Declaração da Maioridade

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A Declaração da Maioridade de D. Pedro II, também referido na História do Brasil como Golpe da Maioridade ocorreu em 23 de julho de 1840 com o apoio do Partido Liberal, e pôs fim ao período regencial brasileiro.

Os liberais agitaram o povo, que pressionou o Senado para declarar o jovem Pedro II maior de idade antes de completar 15 anos.[1] Esse ato teve como principal objetivo a transferência de poder para Dom Pedro II para que esse, embora inexperiente, pudesse pôr fim a disputas políticas que abalavam o Brasil mediante sua autoridade. Acreditavam que com a figura do imperador deteriam as revoltas que estavam ocorrendo como: Guerra dos Farrapos, Sabinada, Cabanagem, Revolta dos Malês e Balaiada.[1]

Para auxiliar o novo imperador do país, foi instaurado o Ministério da Maioridade, de orientação liberal, conhecido como o Ministério dos Irmãos, pois era formado, entre outros, pelos irmãos Antônio Carlos e Martim Francisco de Andrada e os irmãos Cavalcanti, futuros Viscondes de Albuquerque e de Suassuna.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Marcado por crises econômicas, sociais e políticas, o Primeiro Reinado antecedeu o período regencial e o Governo de D. Pedro II. Nesse período, foram definidas as regras do sistema eleitoral brasileiro, a partir da Constituição de 1824, também foi criado a Assembleia Geral, órgão máximo do poder Legislativo, e composta pelo Senado e pela Câmara dos Deputados.[2]

Houve também uma aproximação entre o estado e a religião. A influência da Igreja Católica sobre as relações políticas nacionais refletiu na exigência de que os clérigos eram equiparados a funcionários públicos e receberiam renda do império. Além disso, as decisões tomadas pela Igreja deveriam passar pelo imperador.[2]

O declínio e o fim do Primeiro Império está relacionado com inúmeras situações, entre elas, estão a situação em Portugal, a oposição liberal brasileira e a perda da Cisplatina.

Guerra da Cisplatina[editar | editar código-fonte]

Quando uruguaios ocuparam a Província Cisplatina, com a ajuda do governo argentino, crises políticas agravaram o governo de D. Pedro I. Houve a perda da Província e uma crise econômica foi gerada a partir recuperação da produção do açúcar pelas colônias espanholas. Além disso, as mesmas conseguiram sua independência e normalizaram a exportação. [2]

Visando sanar os déficits após a derrota na Guerra da Cisplatina (18251828), D. Pedro I desencadeou mais descontentamento ao emitir desenfreadamente papel-moeda. Assim, surgiu a inflação e as camadas mais pobres da população perderam o poder aquisitivo. [2]

Crise em Portugal[editar | editar código-fonte]

Após a Guerra da Cisplatina D. João VI nomeou Pedro, seu sucessor em Portugal. D. Pedro I aceitou e retorna a Portugal para tornar-se D. Pedro IV de Portugal, em maio de 1826. Porém, com a nova constituição brasileira, era proibido que o novo imperador do país detivesse ao mesmo tempo o título regente de Portugal. [2]

Um mês depois de coroado rei português, Pedro I abdicou ao trono e garantiu a sucessão à sua primogênita, D. Maria II. Assim, o imperador retornou ao Brasil, onde encontrou um ambiente político desorganizado e enfraquecido. [2]

Oposições no Brasil[editar | editar código-fonte]

Com seu envolvimento na linha sucessória de Portugal, D. Pedro I se viu perdido entre os povos. Para os portugueses, ele foi o herdeiro da Coroa, enquanto para os brasileiros, ele não deveria ter nenhum vínculo com o outro país. Mesmo após ter abdicado na linha do trono e passá-lo para sua filha mais velha, foi recebido por uma forte oposição no Brasil.

Piorando após a perda da Província Cisplatina, a situação na qual o imperador se encontrava ia desde dificuldades financeiras, por conta da falência do primeiro Banco do Brasil (1829), até problemas pessoas.

Com uma imagem cada vez mais desgastada, o país emergira inúmeras manifestações de protestos conta o Primeiro Reinado.

