Odemira

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Odemira
Brasão de Odemira Bandeira de Odemira
V. Nova de Milfontes.JPG
Vila Nova de Milfontes, Odemira
Localização de Odemira
Gentílico Odemirense
Área 1 720,60 km²
População 22 536 hab. (INE, 2015)
Densidade populacional 13,1  hab./km²
N.º de freguesias 13
Presidente da
câmara municipal
José Alberto Guerreiro (PS)
Fundação do município
(ou foral)
1256
Região (NUTS II) Alentejo
Sub-região (NUTS III) Alentejo Litoral
Distrito Beja
Antiga província Baixo Alentejo
Orago Nossa Senhora da Piedade
Feriado municipal 8 de Setembro
Código postal 7630
Sítio oficial cm-odemira.pt

geral@cm-odemira.pt

Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Odemira é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Alentejo Litoral, com cerca de 2 832 habitantes (INE, 2015).

É sede do maior município português em extensão territorial, com 1 720,60 km² de área[1] e 22 536 habitantes (INE, 2015),[2][3] subdividido em 13 freguesias.[4] O município é limitado a nordeste pelo município de Sines, a norte por Santiago do Cacém, a leste por Ourique, a sudeste por Silves, a sul por Monchique, a sudoeste por Aljezur e a oeste tem litoral no oceano Atlântico. O limite sudoeste, com o concelho de Aljezur, é marcado pela Ribeira de Seixe. A faixa litoral do município e o vale do Mira até à vila de Odemira faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. O concelho é atravessado pela Linha do Sul.

Tem como slogan "Odemira, Alentejo singular".

População[editar | editar código-fonte]

Número de habitantes [5]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
17 136 18 098 19 386 20 489 23 883 27 697 32 541 40 513 44 050 43 999 33 068 29 463 26 418 26 106 26 066

(Obs.: Número de habitantes que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Por decreto de 21/09/1875, a freguesia de Cercal, deste concelho, passou a fazer parte do concelho de Santiago do Cacém. Por decreto lei de 26/06/1875, a freguesia de Santa Luzia, deste concelho, passou a fazer parte do concelho de Ourique.

Número de habitantes por Grupo Etário [6]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 7 325 8 853 10 382 12 061 14 691 14 012 12 491 7 840 5 800 4 381 3 370 3 162
15-24 Anos 3 748 4 285 5 054 6 395 7 217 8 374 7 982 5 030 4 165 3 146 3 109 2 427
25-64 Anos 8 647 9 851 10 812 13 037 16 257 18 620 20 878 17 355 14 838 13 656 13 131 13 642
= ou > 65 Anos 674 1 013 1 080 1 173 1 756 2 067 2 648 3 010 4 660 5 235 6 496 6 835
> Id. desconh 14 108 176 39 121

(Obs.: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população presente no concelho à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.)

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho de Odemira.
O concelho de Odemira está dividido em 13 freguesias:

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O concelho de Odemira caracteriza-se pela imensa diversidade paisagística, estendendo-se entre a planície, a serra e o mar.

Na faixa litoral, surgem pequenas praias que recortam as falésias e os portos de pesca tradicionais. Dos seus 55 km de costa atlântica, 12 km são de praia, das quais merecem destaque pela sua beleza natural: Malhão, Milfontes, Franquia, Farol, Furnas, Almograve, Zambujeira e Carvalhal. Toda a zona costeira do concelho está integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

O litoral conhece a maior expressão do turismo concelhio nos seus principais aglomerados urbanos de vocação turística, sobretudo nas localidades de Vila Nova de Milfontes, Almograve e Zambujeira do Mar (alojamento, empresas de animação e restauração). Neste ocorre também o grosso da produção pecuária (fundamentalmente a produção de bovinos da raça Limousine e de Holstein Frísia) e o fundamental da produção agrícola do território, designadamente a horticultura, fruticultura e floricultura. Toda esta área beneficia da infraestrutura de rega do rio Mira e de um micro-clima assente em zero geada.

A faixa central, recortando o concelho de sul para norte, faz a transição orográfica entre a charneca, dominante na faixa litoral, e a serra, dominante na faixa interior. Neste espaço, encontramos os principais aglomerados urbanos do concelho, tais como São Teotónio, Boavista dos Pinheiros, Odemira e São Luís. Esta faixa central corresponde ao espaço dos serviços públicos, das principais unidades comerciais e dos principais parques de fixação de empresas.

A faixa interior do concelho, marcada por uma orografia bastante acidentada, é palco para a maior mancha florestal do país, seja ela autóctone (sobreiro e azinheira), seja ela exótica (como o eucalipto).

