Saci

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Saci-pererê

Saci (ou mais especificamente Saci-pererê, Saci-saçurá ou Saci-trique) é uma personagem bastante conhecida do folclore brasileiro, que teve sua origem presumida entre os indígenas da região das Missões, no Sul do país, por onde se espalhou em sua quase totalidade.

Índice

[editar] O saci

Retrato do the Saci-pererê (2007) por J. Marconi.

A figura do Saci surge como um ser maléfico, como somente brincalhão ou como gracioso, conforme as versões comuns ao sul .[1]

Na Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também, da cultura africana, o pito, uma espécie de cachimbo, e da mitologia européia, herdou o píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo.[2]

[editar] Representação

O Saci é um negro jovem de uma só perna, portador de uma carapuça sobre a cabeça que lhe concede poderes mágicos. Sobre este último caractere é de notar-se que já na mitologia romana registrava Petrônio, no Satiricon, que o píleo conferia poderes ao íncubo e com recompensas a quem o capturasse.[1]

Considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas, fazendo pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assobios - bastante agudos e impossíveis de serem localizados. Assim é que faz tranças nos cabelos dos animais, depois de deixá-los cansados com correrias; faz as cozinheiras queimarem as comidas; ou aos viajantes se perderem nas estradas.[1]

O mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII ou começo do XIX.[1]

[editar] Papel do mito

A função desta "divindade" era o controle, sabedoria, e manuseios de tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.

Como suas qualidades eram as da farmacopéia, também era atribuído a ele o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.

[editar] Representações artísticas

[editar] Literatura

O primeiro escritor a se voltar para a figura do Saci-Pererê foi Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de São Paulo. Com o título de "Mitologia Brasílica - Inquérito sobre o Saci-Pererê", Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra O Saci-Pererê: resultado de um inquérito, primeiro livro do escritor.[3].

Mais tarde, em 1921, o autor voltaria a recorrer ao personagem, no livro O Saci, seu segundo trabalho dedicado à literatura infantil.

[editar] Histórias em Quadrinhos

O quadrinhista Ziraldo criou em 1958 a série Turma do Pererê, em que o Saci contracena com o índio Tininim, a onça Galileu e outros personagens. As histórias foram originalmente publicadas na revista O Cruzeiro[4].

Em 2010, o ilustrador Giorgio Galli publicou a primeira edição de sua revista independente de quadrinhos de terror Salomão Ventura - Caçador de Lendas. Na primeira aventura do personagem, o Saci é apresentado como uma figura demoníaca, que leva suas vítimas à loucura e à morte.[5]

[editar] Cinema e TV

O primeiro ator a representar o papel foi Paulo Matozinho, no filme "O Saci", adaptado do livro infantil de Lobato. A produção de 1951 da Brasiliense Filmes foi dirigida por Rodolfo Nanni[6].

Existe um documentário sobre o Saci feito por Sylvio do Amaral Rocha e Rudá K. Andrade. Somos Todos Sacys refaz o caminho do Inquérito de Lobato e resignifica o mito hoje. Fruto de longa pesquisa em comunidades rurais, vilas e pequenas cidades do Vale do Paraíba, Vale da Ribeira e da região de Botucatu, o filme dá voz a pessoas que dizem ter visto ou ouvido sacis. Rudá e Sylvio ficaram um ano e meio na realização do projeto, reduzindo o material recolhido para 50 minutos. A pré-estréia de “Somos todos Sacys” ocorreu no MIS, em 27 de abril de 2005. Dois dias depois, foi exibido pela Rede STV (Sesc Senac). O Documentário está disponível na internet.

Na televisão, as séries que adaptaram a obra de Monteiro Lobato em 1977 e 2007 tiveram Romeu Evaristo e Fabrício Boliveira, respectivamente, interpretando o personagem. O cantor Jorge Benjor também encarnou o Saci no especial Pirlimpimpim, de 1982. Em Pirlimpimpim 2, de 1984, foi a vez de Genivaldo dos Santos vestir a carapuça[7].

Na adaptação para a TV das histórias de Ziraldo, o papel de Pererê coube a Sílvio Guindane.

[editar] Música

Em 1912, o compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos escreveu a marcha Saci, quinta parte da sua suíte para piano Petizada (W048). A composição, assim como as outras da mesma peça, é inspirada no folclore musical brasileiro[8].

