Pat Jennings

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Pat Jennings
Informações pessoais
Nome completo Patrick Anthony Jennings
Data de nasc. 12 de Junho de 1945
Local de nasc. Newry,  Reino Unido
Nacionalidade Britânico
Altura 1,83 m
Apelido Big Pat
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Goleiro
Clubes de juventude
1960
1961-1963
República da Irlanda Shamrock Rovers
Irlanda do Norte Newry Town
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos/gols)
1963-1964
1964-1977
1977-1985
1985-1986
Inglaterra Watford
Inglaterra Tottenham Hotspur
Inglaterra Arsenal
Inglaterra Tottenham Hotspur
48 (0)
472 (1)
237 (0)
0 (0)
Seleção nacional
1964-1986 Bandeira da Irlanda do Norte Irlanda do Norte 119 (10)

Patrick Anthony Jennings (Newry, 12 de junho de 1945), mais conhecido como Pat Jennings, é um ex-futebolista norte-irlandês que atuava como goleiro.

Passou dos mil jogos, sem ter sido expulso.[1] Foi o primeiro jogador a participar de seis eliminatórias de Copa do Mundo FIFA. Chegou a deter o recorde de jogos por uma seleção e também o de mais velho jogador das Copas do Mundo. Quando jogava, era famoso também pelo estilo de defesas, ao fazê-las com mãos trocadas e em dois tempos, além de dar um tapa na bola antes de segura-la definitivamente.[2]

Destacou-se ainda como um raro ídolo tanto de Tottenham Hotspur, onde jogou por treze anos, quanto do Arsenal, o qual defendeu por outros nove. Tratam-se de dois clubes arquirrivais, que fazem o clássico do norte da cidade de Londres.[2]

Carreira por clubes[editar | editar código-fonte]

Jennings foi revelado em 1960 pelo Shamrock Rovers, não permanecendo na equipe irlandesa, preferindo atuar no futebol gaélico até o ano seguinte, quando foi jogar nas categorias de base do Newry Town, permanecendo até 1962. Suas atuações o levaram para o Watford, então na Terceira Divisão inglesa. Em sua única temporada pela equipe que chegou a ter o cantor Elton John como seu presidente, o goleiro atuou em 48 partidas. Mesmo em jogos da terceira divisão, chamou atenção a ponto do Tottenham Hotspur investir 27 mil libras para contratá-lo em 1964.[2]

Auge no Tottenham[editar | editar código-fonte]

Durante os 13 anos em que defendeu o Tottenham, Jennings disputou 472 partidas, conquistando quatro títulos (Copa da Inglaterra, em 1967; duas Copas da Liga, em 1971 e 1973, além da Copa da UEFA de 1972-73). Recebeu também os prêmios de melhor futebolista inglês do ano pela FWA em 1973, e de futebolista do ano pelo mesmo órgão em 1976, ano também em que foi condecorado com a Ordem do Império Britânico.[2]

Apesar de ser reconhecido por suas defesas, o goleiro roubaria a cena em 1967, pela final da Supertaça Inglesa, contra o Manchester United: Jennings marcou seu primeiro (e único) gol na carreira, após dar um chute em direção ao ataque. O que "Big Pat" não esperava era que a bola ganhasse efeito e encobrisse Alex Stepney, goleiro do United. O jogo terminou empatado em 3 a 3, e os dois clubes dividiram o título.[2]

Virando a casaca[editar | editar código-fonte]

Aos 32 anos, Jennings foi contratado pelo Arsenal, o grande rival do Tottenham, cujo presidente na época, Keith Burkinshaw, acreditava que o goleiro já encontrava-se em final de carreira. Surpreendentemente, "Big Pat" teve uma bem-sucedida passagem também pelos Gunners, onde permaneceria por mais nove anos, até 1985, tendo jogado 237 partidas e conquistado uma FA Cup. Em 2008, uma seleção dos 50 melhores jogadores da história do Arsenal foi feita por torcedores do clube, que elegeram Jennings como o 10º melhor atleta da história do clube, atrás de Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Tony Adams, Ian Wright, Patrick Vieira, Robert Pirès, David Seaman, Liam Brady e Charlie George.[2]

Sem contrato com o Arsenal ao fim da temporada 1984-85, Jennings decidiu regressar ao Tottenham para recuperar a forma física, visando a Copa de 1986. Embora inscrito no elenco dos Spurs, não entrou em campo nenhuma vez em seu retorno, na temporada 1985-86 - o também experiente goleiro Ray Clemence foi o titular,[3] mas ainda assim o estado de Jennings era descrito como em excelente forma.[4]

Carreira internacional[editar | editar código-fonte]

Pela seleção da Irlanda do Norte, Jennings disputou 119 jogos, entre 1964 e 1986. A partida de sua estreia, contra o País de Gales (válida pela British Home Championship, o Campeonato Britânico de Seleções), foi o debute também de George Best pelo selecionado.[2] À altura de 1973, era considerado o sucessor de Gordon Banks nas Ilhas Britânicas.[5] Havia quase ido à Copa do Mundo de 1966, do qual os norte-irlandeses não se classificaram por um ponto.[6] Fora das Copas de 1966, 1970, 1974 e 1978, "Big Pat" faria sua estreia em Mundiais na Copa de 1982, já aos 37 anos de idade. A Irlanda do Norte conseguira a classificação ironicamente na primeira tentativa após o desligamento do ídolo George Best da seleção.[7] E foi em um grupo difícil nas eliminatórias, com Portugual e Suécia.[8]

