Januária de Bragança

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Januária
Princesa do Brasil
Princesa das Duas Sicílias
Condessa de Áquila
Princesa Imperial do Brasil
Período 30 de outubro de 1835 - 23 de fevereiro de 1845
Antecessor(a) Dom Pedro
Sucessor(a) Dom Afonso
 
Marido Luís Carlos das Duas Sicílias, Conde d'Áquila
Descendência Luís Maria, Conde de Roccaguglielma
Maria Isabel das Duas Sicílias
Filipe Luís das Duas Sicílias
Germana Maria das Duas Sicílias
Mario Emanuel das Duas Sicílias
Casa Bragança (nascimento)
Bourbon-Duas Sicílias (casamento)
Nome completo Januária Maria Joana Carlota Leopoldina Cândida Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Habsburgo-Lorena
Nascimento 11 de março de 1822
  Paço de São Cristóvão, Rio de Janeiro, Brasil
Morte 18 de março de 1901 (79 anos)
  Nice, França
Sepultado em Cemitério do Père-Lachaise, Paris, França
Pai Pedro I do Brasil & IV de Portugal
Mãe Maria Leopoldina da Áustria
Religião Catolicismo
Brasão

Januária Maria Joana Carlota Leopoldina Cândida Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Habsburgo-Lorena (Princesa Imperial do Brasil entre 1835[1] e 1845[2]) (Rio de Janeiro, 11 de março de 1822Nice, 13 de março de 1901), cognominada "a Princesa da Independência" foi filha de D. Pedro I do Brasil & IV de Portugal e de sua primeira esposa, a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, era irmã de Pedro II (imperador do Brasil) e de Dona Maria II (rainha de Portugal).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Retrato de D. Januária, c. 1830, atribuído a Simplício Rodrigues de Sá

Januária de Bragança é filha do Imperador D. Pedro I e D. Leopoldina. Januária nasceu sete meses antes da libertação do país em 1822 e foi posteriormente chamada de Princesa da Independência. Ela nasceu no Palácio de São Cristóvão em 11 de março daquele ano. Seus avós paternos era o rei D. João VI de Portugal e a infanta Carlota Joaquima da Espanha, seus avós maternos era o imperador Francisco I da Áustria, último monarca do Sacro Império Romano-Germânico, e a princesa Maria Teresa das Duas Sicílias.[3]

A princesa Januária cresceu ao lado dos irmãos Pedro II do Brasil, Paula de Bragança e Francisca de Bragança.

Aos quatro anos, diante da morte de Leopoldina, ela ficou órfã, e viu o pai a se casar com a madrasta, a princesa Amélia de Leuchtenberg.

Ela começou a viver com seus irmãos e vários tutores, mas seu pai raramente estava presente. Aos nove anos de idade, perdeu a presença física de seu pai. Pedro abdicou-se como Imperador do Brasil e regressou a Portugal. A princesa não acompanhou o seu pai e permaneceu no Brasil. No entanto, a Princesa continuou-se a se comunicar com o seu pai por meio de cartas.

A infância de Januária foi marcada pela educação rigorosa, além dessas fortes conturbações políticas.

Em 1833, a princesa Paula Mariana morreu antes dos 10 anos. A princesa Januária, por meio de uma carta, relatou o ocorrido ao pai:

"Amado, papai. Apesar de nossas constantes súplicas ao céu, nossa querida irmã Paula Mariana foi embora. Não encontramos consolo. Nossa amada irmã não está mais conosco. Além disso, o pequeno Pedro adoeceu gravemente. Chegamos a pensar que ele estava com a mesma febre de Paula Mariana, mas graças a Deus ele melhorou e já está sentado em sua sala de estudos. Para agradecer, nós, irmã Chica e eu, sua filha Januária, não comeremos açúcar até o aniversário de Pedro, dia 2 de dezembro. Querido papai, estamos desesperados e com grande consternação. Tem muita saudade de nós e também da nossa irmã Maria da Glória e de todos aqueles que estão contigo em Lisboa. Com a promessa de ser sempre filhos obedientes e amorosos, Januária, Francisca e Pedro."

