Lillian Asplund

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Lillian Asplund
Nascimento 21 de outubro de 1906
Worcester, Massachusetts, Estados Unidos
Morte 6 de maio de 2006 (99 anos)
Shrewsbury, Massachusetts, Estados Unidos
Progenitores Mãe: Selma Johansson
Pai: Carl Asplund

Lillian Gertrud Asplund (Worcester, 21 de Outubro de 1906 - 6 de Maio de 2006) foi uma das três últimas sobreviventes do naufrágio do RMS Titanic em 15 de abril de 1912. Ela foi a última sobrevivente americana e também a última sobrevivente com lembranças reais do desastre.[1]

Início da vida[editar | editar código-fonte]

Lillian Asplund nasceu em 21 de outubro de 1906 em Worcester, Massachusetts, filha de Carl Oscar Vilhelm Gustafsson Asplund e Selma Augusta Emilia Johansson. Seus pais viveram brevemente em Missouri antes de se estabelecerem em Massachusetts. Lillian tinha um irmão gêmeo, Carl Edgar, e dois irmãos mais velhos, Filip Oscar, nascido em 1898 e Clarence Gustaf Hugo, nascido em 1902. Um quarto irmão, Edvin Rojj 'Felix', nasceu em 1909.

Em 1907, o pai de Lillian levou sua família para Esmolândia, na Suécia, para ajudar sua mãe viúva a resolver problemas com a fazenda familiar. No início de 1912, a família estava pronta para retornar aos Estados Unidos, e o pai de Lillian reservou uma passagem para sua família no Titanic.

A bordo do Titanic[editar | editar código-fonte]

Lillian, seus pais e os quatro irmãos embarcaram no Titanic em Southampton, Inglaterra, em 10 de abril de 1912, como passageiros de terceira classe. Lillian tinha cinco anos na época e lembrou que o navio "era muito grande e tinha acabado de ser pintado. Lembro-me de não ter gostado do cheiro de tinta fresca".[2]

Quando o Titanic atingiu o iceberg às 23h40m da noite de 14 de abril de 1912, o pai de Lillian acordou sua família e depois colocou todos os papéis importantes, incluindo dinheiro, no bolso. Lillian, sua mãe e seu irmão Felix foram colocados no bote salva-vidas Nº 15. Lillian lembrou: "minha mãe disse que preferiria ficar com ele (meu pai) e afundar com o navio, mas ele disse que as crianças não deveriam ficar sozinhas. Minha mãe colocou Felix em seu colo e eu entre os joelhos. Eu acho que ela pensou que poderia me manter um pouco mais aquecida dessa forma".[2]

Lillian, sua mãe e seu irmão foram resgatados pelo RMS Carpathia, que chegou ao local pouco depois das quatro da manhã. Lillian e seu irmão foram carregados em sacos de serapilheira e içados até o convés do navio. A bordo do Carpathia, Lillian lembrou:

"Uma mulher tirou as roupas de mim. Minha roupa ficou muito suja e molhada no barco salva-vidas. Minha mãe estava tentando me encontrar. Ela estava dizendo: "Eu tenho uma filha!" Bem, ela me encontrou. E, finalmente, quando minhas roupas secaram eu as coloquei novamente. Eles nos levaram para o lugar onde se alocava pessoas doentes. Bem, não doentes, mas pessoas que precisavam de um pouco mais de atenção. As pessoas no Carpathia foram muito boas para nós."[2]

O Carpathia chegou em Nova Iorque em 18 de abril. Logo depois, a mãe de Lillian levou ela e seu irmão para Worcester. O pai de Lillian e os irmãos Filip, Clarence e Carl pereceram no naufrágio.

Na confusão após o desastre, um jornal de Worcester informou que o Sr. e a Sra. Asplund foram salvos, juntamente com Clarence, Lillian e Felix, e que Filip e Carl se afogaram.[3] Uma notícia posterior disse que Selma e seus "dois bebês" foram levados para um hospital local, e que o Sr. Asplund e Clarence aparentemente estavam em outro local.[4] Um relatório final confirmou que nem Carl e nem Clarence estavam entre os sobreviventes.[5] O corpo de Carl foi recuperado pelo CS Mackay-Bennett e mais tarde enterrado no cemitério All Faiths, em Worcester.

Vida posterior[editar | editar código-fonte]

A mãe de Lillian se recusou a falar sobre o desastre com as pessoas, dizendo que era simplesmente errado. Lillian concordou e, durante o resto de sua vida quase nunca falou sobre o desastre. A mãe de Lillian morreu em 15 de abril de 1964, no 54º aniversário do naufrágio. Seu irmão Felix, com quem Lillian morava, morreu em 15 de março de 1983.

Morte[editar | editar código-fonte]

Lillian morreu em sua casa em Shrewsbury, Massachusetts, no dia 6 de maio de 2006, aos 99 anos. Ela foi enterrada no Cemitério All Faiths em Worcester, ao lado de seu pai, mãe e irmão.

A morte de Lillian deixou duas sobreviventes vivas, Barbara West e Millvina Dean; no entanto, ambas tinham menos de um ano de idade no momento do naufrágio e tampouco se lembravam disso. Ela foi a última sobrevivente que se lembrava do naufrágio, portanto, em sua morte, os relatos de primeira mão sobre o naufrágio do Titanic passaram para a história.

Após sua morte, o bilhete do navio que havia guardado durante anos foi vendido em leilão em 2009.[1]

Referências

  1. a b AP. "Titanic ticket belonging to last U.S. survivor auctioned", Daily News (New York). 19 de abril de 2008.
  2. a b c Brown, David (30 de julho de 2006). «The Last Witness». The Washington Post. Consultado em 7 de maio de 2010 
  3. «Two of the Asplund Children are Lost». Worcester Telegram. 19 de abril de 1912. Consultado em 14 de abril de 2007 
  4. «Mrs Asplund and children safe in hospital at N.Y.». Worcester Evening Gazette. 19 de abril de 1912. Consultado em 14 de abril de 2007 
  5. «Four of the Asplunds are Titanic Victims». Worcester Telegram. 20 de abril de 1912. Consultado em 14 de abril de 2007 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]