Humberto I de Itália

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Humberto I
Great coat of arms of the king of italy (1890-1946).svg
Rei da Itália
Umberto I di Savoia.jpg
Rei Humberto I da Itália
Governo
Reinado 9 de janeiro de 1878 - 29 de julho de 1900
Coroação 9 de janeiro de 1878
Rainha Margarida de Saboia
Consorte Margarida de Saboia
Antecessor Vítor Emanuel II
Herdeiro Vítor Emanuel III
Sucessor Vítor Emanuel III
Casa Real Casa de Saboia
Dinastia Casa de Saboia
Títulos [nota 1]
Vida
Nome completo Umberto Rainerio Carlo Emanuele Giovanni Maria Ferdinando Eugenio di Savoia
Nascimento 4 de março de 1844
Turim
Morte 29 de julho de 1900 (56 anos)
Monza
Sepultamento Panteão de Roma, Roma, Itália
Esposas Margarida de Saboia
Filhos Vítor Emanuel III
Pai Vítor Emanuel II
Mãe Adelaide da Áustria
Assinatura Assinatura de Humberto I

Umberto Rainiero Carlos Emanuel João Maria Fernando Eugênio de Saboia (em italiano: Umberto Rainerio Carlo Emanuele Giovanni Maria Ferdinando Eugenio di Savoia) (Turim, 14 de março de 1844 - Monza, 29 de julho de 1900), cognominado "o Rei Bom", foi o segundo rei da Itália.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família[editar | editar código-fonte]

Umberto era o segundo filho (primeiro varão) do rei Vítor Emanuel II e da arquiduquesa Maria Teresa de Áustria-Toscana. Seus avós paternos foram o rei Carlos Alberto da Sardenha e Maria Cristina da Saxônia; e seus avós maternos foram Fernando III, Grão-duque da Toscana e Luísa das Duas Sicílias. Entre seus irmãos estavam o rei Amadeu I de Espanha e Maria Pia, rainha-consorte de Portugal.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Desde a infância, Umberto teve uma formação essencialmente militar, tendo como tutores Massimo D'Azeglio [1] , Pasquale Stanislao Mancini [2] e o general Giuseppe Rossi, que formou o caráter e as ideias que sustentou durante seu reinado.

O príncipe Umberto à época de seu casamento.

Iniciou a carreira militar propriamente dita em 1858, com a patente de capitão. Participou da Segunda Guerra de Independência Italiana - distinguindo-se na Batalha de Solferino, em 1859 - e da Terceira Guerra de Independência Italiana - onde, como comandante da XVI Divisão, teve importante atuação no conflito de Villafranca di Verona, em 24 de junho de 1866, na sequência da Derrota de Custoza [3] [4] .

Devido à revolta causada pelos Saboia em uma série de outras casas reais (as italianas e outras relacionadas a elas, como os Bourbon de Espanha e França) em 1859-1860, apenas uma pequena parcela da realeza estava disposta a estabelecer relações com a família reinante do recém criado Reino da Itália, o que tornou a procura por uma noiva real para os filhos de Vítor Emanuel II uma tarefa bastante difícil [5] . O conflito da família com a Igreja Católica após a anexação dos Estados Pontifícios dificultou ainda mais as negociações de casamento com pretendentes católicas [6] .

Inicialmente, acertou-se o casamento de Umberto com a arquiduquesa Matilde de Áustria-Teschen, descendente de um ramo colateral da Casa de Habsburgo. No entanto, a arquiduquesa morreu aos dezoito anos de idade, vítima de um trágico acidente [7] . O príncipe-herdeiro acabou casando-se com a princesa Margarida de Saboia, sua prima em primeiro grau, em 21 de abril de 1868. Margarida foi uma das raras princesas, entre todas as casas reais da Europa, com disponibilidade para contrair matrimônio com um membro da desprezada família Saboia (da qual ela também fazia parte). O casal teve um único filho, o futuro Vítor Emanuel III.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Ascendeu ao trono com a morte do pai, em 9 de janeiro de 1878. O novo rei adotou o título de "Umberto I da Itália", em vez de "Umberto IV" (de Saboia), e permitiu que os restos mortais de Vítor Emanuel II fossem sepultados no Panteão de Roma, em vez da cripta real da Basílica de Superga, reforçando a ideia de uma Itália unificada.

Primeira tentativa de assassinato[editar | editar código-fonte]

O príncipe-herdeiro Umberto com sua mãe, a rainha Adelaide, em ilustração da década de 1850.