Francisco Mignone também deu o nome de Saci à sexta parte dos seus Estudos Transcendentais para piano, de 1931. [9]

Passaram-se décadas até o moleque de uma perna só voltar às partituras dos concertos. Foi o maestro Edmundo Villani-Cortes quem voltou a lhe dar vida em obras como Primeira folha do diário do saci (para piano, 1994)[10], Terceira folha do diário de um saci (para flauta, 1992)[11] e Sétima folha do diário de um saci (para contrabaixo, 1992) [12].

Na música popular, a primeira referência ao personagem data de 1909, ano da composição de Saci-Pererê, de Chiquinha Gonzaga, gravada pela dupla Os Geraldos. Em 1913 é a vez de Saci, uma polca de J.B. Nascimento, gravada pelo Sexteto da Casa. Gastão Formenti também gravou duas músicas intituladas Saci-Pererê: uma toada de Joubert de Carvalho, em 1918, e uma canção de J. Aimberê e Bide, em 1929

Nas décadas seguintes outros artistas recorreram ao tema, como Arnaldo Pescuma (Teu olhar é um Saci, de Cipó Jurandi e Décio Abramo, 1930; Conjunto Tupy (Saci-Pererê, de J.B. Carvalho, 1932; Mário Genari Filho (a polca Saci-Pererê, 1948); Zé Pagão & Nhô Rosa (Saci-Pererê, de Ivani, 1949); Inhana (Saci, baião de Antônio Bruno e Ernesto Ianhaen, 1956); Edir Martins (Saci-Pererê, marcha de Carlinhos e Galvão, 1957); a dupla Torrinha & Canhotinho (o cateretê Saci-Pererê, 1959); Araci de Almeida (Saci-Pererê, marcha de Henrique de Almeida e Rubi, 1960); Demetrius (Rock do Saci, de J. Marascalco e Richard Penniman, 1961); e Clóvis Pereira (Samba do Saci, de Osvaldo Nunes e Lino Roberto, 1963).

Em 1973, o grupo Secos & Molhados fez sucesso com O Vira, de João Ricardo e Luli. A canção, que mencionava sacis e fadas, seria regravada mais tarde por artistas de estilos distantes, como Frank Aguiar, Roberto Leal e os grupos Falamansa e Cheiro de Amor.

Pouco depois, Kleiton e Kledir, então integrantes do grupo Almôndegas, compuseram Canção da meia-noite, incluída na trilha sonora da telenovela Saramandaia (1976). A música, que acompanhava o personagem Professor Aristóbulo (Ary Fontoura) falava do "medo de ser um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê”.

O Saci continuou aparecendo em trilhas sonoras. No ano seguinte, para acompanhar a série televisiva Sítio do Picapau Amarelo, Guto Graça Mello compôs e gravou Saci. No especial Pirlimpimpim (1982), a canção para o personagem ficou por conta de Jorge Benjor (Saci Pererê. A segunda versão do Sítio para a TV incluiu na sua trilha Pererê Peralta (Saci), de Carlinhos Brown (2001) e Eu vi o Saci, de Marcos Sacramento e Izak Dahora (2006).

Outras gravações:

Na música instrumental, as principais referências são o violonista Carlinhos Antunes (Saci-Pererê, 1996), a banda Terreno Baldio (Saci-Pererê, 1977), Guilerme Lamounier (Saci-Pererê, 1978) e o Quarteto Pererê (Polka do Sacy e Liberdade Pererê, ambas no álbum Balaio, 2010) [13]. O Quarteto Pererê já havia apresentado, em 2005, o espetáculo Saci Armorial, em que fundia a lenda com o universo literário do escritor pernambucano Ariano Suassuna [14].

[editar] Jogos

O Role Playing Game O Desafio dos Bandeirantes inclui o Saci entre as figuras mitológicas que podem enfrentar os jogadores[15].

No MMORPG brasileiro Erinia, o Saci é um dos monstros que habitam as Grutas de Hur[16]

[editar] Dia do Saci

Em 2005, foi instituído o Dia do Saci no Brasil, comemorado no dia 31 de outubro, a fim de restaurar as figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao Halloween. [carece de fontes?]

[editar] Curiosidades

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Referências

[editar] Ver também

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