Família real portuguesa

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A família real portuguesa em 1861

A Família Real Portuguesa era a família constituída pelo monarca português e seus parentes diretos. Após a proclamação da república em 5 de outubro de 1910, Portugal deixou oficialmente de ter uma família real.

Após a proclamação da República Portuguesa, a 5 de outubro de 1910, decretou-se a extinção da monarquia constitucional, e Portugal deixou de ter monarca. O último Rei de Portugal, D. Manuel II, foi deposto por um golpe de estado conhecido como Revolução de 5 de Outubro de 1910 e exilou-se no Reino Unido, onde acabou por morrer em 1932, não deixando descendência.

História[editar | editar código-fonte]

A história do Reino de Portugal remonta ao ano de 1139, quando o então Conde de Portugal Afonso de Borgonha, filho de Henrique de Borgonha e Teresa de Leão, primeira Condessa de Portugal e filha ilegítima do Rei Afonso VI de Leão, fez o condado independente do reino leonês, que na época estava sob o reinado de seu primo, o rei Afonso VII. Afonso Borgonha foi aclamado "rei" por suas tropas após o processo conhecido como Nascimento do Reino de Portugal, desta forma Afonso tornou-se o primeiro rei de Portugal e a Casa da Borgonha tornou-se a primeira dinastia a governar o novo reino, Afonso tornou-se o pai de uma monarquia em que seus descendentes reinaram por 800 anos até a proclamação da república em 1910, quando o rei Manuel II teve que se exilar.

Dinastias[editar | editar código-fonte]

Dinastia de Borgonha[editar | editar código-fonte]

A primeira dinastia reinante em Portugal foi a Casa borgonhesa que esteve no trono por mais tempo, seus membros reinaram por 244 anos desde Afonso I até a rainha Beatriz, que se casou com João I, rei de Castela, de modo a herdar a coroa portuguesa, o rei castelhano tornar-se-ia monarca de Portugal, o que significaria a submissão de Portugal a Castela e a perda da independência.

Dinastia de Avis[editar | editar código-fonte]

Depois de uma guerra de dois anos liderada por João, Grão-Mestre da Ordem de São Bento de Avis, filho bastardo de Pedro I de Portugal com Teresa Gille Lourenço, em 6 de abril de 1385, as cortes portuguesas reunidas em Coimbra, procederam a eleger e proclamar João como Rei de Portugal. Com a proclamação de João I de Portugal, uma nova dinastia reinou em Portugal, a Casa de Avis esteve no trono por quase 195 anos até a morte do rei Henrique I de Portugal "O Cardenal" em 1580, é a segunda dinastia que reinou por mais tempo sobre Portugal.

Dinastia de Bragança[editar | editar código-fonte]

A Casa de Bragança, oficialmente titulada como a Sereníssima Casa de Bragança, foi a casa real liderada por uma família nobre portuguesa, que teve muita influência e importância na Europa e no mundo até ao início do século XX, tendo constituído uma nova dinastia e, portanto, a família real, do país e do seu império ultramarino colonial, por quase três séculos, tendo ascendentes nas dinastias anteriores. Tendo sido monarca absoluta até 1820, depois, em decorrência da implantação da monarquia constitucional em Portugal, foi monarca constitucional e acabou por dar origem a uma nova casa real: a Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota.[1]

A Casa de Bragança também foi a soberana do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e, por via dum ramo colateral, do Império do Brasil. O ramo que fundou e reinou no Império do Brasil é conhecido como a família imperial brasileira.

Títulos[editar | editar código-fonte]

No passado, aos diversos membros da família real eram reconhecidos os seguintes títulos honoríficos:

Panteão[editar | editar código-fonte]

Vista geral do interior do Panteão

O Panteão da Dinastia de Bragança[2] (também chamado de Panteão Real da Dinastia de Bragança ou Panteão dos Braganças), situado no interior do Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa, é o lugar onde se encontram sepultados os restos mortais de muitos dos reis, príncipes e infantes da quarta e última dinastia real portuguesa, a Dinastia de Bragança.

Disputa dinástica[editar | editar código-fonte]

Logo a partir de 1932, uma alegada filha legitimada do rei D. Carlos I de Portugal e, portanto, alegadamente meia-irmã do rei D. Manuel II, conhecida como D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança, sustentando-se no texto das Cortes de Lamego que definiam «se el Rey falecer sem filhos, em caso que tenha irmão, possuirá o Reyno em sua vida», reclamou a chefia da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gotha e defendeu ser a legítima Rainha de Portugal «de jure».

Mais tarde, Duarte Nuno de Bragança, um neto do ex-infante D. Miguel, e o seu filho Duarte Pio, sustentando-se no alegado Pacto de Dover, passaram igualmente a reivindicar a titularidade do Ducado de Bragança e a chefia da Casa Real Portuguesa.

Recentemente, um membro da Casa Ducal de Loulé, na qualidade de descendente de D. Ana de Jesus Maria de Bragança, uma filha bastarda legitimada do rei D. João VI de Portugal, passou também a reivindicar a chefia da Casa Real Portuguesa.

