Éramos Seis

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Éramos Seis
Capa da primeira edição do livro em 1943.
Autor(es) Maria José Dupré
Idioma Português
País  Brasil
Gênero Drama
Editora Nacional (original)
Lançamento 1943
Páginas 259

Éramos Seis é o título de um romance escrito por Maria José Dupré, publicado em 1943 e que foi adaptado para o cinema, como também para a televisão em quatro ocasiões, na forma de telenovela, sendo a primeira versão em 1958 pela RecordTV. A obra recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Raul Pompeia.[1] Faz parte da Série Vaga-Lume.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Éramos Seis conta a história de Dona Lola e sua família, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade de sua família. É esposa de Júlio, um vendedor, com quem tem quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. A obra cobre cerca de duas décadas, iniciando nos anos 1920, no período final da República Velha, e terminando nos anos 1940, durante a II Guerra Mundial, já nos anos finais do Estado Novo.

O período de grandes transformações sociais e comportamentais da sociedade paulista serve como pano de fundo ao romance e, por vezes, tais mudanças influenciam diretamente as ações dos personagens. A vida de Dona Lola é narrada desde a infância das crianças, quando Júlio trabalha para pagar as prestações da casa onde moram, na avenida Angélica, em São Paulo, nas proximidades do parque Buenos Aires, no local onde mais tarde se ergueu o Edifício São Clemente, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e de Dona Lola à velhice.

Conforme os anos passam sua vida muda com a morte de Júlio por uma doença estomacal; o sumiço de Alfredo (que era comunista) pelo mundo; a união de Isabel com Felício, um homem desquitado; a ascensão de Julinho, que se casa com uma moça de uma família da alta sociedade carioca, Maria Laura; e por fim a trágica morte de Carlos, o primogênito e o filho mais devotado à mãe, vítima de uma doença estomacal.

O título do romance vem da situação de Dona Lola ao fim da vida, sozinha numa casa de repouso confortável, dirigida pelas "Irmãs Esperança", na rua da Consolação, em São Paulo, próxima ao Centro, o que lhe permite frequentar o Teatro Municipal e os cinemas. Eram seis e agora só resta ela. Também são expostos outras personagens, como os familiares de Lola: na cidade de Itapetininga, interior paulista, moram a mãe, Dona Maria; a tia Candora; as irmãs Clotilde, solteira, e Olga, casada com Zeca, seu cunhado; na cidade, vive a rica tia Emília, irmã de seu pai; e as filhas de tia Emília, Justina e Adelaide.

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Análise[editar | editar código-fonte]

Para Avelino A. Correia, a obra parece "comum" no drama que aborda, pois não traz uma história de amor nem questionamentos filosóficos ou intelectuais, mas um "drama mais ou menos comum a todas as famílias que lutam para conseguir estas três necessidades fundamentais: boa convivência, teto e o pão nosso de cada dia"; mas ressalta que a forma como a narrativa evolui, de modo "simpático, irresistível e envolvente", a torna "incomum" e fascinante. Na verdade o ponto forte da obra é justamente destacar a vida de uma família comum, os dramas pessoais, a questão da terceira idade, do papel do gênero numa metrópole de aspecto interiorano que vai virando uma megalópole. A forma como é abordado acaba por fazer temas comuns a ponto de passarem despercebidos como algo a pensar, principalmente a questão de que tantas décadas em dedicação a um lar acaba não tão recompensador, por mais que seja algo inerente da existência, porém mostra o desvalor que os próprios filhos, ao criar seus próprios mundos divergentes do lar original, acabam por dar aos seus progenitores; ainda mais aquela que sobrevive a todos estes desafios diários e constantes.[1]

Adaptações para a televisão[editar | editar código-fonte]

  • Em 1958 a RecordTV adaptou o livro em formato de telenovela pela primeira vez, sendo escrita e dirigida por Ciro Bassini. Exibida entre 3 de fevereiro e 24 de abril de 1958 ao vivo, a trama trouxe como protagonistas Gessy Fonseca e Gilberto Chagas.[2] Foi a telenovela mais assistida naquele ano.[3]

Personagens[editar | editar código-fonte]

Personagem Adaptação para a TV
1958 1967 1977 1994
Dona Lola Gessy Fonseca Cleyde Yáconis Nicette Bruno Irene Ravache
Júlio Gilberto Chagas Sílvio Rocha Gianfrancesco Guarnieri Othon Bastos
Alfredo Fábio Cardoso Plínio Marcos Carlos Alberto Riccelli Tarcísio Filho
Carlos Randal Juliano Roberto Orosco Carlos Augusto Strazzer Jandir Ferrari
Maria Isabel Arlete Montenegro Guy Loup Maria Isabel de Lizandra Luciana Braga
Julinho Silvio Luiz Tony Ramos Ewerton de Castro Leonardo Brício
Clotilde Cleyde Yáconis Inexistente Geórgia Gomide Jussara Freire
Olga Maria Aparecida Báxter Inexistente Jussara Freire Denise Fraga
Tia Emília Wanda A. Hammel Dina Lisboa Nydia Lícia Nathalia Timberg
Felício Apenas citado Apenas citado Adriano Reys Marco Ricca
Maria Laura Apenas citada Apenas citada Indianara Gomes Luciene Adami
Zeca Inexistente Inexistente Paulo Figueiredo Osmar Prado
Dona Maria Inexistente Inexistente Leonor Lambertini Yara Lins
Tia Candoca Inexistente Inexistente Geny Prado Wilma de Aguiar
Justina Inexistente Inexistente Lourdes de Moraes Mayara Magri
Adelaide Inexistente Inexistente Carmem Monegal Bete Coelho

Referências

  1. a b Correia, Avelino A, Maria José Dupré (resumo biográfico)  in Dupré, Maria José (1972). Éramos Seis 17ª ed. São Paulo: Ática. p. 7-8. CDD 869.935 
  2. «Éramos Seis: relembre todas as versões desse clássico da TV». Observatório da Televisão. Consultado em 23 de março de 2018. 
  3. «Éramos Seis, um sucesso em adaptações». Junior de Castrro. Consultado em 23 de março de 2018. 
  4. «Eramos Seis». Teledramaturgia. 12 de setembro de 2015. Consultado em 23 de abril de 2016. 
  5. Armando Antenore (15 de junho de 1994). «Romance português substitui 'Éramos Seis'». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  6. Nilson Xavier. «Éramos Seis - Bastidores». Teledramaturgia. Consultado em 27 de julho de 2014. 
  7. «Desculpe a nossa falha». Folha de S.Paulo. UOL. 25 de dezembro de 1994. Consultado em 27 de julho de 2014. 
  8. «Novela supera expectativa de audiência». Folha de S.Paulo. UOL. 6 de dezembro de 1994. Consultado em 27 de julho de 2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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