoa na fronteira franco-espanhola. A conquista desta cidade, que permaneceria em suas mãos nos seguintes dois anos, proporcionou aos franceses uma posição vantajosa ao norte da Espanha.

Batalhas na Lombardia (1521–25). Os enfrentamentos em Bicocca, no Sesia e em Pavia estão assinalados.

Em novembro a situação francesa havia se deteriorado consideravelmente. Carlos, Henrique VIII e o Papa firmaram uma aliança contra Francisco a 28 de novembro.[15] A Odet de Cominges, Visconde de Lautrec e governador francês de Milão, foi encomendada a tarefa de resistir às forças papais e imperiais; apesar disto, foi derrotado por Prospero Colonna e, nos finais de novembro, tinha sido expulso da cidade e se retirara para um grupo de povoados perto do rio Adda.[16] Ali Lautrec se reforçou com a chegada de mercenários suíços; mas sem recursos disponíveis para pagar-lhes, teve que abandonar seus desejos de atacar as forças imperiais de imediato.[17] A 27 de abril de 1522 atacou, finalmente, o exército combinado papal e imperial na batalha de Bicocca. Havia planejado valer-se da sua superioridade em artilharia para tomar vantagem, mas os suíços, impacientes para enfrentar o inimigo, se interpuseram entre seus canhões e fizeram carga contra os arcabuzeiros espanhóis que ali se achavam entrincheirados. Na contenda resultante, os suíços foram derrotados pelos espanhóis, que não perderam nenhum de seus efetivos,[18] comandados por Fernando de Ávalos, Marquês de Pescara, e por uma força de lansquenês, comandada por Georg Frundsberg. O moral veio abaixo, e os suíços se retiraram para seus cantões; Lautrec, a quem restaram escassas tropas para continuar a campanha, abandonou a Lombardia.[19] Colonna e de Ávalos, já sem oposição, sitiaram Gênova, capturando a cidade a 30 de maio.[20]

A França em revés (1522-24)[editar | editar código-fonte]

A derrota de Lautrec fez que a Inglaterra participasse abertamente no conflito. Em finais de maio de 1522, o embaixador inglês apresentou a Francisco um ultimato enumerando uma série de acusações contra a França, sobretudo o apoio desta a John Stewart, segundo Duque de Albany, na Escócia. Todas elas foram negadas pelo rei.[21] Henrique e Carlos firmaram então o Tratado de Windsor, a 16 de junho de 1522, estabelecendo um ataque conjunto anglo-imperial contra a França, no qual cada parte aportaria ao menos quarenta mil homens. Carlos aceitou compensar a Inglaterra pelas pensões que poderia perder em razão do conflito com a França, e ainda a pagar as dívidas passadas, que seriam confiscadas; para selar a aliança, acordou seu matrimônio com a filha única de Henrique, Maria (que na época contava com somente seis anos de idade[12] ). Em julho, os ingleses atacaram a Bretanha e a Picardia até Calais. Francisco foi incapaz de reunir os fundos para sustentar uma resistência significativa, e o exército inglês queimou e saqueou os campos.[22]

Carlos III, Duque de Bourbon, gravura de Thomas de Leu. Indisposto com Francisco, Bourbon o trai e alia-se a Carlos I.

Francisco tentou diversas formas para reunir dinheiro, mas estava concentrado num pleito contra Carlos de Bourbon. Este havia recebido a maioria de suas posses graças ao matrimônio com Suzana de Bourbon, que havia morrido pouco antes do começo da guerra. Luísa de Saboia, prima de Suzana e mãe do rei, insistia em que os territórios em disputa deviam passar para sua propriedade, devido ao seu parentesco próximo com a defunta. Francisco estava ciente de que a posse dessas terras melhoraria suficientemente sua posição financeira para continuar a guerra. Começou, então, a confiscar parte delas em nome de Luísa. Bourbon, agastado por este tratamento, e cada vez mais isolado da Corte, começou a sondar Carlos I para trair seu antigo senhor.[23]

