Palácio de Estói

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Fachada
Entrada para o palácio

O Palácio de Estói, é um pastiche rococó, em Faro, Portugal, único na região.

O palácio foi ideia de um nobre local[1] que morreu pouco depois do início da construção em meados dos anos de 1840.[2] Outra personalidade local, José Francisco da Silva, adquiriu o palácio e completou-o em 1909. Foi feito visconde de Estói, em 1906, graças ao dinheiro (quase 110 contos de réis)[3] e esforços que despendeu na sua reconstrução, uma vez que o palácio e os jardins tinham caído no abandono com a morte da última das irmãs do Coronel Francisco José Maria de Brito Pereira Carvalhal e Vasconcelos (o primeiro proprietário). O trabalho foi dirigido pelo arquitecto Domingos da Silva Meira, cujo interesse pela escultura é evidente. O interior do palácio, em pastel e estuque, está a ser restaurado e irá ser uma pousada.

A casa, que se desenvolve horizontalmente e é caracterizada pelo grande corpo central saliente e mais alto, apresenta uma fachada de certa simplicidade, mas revela no seu interior o gosto opulento da época, sobretudo na decoração de algumas salas ricamente trabalhadas de estuques e em cujos tetos se conservam pinturas de certo interesse. A mais notável é a grande sala de baile, que ocupa o corpo central da casa, simultaneamente magnifica e fria na profusão de estuques, espelhos e pinturas, estas assinadas por alguns artistas portugueses e italianos da época. A Casa de Estói reúne ainda várias telas de Maria Baretta e Adolfo Greno (1854-1901), pintor português que colaborou com Domingos Costa na decoração do interior da Igreja de Estói.[4]

A capela apresentava uma estética Luís XV. Era dedicada à Sagrada Família, representada numa pintura setecentista no retábulo do altar-mor, acrescentado-se ainda a esta duas telas seiscentistas, uma pintada por Bento Coelho da Silveira.

Os jardins desenvolvem-se em três planos, fazendo uso de escadarias comunicantes comunicantes e de lanços opostos e outros elementos arquitetónicos que lembram ainda os jardins setecentistas, com laranjeiras e palmeiras, que condizem com o seu alegre estilo rococó. O terraço inferior exibe um pavilhão e azulejos azuis e brancos assinados por Pereira Júnior entre 1899 e 1904, a Casa da Cascata, no interior da qual se encontra uma cópia das Três Graças, de Canova. O terraço superior, o Patamar da Casa do Presépio, tem um grande pavilhão com vitrais, fontes decoradas com ninfas e nichos em azulejos. Encontram-se ainda numerosos bustos de cerâmica, coroando os muros, representando diversas personagens - bustos de D. Carlos I, Vasco da Gama, Goethe, Schiller, Bocage, Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Bismarck e Moltk, Milton, Herculano, Camões, etc.[4]

Em 1969 era propriedade de D.Maria do Carmo Assis Melo Machado.[4]

O palácio foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1977.

Em 2006 as «Preguiças», duas esculturas femininas de tamanho real, importadas de Itália, de incalculável valor, com 200 quilos cada uma, foram furtadas do palácio algarvio. As esculturas eram o «ex-libris» dos jardins do paço.

O Palácio de Estói foi totalmente remodelado pelo Arq. Gonçalo Byrne e passou a ser uma das "Pousadas de Charme" do Algarve. Faz parte das Pousadas de Portugal. Entretanto estão a construir réplicas das duas estátuas "desaparecidas" estátuas italianas.

Referências

  1. Fernando de Carvalhal e Vasconcelos, filho de Francisco José de Carvalhal e Vasconcelos (proprietário da Casa das Açafatas em Faro).
  2. O início do projecto terá sido em 1782-83 ("de acordo com investigação recente por Francisco Lameira"). (in Arquitectura no Algarve, 2005)
  3. Gil, Júlio (1992). Os mais belos Palácios de Portugal. Lisboa: Verbo. 253 páginas 
  4. a b c de Azevedo, Carlos (1988). Solares de Portugal. [S.l.]: Livros Horizonte. 136 páginas 

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Fernandes, José Manuel. Janeiro, Ana. Arquitectura no Algarve - Dos Primórdios à Actualidade, Uma Leitura de Síntese. Edição da CCDRAlg (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve) e Edições Afrontamento, 2005.
  • Lameira, Francisco I. C. Faro Edificações Notáveis. Edição da Câmara Municipal de Faro, 1995.
  • Marques, Maria da Graça (coord.) O Algarve da Antiguidade aos nossos dias: elementos para a sua história. Edições Colibri, Lisboa, 1999.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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