São Gotardo (Minas Gerais)
São Gotardo | |
|---|---|
| Hino | |
| Gentílico | são-gotardense |
![]() | |
| Coordenadas: 19° 18′ 39″ S, 46° 02′ 56″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Minas Gerais |
| Distância até a capital | 295 km[1] |
| Fundação | 4 de maio de 1852, criação do distrito[2] |
| Emancipação | 30 de setembro de 1915, transferência da sede municipal e mudança do nome[3][4] |
| Distritos | Lista
|
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Makoto Edison Sekita (PSD, 2025–2028) |
| • Vereadores | 13 |
| Área | |
| • Total [6] | 866,087 km² |
| Altitude[7] | 1100 m |
| População | |
| • Total (2022) [6] | 40 910 hab. |
| Densidade | 47,2 hab./km² |
| Clima | Não disponível |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| IDH (2010) [8] | 0,736 — alto |
| Sítio | saogotardo.mg.gov.br (Prefeitura) saogotardo.mg.leg.br (Câmara) |
São Gotardo é um município do estado de Minas Gerais, no Brasil. Tinha 40 910 habitantes no censo de 2022 e ocupa uma área de 866,087 km² (334 mi²).[6] A sede municipal fica a cerca de 1 100 m (3 610 ft) de altitude, na região do Alto Paranaíba. As propriedades rurais comerciais nos arredores cultivam cenoura, batata, alho, abacate e outros produtos agrícolas nos planaltos do Cerrado.[9]
A cidade cresceu em torno de um povoado chamado Arraial da Confusão, no século XIX. A paróquia recebeu o nome de São Gotardo em 1885, e a administração municipal foi transferida de Rio Paranaíba para o local em 1915.[5][10][4] A agricultura mudou a partir de 1973, com o início do Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba, conhecido como PADAP. O programa levou famílias de agricultores nipo-brasileiros ao Cerrado e ofereceu estradas, energia elétrica, crédito e assistência técnica para a agricultura mecanizada.[11][12]
O cultivo de hortaliças atraiu trabalhadores do norte de Minas Gerais e do Nordeste, em especial do Maranhão.[13][14] São Gotardo tem cinco distritos. Suas instituições culturais públicas funcionam no Prédio Amarelo, onde ficam uma biblioteca, um museu e uma escola de música.[5][8]
História
[editar | editar código]Primeiros moradores e formação da paróquia
[editar | editar código]No início do século XIX, Antônio Valadares e Domingos Pereira Caldas deixaram a região de Pitangui em busca de terras para cultivo e se estabeleceram nos limites da Mata da Corda. Valadares escolheu uma área próxima ao Córrego da Confusão, enquanto Caldas se fixou no lugar que mais tarde recebeu o nome de Campo Domingos Pereira. Joaquim Gotardo de Lima e Leonel Pires Camargos chegaram de Carrancas em 1836 e se instalaram nas terras de Valadares, onde depois cresceu a sede municipal. Joaquim Gotardo foi nomeado inspetor interino do quarteirão local em 1º de agosto de 1837. Casas foram erguidas ao redor de sua propriedade e formaram um pequeno povoado chamado Arraial da Confusão.[5]
Até 1852, famílias de Cajuru, Santo Antônio da Pedra, Lagoa Dourada e Formiga haviam se juntado ao povoado.[5] A Lei Provincial nº 575 elevou São Sebastião de Pouso Alegre, nome então usado nos textos oficiais, à condição de distrito de paz de Pitangui em 4 de maio daquele ano.[2]
O povoado pertenceu à paróquia de Santo Antônio dos Tiros até 1862, quando o bispo Antônio Ferreira Viçoso criou a paróquia de São Sebastião. A construção da primeira igreja matriz começou em 1864 no local de uma capela anterior. A Lei Provincial nº 1 905 transformou o povoado em freguesia em 19 de julho de 1872. O primeiro cemitério foi construído no ano seguinte, no terreno ocupado mais tarde pela igreja paroquial.[7]
A Lei Provincial nº 3 300 mudou o nome da Freguesia da Confusão para São Gotardo em 27 de agosto de 1885.[10] O novo nome lembrava Joaquim Gotardo de Lima, em torno de cuja propriedade o povoado havia crescido.[5]
Formação municipal e judiciária
[editar | editar código]A responsabilidade administrativa por São Gotardo passou de Pitangui para São Francisco das Chagas do Campo Grande e depois para Abaeté. Um decreto estadual transferiu o distrito para Carmo do Paranaíba em 1890.[7] A Lei Estadual nº 556 criou o município de Rio Paranaíba em 1911, com sede em São Francisco das Chagas do Campo Grande. O novo município reunia Rio Paranaíba, São Gotardo e São Jerônimo de Poções, e sua administração foi instalada em 1º de junho de 1912.[15]
A Lei Estadual nº 622 transferiu a sede municipal de Rio Paranaíba para São Gotardo em 18 de setembro de 1914 e mudou o nome do município para São Gotardo.[3] Um decreto de 31 de agosto de 1915 determinou que a transferência entraria em vigor em 30 de setembro. O município comemora seu aniversário nessa data.[4] A coletoria estadual foi transferida de Rio Paranaíba para a nova sede em dezembro.[16]
A Lei Estadual nº 663 criou o termo judiciário de São Gotardo em 1915. Ele pertencia à comarca de Carmo do Paranaíba e foi instalado em 14 de julho de 1917.[17][7] São Gotardo tornou-se sede de comarca própria pelo Decreto Estadual nº 155, de 1935. O fórum foi instalado em 2 de abril de 1936.[18][19]
Rio Paranaíba voltou a ser um município separado pela Lei Estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. A mesma lei criou São José das Perobas como distrito de São Gotardo.[20] A sede municipal recebeu a categoria de cidade em 10 de setembro de 1925.[21]
As viagens por estrada começaram a melhorar na mesma década. Em 1925, o estado concedeu a dois moradores de São Gotardo a construção de uma estrada para automóveis entre o município e Ibiá, com subsídio por quilômetro. Os planos aprovados em 1926 davam à estrada uma extensão de 66,34 km (41,2 mi).[22][23]
Mudanças no território municipal
[editar | editar código]São Gotardo entrou na década de 1930 com três distritos, São Gotardo, São Jerônimo de Poções e São José das Perobas. O Decreto-Lei Estadual nº 148 devolveu o nome São Jerônimo de Poções ao distrito então chamado São Joaquim de Poções e mudou o nome de São José das Perobas para Funchal em 1938.[24]
O mapa municipal mudou novamente em 1943. São Jerônimo de Poções passou ao novo município de Campos Altos, enquanto Matutina foi criada com terras retiradas de São Gotardo e Funchal.[25] Matutina tornou-se município em 1953. A Lei Estadual nº 1 039 também criou o distrito de Rosalinda, antes povoado de Santa Rosa, a partir de parte do distrito-sede de São Gotardo.[26]
Rosalinda separou-se de São Gotardo como o município de Santa Rosa da Serra em 1962. A lei que criou o novo município também instituiu os distritos de Guarda dos Ferreiros e São José da Bela Vista em São Gotardo.[27] A Lei Municipal nº 1 399 criou Abaeté dos Venâncios em 1999. Desde então, São Gotardo é formado por cinco distritos, São Gotardo, Abaeté dos Venâncios, Funchal, Guarda dos Ferreiros e São José da Bela Vista.[5]
