Archibald Gracie IV

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Archibald Gracie IV
Nome completo Archibald Gracie IV
Nascimento 15 de janeiro de 1858
Mobile, Alabama
Morte 4 de dezembro de 1912 (54 anos)
Nova Iorque, EUA
Progenitores Mãe: Josephine Mayo
Pai: Archibald Gracie III
Ocupação Escritor, historiador amador

Coronel Archibald Gracie IV (15 de janeiro de 1858 – 4 de dezembro de 1912) foi um escritor, historiador amador, investidor em imóveis americano e sobrevivente do naufrágio do RMS Titanic. Gracie sobreviveu ao naufrágio subindo a bordo do bote desmontável B que ficou virado com o casco para cima e escreveu um livro muito popular sobre o desastre, que é impresso ainda hoje.[1]

A bordo do Titanic[editar | editar código-fonte]

Gracie embarcou no Titanic em Southampton em 10 de abril de 1912 e foi reservada a cabine da primeira classe C51. Ele passou a maior parte da viagem acompanhando várias mulheres desacompanhadas, incluindo a Sra. Helen Churchill Candee, Sra. E.D. (Charlotte) Appleton, Sra. R.C. (Malvina) Cornell e Sra. J.M. (Caroline) Brown. Também passou tempo lendo livros que havia encontrado na biblioteca da primeira classe, socializando com seu amigo J. Clinch Smith e discutindo a Guerra Civil com Isidor Straus. Ele era conhecido entre os outros passageiros da primeira classe como um incansável contador de estórias que tinha um estoque inesgotável sobre a Batalha de Chickamauga e a Guerra Civil.

Em 14 de abril, Gracie decidiu que havia negligenciado sua saúde e passou algum tempo fazendo exercícios físicos nas quadras de squash e na piscina do navio. Ele então participou de serviços religiosos, almoçou mais cedo e passou o resto do dia lendo e socializando. Ele foi para a cama cedo, com a intenção de começar logo cedo na manhã seguinte nas quadras de squash do navio.

Por volta de 23:45 Gracie foi acordado com uma sacudida. Ele se sentou, percebeu que os motores do navio não estavam mais em movimento, e parcialmente vestido, colocou uma jaqueta sobre suas roupas comuns. Alcançando o Convés dos Botes, ele percebeu que o navio estava adernando um pouco. Ele voltou para sua cabine para colocar seu colete salva-vidas e no caminho de volta encontrou mulheres que ele esteve acompanhando. Ele as levou até o Convés dos Botes e se certificou que elas entrassem nos botes salva-vidas. Ele então buscou cobertores para as mulheres nos botes, e junto com seu amigo Smith auxiliou o Segundo Oficial Charles Lightoller a carregar os botes restantes com mulheres e crianças.

Quando o último bote comum foi lançado às 1:55 do dia 15, Gracie e Smith auxiliaram Lightoller e outros para soltar os quatro botes desmontáveis Engelhardt que ficavam guardados no topo dos quartos da tripulação e presos por pesados cabos e amarras. Gracie teve que emprestar a Lightoller o seu canivete para que os barcos pudessem ser libertados. Os homens conseguiram lançar os Desmontáveis "C" e "D" e soltar o Desmontável "A" de suas amarras, mas enquanto tentavam liberar o Desmontável "B" de seu lugar a ponte foi varrida de repente pelo mar. Gracie posteriormente escreveu sobre aquele momento:

Meu amigo Clinch Smith propôs que devíamos sair e ir para a popa. Mas surgiu diante de nós dos decks inferiores uma massa de humanidade com várias linhas de profundidade convergindo para o convés dos botes de frente para nós e bloqueando completamente nossa passagem para a popa[2]. Havia mulheres na multidão bem como homens e estes pareciam ser passageiros da terceira classe que tinham acabado de subir dos decks inferiores. Mesmo entre essas pessoas, não havia choro histérico, nenhuma evidência de pânico. Oh, que agonia.

À medida que a parte dianteira do navio mergulhava abaixo da superfície e a água se aproximava deles, Gracie pulou na onda, foi puxado pela mão e subiu no teto da ponte[2]. A corrente causada pelo naufrágio do navio puxou Gracie para baixo; ele se afastou do navio e subiu à superfície próximo ao Desmontável "B" que estava virado com o casco para cima. Gracie subiu ao bote virado junto com algumas dúzias de homens na água. Seu amigo Clinch Smith desapareceu e seu corpo nunca foi achado. Em sua memória, Gracie supôs que Smith ficou enrolado nas cordas e outros detritos no navio, e não conseguiu se soltar.