Em 1523, a França estava à beira dum colapso. A morte do doge de Veneza Antonio Grimani elevou Andrea Gritti, um veterano da guerra da Liga de Cambrai, ao poder em Veneza. Rapidamente começou a negociar com o imperador e, a 29 de julho, subscreveu o Tratado de Worms, que retirava a república da guerra.[24] Bourbon continuava suas negociações com Carlos, oferecendo-lhe iniciar uma rebelião contra Francisco em troca de dinheiro e tropas alemãs. Então Francisco, que tinha sido avisado da trama, citou-o em Lião, em outubro. Para ganhar tempo, Carlos de Bourbon fingiu encontrar-se doente e fugiu para Besançon, cidade livre em território imperial.[25] Em represália, Francisco ordenou a execução de quantos seguidores de Bourbon fossem capturados, mas o próprio duque, rechaçando uma oferta final de reconciliação, entrou publicamente em serviço do imperador.

Carlos invadiu o sul da França, através dos Pirenéus. Lautrec defendeu com êxito Baiona dos espanhóis, mas Carlos foi capaz de recuperar Fuenterrabia em fevereiro de 1524.[26] Ao mesmo tempo um enorme exército inglês, sob comando de Charles Brandon, Duque de Suffolk, penetrou o território francês em Calais. Os franceses, debilitados pelo ataque imperial, foram incapazes de resistir, e Suffolk logo ultrapassou o rio Somme, devastando os campos à sua passagem e detendo-se a somente 80 km de Paris.[27] Carlos, porém, não pôde apoiar a ofensiva inglesa, e, por isso, Suffolk, pouco disposto em agastar-se num ataque contra a capital francesa, retornou para Calais.

Guillaume Gouffier, Senhor de Bonnivet, retratado por Jean Clouet (c. 1516). Bonnivet comandou vários exércitos franceses durante a guerra.

Francisco centrou sua atenção na Lombardia. Em outubro de 1523, um exército francês de 18 mil homens, sob comando de Bonnivet, avançou através do Piemonte até Novara, onde uniu-se a uma força da mesma entidade formada por mercenários suíços. Prospero Colonna, que só dispunha de nove mil homens para opor-se ao avanço francês, retirou-se para Milão.[28] Bonnivet, porém, superestimou o exército imperial e preferiu instalar-se nos quartéis de inverno sem ousar atacar a cidade, o que permitiu aos comandantes imperiais reunir quinze mil lansquenês e uma grande força sob o comando de Carlos de Bourbon até 28 de dezembro, quando Carlos de Lannoy substituiu o moribundo Colonna.[29] Neste momento, muitos dos suíços haviam abandonado o exército francês, e Bonnivet começou uma retirada. A derrota francesa na batalha de Sesia, onde Bayard foi morto enquanto comandava a retaguarda francesa, demonstrou novamente o poder das formações de arcabuzeiros contra as tropas tradicionais; o exército francês foi obrigado então a retirar-se para além dos Alpes, em completa desorganização.[30] De Ávalos e Bourbon cruzaram os Alpes com cerca de 11 mil homens e invadiram Provença no começo de julho.[31] Marchando através dos pequenos povoados sem encontrar oposição, Bourbon tomou a capital provincial de Aix-en-Provence a 9 de agosto, adotando então o título de Conde de Provença, e jurando lealdade a Henrique VIII por seu apoio contra Francisco.[32] Em meados de agosto, Bourbon e de Ávalos haviam sitiado Marselha, o único baluarte provençal que havia permanecido em mãos francesas. Os assaltos à cidade, porém, fracassaram, e quando o exército francês, sob comando do próprio Francisco, chegou a Avinhão, em final de setembro, foram obrigados a retirar-se para a Itália.[33]

Campanha de 1524-25[editar | editar código-fonte]