Durante uma viagem a Nápoles, em 17 de novembro de 1878, Umberto desfilava num carro aberto acompanhado do premier Benedetto Cairoli quando foi atacado pelo anarquista Giovanni Passannante. O rei repeliu o golpe com seu sabre, mas Cairoli, ao tentar defendê-lo, foi gravemente ferido na coxa. O pretenso assassino foi condenado à morte, embora a lei só permitisse tal condenação em caso de morte do rei. Umberto comutou a sentença em trabalhos forçados perpétuos, que Passanante cumpriu numa cela de apenas 1,4 metros de altura, sem saneamento e com 18 quilos de correntes em seu corpo [8] . O anarquista viria a morrer em uma instituição psiquiátrica [9] .

Política externa[editar | editar código-fonte]

Na política externa, Umberto I aprovou a Tríplice Aliança com a Áustria-Hungria e a Alemanha, visitando Viena e Berlim diversas vezes. Muitos na Itália, no entanto, desaprovavam e viam com hostilidade uma aliança com seus antigos inimigos austríacos, que ainda ocupavam áreas reivindicadas pela Itália [10] .

Umberto também foi favorável à política de expansão colonial iniciada em 1885 com a ocupação de Massaua, na Eritreia, e da Somália [11] . Umberto I aspirava um vasto império no nordeste da África, mas sofreu uma desastrosa derrota na Batalha de Adwa, na Etiópia, em 1 de março de 1896 [11] .

No verão de 1900 as forças italianas, que compunham a Aliança das Oito Nações, participaram da Revolta dos Boxers, na China imperial. Através do Protocolo de Boxer, assinado após a morte de Umberto, o Reino da Itália recebeu a concessão do território de Tianjin, no nordeste da China.

Nas relações com a Santa Sé, Umberto declarou, em um telegrama de 1886, Roma "intocável" e afirmou a permanência da posse italiana da "Cidade Eterna" [10] .

Desordem[editar | editar código-fonte]

O reinado de Umberto I corresponde a uma época de revolução social, embora fosse afirmado mais tarde que tenha sido uma tranquila belle époque [10] . Tensões sociais decorrentes da ocupação relativamente recente do Reino das Duas Sicílias, a disseminação de idéias socialistas, a hostilidade do povo em relação aos planos colonialistas de vários gabinetes - especialmente o de Francesco Crispi - e a repressão às liberdades civis [12] . Entre os opositores estava o jovem Benito Mussolini, então membro do partido socialista. Em 22 de abril de 1897, Umberto I foi atacado novamente, por Pietro Acciarito, um ferreiro desempregado, que tentou esfaqueá-lo perto de Roma [10] [13] .

Massacre de Bava Beccaris[editar | editar código-fonte]

O rei foi duramente criticado pela oposição socialista e anarquista-republicana por ter concedido a grã-cruz da Ordem Militar de Saboia ao general Fiorenzo Bava Beccaris que, em 7 de maio de 1898, ordenou o uso de canhões contra a multidão que participava do chamado "Motim de Milão" (também conhecido como o protesto do estômago), uma manifestação popular provocada pela grande alta no custo dos cereais. Sob as ordens de Bava Beccaris, o exército protagonizou um massacre com pelo menos uma centena de mortos e mais de 500 feridos, segundo estimativas da polícia da época, embora alguns historiadores considerem que essas estimativas tenham sido subestimadas [14] .

Após os eventos em Milão, o governo do general Luigi Pelloux tomou um rumo autoritário, preparando-se para dissolver as organizações socialistas e radicais católicas e limitar a liberdade de imprensa e de reunião. Esta atitude, no entanto, foi vetada pelo parlamento, onde os socialistas conseguiram forçar Pelloux a dissolver o governo e convocar novas eleições, com avanço acentuado da esquerda.

Pelloux renunciou e Umberto I, em respeito à legislação vigente, nomeou Giuseppe Saracco como presidente do conselho de ministros, que deu início a uma política de reconciliação nacional. A concessão da condecoração ao general Bava Beccaris foi a causa do último e fatal ataque ao monarca, por Gaetano Bresci [15] .