A partir de 1835, começou a ganhar força a ideia de antecipar a ascensão do jovem Pedro de Alcântara ao trono imperial. Os grandes proprietários de terras e escravos viam com desconfiança o processo de descentralização político-administrativa iniciado pelas autoridades do período regencial. Ao mesmo tempo, as revoltas sociais que rebentaram em várias províncias exigiam alguma medida que garantisse a ordem e a paz social. Formava-se o consenso político de que somente o restabelecimento da autoridade monárquica poderia conter os excessos dos poderes locais e apaziguar as dissensões.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

Pressionado pela opinião pública e pelas elites agrárias, o Imperador D. Pedro I (17981834) abdicou o trono no dia 7 de abril de 1831, e deixou seu filho, Pedro de Alcântara (18751940), de seis anos como herdeiro brasileiro.[3]

Com a maioridade inicialmente definida para 21 anos, de acordo com a Constituição de 1824, foi preciso esperar o novo Imperador atingir a maioridade. Esse período de espera foi nomeado Período Regencial.[3]

Entre 1831 e 1840, o Brasil passou por uma transição na qual o país foi governado por regentes, aguardando Pedro de Alcântara (18751940) atingir a idade necessária. Considerado um dos períodos com mais crises do Império, o país passou por uma experiência de descentralização, grande polaridade partidária e experimentou diversas revoltas.[3]

Nesse meio tempo, Pedro de Alcântara (18751940) recebeu ajuda de José Bonifácio (17631838), para subir ao trono.[3]

O Período Regencial, que durou nove anos pode ser dividido em Regência Trina Provisória (1831), Regência Trina Permanente (1831-1835), Regência Una de Feijó (1835-1837), Regência Una de Araújo Lima (1837-1840).[3]

Nesse período, ocorreu também a expansão da cultura cafeeira no Vale do Paraíba, com o surgimento dos “barões de café”. Com a finalidade de desenvolver uma política cultural para o país, são criados o Colégio de Pedro II e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Regência Trina Provisória (1831)[editar | editar código-fonte]

Após um encontro entre deputados e senadores, no Rio de Janeiro, foi criada a primeira Regência, composta por Francisco de Lima e Silva, Nicolau Vergueiro e José Joaquim Carneiro dos Campos.[4]

Entre as principais medidas tomadas pelo novo Governo, foi decretado anistia para todos presos condenados ou sentenciados por crimes políticos, e foi aprovada uma lei que determinava limites ao poder dos regentes.[4]

Regência Trina Permanente (1831-1835)[editar | editar código-fonte]

Composta também por Francisco de Lima e Silva, a nova Regência colocou os militares no poder e aprovou uma série de reformas na Constituição. Nesse período, surgiu o Código do Processo Criminal, a primeira medida inserida no chamado “avanço liberal”, em novembro de 1832.[4]

Regência Una de Feijó (1835-1837)[editar | editar código-fonte]

Por conta do Ato Adicional, foi realizada uma eleição para escolher o candidato à Regente Único. Entre os candidatos com mais destaques, estão o paulista Diogo Antônio Diogo Feijó, e o pernambucano Antônio Francisco de Paula Holanda Cavalcanti de Alburquerque.[5]

Com uma pequena diferença de votos, Feijó venceu Cavalcanti, e tomou posse em dia 12 de outubro de 1835. Ele e seus companheiros criaram um novo partido, o Progressista. Como oposição a ele, foi criado o partido Regressista, que desejava a situação anterior ao Ato Adicional.[5]

Nesse contexto, o partido Regressista deu origem ao partido Conservador, enquanto o partido do regente deu origem ao partido Liberal. O período foi caracterizado por instabilidades políticas, democracia e projeto de liberdade, e termino com a renúncia de Feijó no dia 19 de setembro de 1837.[5]

Regência Una de Araújo Lima (1837-1840)[editar | editar código-fonte]

A segunda eleição para Regente Único aconteceu em 1838, e o então Ministro da Justiça, Araújo Lima, é eleito com grande maioria dos votos. Assim, os regressistas se instalaram no poder. [6]