À medida que a noite passava, os homens exaustos, congelados e molhados a bordo do Desmontável "B" quase não conseguiam permanecer na quilha lisa. Gracie depois escreveu que mais de metade dos homens que originalmente subiram ao Desmontável sucumbiram por exaustão ou frio e escorregaram pela quilha virada para cima durante a noite. Quando amanheceu e tornou-se possível para aqueles em outras embarcações salva-vidas vê-los, o Segundo Oficial Lightoller (que também estava no desmontável, assim como o operador de rádio Harold Bride) usou o apito de seu oficial para atrair a atenção dos outros botes; os botes salva-vidas números 4 e 12 remaram até eles e resgataram os homens restantes do bote virado. Gracie estava tão cansado que não conseguiu saltar e foi puxado para dentro do bote número 12, o último a ser pego pelo RMS Carpathia, capitaneado por Arthur Rostron.

Depois do resgate[editar | editar código-fonte]

Gracie desembarcou em Nova Iorque a bordo do Carpathia e imediatamente começou a escrever um livro sobre suas experiências a bordo do Titanic e do Desmontável "B". É um dos mais detalhados relatos sobre o evento; Gracie passou meses tentando determinar exatamente quem estava em cada bote e quando certos eventos aconteceram.

Seu trabalho não deixa de ter falhas; Gracie referiu-se a cada passageiro clandestino ou homem que pulou ou se esgueirou para dentro de um bote salva-vidas como um "italiano", "japonês" ou "latino", e apenas deu os nomes dos homens que colocaram suas esposas a bordo de botes salva-vidas e permaneceram no navio se eles estivessem na primeira classe.

Gracie morreu antes que pudesse terminar as correções de seu livro. Foi publicado em 1913 sob o título original The Truth about the Titanic.[3] Desde então, o livro passou por várias impressões e atualmente está disponível sob o título Titanic: A Survivor's Story. Edições modernas também incluem um curto relato sobre o desastre de John B. "Jack" Thayer, III, que também sobreviveu a bordo do Desmontável "B"; o relato de Thayer, "publicado privadamente por sua família e amigos em 1940", tem o título The Sinking of the S.S. Titanic.[4][5]

Saúde e morte[editar | editar código-fonte]

A lápide de Gracie no Cemitério de Woodlawn

Gracie nunca se recuperou da provação; como diabético, sua saúde foi severamente afetada pela hipotermia e das lesões físicas que sofreu. Morreu de complicações da diabetes em 4 de dezembro de 1912, menos de oito meses após o naufrágio.[1] Foi enterrado no túmulo da família no Cemitério de Woodlawn no The Bronx, Nova Iorque; muitos de seus colegas sobreviventes, bem como familiares de vítimas, participaram de seu funeral. Ele foi o primeiro sobrevivente adulto a morrer.

Gracie era tão inquieto com o naufrágio do Titanic' e o trabalho que ele tinha feito sobre o assunto, que suas últimas palavras foram: "Devemos levá-los aos botes. Devemos levar todos para os botes."[1]

Referências

  1. a b c «Col. Gracie Dies, Haunted By Titanic. 'We Must Get Them All in the Boats,' Last Words of the Man Who Helped to Save Many». New York Times. 5 de dezembro de 1912. Consultado em 31 de janeiro de 2013. Coronel Archibald Gracie, E. U. A., aposentado, morreu ontem de manhã em seu apartamento no Hotel St. Louis, na Rua East Thirty-Second. A morte foi imediatamente tida como uma complicação de doenças, mas os membros de sua família e seus médicos sentiram que a verdadeira causa foi o choque que ele sofreu em abril passado, quando ele afundou com o navio e foi resgatado depois de longas horas em um bote quase submerso. ... Coronel Gracie Acredita-se que tenha sido o último sobrevivente do Titanic a deixar o navio. 
  2. a b Winocour 1960, pp. 138–9.
  3. Gracie, Archibald IV (2013). The Truth About the Titanic. [S.l.: s.n.] ISBN 1478164476 
  4. Gracie, Archibald IV & Thayer, John B. III. Titanic: A Survivor's Story & The Sinking of the S.S. Titanic. [S.l.: s.n.] ISBN 978-0753154533 
  5. Lord, Walter. The Night Goes On. [S.l.: s.n.] p. 2 (Chapter X) 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Eaton, John P. & Haas, Charles A. (1995). Titanic: Triumph and Tragedy 2nd ed. [S.l.]: W.W. Newton & Company. ISBN 0-393-03697-9 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]