Em meados de outubro, Francisco cruzou os Alpes e avançou até Milão à frente de tropas que superavam os quarenta mil homens. Bourbon e de Ávalos, cujas tropas ainda não haviam se recuperado da campanha na Provença, não estavam em condições de oferecer uma resistência séria. O exército francês moveu-se em várias colunas, ignorando as tentativas imperiais em deter seu avanço, mas sem conseguir atrair o corpo principal destas para a batalha. Assim, Carlos de Lannoy, que havia reunido cerca de dezesseis mil homens para opor-se aos trinta e três mil franceses que marchavam sobre Milão, decidiu que a cidade não poderia ser defendida e retirou-se para Lodi em 26 de outubro.[18] Havendo entrado em Milão e colocado Luís II de la Trémoille como governador da cidade, Francisco dirigiu-se até Pavia, onde Antonio de Levya se achava junto a importante guarnição imperial.

Avanço francês na Lombardia e a campanha de Pavia de 1524-25. Os movimentos franceses se mostram em azul e os imperiais em vermelho.

O grosso das tropas francesas chegou a Pavia nos dias seguintes de outubro. Até 2 de novembro, Montmorency havia cruzado o rio Ticino e investido contra a cidade a partir do sul, completando o envolvimento. Lá dentro havia cerca de sete mil homens,[18] principalmente mercenários de Antonio de Levya, os quais tiveram que cobrar o soldo em prata das igrejas, na falta de outros meios.[34] A isto seguiu-se um período de escaramuças e algum bombardeio de artilharia, que fez se abrirem várias brechas nas muralhas, em meados de novembro. No dia 21 desse mês, Francisco tentou um assalto à cidade através de duas dessas aberturas, mas viu-se obrigado a retroceder, sofrendo numerosas baixas; obstaculizado pelo tempo chuvoso e falta de pólvora, os franceses decidiram esperar que, em seu lugar, fosse a fome que fizesse seu trabalho sobre os sitiados.[18] [35]

No começo de dezembro, forças espanholas, comandadas por Hugo de Moncada, desembarcaram nas cercanias de Gênova, com o propósito de interferir num conflito entre as facções partidárias dos Valois (franceses) e dos Habsburgos. Francisco, por sua vez, enviou um contingente ainda maior sob comando de Miguel Antonio de Saluzzo, para interceptar os espanhóis. Confrontados com os franceses, superiores numericamente e sem apoio naval por causa da chegada da frota pró-Valois sob comando de Andrea Doria, os espanhóis se renderam.[36] Francisco então firmou um pacto secreto com o Papa Clemente VII, no qual este comprometia-se a não ajudar o imperador Carlos em troca da ajuda de Francisco para conquistar Nápoles. Contrariando o conselho de seus comandantes, Francisco dividiu uma parte de suas tropas sob comando de John Stewart, Duque de Albany, e as enviou rumo sul para ajudar o Papa.[37] Lannoy tratou de interceptar a expedição de Stewart perto de Fiorenzuola, mas sofreu severas baixas e viu-se forçado a voltar a Lodi por causa da intervenção dos temidos Bandos Negros – segundo muitos autores os melhores mercenários italianos do momento[38] — de Giovanni de Médicis, que acabaram por entrar no conflito ao serviço dos franceses por iniciativa do Papa, primo da mãe de Giovanni, também da família Médicis. Ato contínuo, o Condottiero Giovanni dirigiu-se a Pavia com reservas de pólvora, reunidas pelo Duque de Ferrara; naquele momento as posições francesas viram-se debilitadas com a partida de cerca de cinco mil grisões, mercenários, que regressaram aos seus cantões para defendê-los de iminente ataque de lansquenetes.[39]

Parte dos Tapetes de Pavia de Barnaerd van Orley (c. 1531).