Para o partido, o objetivo era restaurar a autoridade estatal, fortalecer o Executivo e eliminar a desordem que se espalhava pelo país. Ao mesmo tempo, nesse período, a Sabinada estourava na Bahia, em 1837.[6]

Após a Balaiada, no Maranhão, os políticos sentiram a necessidade de fortalecer a autoridade e preservar a posição dos partidos. Com medo de perder espaço político para os opositores, os regressistas queriam a restauração da segurança pública e privada.[6]

A declaração[editar | editar código-fonte]

Página do abaixo assinado encaminhado por deputados e senadores do Império questionando a legitimidade do regente e defendendo que d. Pedro II assumisse o trono, 22 de julho de 1840. Arquivo Nacional.

A manobra política aconteceu quando Dom Pedro II não tinha ainda idade suficiente para ascender ao trono. Elaborou-se então uma declaração antecipando a sua maioridade para pôr fim às disputas políticas que estavam em curso nesse período.

Proclamação da Assembleia Geral ao povo sobre a maioridade

Brasileiros!
A Assembleia Geral Legislativa do Brasil, reconhecendo o feliz desenvolvimento intelectual de S.M.I. o Senhor D. Pedro II, com que a Divina Providência favoreceu o Império de Santa Cruz; reconhecendo igualmente os males inerentes a governos excepcionais, e presenciando o desejo unânime do povo desta capital; convencida de que com este desejo está de acordo o de todo o Império, para conferir-se ao mesmo Augusto Senhor o exercício dos poderes que, pela Constituição lhe competem, houve por bem, por tão ponderosos motivos, declará-lo em maioridade, para o efeito de entrar imediatamente no pleno exercício desses poderes, como Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
Brasileiros! Estão convertidas em realidades as esperanças da Nação; uma nova era apontou; seja ela de união e prosperidade. Sejamos nós dignos de tão grandioso benefício.
Paço da Assembleia Geral, 23 de julho de 1840.

A Campanha pela Antecipação da Maioridade[editar | editar código-fonte]

Conhecido como o Clube da Joana, o grupos de "palacianos" exerceram influência sobre a família real e sobre o Príncipe herdeiro. Conservadores, para eles a desordem devia-se aos aos excessos de liberdade por conta do Ato Adicional. Em 1840, foi criada a Sociedade Promotora da Maioridade, que logo passou a se chamar Clube da Maioridade. [7]

Assim, a campanha ganhou a Câmara e o Senado. Além disso, havia diversas manifestações populares. [7]

Para antecipar o Governo de D. Pedro II, os representantes do Partido Progressista (Liberal), apresentaram à Assembléia Geral um projeto de declaração da maioridade.[7]

Apesar de o Governo regencial ter tentado ganhar tempo, os deputados formaram uma comissão e pediram ao próprio Príncipe que concordassem em assumir. Após aceitar, em 23 de julho de 1840, prestou juramento à Assembléia Geral.[7]

"Juro manter a religião Católica Apostólica Romana, a integridade e indivisibilidade do Império, observar e fazer observar a Constituição política da nação brasileira, e mais leis do Império, e prover ao bem geral do Brasil, quanto em mim couber", disse o Príncipe.[7]

Com a antecipação do Governo, a Regência foi extinta.[7]

Além de tirar do poder a Regência do Partido Conservador, a coroação de D. Pedro II permitiu a estabilização política do país, centralizando as atenções na figura do jovem imperador.[1] Das revoltas regenciais que ainda subsistiam, a Balaiada terminou em 1841 e a Farroupilha em 1845.[1]

Consequências[editar | editar código-fonte]

A coroação do novo imperador aconteceu no dia 18 de julho de 1841, na cidade do Rio de Janeiro. O evento encerrou apenas no dia 24 de julho.[7]

Ministério da Maioridade[editar | editar código-fonte]

Para auxiliar o novo imperador do país, o Ministério da Maioridade, conhecido como o Ministério dos Irmãos, surgiu após o juramente e era formado pelos irmãos Antônio Carlos e Martim Francisco de Andrada, e pelos dois irmãos Cavalcanti, futuros Viscondes de Albuquerque e de Suassuna. Além de ser responsável por dissolver a Câmara, convocou novas eleições. [8]