PADAP e as mudanças na agricultura
[editar | editar código]A agricultura nos arredores de São Gotardo mudou de forma acentuada depois que o Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba, conhecido pela sigla PADAP, começou em 1973. O projeto abrangia cerca de 600 km² (232 mi²) em São Gotardo, Rio Paranaíba, Ibiá e Campos Altos. Dez por cento da área do projeto ficava em São Gotardo e ocupava 7,1% do município. A região oferecia planaltos amplos e planos, próprios para o uso de máquinas, ligações rodoviárias e elétricas e acesso aos mercados de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.[11]
O PADAP reuniu os governos de Minas Gerais e da União e a Cooperativa Agrícola de Cotia. O dinheiro público financiou estradas rurais, armazéns, silos, energia elétrica e comunicações. A Embrapa, o serviço estadual de extensão rural, a Epamig e a Ruralminas forneceram pesquisa e assistência técnica. Os agricultores também receberam crédito subsidiado e preços mínimos garantidos.[11]
Cerca de 255 km² (98,5 mi²) de terras desapropriadas foram divididos em 95 lotes destinados aos agricultores escolhidos pela Cotia, e a cooperativa ficou com outros quatro. O restante foi devolvido a pequenos produtores cujas propriedades haviam sido tomadas, sob a condição de que seguissem o modelo agrícola do projeto. Na prática, quase todo o apoio técnico e o investimento foram dirigidos aos 95 lotes da Cotia.[11] A maior parte das famílias selecionadas era de nipo-brasileiros vindos de comunidades agrícolas do Paraná e de outras partes do Sul e do Sudeste do Brasil.[11]
Soja, milho e café ocupavam quase toda a área cultivada nos primeiros anos do PADAP. Em 1983, a soja cobria 75% da área plantada, o milho 13% e o café 12%. O cultivo da cenoura cresceu no fim da década de 1980 depois do desenvolvimento de uma variedade adaptada às condições do Cerrado. Vieram depois a batata, a cebola, o alho, a beterraba e o abacate. As propriedades passaram a produzir em mais meses do ano e deixaram para trás um ciclo baseado sobretudo em uma ou duas safras anuais.[11]
O novo sistema agrícola exigia uso intenso de máquinas, tratamento do solo, irrigação e insumos comprados. A vegetação nativa foi retirada de grande parte das terras acessíveis às máquinas. As propriedades também cresceram. Entre os produtores estudados na área do PADAP, a primeira propriedade de cada agricultor tinha em média cerca de 275 hectares, diante de 451 hectares em 2007.[11]
A Cotia permaneceu envolvida no crédito, no apoio técnico e na venda das safras até que problemas financeiros levaram à sua liquidação em 1994. A Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba, conhecida como Coopadap, foi criada naquele ano e assumiu as instalações restantes da antiga cooperativa na área do PADAP.[11]
A família Franco na vida municipal
[editar | editar código]Famílias Franco de São Gotardo trabalharam na administração municipal, no comércio, no ensino e em obras públicas durante boa parte do século XX.[28]

José Alves Franco foi fazendeiro e industrial e ajudou a pagar os prédios públicos exigidos pelo estado quando a administração municipal foi organizada. Também auxiliou na construção de uma das primeiras rotas de transporte e operou o serviço.[28] Franco exerceu por pouco tempo a presidência da câmara e o cargo de agente executivo em 1927, quando essa função reunia atribuições legislativas e executivas. Uma rua da cidade leva seu nome. João Alves Franco foi nomeado prefeito em 1947. Quando a primeira câmara municipal dedicada apenas ao trabalho legislativo foi instalada em 5 de fevereiro de 1948, ele ocupou a vice-presidência.[28][29] A Rua João Alves Franco, que atravessa a área central e o bairro São Vicente, recebeu seu nome.[28] Cyro Franco, comerciante de gado e café, foi eleito prefeito para o mandato de 1955 a 1958. A Praça Cyro Franco, próxima à zona comercial norte da cidade, leva seu nome.[30]
Maria Coeli Franco de Lima trabalhou no ensino primário, ajudou a criar a escola que mais tarde recebeu o nome de Escola Estadual José Caetano Ribeiro e dirigiu a Escola Estadual Conselheiro Afonso Pena.[30] Ela compôs a música do hino municipal, com letra de Geni Chaves. A câmara adotou formalmente o hino em 2017.[31] Uma rua central e um centro estadual de educação de adultos receberam seu nome.[32]
Outras ruas e praças levam nomes de integrantes da família Franco. A Rua Dr. Moacir Ferreira Franco lembra um médico nascido na família. A Rua José Alves Franco, a Rua João Alves Franco, a Rua Professora Maria Coeli Franco de Lima e a Praça Cyro Franco homenageiam pessoas que trabalharam na administração municipal, no ensino, no comércio ou em obras públicas.[28][30]
Comunidade nipo-brasileira
[editar | editar código]A maioria das famílias nipo-brasileiras que participou do PADAP era formada por filhos ou netos de imigrantes. Elas se mudaram para São Gotardo a partir de colônias agrícolas de São Paulo e do norte do Paraná. Não vieram diretamente do Japão. A Cotia escolheu as famílias e providenciou terras, financiamento, máquinas, assistência técnica e acesso a compradores.[12]
A Associação Beneficente Cultural e Esportiva de São Gotardo foi fundada em 1976. Uma escola de língua japonesa abriu no mesmo ano para os filhos dos colonos, que frequentavam suas aulas junto com o ensino regular brasileiro. A associação organizava beisebol, softbol, atividades juvenis e undōkai, encontros ao ar livre em torno de corridas e jogos. Sua sede foi aberta em 1984.[33]
A escola oferecia às crianças um lugar para aprender japonês enquanto cresciam em Minas Gerais. Seus alunos também participavam de eventos municipais, como o desfile do aniversário de São Gotardo em 1985.[34] Um grupo de alunos passou a tocar taiko em eventos públicos e particulares. O grupo estava inativo quando o município concluiu seu plano de cultura em 2020.[8]
Migração de trabalhadores e crescimento urbano
[editar | editar código]A expansão do cultivo de hortaliças criou trabalho durante boa parte do ano e atraiu pessoas do norte de Minas Gerais e da Região Nordeste, sobretudo do Maranhão. Algumas chegavam para as épocas de plantio e colheita, enquanto outras permaneciam em São Gotardo com suas famílias. Muitas se instalaram na sede municipal, e as fazendas contrataram equipes maiores à medida que a produção se tornou mais intensiva.[13]
A migração vinda do Maranhão tornou-se especialmente visível na década de 1990. As famílias mantiveram laços com suas comunidades de origem enquanto construíam suas vidas em São Gotardo. A população municipal cresceu com a chegada de famílias maranhenses e de outras partes do Brasil, que se estabeleceram ao lado dos moradores antigos e das famílias de agricultores nipo-brasileiros.[14]
Geografia