Em janeiro de 1525, doze mil lansquenês chegaram, sob comando de Georg Frundsberg,[40] para alívio de Lannoy, que reacendeu a ofensiva. Ávalos capturou a posição francesa em San Angelo, cortando a comunicação entre Pavia e Milão, enquanto uma coluna à parte de lansquenês avançava em Belgiojoso e, apesar de retê-los brevemente um ataque liderado por Médicis e por Bonnivet, ocuparam a cidade.[41] Em 2 de fevereiro Lannoy havia chegado a poucos quilômetros de Pavia. Francisco havia levantado o acampamento com o grosso de seu exército no grande campo amuralhado de Mirabello, fora dos muros da cidade, entre a guarnição de Levya e o exército auxiliar que vinha a caminho.[42] No correr de fevereiro as tropas de Levya continuaram hostilizando os sitiantes. Médicis foi seriamente ferido e se retirou para Piacenza para recuperar-se, forçando Francisco a trasladar grande parte de sua guarnição em Milão para suprir a falta dos Bandos Negros; assim, essas escaramuças tiveram efeito quase nulo no resultado final da batalha. A 21 de fevereiro os comandantes imperiais, com escassas provisões e crendo equivocadamente ser inferiores em número aos franceses, decidiram lançar um ataque ao castelo de Mirabello, tanto para fazerem boa figura e desmoralizar os franceses, como para poderem se retirar com certa segurança.[43] [44]

Na madrugada de 24 de fevereiro, engenheiros imperiais abriram brechas nas muralhas de Mirabello,[45] permitindo às forças de Lannoy entrar no sítio; ao mesmo tempo, Levya atacava Pavia com o que restava da guarnição.[18] Na batalha subseqüente de quatro horas, a cavalaria pesada francesa, que tão eficaz havia se mostrado contra os suíços em Marignano dez anos antes, bloqueou sua própria artilharia com um avanço rápido e se viu logo rodeada e isolada de seu exército por lansquenês e pelos numerosos arcabuzeiros espanhóis de Ávalos. Enquanto isso, uma série de grandes combates de infantaria terminaram com a aniquilação dos suíços e da infantaria francesa. A era da cavalaria pesada chegava ao fim e os campos de batalha se democratizavam graças à crescente importância de uma infantaria munida de piques e arcabuzes.

Os franceses sofreram numerosas baixas, perdendo o grosso do exército. Bonnivet, Jacques de la Palice, La Trémoille e Richard de la Pole morreram, enquanto Anne de Montmorency, Robert de la Marck e o próprio rei caíram prisioneiros junto a outros nobres de menor importância.[18] [46] Na noite seguinte à batalha Francisco entregou a Lannoy uma carta para sua mãe em Paris, em que relatou o que lhe acabava de ocorrer:

Não muito mais tarde, Francisco se inteirou de que o Duque de Albany havia perdido grande parte de seus homens por causa do esgotamento e de muitas deserções, com o que tinham regressado à França sem nunca chegarem a Nápoles.[48] O que sobrou do exército francês, além da pequena guarnição que se mantinha no Castelo Sforzesco em Milão, retirou-se através dos Alpes sob as ordens de Carlos IV de Alençon, chegando a Lião em março.[49]

Europa Ocidental em 1525, depois da batalha de Pavia.

Madrid (1525–26)[editar | editar código-fonte]

Depois de Pavia, o destino do rei francês e da própria França foi objeto de muitas idas e vindas diplomáticas. Carlos V, falto de fundos para pagar à imensa máquina de guerra imperial, decidiu renunciar ao casamento Tudor que havia acordado com Henrique VIII e buscou em seu lugar contrair núpcias com Isabel de Portugal, que trazia consigo um dote mais substancioso. Bourbon, entretanto, conspirava com Henrique VIII a invasão e repartição de França; ao mesmo tempo animava a de Ávalos unir-se a Nápoles e declarar-se rei da Itália – ainda que falou mais alto a lealdade para com o imperador Carlos que sua ambição, vindo a rechaçar tal oferta e denunciando a trama ao seu senhor.[50] Luísa de Saboia, que havia permanecido em França como regente durante a ausência de seu filho, tratou de angariar fundos e tropas para defender-se de uma provável invasão de Artois por tropas inglesas.[51] Francisco, convencido de recuperar sua liberdade se conseguisse uma audiência com Carlos, pressionou Ávalos e Lannoy, que pretendiam trasladá-lo para Castel Nuovo, em Nápoles, a levá-lo finalmente para a Espanha. Cientes dos planos invasores de Bourbon, Ávalos e Lannoy concordaram em fazer assim, de modo que Francisco chegou a Barcelona, em 12 de junho.[52]

