Gentilândia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Gentilândia (Fortaleza))
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Under construction icon-yellow.svg
Este artigo carece de caixa informativa ou a usada não é a mais adequada.
Mapa de Fortaleza com destaque para o bairro Benfica.

Gentilândia é uma localidade da cidade de Fortaleza. [1]

Faz parte do Bairro Benfica - e corresponde ao quadrilátero urbano compreendido entre as avenidas da Universidade, Treze de Maio, Expedicionários e Eduardo Girão. Seu nome deriva do sobrenome "Gentil", família que durante décadas deteve as terras que hoje formam a comunidade.

Aspectos Históricos[editar | editar código-fonte]

Alguns caminhos que ligavam localidades do interior do estado ao centro da cidade de Fortaleza foram ocupados, no século XIX, por chácaras de famílias abastadas, muitas vindas de outros municípios.

Ao contrário do sítio, onde a produção agrícola era mais intensa, nas chácaras o abastecimento era feito através dos serviços e comércio da cidade, embora os moradores pudessem manter algumas atividades como a criação de galinhas e plantação de hortas. Este foi o primeiro tipo de ocupação dos terrenos que hoje em dia compõem os bairros da Gentilândia e do Benfica.

As ruas de terra do lugar, naquela época, eram parte do caminho percorrido pelo gado que vinha de Messejana, Parangaba e do sertão em direção ao matadouro municipal. Por esta motivo poucas famílias instalavam-se na região, evitando a poeira e o estrume causados pelos bois.

Após desinstalação do matadouro, que se mudou para outra parte da cidade, José Gentil Alves de Carvalho comprou a chácara da família Garcia. Vindo de Sobral, o patriarca acumulura algum capital com a venda de produtos agrícolas e passou a investir em negócios do setor secundário e terciário. Virou banqueiro e dono de imobiliária. Loteou terrenos vizinhos a sua chácara, construi casas de vila para alugar e de tão poderoso, fez do nome próprio o sobrenome da família toda e construiu um pequeno império ao redor de sua mansão, a Gentilândia.

A casa da chácara, um chalé térreo, foi reformada anos depois de sua aquisição pelos Gentil. Foi modificada a sua fachada, ganhou alguns metros em profundidade e um segundo piso. As obras ergueram também um muro alto ao redor do terreno que abrigava outras casas da família construídas para os filhos de Gentil. As construções secundárias vieram abaixo quando, em 1955, a mansão foi comprada pela Universidade Federal do Ceará mediante nagociação da ordem de Cr$ 500.000,00.

Embora algumas construções tenham sido demolidas, muitas delas foram preservadas. O solar da família Gentil foi ampliado e transformado em sede da Reitoria; outros casarões passaram a abrigar as Casas de Cultura Estrangeira, as Pró-Reitorias e alguns blocos didáticos.

Entre as inúmeras curiosidades históricas está o fato da Gentilândia ter sido o bairro onde surgiram algumas das primeiras empresas de transporte coletivo de passageiros de Fortaleza, como a Empresa Santo Antônio, criada por pioneiros que moravam no bairro e vislumbraram naquele setor uma oportunidade de negócios e de, ao mesmo tempo, prestar um relevante serviço para a população. Das várias empresas do setor de transportes surgidas no bairro, a Santo Antônio é uma das poucas que continua em operação.

Bairro Universitário[editar | editar código-fonte]

A Gentilândia abarca boa parte dos 13 hectares do Campus do Benfica da Universidade Federal do Ceará. No bairro estão instaladas a Reitoria e as pró-reitorias de Planejamento, Extensão, Administração e Assuntos Estudantis; a Superintendência de Recursos Humanos; o Centro de Humanidades; a Faculdade de Educação; o Departamento de Arquitetura e Urbanismo, bibliotecas e as Casas de Cultura Estrangeira . Outras instalações da universidade são: algumas Residências Universitárias, a Procuradoria Geral, Ouvidoria, Auditoria Interna, Seara de Ciência e CETREDE , além de equipamentos culturais como o Museu de Arte, Rádio Universitária, Concha Acústica e a Editora e Imprensa Universitária. A sede do “Sindicato dos trabalhadores da UFC - SINTUFC” também está localizada no bairro, não distante da Reitoria.