O atentado fatal[editar | editar código-fonte]

Em 29 de julho de 1900, Umberto I foi convidado a Monza para participar de uma cerimônia de entrega de prêmios organizada pela Società Ginnastica Monzese Forti e Liberi, evento que contou com equipes de atletas de Trento e Trieste. Embora ele costumasse usar uma cota de malha de proteção sob a camisa, decidiu não usá-la naquele dia em virtude do calor, atitude que contrariava as instruções de seus agentes de segurança. Entre os populares que o saudavam também se encontrava Gaetano Bresci, com um revólver no bolso.

O rei permaneceu no local por cerca de uma hora e, segundo testemunhas, estava de bom humor: "Entre esses jovens inteligentes me sinto rejuvenescido.", teria declarado [10] . Ele decidiu retornar ao palácio da Villa Reale di Monza por volta de 22:30h, caminhando entre a multidão e a banda de música, que iniciava a "Marcha Real" [16] .

Aproveitando-se da confusão, Bresci postou-se à frente do rei e disparou três tiros. Umberto, baleado no ombro, pulmão e coração, dirigiu-se ao general Ponzio Vaglia: "Vamos, eu acho que estou ferido!" [17] .

Logo após, a polícia prendeu Brescia (que não ofereceu nenhuma resistência), livrando-o do linchamento pela multidão. Enquanto isso, a carruagem chegava à Villa Reale onde a rainha, já avisada do ocorrido gritava: "Façam algo, salvem o rei!" [10] Mas nada mais podia ser feito, o rei já estava morto.

Seu corpo foi sepultado Panteão de Roma, em 13 de agosto. Bresci foi julgado e condenado à morte por regicídio em 29 de agosto, mas a condenação foi comutada em prisão perpétua pelo novo rei, Vítor Emanuel III. Bresci morreu em 22 de maio de 1901.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16. Vítor Amadeu II
 
 
 
 
 
 
 
8. Carlos Emanuel de Saboia-Carignano
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17. Josefina de Lorena-Armagnac
 
 
 
 
 
 
 
4. Carlos Alberto da Sardenha
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18. Carlos da Saxônia
 
 
 
 
 
 
 
9. Maria Cristina da Saxônia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19. Francisca de Corvin-Krasinska
 
 
 
 
 
 
 
2. Vítor Emanuel II
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20. Leopoldo II, Sacro Imperador Romano-Germânico (=12)
 
 
 
 
 
 
 
10. Fernando III da Toscana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21. Maria Luísa da Espanha (=13)
 
 
 
 
 
 
 
5. Maria Teresa de Áustria-Toscana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22. Fernando I das Duas Sicílias
 
 
 
 
 
 
 
11. Luísa das Duas Sicílias
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23. Maria Carolina da Áustria
 
 
 
 
 
 
 
1. Umberto I da Itália
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24. Francisco I, Sacro Imperador Romano-Germânico
 
 
 
 
 
 
 
12. Leopoldo II, Sacro Imperador Romano-Germânico
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25. Maria Teresa I da Áustria
 
 
 
 
 
 
 
6. Rainiero da Áustria
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26. Carlos III de Espanha
 
 
 
 
 
 
 
13. Maria Luísa da Espanha
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27. Maria Amália da Saxônia
 
 
 
 
 
 
 
3. Adelaide da Áustria
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28. Vítor Amadeu II (=16)
 
 
 
 
 
 
 
14. Carlos Emanuel de Saboia-Carignano (=8)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29. Josefina de Lorena-Armagnac (=17)
 
 
 
 
 
 
 
7. Maria Isabel de Saboia-Carignano
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30. Carlos da Saxônia (=18)
 
 
 
 
 
 
 
15. Maria Cristina da Saxônia (=9)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31. Francisca de Corvin-Krasinska (=19)
 
 
 
 
 
 

Honrarias[editar | editar código-fonte]

Honrarias italianas[editar | editar código-fonte]

Order of the Most Holy Annunciation BAR.svg Grão-Mestre da Ordem da Anunciação

Cavaliere di gran croce OMS BAR.svg Grão-Mestre da Ordem Militar da Itália

Cavaliere di gran Croce Regno SSML BAR.svg Grão-Mestre da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro

Cavaliere di Gran Croce OCI Kingdom BAR.svg Grão-Mestre da Ordem da Coroa da Itália

Ordine Civile di Savoia BAR.svg Grão-Mestre da Ordem de Mérito Civil de Saboia

Valor militare gold medal - old style BAR.svg Medalha de Ouro ao Valor Militar

Medaglia a ricordo dell'Unità d'Italia BAR.svg Medalha Comemorativa da Unidade Italiana