Francisco foi, num primeiro momento, instalado numa cidade próxima de Valência, mas Carlos viu-se pressionado por Montmorency e Lannoy a firmar um acordo. Estes sugeriam uma possível sedição dos italianos contra a aliança imperial, e ordenou o traslado do rei franco a Madri, onde foi encarcerado.[53]

Já em Madrid, Carlos negou-se terminantemente a entrevistar-se com Francisco até que este subscrevesse um tratado que então lhe propuseram.[54] Nele Carlos reclamava a concessão do Milanesado, e ainda a Borgonha e a Provença, ao que Francisco respondia que as leis francesas não permitiam ao soberano a cessão de territórios de propriedade da Coroa sem a aprovação do Parlamento, que certamente iria se recusar.[55]

Carlos V visitando a Francisco I depois da batalha de Pavia, por Richard Parkes Bonington (aquarela sobre papel de 1827).

Em setembro, Francisco caiu gravemente enfermo e sua irmã, Margarida de Navarra, cavalgou de Paris até a Espanha para fazer-lhe companhia.[56] Os médicos do imperador examinaram o rei francês e, acreditando que sua doença era causada pelo sofrimento por não ter sido recebido pelo primeiro, instaram a Carlos para que consentisse em visitá-lo. Carlos, contrariando o conselho de seu Grande Chanceler Mercurino Gattinara, que opinava que uma visita ao monarca francês, no seu leito de morte, seria uma ação de interesse mais do que de compaixão e, portanto, era algo indigno do imperador, o visitou. Depois disso, Francisco não demorou em recuperar-se por completo.[57] Mais tarde, uma tentativa de fuga falhou fragorosamente, fazendo com que sua irmã Margarida fosse obrigada a voltar para França.[58]

Fronteiras finais de França depois da Paz de Cateau-Cambrésis em 1559. Apesar de mais de três décadas de guerra adicional, a França não pôde recuperar nenhuma de suas anteriores possessões na Lombardia.

No começo de 1526, Carlos viu-se importunado pelas demandas da República de Veneza e dos Estados Pontifícios, que desejavam restaurar a Francesco II Sforza no trono do Ducado de Milão, e também lhe interessava firmar um acordo urgente com o francês, antes que fosse começada outra guerra. Francisco, havendo sem sucesso tentado reter Borgonha, estava disposto a entregá-la em troca de sua própria liberdade.[59] A 14 de janeiro de 1526, Carlos V e Francisco I firmaram o Tratado de Madrid, pelo qual o rei franco renunciava a todas as suas anteriores possessões territoriais na Itália, Flandres e Artois, entregava a Borgonha a Carlos, concordando ainda em mandar dois de seus filhos como reféns na Corte espanhola, prometia casar-se com a irmã de Carlos, Leonor de Áustria e devolver a Carlos de Bourbon todos os territórios que lhes houvesse arrebatado.[60] Uns quarenta anos mais tarde, essas possessões resultaram ser cruciais para o Império dos Habsburgos, pois possibilitaram a comunicação por terra com Flandres durante a Guerra, através da rota conhecida por "Caminho Espanhol". Francisco foi liberto em 6 de março e, escoltado por Lannoy, viajou para o norte até Fuenterrabia. A 18 do mesmo mês, cruzou o Bidasoa, chegando finalmente a França. Ao mesmo tempo o Delfim e seu irmão passaram para a Espanha por Baiona, tornando-se reféns, como havia sido acordado.[61] Então Francisco havia conseguido a paz também com a Inglaterra, pelo tratado de Hampton Court, firmado entre Thomas Wolsey e o embaixador francês. O tratado foi ratificado por uma delegação francesa em Greenwich, em abril de 1527.