Existindo vários pretendentes ao trono português sem que exista, no entanto, um consenso quanto à sua posição na linha de sucessão ao trono de Portugal, originou-se uma disputa chamada de "questão dinástica portuguesa". Contudo, entre as pretensões mais ativas atualmente estão a de Duarte Pio de Bragança, como descendente do ex-infante D. Miguel I; a de Rosario Poidimani, como herdeiro por cooptação de D. Maria Pia de Bragança; e a do atual Duque de Loulé.

Membros[editar | editar código-fonte]

Aquando da transferência para o Brasil (1808)[editar | editar código-fonte]

Aquando da implantação da República Portuguesa (1910)[editar | editar código-fonte]

Reivindicações pós-Monarquia[editar | editar código-fonte]

Casa de Bragança (Ramo Miguelista)[editar | editar código-fonte]

Duarte Pio de Bragança é um dos atuais pretendentes ao já extinto trono de Portugal.

Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gotha (Ramo Constitucional)[editar | editar código-fonte]

Retrato de D. Maria Pia de Bragança junto dos membros da Família Real da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota.
  • D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (alegada filha bastarda de S.M.F. El-Rei D. Carlos I)
    • Fátima Francisca Xaviera Íris Bilbao de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (filha de D. Maria Pia de Bragança)
    • Maria da Glória Cristina Amélia Valéria Antónia Blais de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (filha de D. Maria Pia de Bragança)
      • Carlos Miguel Berrocal de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (neto de D. Maria Pia de Bragança)
      • Beltrão José Berrocal de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (neto de D. Maria Pia de Bragança)
    • Rosario Poidimani (o herdeiro por cooptação nomeado por Maria Pia de Bragança)
      • Soraia Lúcia Poidimani (filha de Rosario Poidimani)
      • Simão Poidimani (filho de Rosario Poidimani)
      • Cristal Isabel Poidimani (filha de Rosario Poidimani)

Casa de Loulé[editar | editar código-fonte]

  • D. Pedro José Folque de Mendoça Rolim de Moura Barreto, 6º Duque de Loulé, 7º Marquês de Loulé, 14.º Conde de Vale de Reis (quadrineto de SS.MM.FF., El-Rei D. João VI e Rainha D. Carlota Joaquina)
    • Henrique Nuno Vaz Pinto de Mendoça (filho primogénito de D. Pedro Folque de Mendoça)
    • Helena Vaz Pinto de Mendoça (filha de D. Pedro Folque de Mendoça)

Residências[editar | editar código-fonte]

Em 1794, o Palácio Real de Queluz tornou-se oficialmente residência oficial da Família Real Portuguesa. Nele nasceu D. Pedro IV de Portugal (ou Pedro I do Brasil), em 12 de outubro de 1798. Quando da partida dos reis para o Brasil, em 1807, grande parte do recheio do palácio foi despojado. Em 24 de setembro de 1834, já como rei de Portugal, Pedro IV viria a falecer no mesmo quarto em que nascera. A partir desta data entrou em declínio, até que em 1908 o rei D. Manuel II o cedia à Fazenda Nacional.

O Palácio da Ajuda foi a residência do Rei Rei Luís I e da Rainha Maria Pia de Saboia. Aqui nasceram os príncipes D. Carlos (1863-1908) e D. Afonso (1865-1920) ficando a sua infância indubitavelmente ligada a este Palácio. Depois da morte de D. Luís em 1889 é D. Carlos, seu filho quem ocupa o trono ao lado da Rainha D. Amélia. Por essa altura D.Carlos e D. Amélia viviam em Belém com os seus filhos, o Príncipe Real D. Luís Filipe e o Infante D. Manuel (futuro Manuel II). O Palácio da Ajuda passa novamente para segundo Plano. Fica a habitá-lo a Rainha Mãe, D. Maria Pia, e o seu filho o Infante D. Afonso. Sendo reservadas dentro do palácio algumas salas do andar nobre para as cerimónias oficiais do novo reinado. Aqui decorreram os banquetes e recepções de estado em honra de Eduardo VII de Inglaterra, Afonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha, Émile Loubet, Presidente da República Francesa, entre outros convidados de estado que visitaram Portugal durante o reinado de D. Carlos. A 1 de Fevereiro de 1908 é assassinado o Rei e o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. Sobe ao trono D. Manuel II, que reside nas Necessidades continuando o Paço da Ajuda reservado para cerimónias de Estado. D. Maria Pia residiu no palácio até Outubro de 1910, data em que toda a Família Real saiu de Portugal na sequência da instauração da República.[3]

O Palácio de Belém foi a residência oficial dos Príncipes Reais D. Carlos, Duque de Bragança e sua jovem esposa D. Amélia de Orleães. Aqui nasceram os seus filhos, D. Luís Filipe e D. Manuel II, que foram baptizados na capela palatina. Após a subida de D. Carlos ao trono, em 1889, não tendo Belém as dimensões de residência oficial da coroa, D. Carlos e D. Amélia mudaram-se para o Palácio das Necessidades, voltando Belém à sua condição de residência dos convidados estrangeiros.[4]

O Palácio de Mafra foi utilizado como residência de caça.

O Palácio das Necessidades tornou-se residência oficial dos reis da Dinastia de Bragança a partir de D. Maria II de Portugal, excepção feita ao seu filho D. Luís I de Portugal, que preferiu o Palácio Nacional da Ajuda.[5]

O Palácio da Pena era uma das residências preferidas da Família Real Portuguesa. Durante o reinado de Carlos I de Portugal, a Família Real ocupou com frequência o palácio, tornando-se a residência predilecta da Rainha D. Amélia, que se ocupou da decoração dos aposentos íntimos. Aqui foi servido um almoço à comitiva de Eduardo VII do Reino Unido, aquando da sua visita oficial ao país, em 1903. Após o regicídio, a Rainha D. Amélia retirou-se ainda mais para o Palácio da Pena, rodeada de amigas e dos seus cães de estimação. Aqui recebia amiúde a visita do filho, Manuel II de Portugal, que nele tinha os seus aposentos reservados.[6]

O Palácio de Sintra foi nos últimos anos do regime monárquico a residência de verão da rainha-mãe D. Maria Pia, a última habitante régia do Paço da Vila de Sintra. Aqui tiveram lugar várias recepções oferecidas pela rainha-mãe aos estadistas que visitavam o seu filho, como o Imperador Guilherme II da Alemanha ou o Presidente de França, Émile Loubet, entre outros.

O Paço Ducal de Vila Viçosa foi uma residência de férias da Família Real Portuguesa. No final do século XIX, o velho Paço seria ainda objecto de algumas obras, fruto da predilecção que os Reis D. Carlos e D. Amélia tinham por ele. D.Carlos apreciava muito o Palácio calipolense, aqui passando largas temporadas, quando promovia com os seus amigos (raramente trouxe convidados oficiais a Vila Viçosa) grandes caçadas na extensa Tapada Ducal. Com efeito, foi neste palácio que o Rei D.Carlos dormiu a sua última noite antes de ser assassinado, em 1 de Fevereiro de 1908 (conservando-se intactos desde então os seus aposentos). No último reinado, o paço de Vila Viçosa acolheu ainda a visita do Rei Afonso XIII de Espanha a D. Manuel II, em Fevereiro de 1909.

O Palácio dos Carrancas foi adquirido em 1861 por Pedro V de Portugal para servir de alojamento aos soberanos em visita ao norte do país. Embora necessitado de obras de reparação e melhoramentos, o edifício não sofreu alterações significativas, excetuando a extinção das instalações da fábrica.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Em Portugal considerou-se que a Casa de Bragança não se extinguiu oficialmente com este casamento, continuando a Casa de Bragança, embora com o nome da Casa de Saxe-Coburgo-Gota associado, a ser a casa reinante em Portugal. A Carta Constitucional portuguesa de 1826, que foi a constituição portuguesa até a implantação da república em 1910, estabelece no seu artigo 5º: "Continua a Dinastia Reinante da Sereníssima Casa de Bragança na Pessoa da SENHORA PRINCESA DONA MARIA DA GLÓRIA, pela Abdicação, e Cessão de Seu Augusto Pai o SENHOR DOM PEDRO I, IMPERADOR DO BRASIL, Legítimo Herdeiro e Sucessor do Senhor Dom João VI.".«Carta Constitucional de 29 de Abril de 1826, no site da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.» (PDF)  Assim também estabeleceu a constituição portuguesa de 1838, que logo seria abolida, em 1842, por um golpe de Estado liderado pelo político Costa Cabral, que teve a conivência da rainha D. Maria II, e que restaura a constituição portuguesa de 1826. A constituição portuguesa de 1826 vigeu em Portugal até a implantação da república, em 1910. O artigo 5º da constituição portuguesa de 1838 também estabelece: "A Dinastia reinante é a da Sereníssima Casa de Bragança, continuada na Pessoa da Senhora D. Maria II, actual Rainha dos Portugueses.".«Constituição portuguesa de 1838, no site da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.» (PDF) 
  2. Dias, Paulo; Real Panteão dos Bragança: arte e memória. Porto: Antília Editora, Dezembro de 2006. ISBN 972-99612-9-8.
  3. Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020, in CARDIM, Pedro. A Casa Real e os órgãos centrais de governo no Portugal da segunda metade dos seiscentos, 2002, p. 15-18; ANDRADE, Santiago Silva de. De família para família: serviço régio e relações familiares no espaço doméstico da Casa Real portuguesa (1808-1821), 2005, p. 2)
  4. PINTO, Albano Anthero da Silveira; VISCONDE, Augusto Romano Sanches de Baêna e Farinha; Resenha das familías titulares e grandes de Portugal (Volume 1). Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, 1883. Página 313
  5. Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020, in CARDIM, Pedro. A Casa Real e os órgãos centrais de governo no Portugal da segunda metade dos seiscentos, 2002, p. 15-18
  6. «Casa Real». mapa.arquivonacional.gov.br. Consultado em 14 de março de 2022