Em 1982, Jennings foi o líder do elenco que, repleto de jogadores das divisões inglesas inferiores e até do futebol dos Estados Unidos, estava pouco cotado para um bom papel antes do torneio [9] e que acabou sendo a maior surpresa positiva da primeira fase, derrotando a anfitriã Espanha e ficando com vaga que acreditava-se que ficaria para a favorita Iugoslávia. Os norte-irlandeses tiveram chances de ir à semifinal e mesmo que uma goleada de 4-1 para a França tenha impedido mais este avanço, a delegação foi recebida com festa no retorno à casa.[10]

Jennings ainda era prestigiado em meados de 1985, quando foi dispensado do Arsenal. Em 27 de julho daquele ano, ele foi o titular de um amistoso entra a seleção das Américas contra o Resto do Mundo, em partida beneficente para o Unicef, com Rinat Dasayev sendo seu reserva.[11]

Na temporada 1985-86, Jennings estava na reserva do Tottenham Hotspur, o qual vinha usando apenas para manter-se em forma, objetivo que era visto como muito bem cumprido.[4] No jogo final das eliminatórias, em Londres, os norte-irlandeses precisavam do empate para se classificarem e não foram poupados pelos rivais da Inglaterra. A atuação de Jennings foi descrita como soberba e fundamental para a partida terminar sem gols e garantir sua seleção em mais uma Copa.[10] [12] Nos amistosos antes do mundial, na época tornou-se em partida contra o Marrocos o detentor do recorde de jogos por uma seleção. Chegava ao 116º pela Irlanda do Norte e superava os 115 de Björn Nordqvist pela Suécia.[13]

O goleiro fez o seu último jogo como profissional na última rodada da primeira fase da Copa de 1986, contra o Brasil, justamente no dia em que o goleiro fez seu aniversário de 41 anos.[10] Jennings foi o jogador mais velho do mundial.[3] Sua seleção terminou eliminada ali, com Jennings sofrendo três gols, o que não impediu que ao fim da partida ele terminasse aplaudido pelos companheiros.[14] Em dezembro daquele mesmo ano, ele realizou seu jogo-despedida, atraindo 25 mil pessoas em amistoso entre a seleção norte-irlandesa contra um combinado internacional. Recebeu toda a renda da partida, que contou com George Best.[15]

Seu recorde de jogos por uma seleção foi superado em 1990 pelo 120º de Peter Shilton pela Inglaterra.[16] Ele também detinha o recorde de mais velho jogador na história das Copas do Mundo até o camaronês Roger Milla superá-lo ao atuar a Copa do Mundo de 1994 com 42 anos.[17]

Fora dos gramados[editar | editar código-fonte]

Já aposentado, Pat Jennings voltaria novamente ao Tottenham em 1993, agora como treinador de goleiros. Em 2003, foi incluído no Hall da Fama do Futebol Inglês por conta de seus serviços prestados ao futebol inglês, e quatro anos depois, entrou no Hall da Fama dos Spurs.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Um goleiro no fechadíssimo clube dos mil (21 de janeiro de 1983). Placar n. 661. Editora Abril, p. 32
  2. a b c d e f g GARCIA, Marcus Vinícius (5 de janeiro de 2011). Pat Jennings: arqueiro, lenda e ídolo de duas torcidas (em português) Trivela. Visitado em 4 de março de 2015.
  3. a b O vovô Jennings (24 de março de 1986). Placar n. 826. Editora Abril, p. 50
  4. a b Os irlandeses irão dar trabalho (13 de janeiro de 1986). Placar n. 816. Editora Abril, p. 13
  5. Os 16 da Copa (28 de dezembro de 1973). Placar n. 198. Editora Abril, pp. 56-61
  6. Mondragón pode ser o primeiro a jogar duas Copas em 20 anos (em português) Trivela (17 de outubro de 1973). Visitado em 4 de março de 2015.
  7. BERTOZZI, Leonardo (fevereiro de 2009). Exércitos de um homem só. Trivela n. 36. Trivela Comunicações, p. 45
  8. Uma zebra pede passagem (14 de maio de 1982). Placar n. 625. Editora Abril, p. 100
  9. Pouca classe e muita correria (31 de dezembro de 1981). Placar n. 606. Editora Abril, p. 9
  10. a b c Dupla de heróis (2 de junho de 1986). Placar n. 836. Editora Abril, pp. 64-66
  11. Américas x Resto do Mundo (18 de agosto de 1986). Placar n. 847. Editora Abril, p. 5
  12. Os heróis exilados (22 de novembro de 1985). Placar n. 809. Editora Abril, pp. 12-14
  13. A semana (5 de maio de 1986). Placar n. 832. Editora Abril, pp. 59-62
  14. URT, Nelson (28 de julho de 1986). Uma vontade leonina. Placar n. 844. Editora Abril, pp. 46-47
  15. Feliz despedida (15 de dezembro de 1986). Placar n. 864. Editora Abril, p. 55
  16. O eterno Shilton (22 de junho de 1990). Placar n. 1044. Editora Abril, p. 26
  17. Golden oldie Mondragón: "Thanks to everyone" (em inglês) Diario As (25 de junho de 2014). Visitado em 4 de março de 2015.


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