Apesar desse gesto inicial de entrega dos reféns, Francisco não tencionava cumprir o restante do pactuado em Madri. A 22 de março, com a bênção do Papa – membro da família Médicis, e desgostoso com a preponderância espanhola na Itália – declarou sua desvinculação com o acordo, alegando que o mesmo havia sido firmado sob coação. O Papa Clemente VII, que estava plenamente convicto de que o crescente poder do imperador punha em perigo suas possessões italianas, enviou negociadores a Francisco I e a Henrique VIII, para estudarem uma aliança contra ele.[62] Henrique, não tendo obtido vantagem alguma no Tratado de Madri, mostrou-se receptivo à oferta. Em maio, Francisco e o Papa se aliaram para iniciar a Guerra da Liga de Cognac, num objetivo de recuperar os territórios perdidos pelos franceses; Henrique, que não conseguira no começo que o tratado fosse firmado na Inglaterra, não aderiu à liga franco-vaticana até 1527.[63] A guerra provou ser uma escolha equivocada tanto para os interesses de Francisco quanto para o Papa (que esteve perto de perder a vida no Saque de Roma, mas o rei dos francos e o seu sucessor, Henrique II de França continuariam com seus intentos de recuperar o Milanesado em sucessivas Guerras Italianas, para finalmente renunciar definitivamente à sua posse, na Paz de Cateau-Cambrésis, em 1559.

