Capitania de Itamaracá

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Capitania de Itamaracá

Capitania

1534 – 1763 Coat of arms of the Captaincy of Paraíba.svg
 
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Brasão de Paraíba

Brasão



Continente América do Sul
Capital Goiana
Língua oficial Português
Religião Catolicismo
Governo Monarquia absoluta
Governador
 • 1534 Pero Lopes de Sousa (Primeiro)
História
 • 1534 Fundação
 • 1763 Dissolução

A Capitania de Itamaracá (Antiga Ortografia: Capitania de Tamaracá) foi uma das quinze divisões originais do território brasileiro entregues a donatários em regime de hereditariedade. A capitania foi doada a Pero Lopes de Sousa, em 1534. O território da capitania estendia-se desde a linha imaginária de Tordesilhas até a costa, tendo como limite norte a Baía da Traição (Paraíba) a Igarassu (Pernambuco). Foram capitais da capitania as cidades de Itamaracá e Goiana. Foi originalmente o protetorado ultramarino português de maior extensão longitudinal indo do extremo leste do mainland americano até Tordesilhas, enquanto o de maior área era o Rio Grande (atual Rio Grande do Norte), porém perdeu esse título para o seu desmembramento Setentrional que passou a se chamar Paraíba ou Paraiwa (originalmente São Domingos), que significa algo como de navegação difícil.

A capitania contava com seis freguesias, entre as quais três vilas: Taquara, Alhandra, Goiana, També, Tejucupapo e Itamaracá.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Pero Lopes de Sousa colocou Francisco de Braga à frente da capitania, que ocupou a ilha da Conceição e fundou a vila Marial ou de Nossa Senhora da Conceição em 1534[2]. Entretanto, no continente viviam os índios potiguaras que impunham muita resistência aos colonizadores e também franceses traficantes de pau-brasil[2]. Os índios e os franceses eram aliados, pois mantinham uma relação mercantilista, ao passo que os portugueses representavam a ameaça de escravidão. Eram frequentes os ataques aos habitantes portugueses da região e da capitania de Olinda, de Duarte Coelho.

O donatário da capitania veio a falecer 1534. Como não foi cumprida a cláusula da Lei das Sesmarias, as terras voltaram ao patrimônio da Coroa, tornando-se devolutas e a Itamaracá tornou-se capitania real. O domínio do território pelos potiguaras era uma ameaça à segurança dos colonizadores portugueses. [2]

Em 1540 foi nomeado a João Gonçalves como administrador real, mas este só chegaria em 1548.[2]

O fim da capitania de Itamaracá foi precipitado pelo episódio conhecido como Tragédia de Tracunhaém, ou chacina de Tracunhaém.

A capitania foi extinta e foi criada a capitania da Paraíba em 1574, a qual só viria a ser instalada em 1585 com recursos para evitar mais invasões francesas, repelir ataques dos tabajaras e potiguaras e assegurar a conquista do norte do Nordeste brasileiro.

A colonização portuguesa da Paraíba e Pernambuco expandiram para Itamaracá. Desde então, as menções de Itamaracá como entidade política tende a sumir na história[carece de fontes?]. Durante o domínio holandês o cronista Elias Erckmann no século XVII em uma crônica para o Instituto de Utretch descreve a capitania como uma província da Nova Holanda entre as duas já citadas. No século XVIII um autor luso-baiano[quem?] cita a capitania como ainda existente tal como duas do sul baiano posteriormente anexadas pela Bahia a exemplo do que ocorreu a Itamaracá frente a Pernambuco.

Somente em 1763, com a morte de seu último donatário, foi oficialmente extinta a capitania de Itamaracá, sendo anexada a Pernambuco, cuja sede original era Olinda.[3]

Principais Vilas[editar | editar código-fonte]

  • Goiana: Na divisa com a capitania da Paraíba era a sede da capitania e pôde prosperar mais pela sua maior distância em relação a Olinda, já que essa tendia a atrair mais colonos e investimentos.[1]
  • Igarassu: Na divisa com a capitania pernambucana, prosperou justamente pela proximidade maior com Olinda.
  • Conceição: Foi a primeira denominação da sede da ilha e marco geográfico costeiro que deu nome a capitania inteira. Representou um momento inicial da ocupação da capitania, quando os colonos ainda temiam adentrar o interior continental.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • Século XVI: A capitania é oficialmente criada.
  • Século XVII: Separação de Itamaracá do Norte que passa a se chamar capitania real do rio Paraíba de São Domingos.
  • Século XVIII: perde sua soberania diante da vizinha Olinda.

Referências

  1. a b Manuel Correia de Oliveira Andrade (1999). Itamaracá, uma Capitania Frustrada. [S.l.]: Centro de Estudos de História e Cultura Municipal. 111 páginas 
  2. a b c d IBGE. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Rio de Janeiro, 1958
  3. FERNANDES GAMA, Memórias Históricas da Província de Pernambuco, 47 - DHBN, 20:164; ,35:46 e 84:27