CampagneGuerreIndipendenza.png Medalha Comemorativa da Campanha da Guerra da Independência

Honrarias estrangeiras[editar | editar código-fonte]

Ord.Aquilanera.png Cavaleiro da Ordem da Águia Negra

Order of the Garter UK ribbon.png Cavaleiro da Ordem da Jarreteira

Order of the Golden Fleece Rib.gif Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro

Notas

  1. Humberto, o Primeiro, por graça de Deus, Rei da Itália, Rei da Sardenha, Chiphe, Jerusalém, Armênia, Duque de Saboia, Conde de Maurienne, Marquês (do Sacro-Império Romano) na Itália; Príncipe de Piemonte, Carignano, Oneglia, Poirino, Trino; Príncipe e Vigário Perpétuo do Sacro-Império Romano; Príncipe da Carmagnola, Montmellian com Arbin e Francin, Príncipe de Bailliff do Ducado de Aosta , Príncipe de Chieri , Dronero , Crescentino , Riva di Chieri e Banna, Busca , Bene , Brà , Duque de Genoa , Monferrat , Aosta , Duque de Chablais , Genevois , Duque de Piacenza , Marquês de Saluzzo (Saluces), Ivrea , Susa , del Tegerone, Migliabruna e Motturone, Cavallermaggiore , Marene , Modane e Lanslebourg , Livorno Ferraris , Santhià Agliè , Centallo e Demonte , Desana , Ghemme , Vigone , Conde de Barge , Villafranca , Ginevra , Nizza , Tenda , Romont , Asti , Alessandria , do Goceano , Novara , Tortona , Bobbio , Soissons , Sant'Antioco , Pollenzo , Roccabruna , Tricerro , Bairo , Ozega , deo Apertole, Barão de Vaud e do Faucigni , Senhor de Vercelli , Pinerolo , da Lomellina , da Valle Sesia , Marquês de Ceva , Overlord de Mõnaco , Roccabruna e 11/12th de Menton , Nobre Patrício de Veneza e Ferrara.
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Referências

  1. D'Azeglio, Massimo Taparelli. I miei ricordi, Barbera, Firenze, 1891.
  2. Pasquale Stanislao Mancini
  3. Details on Custoza
  4. Encyclopædia Britannica: Second Battle of Custoza
  5. Exemplo disso foi o matrimônio do irmão mais novo de Umberto, o futuro Amadeu I de Espanha. Ante as recusas de outras casas reais em oferecer pretendentes ao príncipe, este terminou por casar-se com Maria Vitória del Pozzo, princesa de Cisterna e súdita piemontesa.
  6. De Sauclières, Hercule. Il Risorgimento contro la Chiesa e il Sud. Intrighi, crimini e menzogne dei piemontesi. Controcorrente, Napoli, 2003. ISBN 978-88-89015-03-2.
  7. La Archiduquesa em llamas - Tragedia en la familia imperial austro-húngara
  8. Galzerano, Giuseppe. Giovanni Passannante, Galzerano Editore, Casalvelino Scalo, 2004.
  9. Merlino, Salvatore. L'Italia così com'è, 1891 in "Al caffè", por Errico Malatesta, 1922.
  10. a b c d e f Grimaldi, Ugoberto Alfassio. Il re buono, Feltrinelli, Milano, 1970.
  11. a b Hess, Robert L. Italian Colonialism in Somalia. University of Chicago P. Chicago, 1966.
  12. Franco Andreucci, Tommaso Detti, Il Movimento operaio italiano:dizionario biografico, 1853-1943, Volume 1, Editori riuniti, Roma, 1975.
  13. Selvetella, Yari. Banditi, Criminali e Fuorilegge di Roma, Newton Compton, 2006.
  14. Valera, Paolo. I cannoni di Bava Beccaris, Milano 1966.
  15. Petacco, Arrigo. L'anarchico che venne dall'America, Mondadori, Milano, 1974.
  16. Hino do Reino da Sardenha e, posteriormente, do Reino da Itália
  17. Oliva, Gianni. I Savoia:novecento anni di una dinastia, Mondadori, Milano, 1998

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Casa de Saboia
Umberto I
Nascimento: 14 de março de 1844; Morte: 29 de julho de 1900
Precedido por
Vítor Emanuel II
Coat of arms of the Kingdom of Italy (1870).svg
Rei da Itália
18781900
Sucedido por
Vítor Emanuel III