Notas e referências

  1. Ainda que entre 1521 e 1526 tenha cinco anos, considera-se que a Guerra tenha terminado com a Batalha de Pavia; portanto, quatro anos desde o início das hostilidades, em 1521.
  2. Hackett, Francis the First, 206.
  3. Hackett, Francis the First, 205–207.
  4. Guicciardini, History of Italy, 316–318.
  5. The Renaissance at War, cap. The Duelling Kings.
  6. a b Hackett, Francis the First, 226; Oman, Art of War, 173–174.
  7. Esarte, Pedro (2001), Navarra, 1512-1530, Pamplona: Pamiela. ISBN 84-7681-340-6
  8. Blockmans, Emperor Charles V, 51–52; Hackett, Francis the First, 226.
  9. Esarte, Pedro (2001), Navarra, 1512–1530. Pamplona: Pamiela. ISBN 84-7681-340-6
  10. Hackett, Francis the First, 226–227.
  11. Hackett, Francis the First, 227–228.
  12. a b c sítio da Armada Portuguesa, MATOS, J. Semedo de. "A conjuntura europeia do princípio do reinado: Francisco I e Carlos V" (A Marinha de D. João III, 2), in Revista da Armada, nº387, junho de 2005 (versão digital acessada em 17 de novembro de 2007, às 13:04)
  13. Blockmans, Emperor Charles V, 51–52; Hackett, Francis the First, 243.
  14. Hackett, Francis the First, 245–246.
  15. Konstam, Pavia 1525, 88.
  16. Blockmans, Emperor Charles V, 52; Hackett, Francis the First, 247–249.
  17. Oman, Art of War, 176–178.
  18. a b c d e f Martínez Laínez, Pedro y Sánchez de Toca, José María. Tercios de España, la infantería legendaria: Capítulo: Los hechos más notables'. Madri: EDAF, 2006. Páginas pp. Volumes vols. vol. Volume. ISBN 84-414-1847-0.
  19. Blockmans, Emperor Charles V, 57; Hackett, Francis the First, 249–250; Taylor, Art of War in Italy, 125–126.
  20. Blockmans, Emperor Charles V, 57.
  21. Hackett, Francis the First, 252–253.
  22. Hackett, Francis the First, 253.
  23. Hackett, Francis the First, 255–257; Konstam, Pavia 1525, 25–26.
  24. Guicciardini, History of Italy, 335; Norwich, History of Venice, 439.
  25. Hackett, Francis the First, 261–269.
  26. Blockmans, Emperor Charles V, 45.
  27. Hackett, Francis the First, 269–270.
  28. Konstam, Pavia 1525, 27.
  29. Konstam, Pavia 1525, 27–28.
  30. Hackett, Francis the First, 277–278; Konstam, Pavia 1525, 28; Taylor, Art of War in Italy, 53–54.
  31. Konstam, Pavia 1525, 28.
  32. Konstam, Pavia 1525, 28–29.
  33. Blockmans, Emperor Charles V, 57; Guicciardini, History of Italy, 343–344; Hackett, Francis the First, 277–278; Konstam, Pavia 1525, 29.
  34. Konstam, Pavia 1525, 34–35.
  35. Konstam, Pavia 1525, 36–39.
  36. Konstam, Pavia 1525, 40–41.
  37. Blockmans, Emperor Charles V, 57; Konstam, Pavia 1525, 42–43.
  38. História dos Bandos Negros (em italiano).
  39. Konstam, Pavia 1525, 43–45.
  40. [...]La llegada a Italia de los 12.000 lansquenetes de Frundsberg acabó por empujar al fin[...] ([1]) (em espanhol).
  41. Blockmans, Emperor Charles V, 59; Konstam, Pavia 1525, 46–50.
  42. Hackett, Francis the First, 286; Konstam, Pavia 1525, 50.
  43. Konstam, Pavia 1525, 52–53.
  44. … En esa tesitura algunos aconsejan retirarse a Milán al marqués de Pescara, pero este decide el ataque después de arengar a sus hombres. «Hijos míos —dice—, todo el poder del emperador no basta para darnos mañana un solo pan. El único sitio donde podemos encontrarlo en abundancia es en el campamento de los franceses.»… Martínez y Sánchez, Tercios de España, p. 109. (em espanhol)
  45. A medianoche del 23 de febrero de 1525 un numeroso grupo de zapadores del ejército imperial comenzó a abrir tres brechas en el lienzo de la muralla que rodeaba el parque. ([2]) (em espanhol).
  46. Hackett, Francis the First, 288–293; Konstam, Pavia 1525, 56–74; Taylor, Art of War in Italy, 126–127.
  47. Konstam, Pavia 1525, 76. Hackett dá uma tradução similar e destaca que fontes contemporâneas concordam com a frase "tudo perdido, salvo a honra" (Francis the First, 298).
  48. Guicciardini, History of Italy, 348.
  49. Konstam, Pavia 1525, 76.
  50. Guicciardini, History of Italy, 358–359; Hackett, Francis the First, 308–311.
  51. Guicciardini, History of Italy, 357–358.
  52. Guicciardini, History of Italy, 358; Hackett, Francis the First, 311. Guicciardini destaca que ele mesmo não tem muito claro se «Francisco cria isto porque julgava os homens como de sua mesma natureza ou porque os homens se auto-enganam facilmente quando está em jogo seus próprios desejos».