Princesa Imperial[editar | editar código-fonte]

D. Januaria Maria de Bragança.jpg

Com a abdicação de Pedro I do Brasil em 1831 e imediata mudança para a Europa para reconquistar a coroa portuguesa para a sua filha primogênita Dona Maria da Glória, a sucessão do trono brasileiro precisava ser modificada. Foi expedida pela Assembleia dos Deputados uma lei nomeando D. Januária como Princesa Imperial do Brasil.[1] O regente, padre Diogo Antônio Feijó, disse apenas que aceitava o documento em nome da Princesa Imperial.

No dia 4 de agosto de 1836, D. Januária (então com 14 anos de idade) entrou no salão do Paço do Senado, trazendo um rico vestido de ouro sobre o qual se divisava a insígnia da Grã Cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro e, na presença dos deputados, com a mão sobre o missal, declarou solenemente com voz comovida:

Juro manter a religião Católica, Apostólica, Romana; observar a Constituição Política da Nação Brasileira e ser obediente às leis e ao Imperador.

Desta forma, D. Januária tornou-se Princesa Imperial do Brasil (herdeira do trono), até o nascimento do príncipe Afonso, filho de seu irmão Pedro II do Brasil.

Campanha para regente[editar | editar código-fonte]

Retrato por Arnaud Pallière, c. 1830–1840

Em 1836, o governo regencial entrou em crise e, nessa época D. Januária entrou em cena, pois era a filha mais velha do imperador Pedro I. Alguns deputados liberais moderados passaram a defender que a regência fosse entregue à princesa D. Januária, irmã de D. Pedro II e Princesa Imperial do Brasil, então com quatorze anos, para que ela pudesse assumir a regência.

Devido à falta de apoio condicional, esta ideia não fez progressos, permitir que comandantes e menores participassem é contra-intuitivo. Em 1837, Feijó renunciou e nomeou um adversário político, o senador Pedro de Araújo Lima, de Pernambuco. Embora o levante ainda esteja ocorrendo, o comando do país começou a se normalizar. Logo depois, o parlamento lançou o Golpe da Maioridade e levou o jovem Pedro II ao poder.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Na época que se procurava uma esposa para o imperador D. Pedro II, seu irmão, procurava-se um marido para a princesa D. Januária, já com 20 anos. Seu casamento foi negociado em uma aproximação diplomática do Brasil com o Reino das Duas Sicílias, assim como o de D. Pedro II. Os dois irmãos casaram-se com dois irmãos.

A cerimônia se realizou no Rio de Janeiro em 28 de abril de 1844: casou-se com Luís Carlos, Conde de Áquila, príncipe do Reino das Duas Sicílias, filho do rei D. Francisco I e irmão da princesa D. Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, que se casou com seu irmão, D. Pedro II. A mãe de Luís Carlos, Conde de Áquila, a infanta Maria Isabel de Bourbon, era tia-avó de Januária, por ser irmã de Carlota Joaquina da Espanha (avó paterna de Januária). Por isso, Luís Carlos era primo direto de D. Pedro I, pai de Januária.

Aquando de seu casamento, de acordo com o artigo 2º se garantia que mesmo com o nascimento dos filhos do imperador dom Pedro II do Brasil o casal desfrutaria da honra de serem tratados por Sua Alteza Imperial.

''Art. II. Logo que se verifique o matrimônio, Sua Alteza Real o Príncipe D. Luiz Carlos Maria, Conde d'Aquila, esposo de Sua Alteza Imperial a Princesa Imperial do Brasil D. Januária Maria, será considerado como Príncipe da casa e da Família Imperial do Brasil, e gozará de todos os direitos e prerrogativas que pela Constituição do Império competem a tais Príncipes. Tomará o título de Príncipe Imperial, que atualmente pertence á sua futura Augusta Esposa; quando, porém, Sua Majestade o Imperador tiver descendência, os dois Augustos Esposos tomarão o titulo de Príncipe e Princesa do Brasil, conservando com tudo o Tratamento de Alteza Imperial.'' [4]

Títulos, Estilos e Honrarias[editar | editar código-fonte]

Títulos e Estilos[editar | editar código-fonte]

