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Ammotragus lervia

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Carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia) no Zoológico Tennōji, em Osaka, no Japão
Carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia) no Zoológico Tennōji, em Osaka, no Japão
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Subfamília: Antilopinae
Tribo: Caprini
Gênero: Ammotragus
Espécie: A. lervia
Nome binomial
Ammotragus lervia
(Pallas, 1777)
Distribuição geográfica
Distribuição territorial original do carneiro-da-barbária, na África
Distribuição territorial original do carneiro-da-barbária, na África
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O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Ammotragus lervia

O carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia), também conhecido como arruí, ou aoudad, é um mamífero caprino, encontrado principalmente nas áreas montanhosas do norte da África, habitando também a Espanha e as Ilhas Canárias. É considerada uma espécie vulnerável pela IUCN.[1]

Descrição

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Uma fêmea da espécie, fotografada em 2006

O carneiro-da-barbária mede normalmente 75 cm de altura no ombro, com um comprimento de cerca de 1,2 metro e pesa 65 kg. Sua pelagem é castanho-arenosa, escurecendo com a idade, com o ventre ligeiramente mais claro e uma linha mais escura ao longo do dorso. As partes superiores e externas das pernas são de um marrom-avermelhado ou acinzentado uniforme. Ambos os sexos possuem pelos longos na garganta que, nos machos, se estende pelo pescoço para cobrir o peito e as pernas dianteiras, formando uma juba rala. Seus chifres têm uma seção transversal triangular e se curvam para fora, sendo que nos machos os chifres são mais desenvolvidos, podendo chegar aos 80 cm de comprimento. Os chifres são bastante lisos, com ligeiras rugas evidentes na base à medida que o animal amadurece.[2]

Distribuição

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Os carneiros-da-barbária ocorrem naturalmente no Norte da África (Argélia, Tunísia, Egito, Líbia, Marrocos e Sudão), sendo que no Sudão habitam tanto a oeste do Nilo, quanto a leste, nas colinas do Mar Vermelho. Também são encontrados no norte de países do Sahel, como Chade, Mali, Mauritânia e Níger.[3]

Um carneiro-da-barbária no Zoológico de Londres, no início do século XX

O carneiro-da-barbária também foi introduzido no sudeste da Espanha,[4] no sudoeste dos Estados Unidos[5] (especificamente nas montanhas Chinati no Rancho La Escalera, Parque Nacional das Montanhas Guadalupe, Canyon Palo Duro, Trans-Pecos e outras partes do Texas e Novo México), ilha Niihau (no Havaí), México e outras partes da África.[6] Se tornaram comuns em uma região limitada do sudeste da Espanha, desde sua introdução em 1970 no parque regional de Sierra Espuña como uma espécie de caça.[7] Sua adaptação permitiu que se estendesse por novas áreas próximas rapidamente, e fazendas de caça privadas forneciam outros centros de dispersão. A espécie está atualmente em expansão, de acordo com pesquisas de campo recentes, agora sendo encontrada nas províncias de Alicante, Almería, Granada e Múrcia.[8] Esta espécie é um competidor potencial dos ungulados nativos que habitam a Península Ibérica. A espécie também foi introduzida em La Palma (Ilhas Canárias), e se espalhou por todo o norte e centro da ilha, onde é uma séria ameaça à vegetação endêmica.[9]

Taxonomia

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Um filhote da espécie no Zoológico de Praga, na Tchéquia

Essa é a única espécie do gênero Ammotragus. Populações em especiação alopátrica são encontradas em várias regiões do Norte da África, sendo descritas seis subespécies:[3]

Referências

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  1. a b Cassinello, J.; Bounaceur, F.; Brito, J.C.; Bussière, E.; Cuzin, F.; Gil-Sánchez, J.; Herrera-Sánchez, F.; Wacher, T. (26 de agosto de 2020). «Ammotragus lervia (Aoudad)». IUCN Red List of Threatened Species (em inglês). doi:10.2305/iucn.uk.2022-1.rlts.t1151a214430287.en. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  2. «Carneiro da Barbária». Badoca. 12 de janeiro de 2018. Consultado em 27 de abril de 2021. Arquivado do original em 5 de julho de 2025 
  3. a b «Mammal Species of the World - Browse: lervia». www.departments.bucknell.edu. Consultado em 29 de abril de 2021 
  4. Acevedo, Pelayo; Cassinello, Jorge; Hortal, Joaquín; Gortázar, Christian (2007). «Invasive exotic aoudad (Ammotragus lervia) as a major threat to native Iberian ibex (Capra pyrenaica): a habitat suitability model approach». Diversity and Distributions (em inglês) (5): 587–597. ISSN 1472-4642. doi:10.1111/j.1472-4642.2007.00374.x. Consultado em 29 de abril de 2021 
  5. Cassinello, Jorge (2018). «Misconception and mismanagement of invasive species: The paradoxical case of an alien ungulate in Spain». Conservation Letters (em inglês) (5): e12440. ISSN 1755-263X. doi:10.1111/conl.12440. Consultado em 29 de abril de 2021 
  6. Current Federal Aid Research Report: Wildlife (em inglês). [S.l.]: U.S. Fish & Wildlife Service, Division of Federal Aid. 1986 
  7. «Jagt i Spanien - Hunting in Spain - De Sierra Espuna». www.allanvester.dk. Consultado em 29 de abril de 2021 
  8. Cassinello, Jorge; Serrano, Emmanuel; Calabuig, Gustau; Pérez, Jesús M. (maio de 2004). «Range expansion of an exotic ungulate (Ammotragus lervia) in southern Spain: ecological and conservation concerns». Biodiversity and Conservation (5): 851–866. ISSN 0960-3115. doi:10.1023/b:bioc.0000014461.69034.78. Consultado em 29 de abril de 2021 
  9. Nogales, M.; Rodríguez‐Luengo, J. L.; Marrero, P. (2006). «Ecological effects and distribution of invasive non-native mammals on the Canary Islands». Mammal Review (em inglês) (1): 49–65. ISSN 1365-2907. doi:10.1111/j.1365-2907.2006.00077.x. Consultado em 29 de abril de 2021 
  10. Manlius, Nicolas; Menardi‐Noguera, Alessandro; Zboray, Andras (2003). «Decline of the Barbary sheep (Ammotragus lervia) in Egypt during the 20th century: literature review and recent observations». Journal of Zoology (em inglês) (4): 403–409. ISSN 1469-7998. doi:10.1017/S0952836902003394. Consultado em 29 de abril de 2021 
  11. Wacher, Tim; Din, Sherif Baha el; Mikhail, Gabriel; Din, Mindy Baha el (julho de 2002). «New observations of the 'extinct' Barbary sheep Ammotragus lervia ornata in Egypt». Oryx (em inglês) (3): 301–304. ISSN 1365-3008. doi:10.1017/S0030605302000534. Consultado em 29 de abril de 2021