Seguindo uma ideologia liberal, o Ministério, na tentativa de derrubar a maioria conservadora, fez uso da violência para garantir vitória. Chamada pelos conservadores de "eleições do cacete", o período alterou o processo eleitoral e as mesas eleitorais foram assaltadas. A fraude foi uma das principais características dessa eleição, na qual além de ter tido a contagem de votos alteradas, também aceitava pessoas inexistentes e permitia e troca de identidade na hora de votar. [8]

O Ministério da Maioridade não durou muito tempo, principalmente por conta do agravamento da Guerra dos Farrapos, no Sul, e da pressão inglesa para a extinção do tráfico negreiro.[8]

Em 1841, foi formado um novo Ministério.[8]

Surpreendendo as elites do país, o imperador dissolveu o gabinete liberal e convocou um conservador. A derrota dos liberais estabeleceu as bases para a Revolução Liberal de 1842, uma tentativa de tomar o poder pela luta armada. Após a derrota, a política conservadora se estabeleceu definitivamente.[9]

Segundo Reinado[editar | editar código-fonte]

O início do Governo de foi marcado pela maestria dos palacianos em usar o imperador para eliminar os inimigos políticos. Mantendo-o sempre ocupado, D. Pedro II era isolado em meio a distrações e não entendi como estava sendo explorado.[10]

No dia 30 de maio de 1843, ele e a Princesa Teresa Cristina, do Reino das Duas Sicílias, se casaram por procuração. A nova Imperatriz desembarcou no Rio de Janeiro, no dia 3 de setembro.[10]

Apesar de três crises enfrentadas pelo Segundo Reinado, entre 1848 e 1852, o Império obteve sucesso em todas as atuações e aumentou a estabilidade da nação. Com isso, o exterior passou a ver o país como uma monarquia representativa que se firmava em meio as outras nações da América do Sul durante o período[10]

Com estabilidade econômica, o Brasil já gozava de linhas férreas, telegráficas e de navios a vapor. O sistema político era similar as outras nações parlamentaristas, e além do gabinete criado pelo imperador, havia outro partido para formar oposição. [10]

D. Pedro II tinha presença ativa no ambiente político, que também incluía os ministros, a Câmara dos Deputados e o Senado. Ao contrário de D. Pedro I, o novo imperador era apoiado por grande parte dos políticos. [10]

Dissolvido no dia 15 de novembro de 1889, o Império brasileiro sofreu um golpe de Estado e D. Pedro II não escolheu apoiar nenhuma tentativa para restaurar a monarquia. Seus últimos anos foi passado em exílio na Europa. Após sua morte, os restos mortais do imperador foram trazidos ao Brasil como um herói nacional.[10]

Referências

  1. a b c d Miriam Ilza Santana (17 de março de 2008). «Golpe da Maioridade». InfoEscola. Consultado em 23 de julho de 2012 
  2. a b c d e f «Primeiro reinado». Wikipédia, a enciclopédia livre. 3 de outubro de 2018 
  3. a b c d e «Período Regencial - História do Mundo». História do mundo. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  4. a b c Morel, Marco. «O Período das Regências (1831 - 1840)». Coleção Descobrindo o Brasil. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  5. a b c «A Regência Una de Feijó». www.multirio.rj.gov.br. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  6. a b c «A Regência Una de Araújo Lima». www.multirio.rj.gov.br. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  7. a b c d e f g «A Campanha pela Antecipação da Maioridade». www.multirio.rj.gov.br. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  8. a b c d «Ministério da Maioridade». www.multirio.rj.gov.br. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  9. Costa, Emília Viotti da (30 de dezembro de 2000). «Alguns aspectos da influência francesa em São Paulo na segunda metade do século XIX». Revista de História. 0 (142-143). 277 páginas. ISSN 2316-9141. doi:10.11606/issn.2316-9141.v0i142-143p277-308 
  10. a b c d e f «Pedro II do Brasil». Wikipédia, a enciclopédia livre. 11 de outubro de 2018 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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