Éramos Seis

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Éramos Seis
Capa da primeira edição do livro em 1943.
Autor(es) Maria José Dupré
Idioma Português
País  Brasil
Gênero Drama
Editora Nacional (original)
Lançamento 1943
Páginas 259

Éramos Seis é o título do romance escrito por Maria José Dupré, publicado em 1943. Faz parte da Série Vaga-Lume. A obra recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Raul Pompeia.[1]

O livro foi adaptado para a televisão em quatro ocasiões, na forma de telenovelas, sendo a primeira versão em 1958, pela RecordTV.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Éramos Seis conta a história de Dona Lola, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade de sua família. Paulista do interior do Estado de São Paulo (nascida na cidade de Itapetininga), Lola é esposa de Júlio Abílio de Lemos, um vendedor, com quem tem quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. A obra cobre um período de vinte e oito anos, iniciando em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial (mencionada inclusive pela personagem Tia Emília) e terminando em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, no final do Estado Novo.

O romance é narrado em primeira pessoa pela protagonista Lola (cujo nome verdadeiro é Eleonora), e se desenrola tendo duas cidades como cenário: São Paulo e Itapetininga.

O período de grandes transformações sociais e comportamentais da sociedade paulista serve como pano de fundo ao romance e, por vezes, tais mudanças influenciam diretamente as ações dos personagens. Acontecimentos como a gripe espanhola de 1918, a Revolução Paulista de 1924, e a Revolução Constitucionalista de 1932 são vivenciados pela família Lemos sob o olhar de Dona Lola. No capítulo final, também se fala brevemente sobre a Segunda Guerra Mundial (através de uma carta de Alfredo).

A vida de Dona Lola é narrada desde a infância das crianças, quando Júlio trabalha em uma loja de tecidos e ambos se sacrificam para pagar as prestações da casa onde moram, na avenida Angélica, em São Paulo, nas proximidades do parque Buenos Aires, no local onde mais tarde se ergueu o Edifício São Clemente, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e de Dona Lola à velhice.

Sua vida muda com os acontecimentos: a morte de Júlio por uma doença estomacal; a partida de Julinho para trabalhar no Rio de Janeiro e sua posterior ascensão social ao se casar com uma moça de uma família da alta sociedade carioca, Maria Laura; o sumiço de Alfredo pelo mundo, para não ser preso; a união de Isabel com um homem desquitado, Felício, que não é aceita por Lola devido às convenções morais da época; e por fim a inesperada morte de Carlos, o primogênito e o filho mais devotado à mãe, também vitimado por uma doença estomacal.

O título do romance vem da situação de Dona Lola ao fim da vida, sozinha num quartinho alugado em uma confortável pensão de Irmãs, dirigida pelas Irmãs Esperança, na Rua da Consolação, em São Paulo. Eram seis e agora só resta ela.

No início da história, em fins de 1914, Isabel tem três anos, Julinho tem cinco, Alfredo tem sete, e Carlos tem nove. Eles estudam na escola particular de Dona Benedita.

Também são expostos outros personagens, como os familiares e amigos de Lola: na cidade de Itapetininga, interior paulista, mora a mãe (uma doceira viúva, cujo nome não é mencionado, pois ao narrar a história em primeira pessoa, Lola se refere à mãe apenas como "mamãe" - nas telenovelas baseadas no livro a personagem foi nomeada como Dona Maria). A mãe de Lola mora com suas outra duas filhas: as irmãs Clotilde e Olga. O pai de Lola já é falecido quando a história começa (Lola conta que ele morreu cerca de um ano após ela se casar com Júlio), e foi professor de uma escola rural, e posteriormente diretor, sendo um pedagogo elogiado. Era irmão de tia Emília e tia Elvira.

Clotilde é mais velha que Lola e ficou solteira. É doceira junto com a mãe, e passa grandes temporadas com Lola em São Paulo, participando ativamente dos acontecimentos na família da irmã, a quem é extremamente afeiçoada. Olga é dois anos mais nova que Lola, professora, e se casa com Zeca, com quem tem cinco filhos. Zeca, namorado e posteriormente marido de Olga, é um rapaz que trabalha em uma farmácia em Itapetininga, onde vive com os pais e irmãos (que são apenas citados rapidamente na história durante seu casamento com Olga).

Em Itapetininga também reside a tia Candoca (uma tia de Lola, irmã de sua mãe), que também é viúva, tem filhos (apenas mencionados vagamente na história, com exceção de Mocinha, a filha casada) e se muda para São Paulo alguns anos após o falecimento da irmã, indo morar em uma casa na Rua Bandeirantes, no bairro da Luz . Tia Candoca mora acompanhada de uma cozinheira idosa chamada Benedita, e uma neta ainda criança (durante a Revolução de 1924, a neta tem oito anos), deixada aos seus cuidados quando sua filha, Mocinha (prima de Lola) e o marido Nelson, se mudam para a cidade de Rio Preto (em Minas Gerais) para uma temporada de cerca de dois anos. A narrativa demonstra que Tia Candoca tem grande afeição por animais de estimação, tendo um cachorro chamado Pirata, uma cabra chamada Esmeralda, e um papagaio chamado Mulata. Enquanto reside em Itapetininga, tia Candoca cuida de uma cunhada que sofre de um desequilíbrio mental; após a mudança para São Paulo, a cunhada não é mais mencionada.