[editar | editar código]Localização e divisões administrativas
[editar | editar código]São Gotardo ocupa 866,087 km² (334 mi²) na região do Alto Paranaíba, no oeste de Minas Gerais. Faz divisa com Matutina e Tiros ao norte, Santa Rosa da Serra ao sul, Quartel Geral, Serra da Saudade e Estrela do Indaiá a leste e Rio Paranaíba e Campos Altos a oeste.[6][35]
O município tem cinco distritos, São Gotardo, Abaeté dos Venâncios, Funchal, Guarda dos Ferreiros e São José da Bela Vista.[5]
Relevo e uso da terra
[editar | editar código]A sede municipal fica a cerca de 1 100 m (3 610 ft) de altitude. A elevação no município varia de aproximadamente 838 m (2 750 ft), perto da foz do Córrego Pirapetinga, a 1 199 m (3 930 ft), próximo à divisa com Campos Altos.[36]
Planaltos amplos ocupam boa parte do território, cortados por vales de córregos. Muitos ficam entre 1 000 m (3 280 ft) e 1 200 m (3 940 ft) de altitude. Suas encostas suaves permitiram o uso de tratores e equipamentos de irrigação em grandes lavouras depois do início do PADAP, na década de 1970. Os solos naturalmente ácidos do Cerrado precisaram de calagem, adubação e outros tratamentos antes do cultivo intensivo.[11]
Hidrografia
[editar | editar código]Todo o território de São Gotardo drena para a bacia do Rio São Francisco. O município faz parte da circunscrição hidrográfica do Entorno da Represa de Três Marias, conhecida como SF4.[6][37] Os cursos d'água do município alimentam os sistemas dos rios Indaiá, Abaeté e Borrachudo.[8]
O Córrego Confusão atravessa a sede municipal e abastece a cidade. Em 1990, o governo estadual colocou cerca de 2 768 ha (6 840 acre) da parte alta de sua bacia sob proteção especial. A área protegida fica acima do ponto de captação municipal e abrange o córrego, seus afluentes, lagoas, matas e trechos restantes de vegetação nativa.[38]
Clima e vegetação
[editar | editar código]São Gotardo tem verões quentes e chuvosos e invernos mais frios e secos. As chuvas são mais intensas de novembro a março. A precipitação média mensal chega a 308 mm (12,1 in) em dezembro, enquanto junho, julho e agosto têm médias entre 7 mm (0,276 in) e 14 mm (0,551 in). As temperaturas mínimas médias mensais variam de 13 °C (55,4 °F) em julho a 19 °C (66,2 °F) em janeiro, e as máximas médias permanecem entre 23 °C (73,4 °F) e 27 °C (80,6 °F) ao longo do ano.[39]
A vegetação natural pertence ao bioma Cerrado. Campos, formações arbustivas, matas e vegetação ao longo dos cursos d'água cobriam a maior parte do município. Grandes trechos dos planaltos foram desmatados para a agricultura mecanizada depois da década de 1970. Restam fragmentos junto aos cursos d'água, em terrenos mais íngremes, em reservas legais e nas bacias protegidas.[11]
Meio ambiente e conservação
[editar | editar código]O plano diretor municipal de 2008 classificou os remanescentes da Mata da Corda e do Cerrado, os vales dos rios Abaeté, Indaiá, Borrachudo e Confusão e o parque linear proposto ao longo do Córrego Confusão como áreas de especial interesse ecológico.[40]
A retirada da vegetação nativa para lavouras e pastagens aumentou a erosão e levou sedimentos para a bacia do Córrego Confusão. Um projeto de recuperação iniciado em 2016 instalou cerca de 300 pequenas bacias de contenção de água da chuva e construiu canais e descidas em degraus para diminuir o escoamento perto de nascentes e terrenos erodidos.[41] A obra custou cerca de 720 mil reais e reduziu a quantidade de sedimento que chegava à principal fonte de água da cidade.[42]
Demografia
[editar | editar código]Crescimento populacional e migração
[editar | editar código]São Gotardo tinha 40 910 habitantes no censo de 2022, com densidade demográfica de 47,24 habitantes por quilômetro quadrado.[43] Sua população mais que dobrou entre 1970 e 2022, passando de 18 223 para 40 910 habitantes.
| Ano | População | Variação desde o censo anterior |
|---|---|---|
| 1970 | 18 223 | |
| 1980 | 17 320 | −5,0% |
| 1991 | 19 697 | +13,7% |
| 2000 | 27 631 | +40,3% |
| 2010 | 31 819 | +15,2% |
| 2022 | 40 910 | +28,6% |
A população caiu em 903 pessoas entre 1970 e 1980. O PADAP começou na mesma década e substituiu usos extensivos da terra nas propriedades participantes pela produção mecanizada de grãos e café.[11] O crescimento populacional recomeçou na década de 1980. Entre 1991 e 2000, o município ganhou 7 934 moradores, um aumento de 40,3%.
Na década de 1990, a cenoura e outras hortaliças já faziam parte da agricultura ao lado dos grãos e do café. Essas culturas exigiam trabalhadores para plantio, manejo, colheita, seleção e embalagem durante mais meses do ano.[11][13] Migrantes chegaram do norte de Minas Gerais e do Nordeste, com um grande movimento vindo do Maranhão a partir daquela década. Alguns trabalhadores vinham para a colheita e voltavam para casa, enquanto outros se fixavam em São Gotardo com suas famílias.[13][14]
O município ganhou 9 091 moradores entre os censos de 2010 e 2022, crescimento de 28,6% e taxa média anual de cerca de 2,1%.[45] A estimativa oficial para 1º de julho de 2025 era de 43 851 habitantes.[46]
Urbanização
[editar | editar código]São Gotardo já era muito urbanizado em 2010, quando 30 061 de seus 31 819 habitantes viviam em setores censitários urbanos. A população rural era de 1 758 pessoas.[44] Em 2022, a população urbana havia chegado a 38 315, enquanto 2 595 pessoas viviam na zona rural. Os moradores das áreas urbanas correspondiam a 93,7% da população municipal.[47]
A população urbana cresceu em 8 254 pessoas entre 2010 e 2022. A população rural também aumentou, com mais 837 moradores. A proporção urbana caiu ligeiramente, de 94,5% para 93,7%. Grande parte da população vive na sede municipal. Guarda dos Ferreiros é outro núcleo urbano de grande porte, próximo à área agrícola dividida com Rio Paranaíba.
A densidade demográfica subiu de 36,74 habitantes por quilômetro quadrado em 2010 para 47,24 em 2022.[44][43]
Idade e sexo
[editar | editar código]Em 2022, a população estava dividida quase igualmente por sexo, com 20 555 homens e 20 355 mulheres, ou cerca de 101 homens para cada 100 mulheres.[48]
A idade mediana era de 31 anos. Havia 8 314 crianças com menos de 15 anos e 3 446 moradores com 65 anos ou mais. O índice de envelhecimento era de 41,4 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças com menos de 15 anos.[49]
| Idade | População | Percentual |
|---|---|---|
| 0–14 | 8 314 | 20,3% |
| 15–64 | 29 150 | 71,3% |
| 65 anos ou mais | 3 446 | 8,4% |
| Total | 40 910 | 100,0% |
As pessoas de 20 a 39 anos formavam a maior parcela da população. Havia 7 773 moradores na faixa dos 20 anos e 6 935 na dos 30 anos, que juntos correspondiam a 36,0% do município.[48] Os moradores com 80 anos ou mais somavam 713, entre eles 134 pessoas com pelo menos 90 anos.