Associado a essa mancha florestal, o setor agrícola e pecuário de sequeiro extensivo (bovinocultura, ovinocultura e caprinocultura) marcam a paisagem física e económica de uma grande área do concelho que é estruturada, a sul, pela barragem de Santa Clara-a-Velha e a norte pela integração na planície alentejana.[7]

Clima[editar | editar código-fonte]

Odemira apresenta um clima quente e temperado. O clima é classificado como Csa de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger. A temperatura média anual em Odemira é de 17.1 °C. A média anual de pluviosidade é de 516 mm.

O mês mais seco é Julho e tem 1 mm de precipitação. Em Janeiro cai a maioria da precipitação, com uma média de 80 mm. O mês mais quente do ano é Agosto, com uma temperatura média de 23.1 °C. Ao longo do ano, Janeiro tem uma temperatura média de 11.9 °C, sendo esta a temperatura média mais baixa do ano.[8]

História[editar | editar código-fonte]

O povoamento do concelho é bastante remoto, como o provam os numerosos vestígios de culturas anteriores à romanização e os testemunhos das culturas posteriores.

A explicação do topónimo Odemira tem várias versões. A versão lendária sobre a origem do nome remonta à altura da sua povoação árabe: um alcaide mouro, de nome Ode, habitava o castelo com a sua mulher, uma moura encantadora, como todas as outras mouras das lendas populares. Quando esta viu chegar as tropas cristãs, terá gritado: “Ode, mira para os inimigos, donde vêm sobre nós“, tendo estado este aviso na origem do nome Odemira.

Estudos históricos e semânticos revelam que o termo Ode deriva do árabe Wad, que significa "rio", e o elemento Mira terá origem pré-céltica, estando relacionada, também, com a palavra "água". Pode-se, então, concluir que o topónimo Odemira se refere, em diferentes línguas, à noção de curso de água, o que denota a importância do rio.

A região terá sido habitada desde tempos remotos, desconhecendo-se, contudo, a sua origem. Aqui estabeleceram-se vários povos, entre os quais se destacam os romanos e árabes, que marcaram os usos e costumes das gentes da região. A reconquista de Odemira foi tardia e realizada, pensa-se, pelos frades guerreiros da Ordem de Santiago; em 1238, toda a região do Alentejo (incluindo Odemira) estava nas mãos dos cristãos.

Em 1245, D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago, doa o castelo de Odemira ao bispo do Porto, D. Pedro Salvadores. Em 1256, D. Afonso III concretiza a apropriação da vila para a coroa, concedendo-lhe carta de foral em 28 de março do mesmo ano. Este foral estabelece o termo do concelho e denota uma realidade profunda que já vinha do passado, retendo uma certa continuidade em relação à herança árabe.

Odemira, situada perto do limite do troço navegável do rio Mira, ergue-se num local dominante sobre este, constituindo-se como centro aglutinador de uma vasta região. Reflete, assim, um modelo territorial comum no sudoeste da Península Ibérica: uma povoação relativamente recuada em relação à linha de costa, mas que a ela tem acesso por via fluvial, controlando economicamente uma área circundante relativamente vasta, neste caso a bacia do Mira. Trata-se da mesma lógica territorial a que obedeceram as povoações de Alcácer do Sal, Silves, Mértola, Santarém, Coimbra e, em Espanha, Sevilha e Niebla.

Capela de Nossa Senhora do Mar

No reinado de D. Dinis, o senhorio de Odemira é doado a Manuel Pessanha (1319), um genovês que terá ajudado a organizar a marinha portuguesa. Com D. Afonso IV, Odemira passa, por alguns anos, para a Ordem de Santiago, acabando por voltar à coroa em 1352. D. Pedro volta a entregar o castelo de Odemira à família Pessanha, desta vez a Lançarote Pessanha (1357), um filho de Manuel Pessanha.

Posteriormente, em 1387, Lourenço Anes Fogaça recebe de D. João I a vila de Odemira. O último elemento desta família a deter o senhorio de Odemira foi João Fogaça, escudeiro da casa do infante D. João.

O primeiro conde de Odemira foi D. Sancho de Noronha (1446), que obteve o título por carta passada por D. Afonso V.

No âmbito da reforma dos velhos forais levada a cabo por D. Manuel, Odemira recebeu foral novo em 1510, nele se revela a importância do porto de mar, dos montados de gado e dos filões de metais existentes.

O condado de Odemira extinguiu-se no século XVII (1661), tendo sido incorporado na casa de Cadaval.

No século XIX, o regime liberal reestrutura os limites do concelho, dando-lhe a sua configuração atual. O concelho abrange uma área extensa ao longo da costa e no seu interior uma vasta área de serras e campos com uma fauna e flora diversas, fazendo parte deste freguesias de outros concelhos, alguns deles extintos, como é o caso de Colos e Vila Nova de Milfontes.[9]

Economia[editar | editar código-fonte]

Cabo Sardão, em Odemira

O concelho de Odemira apresenta uma estrutura empresarial com forte peso no setor terciário (59%), seguindo-se o setor primário (31%) e setor secundário (10%), sendo que os seus quatro pilares são os setores agroflorestal (considerando a agricultura, floresta e a pecuária), o turismo, o comércio/serviços, a indústria e a pesca/recursos marinhos.

