Castro Verde

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Castro Verde
Brasão de Castro Verde Bandeira de Castro Verde
Castro Verde - Basílica e jardim.jpg
Basílica Real e jardim adjacente no centro de Castro Verde
Localização de Castro Verde
Gentílico castrense, castro-verdense[1]
Área 569,44 km²
População 7 276 hab. (2011)
Densidade populacional 12,8  hab./km²
N.º de freguesias 4
Presidente da
câmara municipal
António José Brito (PS)
Fundação do município
(ou foral)
20 de setembro de 1510
Região (NUTS II) Alentejo
Sub-região (NUTS III) Baixo Alentejo
Distrito Pt-bja1.png Beja
Província Baixo Alentejo
Orago São Pedro
Feriado municipal 29 de junho
Código postal 7780
Sítio oficial cm-castroverde.pt

geral@cm-castroverde.pt

Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Castro Verde é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, com cerca de 4 200 habitantes.[2]

É sede de um município com 569,44 km² de área[3] e 7 276 habitantes (2011),[4][5] subdividido em 4 freguesias.[6] O município é limitado a norte pelos municípios de Aljustrel e Beja, a este por Mértola, a sul por Almodôvar e a oeste por Ourique.

Castro Verde está situado no Baixo Alentejo, na região do Alentejo, num território conhecido como Campo Branco. Uma grande parte do território do município encontra-se dentro de uma zona da Rede Natura 2000 da União Europeia, representadas por uma Zona de Proteção Especial para as espécies de aves estepárias ameaçadas como a abetarda e o peneireiro-das-torres.[7] As fronteiras do município são marcadas nas bermas das estradas que conduzem até aos limites do território com o emblema logotipo do concelho - o marco do município - "Uma janela sobre a planície".

População[editar | editar código-fonte]

Número de habitantes [8]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
6 920 7 923 7 901 7 712 9 340 10 120 11 112 12 747 12 428 11 637 9 004 7 472 7 762 7 603 7 276

(Obs.: Número de habitantes que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário [9]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 2 242 3 186 3 508 3 551 4 036 3 596 3 194 2 295 1 521 1 364 1 045 956
15-24 Anos 1 293 1 450 1 696 2 252 2 184 2 221 1 923 1 260 1 100 1 050 1 003 752
25-64 Anos 3 335 3 733 3 909 4 542 5 340 5 531 5 664 4 460 3 406 3 723 3 865 3 800
= ou > 65 Anos 397 535 483 503 697 790 856 1 080 1 445 1 625 1 690 1 768
> Id. desconh 5 16 45 20 14

(Obs.: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população presente no concelho à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.)

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho de Castro Verde.
O concelho de Castro Verde está dividido em 4 freguesias:

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Caracterização[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mina de Neves-Corvo
CB-Cattle 2.png
CB-panorama.png
CB-Cattle 1.png

Geografia[editar | editar código-fonte]

A região de Castro Verde é constituída por extensas zonas de colinas, referidas como uma peneplanície que varia em altitude de 100 a 300 m (300-900 pés) acima do nível do mar. Os vales dos rios e os afloramentos quartzíticos, levantados pela erosão que o vales do rios provocam, o que tornam estes a níveis principais na região. A zona de Castro Verde insere-se na Faixa Piritosa Ibérica que começa em Aljustrel, prolongando-se pelo Baixo Alentejo e que se estende até ao Sul de Espanha.

Esta faixa piritosa foi formada há milhões de anos atrás, numa época em que Portugal estava separado pelo mar do resto da Península Ibérica e colidiram com esta causando uma série de eventos ligados ao vulcanismo ativo e hidrotérmico, levando à formação deste complexo vulcânico-sedimentário conhecido como a Faixa Piritosa Ibérica.

A atividade mineira nesta região remonta há milhares de anos, com restos de estruturas de mineração que remontam à época romana, quando a região teve um papel significativo na expansão da metalurgia romana. Esta zona sul da Lusitânia, foi uma província romana e, durante vários séculos foi uma fonte abundante de minerais de minério em que se incluem ouro, prata, cobre, estanho, chumbo e ferro.

Clima[editar | editar código-fonte]

O Oceano Atlântico tem pouca influência nesta região, onde a chuva cai principalmente no Outono e no Inverno, característica de um clima mediterrânico Csa, segundo o sistema de classificação climática de Köppen-Geiger,[10] sub-húmido, com Verões quentes e secos e Invernos húmidos e suaves.[7][11] A precipitação total anual média é de 589 mm.

Dados climatológicos para Castro Verde,  Portugal
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 13 15 17 19 23 28 32 32 29 23 17 14 21,8
Temperatura mínima média (°C) 5 6 6 8 10 13 15 15 15 12 8 6 9,9
Precipitação (mm) 81,3 81,3 53,3 61,0 35,6 22,9 2,5 2,5 22,9 66,0 76,2 83,9 589,4
Fonte: weather.com [12]
Gráfico climático para Castro Verde
J F M A M J J A S O N D
 
 
81
 
13
5
 
 
81
 
15
6
 
 
53
 
17
6
 
 
61
 
19
8
 
 
36
 
23
10
 
 
23
 
28
13
 
 
2.5
 
32
15
 
 
2.5
 
32
15
 
 
23
 
29
15
 
 
66
 
23
12
 
 
76
 
17
8
 
 
84
 
14
6
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: weather.com[12]

Economia[editar | editar código-fonte]

O concelho de Castro Verde apresenta uma economia muito voltada para o setor secundário que representa 32,7% do emprego, principalmente após a abertura da Mina de Neves-Corvo, que garante à indústria extrativa 80% dos empregos e 98% do volume de negócios do setor secundário.

O setor de serviços, ou terciário, representa, depois do setor mineiro, a atividade predominante na região, onde abriga 56,2% da população empregada sendo o setor que representou o maior crescimento na última década, tanto em geração de empregos como em volume de negócios.[13]

Localização[editar | editar código-fonte]

A vila de Castro Verde localiza-se no Baixo Alentejo, em Portugal, 180 km a Sudeste de Lisboa, e 80 km a Norte do litoral do Algarve. É servida pela auto-estrada A2, ficando o nó de saída a cerca de 8 km a Oeste de Castro Verde. As distâncias aos aeroportos são: Lisboa - 190 km, Aeroporto de Beja - 53 km, Faro - 10 km, e Sevilha - 27 km.

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Vista panorâmica de Castro Verde a partir da visão geral do local Histórico da Batalha de Ourique25 de Julho de 1139.

História[editar | editar código-fonte]

A pré-História da região do Baixo Alentejo remonta a 200 000 a.C., período em que, o território é conhecido por ser o habitat dos neandertais migratórios do Norte da Europa durante o período Paleolítico Inferior. Estas culturas continuaram a existir até cerca de 28 000 a.C. quando o homem-de-neandertal enfrentou a extinção, com o seu último refúgio a ser o que é atualmente Portugal.

Esta zona sudoeste da Ibéria foi uma região humanizada por várias culturas. Isto devia-se à sua posição comercial estratégica no Mediterrâneo, com a presença de riquezas minerais abundantes. O povoamento começou com a migração dos Celtiberos para a Ibéria Central no século VI a.C., seguida pela instalação dos célticos na região do Alentejo. A partir do século III a.C. até aos dois últimos antes de cristo, estas tribos com uma unidade política básica celtibérica foram substituídas pelo ópido, um povoado fortificado e organizado com um território definido que inclui os castros (cultura castreja) como subdivisões subordinadas.

Silabário de Espança

As prova da existência de antigas culturas na zona de Castro Verde é constatada pela descoberta do Silabário de Espança, encontrado perto das aldeias de Neves da Graça e A-do Corvo na freguesia de Santa Bárbara de Padrões. O item arqueológico diz respeito ao que é referida como a escrita paleo-hispânica sudoeste ou escrita tartésia — língua tartésia, a mais antiga escrita paleo-hispânica com uma origem que se suspeita, estaria relacionada com o alfabeto fenício, o que por sua vez indica contacto com Fenícia. Os turdetanos do período romano são considerados os herdeiros da cultura tartésia.

Faixa Piritosa Ibérica (em inglês)

A humanização da região de Castro Verde durante o período da história clássica é devida ao facto de predominantemente estar localizada numa zona estratégica de depósitos minerais da Faixa Piritosa Ibérica. Castro Verde encontra-se ao longo de uma rota de transporte de minério que existiu entre as minas de Aljustrel 20 km a norte, e a vila portuária de Mértola, 40 km a este, situada no rio Guadiana. Durante o período romano de ocupação a extensiva exploração mineira e o entreposto de minerais requereu fortificações para proteção e armazéns para os minerais. No território do concelho Castro Verde, há restos de mais de 20 dessas pequenas estruturas.

Juntamente com a atividade mineira, a zona tornou-se numa vasta área de produção cerealífera e criação de bovinos e ovinos. A riqueza e abundância deste conjunto de "economias de base" cresceu a tal ponto que Castro Verde se tornou um centro regional de comércio e, assim, uma encruzilhada de culturas dentro da zona do Mediterrâneo. O domínio romano estendeu-se por quatro séculos, seguindo-se o período de migração dos Visigodos (300-700) e a sua expulsão pelos mouros (711) na conquista Omíada da Hispânia, que por sua vez são expulsos da região durante a reconquista cristã, através da Batalha de Ourique nos próximos Campos de Ourique, que por sua vez resultaram na formação do reino de Portugal, através do Tratado de Zamora em 1143.

"D. Afonso Henriques" - Painel de Azulejos da Basílica Real

Este local de nascimento lendário do Reino de Portugal encontra-se numa curta distância a sudeste de Castro Verde nos Campos de Ourique. A Basílica Real de Castro Verde, que foi mandada construir pelo rei D. Sebastião em 1573, foi construída em homenagem à vitória cristã designada como a Batalha de Ourique. Reza a lenda que D. Afonso Henriques, que foi proclamado Príncipe de Portugal depois da Batalha de São Mamede, derrotou cinco reis mouros e foi assim proclamado rei a seguir à vitória. As paredes da nave central da Basílica Real estão cobertas de azulejos que imortalizam as cenas da batalha.