  • 11 de março de 1822 — 12 de outubro de 1822: Sua Alteza, a Infanta Januária de Portugal
  • 12 de outubro de 1822 — 30 de outubro de 1835: Sua Alteza, a Princesa Januária do Brasil, Infanta de Portugal
  • 30 de outubro de 1835 — 28 de abril de 1844: Sua Alteza Imperial, a Princesa Imperial
  • 28 de abril de 1844 — 23 de fevereiro de 1845: Sua Alteza Imperial e Real, a Princesa Imperial, Princesa das Duas Sicílias, Condessa de Áquila
  • 23 de fevereiro de 1845 — 5 de março de 1897: Sua Alteza Real, a Princesa Januária do Brasil, Princesa das Duas Sicílias, Condessa de Áquila
  • 5 de março de 1897 — 13 de março de 1901: Sua Alteza Real, a Condessa Viúva de Áquila

Honrarias[editar | editar código-fonte]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Dona Januária com seus filhos Luís e Felipe

Januária e Luís Carlos, Conde de Áquila, príncipe do Reino das Duas Sicílias, tiveram 5 filhos:[5]

Nome Imagem Nascimento Morte Notas
Luís Maria Luis Maria Alfonso de Bourbon Duas Sicílias.jpg 18 de julho de 1845 27 de novembro de 1909 Casou-se morganaticamente com Maria Amelia Isabel Bellow-Hamel y Penot com descendência[6]
Maria Isabel Isabel de Bourbon.jpg 22 de julho de 1846 14 de fevereiro de 1859 Morreu na infancia, está sepultada na Basílica de Santa Clara
Filipe Luís Felipe de Bourbon.jpg 12 de agosto de 1847 9 de julho de 1922 Casado morganaticamente com Flora Böonen, sem descendência
Germana Coat of Arms of Princes of the Royal House of the Two Sicilies.svg 1848 Gêmeos Natimortos
Mário Emanuel Coat of Arms of Princes of the Royal House of the Two Sicilies.svg 24 de janeiro de 1851 26 de janeiro de 1851 Morreu na infancia, está sepultada na Basílica de Santa Clara

Falecimento[editar | editar código-fonte]

A princesa Januária em seu leito de morte c. 1901.

D. Januária, Condessa d'Áquila, faleceu em Nice, França, no dia 13 de março de 1901, aos 79 anos, sendo a última filha de D. Pedro I e da imperatriz Leopoldina a falecer, encontrando-se sepultada no Jazigo dos Bourbon-Áquila, no Cemitério de Père-Lachaise.[9]

Túmulo da princesa D. Januária e sua família.

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

  1. a b «Lei n. 91 - de 30 de outubro de 1835». Senado Federal. 30 de outubro de 1835. Consultado em 6 de Julho de 2014. Arquivado do original em 15 de julho de 2014 
  2. Cunha, Joaquim (1845). «Decreto nº 407 - de 8 de Maio de 1845». Rio de Janeiro: Typographia Nacional. Collecção das Leis do Império do Brasil de 1845. Tomo VII - Parte I: 17-20. Consultado em 13 de outubro de 2016 
  3. «IHP » DONA JANUÁRIA DE BRAGANÇA, A PRINCESA DA INDEPENDÊNCIA – O CONDE D'AQUILA E A LUTA FAMILIAR CONTRA GARIBALDI». Consultado em 20 de outubro de 2021 
  4. Botafogo, A. J. S. (1890). O Balanço da Dinastia. Rio de Janeiro: Imprenssa Nacional. 131 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  5. «Januária, Princess of Brazil : Genealogics». www.genealogics.org. Consultado em 12 de outubro de 2021 
  6. Severini, Maria Elena (2017). «Pasquier, Étienne». Cham: Springer International Publishing: 1–3. Consultado em 20 de outubro de 2021 
  7. «I Borbone delle Due Sicilie». Libro d'Oro della Nobilità Mediterranea. Consultado em 27 de Dezembro de 2014 
  8. Cavagna Sangiuliani di Gualdana, Antonio, conte (1858). Almanacco di Corte per l'anno 1858. Parma: Tipografia Reale. 10 páginas 
  9. «Januaria de Bragança». stephane-thomas.pagesperso-orange.fr. Consultado em 23 de outubro de 2021 
Januária do Brasil
Casa de Bragança
Ramo da Casa de Avis
11 de março de 1822 – 18 de março de 1901
Precedida por
D. Pedro de Alcântara
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Princesa Imperial do Brasil
30 de outubro de 1835 – 8 de maio de 1845
Sucedida por
D. Afonso Pedro