Cor ou raça
[editar | editar código]No censo de 2022, 16 571 moradores se declararam brancos e 3 482, pretos. As categorias parda, amarela e indígena somavam 20 857 pessoas. Vinte e oito moradores se declararam indígenas.[50]
O censo registra a cor ou raça declarada pela própria pessoa. A ascendência nipo-brasileira não é contada separadamente entre as famílias que se estabeleceram em São Gotardo por meio do PADAP nem entre as gerações posteriores nascidas no município.
Religião
[editar | editar código]A amostra preliminar do censo de 2022 contou 35 276 moradores com 10 anos ou mais. Desse grupo, 72,18% eram católicos apostólicos romanos, 18,65% eram evangélicos e 6,76% não tinham religião. Os espíritas somavam 0,92%, os seguidores da Umbanda ou do Candomblé, 0,15%, e outras religiões, 1,27%.[51]
Alfabetização e domicílios
[editar | editar código]Entre os 32 596 moradores com 15 anos ou mais em 2022, 30 832 sabiam ler e escrever. A taxa de alfabetização era de 94,6%, e 1 764 pessoas nessa faixa etária não sabiam ler nem escrever.[52]
Os domicílios particulares permanentes ocupados tinham em média 2,83 moradores em 2022.[53] A renda domiciliar média mensal por pessoa era de R$ 1.594,93.[6]
No mesmo censo, 91,41% dos domicílios particulares permanentes ocupados recebiam água da rede geral de distribuição e 90,52% estavam ligados à rede geral de esgoto ou de águas pluviais. A coleta regular de lixo alcançava 94,86% dos domicílios, e 99,69% ficavam em ruas com iluminação pública.[6]
Política e administração
[editar | editar código]Administração municipal
[editar | editar código]O governo municipal de São Gotardo divide-se entre o Poder Executivo, chefiado pelo prefeito, e o Poder Legislativo, formado pela câmara municipal. O prefeito e o vice-prefeito são eleitos juntos para mandatos de quatro anos. A câmara tem 13 vereadores, eleitos por representação proporcional para o mesmo período.[54][55]
O prefeito dirige a administração municipal, nomeia os secretários, prepara o orçamento, sanciona ou veta leis e executa as políticas e os serviços atribuídos ao município. A câmara aprova as leis municipais e o orçamento, fiscaliza os gastos públicos, examina as contas do prefeito e pode abrir investigações sobre a administração. Suas competências estão definidas nos artigos 18 a 39 da Lei Orgânica municipal.[35][56]
A revisão da Lei Orgânica começou em 2013, com seminários jurídicos, audiências públicas e propostas enviadas pelos moradores. A câmara retomou o trabalho em 2017 e promulgou o texto revisto em 28 de setembro daquele ano. A Resolução nº 278, promulgada em 12 de junho de 2018, substituiu o regimento interno da câmara.[57]
Makoto Edison Sekita, do Partido Social Democrático, foi eleito prefeito em 6 de outubro de 2024 com 11 607 votos, ou 61,45% dos votos válidos. Tomou posse em 1º de janeiro de 2025. Lander Inácio Oliveira Rodrigues Melo é o vice-prefeito.[58][59]
Câmara municipal
[editar | editar código]A câmara eleita em 2024 forma a 25ª legislatura de São Gotardo, correspondente ao período de 2025 a 2028.[60] O PSD conquistou três cadeiras. Avante e PSDB elegeram dois vereadores cada. Agir, MDB, Novo, PL, Progressistas e PV conquistaram uma cadeira cada.[55]
Os vereadores elegem um presidente, um vice-presidente e dois secretários para dirigir os trabalhos. A mesa prepara as reuniões, cuida da administração da câmara e cumpre as atribuições definidas pela Lei Orgânica e pelo regimento interno. Rithelle Natanael Silva foi eleito presidente para 2026, tendo Renê Luiz César Ferreira como vice-presidente, Adriano Leonel de Andrade como primeiro-secretário e Roberto Carlos de Oliveira como segundo-secretário.[61]
Nas primeiras décadas do governo municipal, a câmara também exercia a autoridade executiva. Uma câmara legislativa separada, sem responsabilidade pela administração municipal, foi instalada em 5 de fevereiro de 1948, depois da retomada das eleições municipais em novembro de 1947.[62][63]
Alcindo Rego, diretor do jornal Correio do Oeste desde a primeira edição, em maio de 1953, foi vereador na legislatura de 1959 a 1962. Ele presidia a câmara em 31 de janeiro de 1959, quando José Caetano Ribeiro e José de Souza Ribeiro tomaram posse como prefeito e vice-prefeito.[28][29]
Durante boa parte de seus primeiros anos, a câmara reuniu-se em prédios municipais divididos com a administração executiva. Sua sede atual fica na Praça São Sebastião, onde as sessões ocorrem no Plenário José Alves de Oliveira.[54][61]
Desenvolvimento institucional
[editar | editar código]Quando o governo municipal de São Gotardo foi instalado em 30 de setembro de 1915, não havia uma prefeitura separada. O presidente da câmara também administrava o município sob o título de agente executivo. Frederico Coelho Duarte, primeiro presidente da câmara, permaneceu no cargo até 1919. Foi sucedido por Antônio Lopes Fonte Boa, que havia sido seu vice.[28][29]
A primeira câmara tratava de estradas, escolas, obras públicas, tributação e organização da nova administração municipal. Divergências políticas entre Frederico Coelho Duarte e Antônio Lopes Fonte Boa afetaram seus trabalhos no fim da década de 1910. A câmara também pressionou o governo estadual a abrir o grupo escolar Afonso Pena, cujo prédio estava pronto, mas permaneceu sem uso até 1920.[64]
A Revolução de 1930 dissolveu as câmaras municipais em todo o Brasil. São Gotardo passou a ser governado por interventores nomeados. João Ferreira Noronha foi sucedido por João Anatólio de Lima. Bento Ferreira dos Santos já havia assumido o cargo em 1933 e prestou juramento como prefeito constitucional em 27 de agosto de 1934.[28][65] Santos permaneceu prefeito pelo menos até outubro de 1937, pouco antes do início do Estado Novo.[66][67]
As eleições municipais voltaram em 23 de novembro de 1947, após o fim do Estado Novo. A câmara eleita foi instalada em 5 de fevereiro de 1948. A partir de então, a administração executiva e a câmara legislativa ficaram separadas.[62][63]
Chefes do Executivo municipal
[editar | editar código]A cronologia a seguir reúne os presidentes da câmara que exerciam a autoridade executiva antes da criação de uma prefeitura separada, os interventores nomeados, os prefeitos eleitos e os ocupantes interinos do cargo.[28][29]
| Período | Ocupante | Forma de exercício do cargo |
|---|---|---|
| 1915–1919 | Frederico Coelho Duarte | Presidente da câmara e agente executivo. Eleito em 1915 e reeleito em 1917. |
| 1919–1922 | Antônio Lopes Fonte Boa | Presidente da câmara e agente executivo |
| 1922–1926 | Pedro Henrique Bougleaux | Presidente da câmara e agente executivo |
| 1927 | José Alves Franco | Presidente da câmara e agente executivo |
| 1927–1930 | Antônio Lopes Fonte Boa | Presidente da câmara e agente executivo |
| 1930–1931 | João Ferreira Noronha | Interventor nomeado |
| 1931–1933 | João Anatólio de Lima | Interventor nomeado |
| 1933–1946 | Bento Ferreira dos Santos | Nomeado depois da Revolução de 1930 e empossado como prefeito constitucional em 1934[65] |
| 1947 | João Alves Franco | Prefeito nomeado |
| 1947 | Sebastião Fonte Boa | Vice-prefeito em exercício |
| 1947 | João Fonseca | Prefeito nomeado |
| 1948–1949 | Erival Ladeira | Vice-prefeito eleito. Assumiu o cargo porque o prefeito eleito, Oscar Prados, não tomou posse. |
| 1949–1950 | Raimundo Mendes | Presidente da câmara no exercício da prefeitura |