Na primeira metade do século XIII a Ordem de Santiago conquistou as planícies do Alentejo. Naquela época, Castro Verde existia como um pequeno povoação autónoma. Recebeu a carta de foral a 20 de Setembro de 1510 e manteve as suas fronteiras inalteradas até ao século XIX, apesar de numerosos processos de reorganização territorial na região. Em meados do século XIX os municípios vizinhos foram reorganizados, no âmbito de uma reforma administrativa, dando forma ao município de Castro Verde tal como se mantém na atualidade.

Carta de Foral de Castro Verde

Embora a ecologia humana deste território foi marcado pelo estabelecimento de várias civilizações, todas baseadas na exploração mineira, cultivo de cereais e criação de bovinos e ovinos, foi apenas no início do século XIV que os territórios se tornaram organizados, como distintas entidades económicas, no seio do novo reino. Durante esta época pós-reconquista, vastas pastagens da zona de Castro Verde foram concedidas pelo rei D. Dinis (O Lavrador), o que resultou na gestão de milhares de hectares sob cultivo rotativo para virem a ser a cesta de pão de Portugal e a mais importante pastagem do país. Com o passar dos séculos, o território tem sido continuamente influenciado por uma transumância que deixou uma identidade cultural única na formas da arquitetura, artes, música e poesia, expressas pelas atividades quotidianas das pessoas que vivem do campo.

Mais recentemente o município de Castro Verde desenvolveu a sua própria identidade cultural baseada em milénios de intercâmbio cultural. A partir das suas origens na mineração e na agricultura, a comunidade transformou-se numa vila, tendo planos para o futuro centrados na integração da arquitetura romana e islâmica na eco-arquitetura moderna. O turismo cultural tem ressurgido para manter viva a arte tradicional, a música e a poesia típica da região. O ano de 2010 foi marcado durante todo o ano pelas comemorações do 500º aniversário dos forais de Castro Verde e de Casével.

Património[editar | editar código-fonte]

Um dos seus monumentos mais bonitos é a Basílica Real, com espantosos azulejos que retratam cenas da Batalha de Ourique, na qual, reza a lenda, D. Afonso Henriques venceu cinco reis mouros, expulsando-os da região e conquistando o sul do país.

Desporto[editar | editar código-fonte]

Heráldica[editar | editar código-fonte]

CVR.png
Brasão: Escudo de prata, castelo a verde, aberto e iluminado a vermelho. Em chefe, à esquerda, cinco escudetes de azul postos em cruz com dois flancos virados para o centro e todos carregados de cinco besantes de prata. Em chefe, à direita, cruz de Santiago a vermelho. Em contra-chefe, duas espigas de trigo amarelo torrado cruzadas e sobrepostas a uma picareta de mineiro a negro colocada ao eixo do escudo. Escudo Nacional encimado por uma coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com legenda a negro: "MUNICÍPIO DE CASTRO VERDE".[14]
Pt-cvr1.png
Bandeira: Esquartelada de branco e vermelho. Cordões e borlas de branco e vermelho. Haste e lança de ouro.[14]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Castro Verde

Referências

  1. ILTEC. «castro-verdense». Portal da Língua Portuguesa. Consultado em 2 de Março de 2011 
  2. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Alentejo 2012 (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 31. ISBN 978-989-25-0214-4. ISSN 0872-5063. Consultado em 5 de maio de 2014 
  3. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013» (XLS-ZIP). Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013 
  4. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Alentejo (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 100. ISBN 978-989-25-0182-6. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013 
  5. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_ALENTEJO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  6. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  7. a b Liga para a Protecção da Natureza (2005). «Zona de Protecção Especial de Castro Verde». Zona de Protecção Especial de Castro Verde. Lpn.pt. Consultado em 21 de Abril de 2010 
  8. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  9. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  10. «Clima de Portugal Continental». Instituto de Meteorologia. 1961–1990. Consultado em 8 de Maio de 2010 
  11. Câmara Municipal de Castro Verde. «Castro Verde - Ambiente - Clima». Câmara Municipal de Castro Verde - Ambiente - Património Natural. Cm-castroverde.pt. Consultado em 21 de Abril de 2010 
  12. a b «Informação Meteorológica de Castro Verde» (em inglês). The Weather Channel. Consultado em 2 de Março de 2010 
  13. Torres, Maria Angela (2011). Impacte socioeconómico da observação de aves no Baixo Alentejo: o caso da Zona de Protecção Especial de Castro Verde, Tese de mestrado. Biologia (Ecologia e Gestão Ambiental). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências.
  14. a b «Ordenação heráldica do brasão e bandeira de Castro Verde». www.ngw.nl. Consultado em 5 de julho de 2017 


Concelhos do Distrito de Beja Mapa do distrito de Beja
Aljustrel
Almodôvar
Alvito
Barrancos
Beja
Castro Verde
Cuba
Ferreira do Alentejo
Mértola
Moura
Odemira
Ourique
Serpa
]Vidigueira
Aljustrel
Almodôvar
Alvito
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Mértola
Moura
Odemira
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