O setor primário ocupa 1/3 das atividades económicas, apresentando como um Concelho turístico, mas com forte componente rural, nomeadamente na agricultura, silvicultura, pecuária e exploração florestal.

O setor secundário tem uma expressão menos significativa no território, no entanto, parece ter encontrado áreas de desenvolvimento onde crescer, designadamente na indústria agroalimentar.

O setor terciário representa 59% da dinâmica empresarial do concelho de Odemira, do qual se destaca o comércio a retalho e os serviços. O comércio é uma das atividades ancestrais que, do ponto de vista de fluxos de investimento, tem apresentado uma mobilidade muito interessante ao longo dos anos. Territorialmente, esta atividade acompanhou a deriva demográfica e económica do interior para o litoral do concelho.[10]

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Igreja de São Teotónio

O concelho de Odemira dispõe de um inestimável património de atividades artesanais. Esta riqueza está patente na variedade e qualidade das obras produzidas pelos artesãos do concelho, na diversidade das técnicas e dos materiais utilizados e na autenticidade com que integram o modo de vida da população local.

As atividades artesanais predominantes em Odemira são: cestaria, cerâmica, olaria, tecelagem, latoaria, fabrico e empalhamento de cadeiras, violas campaniças, miniaturas de atividades locais e de alfaias agrícolas e abegoaria. Estas são alguns exemplos da diversidade de criações tanto ligadas a atividades económicas específicas como à imaginação e à arte popular.

Por último, não se pode deixar de referir os Chocolates da Beatriz, uma fábrica de chocolate artesanal com sede em Odemira.[11]

Acessibilidades e infraestruturas[editar | editar código-fonte]

A rede rodoviária 502 0.svg principal no concelho, de que fazem parte as denominadas estradas nacionais, tem uma estrutura predominantemente radial, com centro na sede do concelho, possibilitando a ligação da vila de Odemira a outros pólos do concelho e mesmo a outros concelhos:[12]

No entanto, existem ainda outras estradas nacionais que asseguram a acessibilidade rodoviária às sedes de freguesia do concelho:[12]

  • EN 123-1 – ligação entre Colos e São Martinho das Amoreiras e à EN 263
  • EN 262 – ligação a Bicos, via Cercal do Alentejo, entre esta última e o IC1 em Alvalade
  • EN 266 – ligação a Santa Clara-a-Velha, entre a EN 123, em Luzianes-Gare e Monchique
  • EN 389 – ligação a Colos que, desde Garvão, permite a ligação entre Ourique e Cercal do Alentejo
  • EN 390 – ligação a Vila Nova de Milfontes, desde Cercal do Alentejo
  • EN 393-1 – ligação a Zambujeira do Mar, desde a EN 393

Património[editar | editar código-fonte]

Desporto[editar | editar código-fonte]

Um filho de Odemira distinguiu-se no campo do Xadrez: Damião de Odemira, boticário e autor do 1º Tratado de Xadrez conhecido.

Personalidades ilustres[editar | editar código-fonte]

Heráldica[editar | editar código-fonte]

ODM.png
Armas: Escudo negro com uma faixa de prata carregada por dois sobreiros a verde landados de ouro, arrancados a negro, troncados do mesmo e descascados a vermelho. Em chefe, uma torre torreada de prata, aberta e iluminada a vermelho, acompanhada de dois ramos de três espigas de trigo de ouro. Em contra-chefe, três faixas ondadas, duas de prata e uma de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com legenda a negro: "VILA DE ODEMIRA".[13]
Pt-odm1.png
Bandeira: Esquartelada de amarelo e verde. Cordões e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.[13]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Odemira

Referências

  1. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013» (XLS-ZIP). Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2013 
  2. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Alentejo (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 95. ISBN 978-989-25-0182-6. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013 
  3. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_ALENTEJO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  4. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  5. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  6. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  7. «CM Odemira / Concelho». www.cm-odemira.pt. Consultado em 8 de julho de 2017 
  8. «Clima: Odemira - Gráfico climático, Gráfico de temperatura, Tabela climática - Climate-Data.org». pt.climate-data.org. Consultado em 9 de julho de 2017 
  9. «CM Odemira / História». www.cm-odemira.pt. Consultado em 8 de julho de 2017 
  10. «CM Odemira / Economia». www.cm-odemira.pt. Consultado em 8 de julho de 2017 
  11. «Artesanato - Turismo Odemira». www.turismo.cm-odemira.pt. Consultado em 10 de julho de 2017 
  12. a b «CM Odemira / Rede Viária». www.cm-odemira.pt. Consultado em 10 de julho de 2017 
  13. a b «Ordenação heráldica do brasão e bandeira de Odemira». www.ngw.nl. Consultado em 10 de julho de 2017 


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