| 1951–1954 | Joaquim Ferreira Prado | Prefeito eleito |
| 1955–1958 | Ciro Franco | Prefeito eleito |
| 1959–1962 | José Caetano Ribeiro | Prefeito eleito |
| 1963–1966 | Erival Ladeira | Prefeito eleito |
| 1967–1970 | Erotides Batista | Prefeito eleito |
| 1971–1972 | José Rodrigues Ribeiro | Primeiro mandato |
| 1973–1976 | José Luiz Borges | Prefeito eleito |
| 1977–1982 | José Rodrigues Ribeiro | Segundo mandato |
| 1983–1988 | Paulo Uejo | Primeiro mandato |
| 1989–1992 | Seiji Eduardo Sekita | Primeiro mandato |
| 1993–1994 | Paulo Uejo | Segundo mandato. Foi eleito em 1992 com Antônio Barbosa de Menezes como vice-prefeito.[68][69] |
| 1995–1996 | Antônio Barbosa de Menezes | Vice-prefeito que concluiu o mandato |
| 1997–2000 | Gilberto de Oliveira Cândido | Prefeito eleito |
| 2001–2004 | Mirian Elaine Venâncio Andrade | Prefeita eleita[70] |
| 2005–2008 | Paulo Uejo | Terceiro mandato[69] |
| 2009–2012 | Edson Cezário de Oliveira | Prefeito eleito[71] |
| 2013–2016 | Seiji Eduardo Sekita | Segundo mandato |
| 2017–2020 | Seiji Eduardo Sekita | Terceiro mandato[72] |
| 2021–2024 | Denise Abadia Pereira Oliveira | Eleita em 2020 com 9 384 votos, ou 52,29% dos votos válidos[73] |
| 2025–2028 | Makoto Edison Sekita | Eleito em 2024 com 61,45% dos votos válidos[58] |
Economia
[editar | editar código]Estrutura econômica
[editar | editar código]O produto interno bruto de São Gotardo foi de R$ 1,555 bilhão em 2023, com PIB por habitante de R$ 38.019,09.[74] A preços correntes, o PIB municipal passou de R$ 277,983 milhões em 2006 para R$ 1,555 bilhão em 2023. Esses valores são nominais e incluem os efeitos da inflação.[75]
Os serviços forneceram a maior parte do valor adicionado bruto do município em 2021. Os serviços fora da administração pública respondiam por 58,7%. Administração pública, educação, saúde e seguridade social correspondiam a 16,6%, a agropecuária a 12,6% e a indústria a 12,1%.[75]
| Setor | Participação |
|---|---|
| Serviços, exceto administração pública | 58,7% |
| Administração pública, educação, saúde e seguridade social | 16,6% |
| Agropecuária | 12,6% |
| Indústria | 12,1% |
A grande participação dos serviços abrange comércio, transporte rodoviário de cargas, conserto de máquinas, insumos agrícolas, bancos, serviços profissionais, distribuição de alimentos e negócios que atendem trabalhadores rurais e produtores. Muitas dessas atividades dependem das safras de São Gotardo e dos municípios vizinhos, mesmo quando as estatísticas oficiais contam sua produção no comércio ou nos serviços, e não na agropecuária.[11][13]
Agricultura
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A economia agrícola atual cresceu a partir do PADAP, que introduziu correção do solo em grande escala, mecanização, irrigação, crédito, pesquisa agrícola e comercialização cooperativa na década de 1970. As primeiras propriedades concentraram-se em soja, milho e café. O cultivo de cenoura se espalhou no fim da década de 1980, depois que pesquisadores desenvolveram variedades adaptadas ao Cerrado. Vieram depois a batata, o alho, a cebola, a beterraba e o abacate.[11]
O cultivo de hortaliças mudou o calendário agrícola. As lavouras de grãos e café dependiam de uma ou duas épocas de colheita, enquanto as hortaliças irrigadas podiam ser plantadas e colhidas em momentos diferentes do ano. O ciclo de produção mais longo aumentou a procura por trabalhadores no plantio, no manejo, na colheita, na lavagem, na classificação, na embalagem e no transporte.[11][13]
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registra cenoura, batata, alho, cebola, soja, milho, café, feijão, abacate e outras culturas em sua pesquisa agrícola anual do município.[76] A produção varia de um ano para outro conforme a área plantada, o clima, os preços, a rotação de culturas e o momento das colheitas.
São Gotardo faz parte de uma região de horticultura formada por seis municípios, com Campos Altos, Ibiá, Matutina, Rio Paranaíba e Tiros. Em 2022, a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais calculou a produção anual da região em cerca de 52 mil toneladas de alho, 47 mil toneladas de cebola e 22 mil toneladas de abacate. A área respondia por 84% do alho produzido em Minas Gerais.[77] Esses totais abrangem os seis municípios da região produtora.
O alho exige muito trabalho manual no plantio, na colheita e na limpeza. Trabalhadores sazonais chegam a São Gotardo de outras partes de Minas Gerais e do Nordeste.[13][78] O alho importado também afeta os preços locais. Produtores e associações agrícolas discutiram a concorrência do alho chinês e argentino em uma audiência da Assembleia Legislativa realizada em São Gotardo em junho de 2026.[79]
A criação de gado e a produção de leite também fazem parte da economia rural. A pesquisa pecuária municipal de 2024 contou 58 813 bovinos em São Gotardo.[80]
Cooperativas e organizações de produtores
[editar | editar código]A Cooperativa Agrícola de Cotia organizou grande parte da economia do início do PADAP. Escolheu os agricultores participantes, providenciou crédito e assistência técnica, comprou insumos e comercializou as safras. A cooperativa também ajudava os produtores a obter informações e apoiava parentes que se mudaram para a região na década de 1980.[11]
A Cotia entrou em liquidação em 1994. Naquele ano, os agricultores criaram a Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba, conhecida como Coopadap, e assumiram as instalações deixadas pela cooperativa anterior. A Coopadap trabalhou com pesquisa de culturas, armazenamento, insumos agrícolas, apoio técnico e comercialização.[11]
Associações de produtores, sindicatos rurais, cooperativas, órgãos de pesquisa e serviços de extensão agrícola organizam dias de campo, encontros técnicos e treinamentos em São Gotardo. O trabalho abrange doenças das culturas, irrigação, manejo do solo, segurança dos alimentos, rastreabilidade, acesso a mercados e introdução de novas variedades.[77]
Indicação de procedência
[editar | editar código]O Instituto Nacional da Propriedade Industrial registrou a Região de São Gotardo como indicação de procedência em 23 de agosto de 2022. O registro abrange abacate, alho, batata e cenoura produzidos em São Gotardo, Campos Altos, Ibiá, Matutina, Rio Paranaíba e Tiros.[9]
O registro protege o nome regional para os produtos que cumprem suas regras técnicas. Elas abrangem a área geográfica de produção, o cultivo, o manuseio, a embalagem e a rastreabilidade. Um conselho regulador formado por organizações agrícolas da região controla o uso do selo.[81] Mais de 350 horticultores estavam na área coberta quando o registro foi concedido.[77]
Emprego, beneficiamento e comércio
[editar | editar código]A economia agrícola sustenta galpões de embalagem, armazéns, câmaras frias, atacadistas de hortaliças e frutas, transportadoras, empresas de máquinas agrícolas, fornecedores de fertilizantes e sementes e varejistas de alimentos. As fazendas também contratam agrônomos, operadores de equipamentos, mecânicos, motoristas, funcionários de escritório e equipes sazonais de campo.[11][13]
As contratações aumentam em partes do calendário de plantio e colheita. São Gotardo teve saldo de 1 344 empregos formais em junho de 2024 e 851 em março de 2025.[82][83] Esses saldos mensais variam à medida que contratos temporários começam e terminam.
