Pedras (Fortaleza)

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Pedras ou Pedra é um bairro localizado na na Regional VI, da cidade de Fortaleza, nos limites com Itaitinga e Eusébio, às margens da Rodovia BR-116. O bairro é o maior em área verde da periferia de Fortaleza, isso se deve as características rurais que ainda se conservam desde suas origens na década de 1940.

Origem[editar | editar código-fonte]

O local tem registro de habitantes desde o início da década de 1940, quando moravam entre outras as famílias Rosas, Delfino, Frota, Trajano, Souza, Nogueira. O lugar era chamado inicialmente de Riacho do Bingo, por conta dum riacho próximo, os moradores viviam de agricultura e artesanato.

A denominação Pedra foi dada pelo então arcebispo de Fortaleza Dom Antônio de Almeida Lustosa, quando veio ao lugar fazer visita pastoral no ano de 1942, a convite do Padre Francisco Pereira da Silva, pároco de Messejana, sendo assessorado em sua visita por Dona Lirêda Peixoto da Costa, primeira professora e catequista do lugar.

O bairro foi criado oficialmente em 11 de agosto de 1945, na gestão do prefeito Raimundo de Alencar Araripe, quando foi inaugurada a permanência da Escola Isolada da Pedra. A escola tinha como professora Dona Lirêda Peixoto da Costa, que mesmo sem formação ensinou as primeiras letras por muitos anos.

A visita pastoral de Dom Lustosa fez a família Delfino doar parte de suas terras à Arquidiocese de Fortaleza, para que fosse erguida uma capela em honra a Santa Luzia, por ser a santa da devoção da família Rosas. A Capela foi construída em 1948 e passou por diversas reformas, e, segundo Dona Lirêda Peixoto da Costa após três reformas a Capela desabou ficando de pé somente a imagem de Santa Luzia. A Capela foi reconstruida com ajuda do Senhor Frota Melo. Em 1995 foi reformada e ampliada com ajuda de comunidades católicas da Alemanha.

Em 1982, o bispo auxiliar de Fortaleza, Dom Geraldo Nascimento veio morar na comunidade. Em 1984 ele trouxe para o bairro a Congregação das Irmãs Missionárias Capuchinhas.

Em 1994, o arcebispo de Fortaleza, Dom Aloísio Lorcheider criou a Área Pastoral da BR, que teve como primeiro vigário paroquial o Padre Djair Gomes Cavalcante. Ele ficou famoso por seu carisma com os jovens, por gostar de futebol e bebidas alcoólicas. Mas isso não agradou a todos fazendo-o sair da comunidade em 1996. Em 1997 assumiu a Área Pastoral o Padre Alfredo Niedermaier, alemão da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração. Ele visou no bairro que era apenas uma comunidade rural, um futuro promissor que tentou construir por muitos anos. Ele conseguiu do Arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques a criação da Área Pastoral de Santa Luzia em 2003, que em 2010 transformou na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e Santa Luzia.

O bairro é antigo e ainda conserva parte de suas origens, como por exemplo nos sítios e chácaras com casas históricas para o bairro.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

O bairro possui quatro rotas de transporte público municipal de Fortaleza (Pedras I, Pedras II, Carlos Albuquerque e Corujão Pedras), instalados na década de 1990, o transporte público intermunicipal da empresa São Benedito (o mais antigo, instalado na década de 1950 pelo vereador José Barros de Alencar) e as das cooperativas de transporte alternativo de Itaitinga. As principais vias públicas do bairro são as ruas José Nogueira, Pereira Coutinho, Raimundo Matias e a Avenida Trairá.

A urbanização do lugar foi tardia, sendo que até o início da década de 2000 grande parte do bairro era formado por sítios dos primeiros moradores. O desembargador José Maria de Melo, presidente do TRE-CE, entre 1989 e 1990 era detentor de quase todas as terras do bairro, e suas posses geraram grande quantidade de empregos e residências no bairro (uma de suas terras possui uma estrada que leva a antiga pedreira do Serrote do Ancuri, atualmente desativada, estas mesmas terras levam a um açude que fica próximo da comunidade da Maliça). Após a morte em 2015 seus herdeiros venderam a maioria dase terras.

Dona Lirêda Peixoto da Costa (autora do histórico do bairro) constrói uma linha do tempo, especificando datas e benefícios conquistados pelo bairro, conforme  as gestões públicas: Em 1950, José Barros de Alencar, candidato a vereador “arranjou” o terreno para construir o prédio da escola isolada. Em 1955, na gestão do prefeito Paulo Cabral Araújo, tendo como Secretário de Educação o Sr. João Jacques Ferreira Lopes, a comunidade conquistou a construção do prédio da escola, que recebeu  o nome Coronel Tristão de Alencar, conforme  indicação da Secretaria de Educação de Fortaleza.

Ela especifica que em 1959 foi construído o primeiro chafariz, próximo à escola e em 1970, foi construído o segundo na Rua Luis Bento. Naquele mesmo ano, o Padre Francisco Pereira conseguiu trazer energia elétrica para a comunidade. Em 1972,  foi feito o calçamento,  da Pedra até o Ancuri, e foi construído o Centro Social, segundo informa, tudo isso, com o apoio do vereador José Barros de Alencar. Em 1991 o governador Ciro Gomes autorizou o asfalto da rua Jorge Figueiredo, que liga a Pedra ao Ancuri. Nesse mesmo ano foi construída a Praça de Santa Luzia e a Quadra, pelo prefeito Juraci Magalhães.

Educação[editar | editar código-fonte]

Em relação à educação existem três escolas públicas: a Creche Santa Luzia; a Escola Municipal Tristão de Alencar, a mais antiga fundada como escola isolada na gestão de Raimundo de Alencar Araripe, funcionava na casa de Dona Joaninha Delfino, onde Dona Lirêda Peixoto da Costa lecionava. Em 1955 recebeu o nome de Escola de 1º Grau Tristão de Alencar (em homenagem ao intendente municipal de Messejana no começo da República, Tristão Antunes de Alencar). Na gestão de Luiziane Linz o cognome "coronel" foi retirado para evitar referências militares; e a Escola de Ensino Médio Perboyre e Silva. Existem também as escolas particulares, entre elas a Escola Dominguinhos, administrada pela família da professora Fátima Souza. Havia uma creche administrada pelas Irmãs Capuchinhas ao lado da igreja, onde funcionou a primeira casa paroquial.

Existia também a Escola Municipal Dom Geraldo Nascimento, na comunidade da Maliça, que atualmente encontra-se em ruínas. Depois sendo transferida para rua Luiz Bento perdurou por pouco tempo e para de funcionar. Havia também a Creche mantida pela ASMOAPE ao lado do posto de saúde.

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião predominante é o catolicismo, existente no lugar desde sua origem. A história da Igreja de Santa Luzia, construída em 1948 se confunde com a do bairro, a imagem de Santa Luzia veio da Itália com o Sr. Antônio Frota que presenteou a Capela com a imagem. O primeiro responsável pela capela foi o Padre Francisco Pereira da Silva, pároco de Messejana entre 1938 e 1980, seu pioneirismo no bairro deram origem a expressão "do tempo do Padre Pereira", que se refere a alguma coisa ou acontecimento antigo no bairro. Existem também a Igreja de São Cristóvão, na BR-116, idealizada pelo Padre Alfredo Niedermaier em 1998 para sediar a Pastoral da Estrada. E a Capela de Santa Rita de Cássia, surgida em 2016, onde antes era a sede da Associação de Moradores da Comunidade do Trairá, construída com auxílio alemão cedeu seu lugar para celebrações religiosas.

Existem também igrejas evangélicas, como a Assembléia de Deus, Igreja Universal e Ministério Apostólico El Shaday.

Lazer, cultura e desportos[editar | editar código-fonte]

Existem vários espaços de lazer, cultura e esporte. A Praça Santa Luzia, é bem visitada em tem grande número de pequenos comerciantes em seu redor. Há na praça também uma quadra, onde jovens praticam esportes, academia ao ar livre e parquinho. Construída na gestão do prefeito Juraci Magalhães, a praça possui imponentes árvores cinquentenárias e no entorno estão a Escola Tristão de Alencar e a Igreja de Santa Luzia.

Uma pequena biblioteca funciona no bairro, administrada pelo Centro Cultural de Pedras. Existe uma academia onde antes era o Centro Cultural Celita. Fundado em 1999 pela família de Maria Nobre Damasceno, a ONG tinha intuito de ser um centro Cultural-Educativo de Lazer, Informação, Trabalho e Ação Social. O nome foi uma homenagem à Dona Celita Nobre Damasceno, matriarca da família, natural de Morada Nova. Ela fazia festas juninas e natalinas para ajudar crianças.

Desativida há alguns anos, a Rádio Comunitária Pedra Fm era um símbolo cultural do bairro, com programas apresentados pelos próprios moradores, onde tocava-se músicas de Luiz Gonzaga, canções da bossa nova e da jovem guarda e a tradicional Hora da Ave Maria às 18:00hs. A rádio foi criada pela extinta Associação de Moradores e Amigos da Pedra (ASMOAPE), fundada em 1987 para conseguir melhorias para o bairro, e conseguiu trazer transporte público, o famoso ônibus "Mainha" posto de saúde, escola, serviços públicos além de estabelecer os limites do bairro.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Há um Posto de Saúde comunitário no bairro, a UAPS José Barros de Alencar, construído com a ajuda deste vereador que foi homenageado com seu nome na unidade pela Prefeitura de Fortaleza.

Havia em tempos passados a Casa de Parto Comunitária da Pedra, uma espécie de maternidade mantida pelos moradores que se localizava ao lado do posto de saúde. No lugar funciona atualmente a sede dos Alcoólicos Anônimos.

Ainda persiste a cultura de remédios caseiros feitos a partir de ervas homeopáticas.

Segurança pública[editar | editar código-fonte]

O bairro abriga o Complexo Penitenciário Estadual de Itaitinga; o Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II, inaugurado em 2002, pelo governador Benedito Claiton Veras. A Casa de Privação Provisória de Liberdade I. A Unidade Prisional José Sobreira de Amorim, inaugurada em 2017, pelo governador Camilo Santana. O Hospital Geral e Sanatório Penal Otávio Lobo e o Instituto Psiquiátrico Governador Stenio Gomes, inaugurados em 1968 pelo presidente Costa e Silva.

O Hospital Geral e o Instituto Psiquiátrico, conhecidos popularmente como "Manicômio", atendiam a população com serviços médicos pediátricos e odontológicos.

Questão territorial[editar | editar código-fonte]

Apesar de fazer parte do município de Fortaleza, o bairro também faz parte dos municípios de Eusébio e Itaitinga, pois suas fronteiras não são bem estabelecidas, o que faz com que receba assistência dos três municípios como prova os papéis de água e luz, os registros de imobiliárias e empresas e os serviços públicos.

Após acordo firmado entre os prefeitos de Itaitinga (Abel Rangel) e de Fortaleza (Roberto Cláudio) no ano de 2017 os limites foram finalmente estabelecidos de forma a agradar a população. Sendo antes o principal limite uma linha imaginária que cortava o serrote do Ancuri substituído pelas ruas Jorge Figueiredo e Pereira Coutinho, passando a fazer extrema com o bairro Barrocão. Sendo os outros limites a ponte sobre o Riacho do Carro Quebrado na BR-116 à ponte sobre a rua Raimundo Matias, daí a rua José Nogueira e a rua Pereira Coutinho até sua incidência na rua Jorge Figueiredo até a avenida Dionísio Leonel Alencar indo em direção ao Quarto Anel Viário daí até a BR-116 ao ponto inicial.

Fontes[editar | editar código-fonte]

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