Também é mencionado o Tio Inácio, tio de Júlio que também reside em Itapetininga e só aparece no casamento de Olga e Zeca; foi por passar férias na casa deste tio em Itapetininga que Júlio (já residente em São Paulo) conheceu Lola em uma festa e a pediu em casamento (conforme as recordações narradas por Lola).

Na cidade de São Paulo, vive a rica tia Emília, em um casarão na Rua Guaianases, no bairro Campos Elíseos. Tia Emília é a irmã mais velha do pai de Dona Lola, é viúva a alguns anos, e mora com duas de suas filhas: Justina e Adelaide, filhas de meia-idade que são as últimas que permanecem vivendo com a mãe, já que, como o livro menciona, Tia Emília teve outros filhos que estão casados, dois filhos solteiros, além de netos e bisnetos. É mencionado que o mais velho dos filhos é advogado, e o filho caçula aparece na história ao visitar sua prima Lola, levando um cheque da mãe após a morte de Júlio. Tia Emília tem cerca de setenta anos no início da história (final de 1914),e é apaixonada pela história das famílias paulistas, conhecendo a árvore genealógica de todos. Sua filha Justina ficou viúva jovem e sem filhos, voltando a morar com a mãe, e morre devido a problemas cardíacos logo no início do livro. Adelaide ficou solteira e permanece vivendo com a mãe até o falecimento de tia Emília no final do romance, quando vende o casarão e se muda para uma fazenda em Campinas. Tia Emília morre com cerca de 88 anos, algum tempo após a Revolução de 1932.

Também aparecem na história (em passagem rápida) a tia Elvira (irmã de Tia Emília e do pai de Lola, e que mora em Santos - Lola a encontra no velório de Justina), a mãe de Júlio (também viúva, e, assim como a mãe de Lola, não tem seu nome mencionado na história, narrada em primeira pessoa por Lola, que se refere à personagem apenas como "minha sogra" ou "a mãe de Júlio" - nas telenovelas baseadas no livro a personagem foi nomeada como Dona Marlene), e a irmã mais nova deste, Maria, que é solteira, e que reside com a mãe em Belo Horizonte (capital do Estado de Minas Gerais). A narrativa demonstra que, aparentemente, a mãe de Júlio teve outros filhos além dele e de Maria, mas estes não são mencionados.

Na casa de Lola também vive a empregada Durvalina, muito querida pela família, e o gato de estimação dos filhos de Lola, chamado Caçarola.

Outro personagem que aparece é Barbosa, dono da loja de tecidos onde Júlio trabalha como vendedor, mais tarde como gerente, e depois funcionário do escritório da loja. Barbosa é tio de Maria Laura, filha de seu irmão que mora no Rio de Janeiro.

Dois personagens fundamentais no desenrolar do destino de dois dos filhos de Dona Lola são Felício e Maria Laura. Felício é um homem desquitado (com um filho pequeno) e que se une à Isabel, com quem tem dois filhos (um deles chamado Carlos, em homenagem ao tio, e que visita Dona Lola frequentemente no final). Maria Laura é uma moça da alta sociedade carioca, filha única do patrão de Julinho no Rio de Janeiro (irmão de Sr. Barbosa); ela se casa com Julinho, com quem tem duas filhas.

Ao lado da casa de Lola mora a vizinha Genu (Genoveva), a grande amiga de Dona Lola, por quem nutre uma amizade sincera e verdadeira. É uma viúva que perdeu o marido e o único filho homem há muitos anos, e criou sozinha as outras quatro filhas (sendo mencionadas por nome apenas três: Lili, Leonor e Joca). A narrativa do romance deixa vagas informações sobre as filhas de Dona Genu: Joca é casada, e tem vários filhos, mas vive um casamento conturbado, e por isso Dona Genu detesta o genro; Lili é solteira; Leonor teve um filho que morreu aos dois anos de idade, mas a narrativa não deixa claro se Leonor é casada; e a quarta filha de Dona Genu não é mencionada durante a história, apenas é dito que Dona Genu tem quatro filhas.

Em Itapetininga, ao lado da casa da mãe de Lola mora a vizinha Dona Carola, amiga da família de Lola. Os outros amigos e vizinhos de Itapetininga são apenas citados na história.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Análise[editar | editar código-fonte]

Para Avelino A. Correia, a obra parece "comum" no drama que aborda, pois não traz uma história de amor nem questionamentos filosóficos ou intelectuais, mas um "drama mais ou menos comum a todas as famílias que lutam para conseguir estas três necessidades fundamentais: boa convivência, teto e o pão nosso de cada dia"; mas ressalta que a forma como a narrativa evolui, de modo "simpático, irresistível e envolvente", a torna "incomum" e fascinante. Na verdade o ponto forte da obra é justamente destacar a vida de uma família comum, os dramas pessoais, a questão da terceira idade, do papel do gênero numa metrópole de aspecto interiorano que vai virando uma megalópole. A forma como é abordado acaba por fazer temas comuns a ponto de passarem despercebidos como algo a pensar, principalmente a questão de que tantas décadas em dedicação a um lar acaba não tão recompensador, por mais que seja algo inerente da existência, porém mostra o desvalor que os próprios filhos, ao criar seus próprios mundos divergentes do lar original, acabam por dar aos seus progenitores; ainda mais aquela que sobrevive a todos estes desafios diários e constantes.[1]

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

  • Em 1958 a RecordTV adaptou o livro em formato de telenovela pela primeira vez, sendo escrita e dirigida por Ciro Bassini. Exibida entre 3 de fevereiro e 24 de abril de 1958, ao vivo, a trama trouxe como protagonistas Gessy Fonseca e Gilberto Chagas.[2] Foi a telenovela mais assistida naquele ano.[3]

Cinema[editar | editar código-fonte]

  • Apesar de nunca ter sido adaptada para o cinema nacional, a obra foi transformada em filme sob o mesmo título em 1945 na Argentina, contando com Sabina Olmos e Roberto Airaldi nos papeis principais e a direção do chileno Carlos F. Borcosque.[12]

Personagens[editar | editar código-fonte]

Personagem Adaptação para a TV
1958 1967 1977 1994 2019
Dona Lola Gessy Fonseca Cleyde Yáconis Nicette Bruno Irene Ravache Glória Pires
Júlio Gilberto Chagas Sílvio Rocha Gianfrancesco Guarnieri Othon Bastos Cássio Gabus Mendes
Alfredo Fábio Cardoso Plínio Marcos Carlos Alberto Riccelli Tarcísio Filho
Carlos Randal Juliano Roberto Orosco Carlos Augusto Strazzer Jandir Ferrari
Isabel Arlete Montenegro Guy Loup Maria Isabel de Lizandra Luciana Braga
Julinho Silvio Luiz Tony Ramos Ewerton de Castro Leonardo Brício
Clotilde Cleyde Yáconis Inexistente Geórgia Gomide Jussara Freire
Olga Maria Aparecida Báxter Inexistente Jussara Freire Denise Fraga
Tia Emília Wanda A. Hammel Dina Lisboa Nydia Lícia Nathalia Timberg
Felício Apenas citado Apenas citado Adriano Reys Marco Ricca
Maria Laura Apenas citada Apenas citada Indianara Gomes Luciene Adami
Zeca Inexistente Inexistente Paulo Figueiredo Osmar Prado
Dona Maria Inexistente Inexistente Leonor Lambertini Yara Lins
Tia Candoca Inexistente Inexistente Geny Prado Wilma de Aguiar
Justina Inexistente Inexistente Lourdes de Moraes Mayara Magri
Adelaide Inexistente Inexistente Carmem Monegal Bete Coelho

Referências

  1. a b Correia, Avelino A, Maria José Dupré (resumo biográfico)  in Dupré, Maria José (1972). Éramos Seis 17ª ed. São Paulo: Ática. p. 7-8. CDD 869.935 
  2. «Éramos Seis: relembre todas as versões desse clássico da TV». Observatório da Televisão. Consultado em 23 de março de 2018 
  3. «Éramos Seis, um sucesso em adaptações». Junior de Castrro. Consultado em 23 de março de 2018 
  4. «Eramos Seis». Teledramaturgia. 12 de setembro de 2015. Consultado em 23 de abril de 2016 
  5. Armando Antenore (15 de junho de 1994). «Romance português substitui 'Éramos Seis'». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018 
  6. Nilson Xavier. «Éramos Seis - Bastidores». Teledramaturgia. Consultado em 27 de julho de 2014 
  7. «Desculpe a nossa falha». Folha de S.Paulo. UOL. 25 de dezembro de 1994. Consultado em 27 de julho de 2014 
  8. «Novela supera expectativa de audiência». Folha de S.Paulo. UOL. 6 de dezembro de 1994. Consultado em 27 de julho de 2014 
  9. Cristina Padiglione (4 de outubro de 2018). «Escolha por Glória Pires para ser a 5ª Dona Lola de 'Éramos Seis' é perfeita». Tele Padi. Consultado em 27 de janeiro de 2019 
  10. Flávio Ricco (25 de janeiro de 2019). «Globo estabelece nova ordem para fila das 18h e antecipa "Éramos Seis"». UOL. Consultado em 27 de janeiro de 2019 
  11. Patrícia Kogut (5 de fevereiro de 2019). «Antonio Calloni fará par com Gloria Pires em 'Éramos seis'». O Globo. Consultado em 5 de fevereiro de 2019 
  12. «Éramos Seis - Filme». Cinemateca Brasileira. Consultado em 23 de março de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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