O crescimento do trabalho agrícola atraiu migrantes do norte de Minas Gerais e do Maranhão. Alguns se deslocavam entre São Gotardo e seus lugares de origem a cada colheita. Outros se estabeleceram no município e encontraram trabalho em fazendas, unidades de embalagem, construção, transporte, comércio e serviços domésticos.[13][14]
Turismo
[editar | editar código]São Gotardo faz parte da região turística Caminhos do Cerrado.[84] O turismo local concentra-se nas áreas rurais, cachoeiras, prédios protegidos e festas anuais.[85]
A Vila Funchal conserva casas do fim do século XIX perto de fragmentos da Mata da Corda, córregos e cachoeiras.[86] Na sede municipal, a Casa de Cultura Dom José Lima, o Museu Municipal Jaime Resende, a Igreja de São Sebastião, o Parque dos Ipês e o Balneário Municipal estão entre os locais públicos e protegidos. O calendário de festas reúne a Fenacen, celebrações de Congado, encontros de Folia de Reis e eventos do aniversário do município em setembro.[8][87]
Educação
[editar | editar código]Ensino fundamental e médio
[editar | editar código]A educação básica é oferecida por escolas públicas municipais e estaduais e por instituições particulares. A rede municipal tem escolas e centros de educação infantil. O Conselho Municipal de Educação foi criado em 1997 e reestruturado em 2016. O órgão estabelece regras para o sistema municipal, emite pareceres sobre a autorização de instituições de ensino e acompanha as metas do Plano Municipal de Educação.[88]
Em 2023, as escolas públicas de São Gotardo receberam nota 6,1 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica para os anos iniciais do ensino fundamental e 4,3 para os anos finais.[74]
Ensino superior e profissionalizante
[editar | editar código]O Centro de Ensino Superior de São Gotardo mantém a Faculdade de Ciências Gerenciais de São Gotardo. A faculdade foi planejada em 1999 e abriu em 2003.[36] A prefeitura mantém um programa de bolsas para alunos do CESG. A concessão de 2026 cobria os estudos de março de 2026 a fevereiro de 2027.[89]
A ETEC-SG Escola Técnica de São Gotardo consta no cadastro estadual de escolas profissionalizantes credenciadas.[90] Seus cursos técnicos incluíram enfermagem e, em 2024, informática.[91][92]
Saúde
[editar | editar código]O atendimento público de saúde é oferecido pela rede municipal do Sistema Único de Saúde. O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde lista 22 unidades mantidas pelo município. A rede tem onze unidades básicas de saúde, entre elas instalações em Guarda dos Ferreiros e Capelinha do Abaeté. Também fazem parte dela o Hospital Municipal de São Gotardo, uma unidade de pronto atendimento, um centro ambulatorial, um centro de atenção psicossocial, farmácias municipais, um centro de fisioterapia e um centro de vigilância em saúde.[93]
O hospital municipal ganhou 26 leitos em 2025 e passou a ter 61. Oferece radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e mamografia. O hospital realizou 588 cirurgias eletivas em 2024 e outras 278 entre janeiro e abril de 2025.[94]
Seu centro de hemodiálise tem 18 máquinas compradas com recursos estaduais. O centro fez 1 218 sessões de diálise em 2024 e 1 680 entre janeiro e abril de 2025. O serviço atende pacientes de São Gotardo e dos municípios próximos.[94]
Serviços públicos e comunicações
[editar | editar código]O CEP da sede municipal é 38800-000, e o código de discagem direta a distância é 34.[95][59]
Água, esgoto, drenagem e resíduos
[editar | editar código]A Companhia de Saneamento de Minas Gerais, conhecida como Copasa, fornece água tratada e administra o sistema público de esgoto de São Gotardo. O sistema de abastecimento já passava por ampliação em 1986, quando o estado reservou terras para o reservatório R-1.[96] A parte alta da bacia do Córrego Confusão, uma das fontes de água da cidade, foi colocada sob proteção estadual em 1990.[38]
Terrenos foram reservados para obras de esgoto em 2009, 2010, 2012 e 2014, enquanto a Copasa ampliava os interceptores e outras partes da rede coletora.[97][98][99][100]
Os sistemas de abastecimento de São Gotardo e Guarda dos Ferreiros receberam equipamentos de monitoramento remoto em 2024. Os operadores podem acompanhar durante todo o dia os níveis dos reservatórios, bombas, dosadores e estações elevatórias e recebem alertas em caso de falhas nos equipamentos ou perdas de água.[101]
No censo de 2022, 91,41% dos domicílios particulares permanentes ocupados recebiam água da rede geral de distribuição. A rede geral de esgoto ou de águas pluviais alcançava 90,52%, e a coleta de lixo chegava a 94,86%.[6]
A Copasa, a prefeitura e o Ministério Público de Minas Gerais assinaram em agosto de 2025 um acordo para novas obras de água e esgoto. O documento reservou R$ 4 milhões para uma barragem no Córrego dos Ferreiros e R$ 285 mil para conter a erosão junto ao interceptor de esgoto do Córrego do Arroz. O acordo também previa nova captação e estação de tratamento de água para Guarda dos Ferreiros, outro módulo na estação de tratamento de esgoto e obras nos interceptores dos córregos Confusão e do Arroz.[102]
Até fevereiro de 2026, as obras próximas ao Córrego do Arroz haviam recuperado um interceptor e elevado a parcela do esgoto tratado para cerca de 70%. Aproximadamente 250 m (820 ft) de tubulação de um interceptor tinham sido instalados perto do Córrego Confusão, e um segundo interceptor concluído na área do Promam havia encerrado o lançamento de esgoto no curso d'água local.[103]
Um programa federal de recursos hídricos aprovou R$ 95,5 milhões para drenagem urbana em São Gotardo em 2026.[104]
São Gotardo participou da consulta pública de 2024 sobre um plano intermunicipal de resíduos sólidos preparado pelo Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Alto Paranaíba. A proposta abrangia coleta, estações de transbordo, transporte, reciclagem, tratamento e destinação final. O trabalho técnico e financeiro coube ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento.[105]
Energia elétrica e iluminação pública
[editar | editar código]A Cemig distribui energia elétrica no município. Uma linha de 138 kV liga Rio Paranaíba à subestação São Gotardo 1, e outra linha de 138 kV conecta as subestações São Gotardo 1 e São Gotardo 2.[106][107]
A rede de distribuição rural foi ampliada em 7,97 e 13,8 quilovolts durante 2025 e 2026.[108][109] No censo de 2022, 99,69% dos domicílios particulares permanentes ocupados ficavam em ruas com iluminação pública.[6] A prefeitura recebe pedidos de conserto de luminárias por seu portal de serviços públicos.[110]
Telecomunicações
