Coroação de Pedro II do Brasil

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Coroação de Pedro II do Brasil
"Estudo para a sagração de Dom Pedro II" de Manuel de Araújo Porto-alegre
Outros nomes Coroação do Imperador
Participantes
Localização Rio de Janeiro, Brasil
Data 18 de Julho de 1841
Resultado Dom Pedro II é aclamado, consagrado e coroado.
Eventos relacionados Declaração da Maioridade
Anterior Declaração da Maioridade
Posterior Questão Christie

A Coroação de Pedro II do Brasil como Imperador do Império do Brasil ocorreu na Capela Imperial, Rio de Janeiro, no dia 18 de Julho de 1841. D. Pedro II foi coroado dez anos depois da abdicação de seu pai, o imperador D. Pedro I, em 7 de abril de 1831, quando teve de ir à Portugal para lutar contra seu irmão, D. Miguel, que havia usurpado o trono da rainha D. Maria II, filha do antigo monarca. O imperador foi coroado aos 15 anos de idade, cerca 3 anos antes de completar 18 anos em 1843. O evento durou 9 dias.[1]

Ritual da Cerimônia[editar | editar código-fonte]

Antevéspera da Coroação[editar | editar código-fonte]

No dia 16 de Julho, o cortejo se dirigiu à cidade. Junto ao cortejo, iam a cavalaria, a fanfarra e todos aqueles que teriam alguma função no evento. Alguns resquícios do feudalismo português, como o Rei de Armas, arautos, passavantes, porteiros da maça e porteiros da câmara, também participaram da procissão.[1]

O Cortejo, direcionado para a Capela Imperial, foi ovacionado ao passar pelas ruas do Rio de Janeiro que estavam cobertas de folhas e flores. As sacadas das casas da cidades estavam enfeitadas de bandeiras e colchas coloridas.[2]

Quando chegaram a capela, foram recepcionados por um Bispo e por um Cabido. O jovem Imperador entrou na igreja e depois o cortejo seguiu em direção ao Paço Imperial. No outro dia, ele e suas irmãs se prepararão para o evento que aconteceria no dia seguinte.[2]

Varanda da Coroação

Entrada na Igreja[editar | editar código-fonte]

As 11h30, Pedro II, a corte, os ministros, e o corpo diplomático partiram para Capela Imperial. O imperador trajava um manto branco e azul, carregando a placa de Grão-mestre da Imperial Ordem do Cruzeiro. Foi recebido pelo Bispo do Rio de Janeiro e pelo o clero.[2] Na entrada da varanda se lia "Deus protege o Imperador e o Brasil".[1]

O ato de coroação de Dom Pedro II

Ritual Religioso[editar | editar código-fonte]

Seis bispos o conduziram ao trono e depois ao presbitério. Lá fora ungido no pulso direito e nas espáduas. Após isso, o Imperador foi revestido com as vestes imperiais e ouviu a missa, sentado no trono. Terminada a missa, ele se dirigiu ao altar e recebeu as insígnias imperiais e então sentou-se no trono pela segunda vez, agora para ouvir o Te Deum. Estavam presentes as suas irmãs, o corpo diplomático e a corte. Todos estavam assistindo a cerimônia, que durou por três horas.[2]

Quando o ato religioso terminou, o imperador saiu da igreja, sendo ovacionado pelo povo, que estavam a esperar na praça.[3]

Aclamação[editar | editar código-fonte]

O cortejo então se direcionou para a varanda que tinha vista à praça. Quando o imperador apareceu entre as colunas, o Rei de Armas gritou para a multidão que estava na praça: "Ouvide, ouvide, estais atentos!". Então o Alferos-mor anunciou por três vezes:

"Está sagrado o mui alto e mui poderoso príncipe, o sr. d. Pedro II por graça de Deus e unânime aclamação dos povos, imperador constitucional e defensor perpétuo do Brasil. Viva o Imperador!".[3]