IFCE (antigo Cefet), localizado na Avenida 13 de Maio

Além dessas instalações da UFC, a Gentilândia também abriga o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE; o Cursos de Línguas Estrangeiras do IFCE – CLEC; bem como algumas escolas de ensino fundamental e médio. É válido informar também que o Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará, localizado na Avenida Luciano Carneiro, é próximo da Gentilândia, estando a poucos minutos “a pé”.

Religião e Espiritualidade[editar | editar código-fonte]

A Igreja dos Remédios está há décadas presente no bairro, seja como capela (inaugurada em 1910) ou como paróquia (1934). Edificada às margens da atualmente conhecida como “Avenida da Universidade”, foi uma das construções que “assistiu” à ocupação e crescimento da Gentilândia.

Localizadas a alguns metros da Igreja, estão duas instituições religiosas ligadas à Igreja Católica: o “Instituto das Filhas de São José” e o “Dispensário dos Pobres do Sagrado Coração”, que faz parte da “Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo”.

Também no bairro encontra-se a presença de um prédio da instituição Seicho No Ie, que se identifica como uma filosofia que transcende o sectarismo religioso, pois acredita, de acordo com o site do grupo, que todas as religiões são luzes de salvação que emanam de um único Deus.

Memorial da Gentilândia[editar | editar código-fonte]

O bairro ganhou, no dia 15 de dezembro de 2006, o Memorial da Gentilândia, cuja proposta é descrever, por meio de fotografias e depoimentos, diversos aspectos que formam a história daquele lugar, como a origem do nome, a educação, os prédios, as personalidades do bairro dentre outros.

O Memorial, com o apoio de Elmo Vasconcelos Júnior, professor doutor da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e pesquisador, foi organizado por um grupo de antigos moradores que se reúnem semanalmente para beber, comer e conversar sobre diversos assuntos, especialmente sobre o bairro. Esses senhores chamam seu grupo de “Confraria a Gentilândia”. A mensagem de boas-vidas que compõe o Memorial reconhece o lugar como um elemento de ligação entre o momento atual do bairro e seu passado, este visto não como algo distante, mas sim como momentos que se fazem presentes e “vivos” por meio da memória do bairro e de seus moradores:

A criação de um memorial constitui a ponte entre o passado e o presente, por isso, ainda vivo na memória individual e coletiva daqueles que foram os responsáveis pela formação da identidade cultural da Gentilândia. Para aqueles que idealizaram este projeto, no caso os componentes da confraria da Gentilândia, haverá sempre a possibilidade de visitas ao passado de forma permanente, pois o memorial localiza-se no mesmo ponto das suas reuniões semana (…) (Trecho da mensagem de boas vindas colocada ao lado da entrada do Memorial).

As Praças[editar | editar código-fonte]

A localidade Gentilândia, que pertence ao Bairro Benfica, possui duas praças: A Pracinha da Gentilândia e a Praça João Gentil.

Todos os dias a Pracinha da Genilândia abriga, a partir do fim da tarde, barracas de alimentação que atraem não apenas os moradores bairro, mas também estudantes e pessoas de outros lugares da cidade, que estacionam seus carros nas bordas da praça e os deixam aos cuidados dos “flanelinhas”. Além disso, pequenos estandes de artesanato são montados três dias por semana em um espaço reservado para eles.

Tradicionalmente, famílias em momentos de lazer passeiam na praça com suas crianças. No local há locação de brinquedos motorizados. Um clima familiar de encontro dos moradores local do Benfica.