[editar | editar código]Uma linha telefônica particular ligou uma fazenda nos arredores de São Gotardo a uma casa na cidade em 1922. Investidores locais fundaram em 1958 a Companhia Telefônica de São Gotardo, conhecida como Cotesago. O serviço telefônico interurbano foi aberto dez anos depois.[28]
Os serviços de telefonia móvel e internet são fornecidos por operadoras privadas sob regulamentação federal. A Agência Nacional de Telecomunicações liberou em 30 de setembro de 2024 a faixa de 3,5 gigahertz para o licenciamento e a ativação de estações-base de 5G em São Gotardo. A liberação permitiu que as operadoras licenciadas instalassem equipamentos. A cobertura ainda dependia das redes construídas por elas.[111]
Imprensa e radiodifusão
[editar | editar código]O semanário São Gotardo publicou sua primeira edição em 11 de junho de 1922. Antônio Lopes Fonte Boa dirigia o jornal e José Gonçalves Ferreira era o redator. Outros jornais locais de curta duração vieram nas décadas seguintes.[28]
O Correio do Oeste começou a circular em maio de 1953 sob a direção de Alcindo Rego e era impresso em sua Gráfica Nossa Senhora das Graças. Usava a mesma prensa dos jornais anteriores de São Gotardo, entre eles São Gotardo, Mata da Corda, A Verdade, Folha de São Gotardo e Minas Brasil.[28] Rego foi depois vereador em São Gotardo no mandato de 1959 a 1962 e presidia a câmara quando a nova administração municipal tomou posse em 31 de janeiro de 1959.[28]
O Jornal Daqui publica reportagens locais, entrevistas, colunas de opinião e textos sobre o passado do município.[112]
O Congresso aprovou em 2004 uma licença comercial de FM para a Sociedade São Gotardo de Radiodifusão.[113] Sua emissora transmite como Rádio Positiva FM em 98,5 MHz.[114] A Associação de Desenvolvimento Comunitário do Bairro São Vicente de Paula, conhecida como ASVIP, também recebeu autorização para rádio comunitária. A renovação permanecia em análise federal na década de 2020, e o Senado recebeu as informações solicitadas ao Ministério das Comunicações em julho de 2026.[115]
A Fundação Educativa e Cultural de São Gotardo criou a SGTV em 1993. Sua transmissão analógica terminou em julho de 2025, quando o sinal analógico de televisão foi encerrado na maior parte do Brasil. A SGTV voltou ao ar com sinal digital em 22 de outubro de 2025 e passou a dividir o canal local com a emissora pública estadual Rede Minas.[116] A emissora também publica em seu site notícias locais, entrevistas, sessões da câmara municipal, festas religiosas e programas culturais.[117]
Transportes
[editar | editar código]Rodovias e transporte de cargas
[editar | editar código]O governo estadual concedeu em 1925 a construção de uma estrada para automóveis entre São Gotardo e Ibiá. Os planos aprovados no ano seguinte definiam uma extensão de 66,34 km (41,2 mi).[22][23]
A MG-235 passa pela sede municipal. Um trecho percorre cerca de 8,3 km (5,16 mi) de São Gotardo até o entroncamento com a BR-354, enquanto a estrada no sentido oposto chega ao cruzamento com a LMG-764, acesso a Matutina.[118] O trecho entre São Gotardo e a BR-354 recebeu o nome de Rodovia Domingos Sávio Rodrigues.[119]
A BR-354 leva o tráfego entre o Alto Paranaíba e as regiões central e sul de Minas Gerais. A rodovia também é usada para transportar grãos, outros produtos agrícolas e mercadorias industriais entre Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro.[120] Caminhões usam a MG-235 para levar hortaliças, grãos, insumos agrícolas e máquinas entre fazendas, unidades de embalagem, São Gotardo e a rodovia federal.[11]
Em dezembro de 2025, Minas Gerais retirou do sistema rodoviário estadual um trecho de 11 km (6,84 mi) da MG-235, entre os quilômetros 78,2 e 89,2, e autorizou sua transferência a São Gotardo para uso como via urbana.[121] O DER-MG contratou novas obras em 2026. O projeto abrangia melhorias do pavimento nos 8,3 km (5,16 mi) de acesso à BR-354 e uma terceira faixa em 3,6 km (2,24 mi) entre São Gotardo e o entroncamento com a LMG-764.[118]
Transporte de passageiros
[editar | editar código]O terminal rodoviário municipal fica na Rua José Ribeiro de Souza, na área central.[59] Os serviços de ônibus intermunicipais em Minas Gerais são regulados pelo DER-MG, que mantém os horários autorizados, itinerários, pontos de parada e tarifas.[122]
Um serviço municipal de ônibus urbanos por concessão já funcionava em 2001, quando o município isentou passageiros idosos do pagamento da tarifa.[123]
Frota de veículos
[editar | editar código]São Gotardo tinha 31 371 veículos registrados em julho de 2025. O total reunia 15 419 automóveis, 4 519 caminhonetes, 5 973 motocicletas, 1 064 motonetas, 1 394 caminhões, 261 caminhões-trator, 515 ônibus e 153 micro-ônibus. Reboques, semirreboques, utilitários e categorias menores compunham o restante.[124]
Transporte aéreo
[editar | editar código]O Aeródromo de São Gotardo tem o código ICAO SWUJ e fica a sudoeste da sede municipal. É um aeródromo privado, aberto durante o dia. Sua pista não pavimentada tem 1 045 m (3 430 ft) de comprimento e 20 m (65,6 ft) de largura. O campo fica a 1 177 m (3 860 ft) de altitude.[125]
Parques e lazer
[editar | editar código]Parque dos Ipês e Balneário
[editar | editar código]O Parque dos Ipês é a principal área pública de lazer da sede municipal. Foi construído em torno do reservatório do Balneário, no fim da Avenida Rio Branco. O reservatório foi criado em 1996. Suas margens são usadas para caminhadas, passeios de bicicleta, piqueniques e observação de aves e outros animais.[126]
O plano diretor municipal aprovado em 2008 criou um parque linear formado pelo Balneário, um jardim botânico proposto, o corredor do Córrego Confusão e terrenos vizinhos. O plano deu o nome Complexo Pedro Kana de Souza Uejo à área de cultura, esporte, turismo e eventos junto ao reservatório. O texto previa pistas para caminhada e bicicleta, aparelhos de exercício, espaço para eventos, teatro ao ar livre, jardins e áreas públicas de convivência.[40]
O Parque dos Ipês tem campo de futebol sintético, quadras de concreto e areia, pista de skate, parque infantil, áreas para piquenique e caminhos usados por pedestres e ciclistas.[127] Os eventos municipais realizados ali incluíram passeios de bicicleta de montanha, atividades infantis de Carnaval e piqueniques comunitários.[128][129]
Atividades de lazer com contato com a água do reservatório são proibidas desde fevereiro de 2022. A restrição abrange natação, pesca, passeios de barco, caiaque e atividades semelhantes. Foi adotada para proteger a saúde pública, a qualidade da água e o uso do reservatório no abastecimento municipal.[130]
Praças e espaços comunitários
[editar | editar código]A Praça São Sebastião é a principal praça pública da sede municipal. A Igreja de São Sebastião, o Prédio Amarelo, a Casa de Cultura Dom José Lima e a câmara municipal ficam ao seu redor. O espaço recebe feiras, concertos, festas juninas, campanhas de saúde, cerimônias públicas e feiras culturais.[131][132]