Cumprimentos[editar | editar código-fonte]

Após as aclamações, pode se ouvir salva de tiros de artilharia. D. Pedro então se dirigiu à sala do trono do Paço, aonde recebeu os cumprimentos dos convidados e da corte. No dia seguinte, ele recebeu um cortejo de pessoas que vieram o felicitar.[3]

Apresentações e comemorações[editar | editar código-fonte]

O Paço Imperial

Na noite do dia 19, houve espetáculo no Teatro São Paulo. Os outros dias também tiveram apresentações, como a apresentação musical da nova versão do Hino da Abdicação, que se tornara agora o Hino Nacional, composto por Francisco da Silva.[3]

No dia 24, encerrariam as comemorações com o Baile da Coroação, que aconteceria no Paço Imperial. Foram convidados 1 500 pessoas. No baile, enquanto tocava o novo Hino Nacional, o Imperador, junto com as irmãs entrou no salão, sendo reverenciado pelos convidados. Os três se assentaram num sofá que estava sobre dois palanques de dois degraus. Em vez de dançar, o jovem monarca passeou com a sua irmã, Dona Januária, de braços dados. Após as princesas dançarem com representantes de países estrangeiros e com nobres brasileiros, a família Imperial jantou na sala do trono. O Baile terminou à 1h30 do outro dia.[3][4]

Custos e preparativos[editar | editar código-fonte]

A cerimônia teve uma longa preparação e um alto custo. De acordo com o historiador Paulo Rezzutti, a celebração não era um simples evento, mas sim a "a afirmação da monarquia brasileira". Entretanto, a realidade era outra, visto que o país passava por guerras-civis e movimentos separatistas, e portanto estava com um deficit público. Enquanto o Imperador era sagrado, províncias, como o Rio Grande do Sul, ainda se encontravam-se rebeladas ou prestes a se rebelar.[5]

Devido aos trabalhos para a realização da cerimônia terem sido febris, o jovem monarca ficou entusiasmado, ao ponto de pedir ao seu mordomo que mandasse cópias do programa do evento para compartilhar a programação aos convidados, programa esse que foi elaborado com ajuda do próprio imperador, detalhando quem deveria estar, onde e quando.[5][1]

Crítica Estrangeira[editar | editar código-fonte]

Coroa Imperial

O Representante do Império Austríaco relatou que a corte havia ostentado na cerimônia, com um enorme luxo em funcionários.[4] O Barão austríaco Daiser relata que o imperador havia se portado bem e dignamente:

O golpe de vista no momento em que o imperador se apresentou ao povo da balaustrada da varanda era magnifico e, possivelmente, incomparável.[4]

Acidentes[editar | editar código-fonte]

Diversos acidentes aconteceram durante o evento, e o mais grave aconteceu no dia 22. Um palacete, erguido para a coroação de d. João VI que havia acontecido a 23 anos, explodiu e pegou fogo. Aconteceria no local um evento de queima, coordenado por Francisco de Assis Peregrino, que havia estudado pirotecnia na Europa. A suspeita é de que os pavios, que foram postos a secar ao tempo, foram acesos por causa de fachos de luz solar refletidos por um metal de lampião que estava no local. Os edifícios que estavam ao redor tiveram as suas vidraças estilhaçadas. 4 pessoas morreram: Francisco de Assis, um pai e o seu filho, e um escravo que trabalhava no local, falecendo posteriormente no hospital.[4][6]

Objetos utilizados[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Rezzutti 2019, p. 137
  2. a b c d Rezzutti 2019, p. 138
  3. a b c d e Rezzutti 2019, p. 139
  4. a b c d Rezzutti 2019, p. 140
  5. a b c Rezzutti 2019, p. 135
  6. Rezzutti 2019, p. 141
  7. a b c d e f g h i Rezzutti 2019, p. 136

Bibliografia[editar | editar código-fonte]