Às sextas feiras a Praça da Gentilandia torna-se um ponto de encontro, para jovens homo e bissexuais, que ali se reúnem, e conversam, namoram enfim, tornando um ponto de lazer, para eles, já que não possuem muitos. O que os atrapalha, são os arrastões que lá acontecera algumas vezes. No dia 25 de abril de 2008, houve a I Conferencia GLBTTT de Fortaleza, sediada na Praça João Gentil, que agora tornou-se o novo ponto de encontro para esses jovens, que lutam para terem seus direitos reconhecidos.

Aos sábados e domingos, nesta praça, acontece a tradicional Feira da Gentilândia: uma feira-livre que há décadas ajuda a abastecer as casas do bairro e de regiões próximas. Ao longo do tempo muitas de suas características: passou a ocupar cada vez menos espaço na praça; a variedade de produtos diminuiu consideravelmente; a feira não é mais imprescindível para o abastecimento dos lares do bairro da mesma forma que antes; o tempo de duração é mais curto, dentre outras mudanças. A instalação de dois supermercados – Pão de Açúcar e São Luiz – de um Shopping Center e de outros estabelecimentos comerciais a poucos metros do bairro possivelmente contribuíram para essas mudanças observadas na feira. Apesar destas adversidades, a Feira da Gentilândia continua "viva" e fazendo parte do cotidiano do bairro.

A Praça João Gentil possui uma quadra para a prática de esportes, um pequeno parque com gangorras e balanços para as crianças, mesas e cadeiras de cimento criadas para a prática de jogos de tabuleiro, além de espaços no meio da praça para a vegetação gramínea. Ela abriga os blocos de carnaval em fevereiro e alguns shows esporádicos. Nesta praça também acontecem todas às manhãs e tardes uma atividade promovida pela prefeitura, que consiste na prática de exercícios físicos pelos moradores sob a instrução de um professor.

Os bares[editar | editar código-fonte]

Outra forma de comércio muito comum no bairro e que persiste há décadas são os bares. Mais que um estabelecimento no qual se pode comprar e consumir bebidas alcoólicas, aquele lugar é a oportunidade de se encontrar com amigos, conversar, jogar, ouvir música, cantar… Os bares, que abrigaram inúmeras noites de boemia na antiga Gentilândia, continuam a ser freqüentados por muitos dos visitantes de antigamente. Além disso, novos clientes freqüêntam os bares, especialmente torcedores de futebol e estudantes. "Bar do Beto", "Pitombeira Bar", Bar Gaiola", "Cantinho Acadêmico", "Bar do Feitosa", "Bar do Chaguinha" e "Bar do Assis" são algumas das "bodegas" que há décadas fazem parte do bairro e contribuíram para a construção do seu cotidiano e de sua memória.

Esporte[editar | editar código-fonte]

O bairro possui uma quadra poli esportiva: o Ginásio Municipal Aécio de Borba. Fundado em 1979, recebe diversas competições esportivas, bem como outros tipos de eventos, como shows municipais e a “apuração” dos desfiles das escolas de samba de Fortaleza.

Próximo ao ginásio encontra-se o Estádio Municipal Presidente Vargas (PV) que desde 1941 abriga boa parte dos jogos do Campeonato Cearense de Futebol, bem como partidas de competições de nível nacional disputadas por clubes cearenses. A presença deste estádio faz do futebol um tema muito presente no cotidiano do bairro, seja nas conversas entre amigos nas calçadas e bares, seja na presença maciça de torcedores em dias de jogo. Esses torcedores compõem boa parte da clientela do comércio formal (bares, restaurantes) e informal (vendedores de churrasco no espeto, comerciantes de camisas com a marca de times, cambistas…).

A Gentilândia possuiu um clube de futebol próprio: o Gentilândia Atlético Clube, vencedor do "Torneio Início" de 1959 e do Campeonato Cearense de Futebol de 1956.

O bairro também abrigou, até o começo dos anos 1960, a sede do Fortaleza Esporte Clube, na Rua Júlio César.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências