1.º Batalhão de Ações de Comandos

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1° Batalhão de Ações de Comandos
Subordinação Comando de Operações Especiais
Sigla 1º B A C
Criação 1968

O 1° Batalhão de Ações de Comandos (1° B A C) é uma unidade de elite do Exército Brasileiro, com mobilidade estratégica e capacitada ao planejamento, condução e execução de ações de comandos, que são operações militares normalmente caracterizadas como incursões de longo alcance contra alvos inimigos de elevado valor e desenvolvidas em áreas hostis ou sob controle do inimigo, as operações do 1º BAC são caracterizadas pelo sigilo, pelo poder de choque e pelo alto grau de risco.

Operador do 1° Batalhão de Ações de Comandos em um helicóptero durante treinamento

O Batalhão faz parte do Comando de Operações Especiais, grande unidade especial subordinada ao Comando Militar do Planalto e localizada na cidade de Goiânia, Goiás.

História[editar | editar código-fonte]

O 1° B A C, única organização militar desse gênero no Exército, herdou o modo de emprego e as tradições do antigo Destacamento de Ações de Comandos criado em 1968, quando este ainda era situado no Rio de Janeiro (cidade) e subordinado a até então Companhia de Forças Especiais da Brigada de Infantaria Paraquedista, em 1983 esta companhia foi elevada a Batalhão de Forças Especiais, com isto o DAC foi elevado a Companhia de Ações de Comandos, subunidade do Batalhão de Forças Especiais. No ano de 2003 foi criada em Goiânia a Brigada de Operações Especiais, e a subunidade Companhia de Ações de Comandos foi elevada a nível unidade, o 1º Batalhão de Ações de Comandos, tendo seu comando desvinculado da Brigada Pára-quedista e vinculado a Brigada de Operações Especiais, e sua sede transferida para Goiânia. Atualmente, ocupa aquartelamento situado no bairro Jardim Guanabara, ao lado do Aeroporto Santa Genoveva.

O batismo de fogo da unidade ocorreu na década de 1970 durante as operações contra a Força de Guerrilha do Araguaia (FOGUERA), na chamada Guerrilha do Araguaia, sem o engajamento dos comandos e dos forças especiais do Exército, a derrota da guerrilha teria sido mais difícil, já que tais militares são os especialistas em contrainsurgência do Exército Brasileiro.

Comandos - EB.jpg

Em 1991, guerrilheiros da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, adentraram o território brasileiro e atacaram um pequeno contingente de fronteira do Exército Brasileiro, a resposta foi imediata, e o Batalhão de Forças Especiais a qual a Companhia de Ações de Comandos era subordinada, realizou em conjunto com outras unidades, uma operação de retaliação, a Operação Traíra, e o resultado foi o de 12 guerrilheiros mortos, inúmeros capturados, maior parte do armamento e equipamento recuperados, e desde então, nunca mais se soube de invasões das FARC em território brasileiro, e muito menos de ataques a militares brasileiros.[1]

Recentemente sob a égide das Nações Unidas, o 1º Batalhão de Ações de Comandos teve papel decisivo no combate a grupos paramilitares que assolavam o território haitiano e causavam grande instabilidade política no país.

Comandos[editar | editar código-fonte]

O modo de emprego de tipo comandos é caracterizado por tropa habilitada de valor e constituição variáveis mas na grande maioria das vezes em menor número.

Ataca nas retaguardas profundas do inimigo por intermédio de uma infiltração sigilosa que pode ser terrestre, aquática ou aérea, contra alvos de valor estratégico, operacionais ou críticos sob o ponto de vista tático, localizados em áreas hostis ou sob controle do inimigo.

Suas incursões são conhecidas pela agressividade, onde poucos homens causam tantos danos, que os inimigos acreditam ter sido em número muito maior que o real.

Exemplo operacional[editar | editar código-fonte]

Uma operação que retrata a missão clássica dos comandos, foi o ataque dos comandos do Exército Britânico ao porto francês de St. Nazaire, ocupado pelos alemães em 1942.

A Alemanha nazista bombardeava diariamente Londres e se preparava para uma invasão à Grã-Bretanha, cujas tropas eram insuficientes para uma grande ofensiva no lado continental do Canal da Mancha.

Amargando derrotas sucessivas, os britânicos criaram unidades especiais integradas por militares especialmente treinados. Dentre as missões recebidas, estava a execução da maior ação de comandos da história até então, exatamente no porto de St. Nazaire, em que um pequeno contingente infiltrou-se para destruir um dique de vital importância para a manutenção dos navios da Marinha alemã.

O combate foi intenso, e apesar de estarem em menor número, os comandos cumpriram a missão.

No Exército Brasileiro atualmente, as incursões contra alvos de valor estratégico, são doutrinariamente concebidas, planejadas e executadas pelo 1º Batalhão de Ações de Comandos, que é preparado para executá-las em qualquer ambiente operacional, como a selva, a montanha, a caatinga e o pantanal.

Patrono[editar | editar código-fonte]

O batalhão tem como patrono o capitão Francisco Padilha, militar que lutou por meio de ações de guerrilha contra os invasores holandeses no início do século XVII. O coronel Johan van Dorth, nomeado governador da Bahia pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (West Indische Compagnie/WIC) em 1624, foi morto nas proximidades de Salvador por Francisco Padilha a frente de uma das diversas companhias de emboscadas compostas em sua maioria de índios flecheiros. Essas companhias também eram chamadas de Milícias dos Descalços e tinham como objetivo principal impedir a expansão inimiga pela colônia.

Tradições[editar | editar código-fonte]

O 1º Batalhão de Ações de Comandos mantém vivas algumas tradições desde 1968, ano em que foi criado o seu embrião, o Destacamento de Ações de Comandos, primeira unidade com doutrina comandos do Brasil. Tradições que se perpetuaram e foram difundidas entre outras unidades comandos brasileiras criadas posteriormente, como o uso do fardamento em cor preta, do gorro comandos, a faca encravada na caveira como escudo, e a tradição de obrigar os alunos desistentes do curso de ações de comandos, a enterrar os seus gorros e colocar uma cruz em cima.

Lema do Batalhão[editar | editar código-fonte]

"O máximo de confusão, morte e destruição na retaguarda do inimigo."[carece de fontes?]

Organização[editar | editar código-fonte]

Membro do Destacamento de Reconhecimento e Caçadores em simulação antiterrorismo para a Olimpíada na Estação Central do Metrô, Brasília. Foto: André Borges / Agência Brasília.
Comandos EB.jpg

O batalhão é organizado em Estado-Maior, 1 Companhia de Comando e Apoio (CCAp), 3 Companhias de Ações de Comandos com 3 Destacamentos de Ações de Comandos (DAC) cada e 1 Destacamento de Reconhecimento e Caçadores (DRC). A sua fração básica de emprego é o DAC, cujo comando é exercido por um tenente. Sua organização flexível lhe permite cumprir missões de reconhecimento especial além da missão que lhe dá o nome.

Curso de Ações de Comandos[editar | editar código-fonte]

CURSO DE AÇÕES DE COMANDOS.jpg
Comandos 2022.jpg

Os oficiais, subtenentes e sargentos de carreira que integram as frações dessa unidade possuem o Curso de Ações de Comandos, que tem duração de 12 semanas, considerado um dos cursos operacionais mais exigentes das Forças Armadas. O currículo do curso inclui disciplinas como organização e emprego dos comandos; armamento, munição; tiro; explosivos e destruições; comunicações; combate em áreas edificadas; natação utilitária; luta corporal e especialização em ações nos ambientes operacionais de selva, caatinga, montanha e pantanal.

Os soldados e cabos do batalhão, são militares que passam por um criterioso processo de seleção antes e durante a incorporação, e são brevetados comandos, após concluírem o curso de formação de cabo comandos, que tem duração aproximada de três meses, e explora ao máximo o caráter prático das instruções, sem exigir no entanto aspectos ligados ao planejamento operacional.

Recentemente o Centro de Instrução de Operações Especias lançou uma página no Facebook de divulgação do Curso de Ações de Comandos, visando dar dicas para os futuros alunos do curso e motivar pessoas interessadas para no futuro realizarem o curso e assim entrar para as tropas de Operações especiais do Exército brasileiro.

Estágios de mergulho[editar | editar código-fonte]

  • Estágio de Mergulho Básico

Neste estágio, os militares da unidade, aprendem as técnicas básicas de mergulho e são habilitados a executarem missões simples de resgates e buscas de pessoal e material, além de servir de pré-requisito para o Estágio de Mergulhador de Combate.

  • Estágio de Mergulhador de Combate

Neste estágio, os militares são habilitados a realizarem operações de sabotagens, de destruição e de reconhecimento com o emprego do equipamento de mergulho de circuito fechado de oxigênio.

Equipamentos[editar | editar código-fonte]

Nome Origem Tipo
Glock 17  Austria Pistola
Heckler & Koch USP  Alemanha Pistola
M4A1  Estados Unidos Carabina
Heckler & Koch G36C  Alemanha Carabina
Heckler & Koch HK416  Alemanha Fuzil de assalto
Heckler & Koch HK417  Alemanha Fuzil de combate
Imbel IA2  Brasil Fuzil de combate
Franchi SPAS-15  Italia Escopeta
Benelli M4  Italia Escopeta
Heckler & Koch MP5  Alemanha Submetralhadora
Heckler & Koch UMP  Alemanha Submetralhadora
FN Minimi  Belgica Metralhadora leve
FN MAG  Belgica Metralhadora leve
Heckler & Koch PSG1  Alemanha Fuzil de precisão
SIG Sauer SSG 3000   Suiça Fuzil de precisão
M24 Sniper Weapon System  Estados Unidos Fuzil de precisão
Remington MSR  Estados Unidos Fuzil de precisão
PGM Ultima Ratio  França Fuzil de precisão
Barrett M82  Estados Unidos Fuzil antimaterial
Carl Gustav M2  Suécia Canhão sem recuo
AT-4  Suécia RPG
Commando mortar  Brasil Morteiro
Flamethrower  Brazil Lança-chamas

Canção[editar | editar código-fonte]

  • Canção dos Comandos:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «DefesaNet - TOA». DefesaNet. Consultado em 30 abril 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]