  53. Ofício (em espanhol) em que se informa que se havia começado a revisão dos documentos existentes no "Arquivo de Simancas" relativos à prisão de Francisco I na "Torre de los Lujanes": Academia de 15 de Febrero de 1861 Entrada: Trasládese a la Comisión nombrada para informar sobre el expediente de conservación de la Torre de los Lujanes. He recibido la comunicación de V.S. Z, fecha 3 del presente Febrero, diciéndome V.S.Z. que remita a nuestra Real Academia de la Historia cuantas noticias se hallen referentes a Francisco Primero, Rey de Francia, desde la batalla de Pavía hasta su libertad, quien supone estuvo preso en el Alcázar de Madrid y en la torre llamada de los Lujanes, afin de tenerlas presentes al evaluar el informe, que se le pide por el Gobierno en el (sic) espediente formado acerca de la conservación de la referida torre. He principiado a remover los papeles de este archivo general, en donde pueden hallarse algunas noticias referentes a este memorable suceso, y continuaré sin levantar mano, empleando las horas fuera de oficina que el tiempo permita por las tardes, y de todo lo que hablaré (recuerdo haber visto poco) remitiré certificado en papel de oficio a dicha nuestra Real Academia de la Historia. Dios guarde a V. S. Z. mi S. Simancas a 10 de Febrero de 1861. Iltmo. Sº. D. Pedro Saban, Director de Instrucción pública, y Secretario de la Rl. Academia de la Historia. Madrid. ([3]).
  54. Guicciardini, History of Italy, 359.
  55. Guicciardini, History of Italy, 357. As demandas imperiais tinha chegado a Francisco logo quando estava preso no castelo de Pizzichitone, pouco depois da derrota em Pavia, pela boca de Büren, Camareiro Imperial. No começo, Carlos pensou em recompensar Bourbon com o governo da Provença.
  56. Guicciardini, History of Italy, 359; Hackett, Francis the First, 313–315.
  57. Guicciardini, History of Italy, 360.
  58. Hackett, Francis the First, 319.
  59. Guicciardini, History of Italy, 363.
  60. Blockmans, Emperor Charles V, 60, 68; Guicciardini, History of Italy, 363–364; Oman, Art of War, 211.
  61. Guicciardini, History of Italy, 366.
  62. Guicciardini, History of Italy, 365–366. Guicciardini registra que o Papa temia «que a grandeza do imperador significasse inevitavelmente sua dominação sobre ele mesmo».
  63. Guicciardini, History of Italy, 369, 392.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALBI DE LA CUESTA, Julio. De Pavía a Rocroi. Balkan Editores. 1999. ISBN 8493079006.
  • BLACK, Jeremy. "Dynasty Forged by Fire." MHQ: The Quarterly Journal of Military History 18, no. 3 (Spring 2006): 34–43.
  • BLOCKMANS, Wim. Emperor Charles V, 1500–1558. Translated by Isola van den Hoven-Vardon. New York: Oxford University Press, 2002. ISBN 0-340-73110-9.
  • GUICCIARDINI, Francesco. The History of Italy. Translated by Sydney Alexander. Princeton: Princeton University Press, 1984. ISBN 0-691-00800-0.
  • GUICCIARDINI, Francesco. Storia d'Italia.
  • GUICCIARDINI, Francesco. Historia de Italia: donde se describen todas las cosas sucedidas desde el año de 1494 hasta el de 1532. Traduzida da italiana em língua castelhana com a vida do autor por D. Felipe IV, Rey de España. Madrid, Librería de la Viuda de Hernando y Cía., 1889–1890. Serie: Biblioteca clásica; 127, 130, 133, 135, 137, 139.
  • HACKETT, Francis. Francis the First. Garden City, New York: Doubleday, Doran & Co., 1937.
  • KNECHT, Robert J. Renaissance Warrior and Patron: The Reign of Francis I. Cambridge: Cambridge University Press, 1994. ISBN 0-521-57885-X.
  • KONSTAM, Angus. Pavia 1525: The Climax of the Italian Wars. Oxford: Osprey Publishing, 1996. ISBN 1-85532-504-7.
  • MONROY Y SILVA, Cristóbal de. La batalla de Pavía y prisión del rey Francisco, estudo introdutório e comentários de Paolo Pintacuda, Università di Pavia–Edizioni ETS, Pavía-Pisa, 2002. ISBN 9788846706287.
  • NORWICH, John Julius. A History of Venice. New York: Vintage Books, 1989. ISBN 0-679-72197-5.
  • OMAN, Charles. A History of the Art of War in the Sixteenth Century. London: Methuen & Co., 1937.
  • PHILLIPS, Charles and AXELROD, Alan. Encyclopedia of Wars. 3 vols. New York: Facts on File, 2005. ISBN 0-8160-2851-6.
  • TAYLOR, Frederick Lewis. The Art of War in Italy, 1494–1529. Westport, Conn.: Greenwood Press, 1973. ISBN 0-8371-5025-6.

Referências

Extrato de Batalha de Pavía , artigo da revista Wargames de maio de 2005.