O Complexo Esportivo João Lúcio da Silva Neto fica em Guarda dos Ferreiros. O terreno é usado para esportes, reuniões comunitárias, serviços públicos e eventos do bairro. Quiosques de alimentação foram instalados ali por um programa municipal de gastronomia que também chegou ao Parque dos Ipês.[133]
Lazer rural
[editar | editar código]A zona rural tem rios, cachoeiras e trilhas usados para lazer informal. A Cachoeira da Agrovila fica perto de uma nascente do Córrego Confusão e é alcançada por uma trilha de cerca de 500 m (1 640 ft). A reserva ao redor é usada para caminhada, banho e observação da vegetação nativa e dos animais.[134]
A Cachoeira do Matarazzo fica perto da Vila Funchal, no Ribeirão Confusão do Indaiá. A água desce cerca de 50 m (164 ft) por uma parede de rocha, e há outra queda mais abaixo. O acesso inclui aproximadamente 1 km (0,621 mi) de caminhada.[135]
A área do Indaiazinho, junto ao Rio Indaiá, é usada para pesca, acampamento, banho e observação da natureza. O lugar fica em propriedade privada, e o acesso precisa ser combinado com os donos.[136]
Segurança pública
[editar | editar código]Polícia e investigação
[editar | editar código]A segurança pública em São Gotardo é feita principalmente pelas polícias estaduais. A Polícia Militar de Minas Gerais mantém um pelotão na sede municipal e um subdestacamento em Guarda dos Ferreiros.[137][138] A unidade de São Gotardo também abriga um grupamento de polícia ambiental, que atua nas fazendas, nos cursos d'água e nos trechos restantes de vegetação nativa do município.[139]
A Polícia Civil de Minas Gerais investiga crimes e exerce as funções de polícia judiciária a partir de sua unidade na Rua Padre Kerdole. Um posto de identificação funciona no mesmo endereço.[59][140] A Polícia Civil local recebeu em 2021 uma nova viatura com tração nas quatro rodas para investigações e transporte de detidos.[141]
São Gotardo pertence à décima Região Integrada de Segurança Pública, com sede em Patos de Minas.[142]
Cooperação comunitária e prevenção do crime
[editar | editar código]O Conselho Comunitário de Segurança Pública de São Gotardo, conhecido como CONSEP, reúne moradores, empresas, a prefeitura e as polícias estaduais. O município assina acordos com o conselho para pagar despesas de segurança pública que não são inteiramente cobertas pelos orçamentos das polícias estaduais.
Acordos municipais assinados em 2025 pagaram patrulhas da Polícia Militar em São Gotardo e Guarda dos Ferreiros, manutenção de viaturas policiais e policiamento ambiental.[143][144][145] Outro acordo cobriu combustível e manutenção de veículos da Polícia Civil.[146]
A formação para o programa estadual Selo Prevenção Minas começou em São Gotardo em setembro de 2022. O município assinou um acordo de cooperação técnica com o estado em 29 de maio de 2023 e entrou formalmente no programa em setembro daquele ano. O programa exige um diagnóstico municipal de segurança pública, fóruns comunitários, uma comissão de prevenção ao crime e um plano local de prevenção preparado com escolas, órgãos de saúde e assistência social, Judiciário, polícias e organizações comunitárias.[142]
Uma lei municipal de 2026 criou um programa para divulgar canais de denúncia e apoio às mulheres que enfrentam violência. Outra política trata da prevenção e da denúncia de violência contra crianças e adolescentes.[147]
Bombeiros e resgate
[editar | editar código]A unidade do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais em Patos de Minas é responsável por São Gotardo e outros municípios da região.[148] O posto avançado de Campos Altos também pode atender incêndios, acidentes de trânsito, resgates e buscas na parte sul do município e ao longo da BR-354.[148]
A construção de uma unidade do Corpo de Bombeiros em São Gotardo estava em andamento em dezembro de 2025. O 12º Batalhão de Bombeiros Militar vistoriou a obra naquele mês.[149]
O transporte médico de emergência é feito pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, acionado pelo número nacional 192.[59]
Defesa civil
[editar | editar código]São Gotardo criou sua Coordenadoria Municipal de Defesa Civil em outubro de 2006.[150] O órgão coordena a preparação e a resposta municipal durante tempestades, enchentes, incêndios, falhas estruturais e outras emergências. Trabalha com os bombeiros, as polícias, os órgãos de saúde, as equipes de obras públicas e os municípios vizinhos.
São Gotardo tem uma Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil em atividade.[151]
Cultura
[editar | editar código]O Prédio Amarelo, na Praça São Sebastião, abriga a Casa de Cultura Dom José Lima. No edifício ficam a biblioteca municipal, o Museu Municipal Jaime Resende e a Escola Municipal de Música Hebe Pereira Franco.[8]
O museu abriu em 2008. Seu acervo reúne cerca de 500 objetos vindos de casas, fazendas, oficinas e grupos musicais, além de uma sala dedicada a Dom José Lima. Seus programas educativos já trataram da migração japonesa, da capoeira, do Congado, da Corporação Musical Sargento Gabriel, do futebol local e dos primeiros tempos do povoado.[8]
A escola de música começou as aulas em 2013 e mudou-se para o Prédio Amarelo em 2015. Oferece aulas gratuitas de instrumentos e canto e empresta instrumentos aos alunos.[8]
Duas associações de Congado, São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, realizam festas em julho e setembro. Seus seis ternos, ou irmandades que se apresentam, cantam, tocam tambores, dançam e carregam bandeiras durante as celebrações. Grupos de Folia de Reis visitam as casas no período do Natal, enquanto violeiros se apresentam em folias, congadas, encontros comunitários e reuniões musicais.[8]
Os bens protegidos pelo município são a Igreja de São Sebastião, o Prédio Amarelo, a Escola Estadual Conselheiro Afonso Pena, duas cruzes de madeira, imagens religiosas e o conjunto da Vila Funchal.[8][152]
A Festa Nacional da Cenoura, mais conhecida como Fenacen, ocorre todos os anos desde 1997. Surgiu da produção de cenoura do município e tem uma programação com shows, rodeios, cavalgadas, barracas de comida e escolha da rainha da festa.[87]
Instituições e política cultural
[editar | editar código]São Gotardo aderiu ao Sistema Nacional de Cultura em 2014. A Lei Municipal nº 2 219 reorganizou o sistema local em 2017, reuniu os conselhos de política cultural e patrimônio e abriu uma conta própria para o Fundo Municipal de Cultura. A lei destinou ao fundo um valor correspondente a 3% da receita municipal do Imposto sobre Serviços do ano anterior. Conferências municipais de cultura ocorreram em 2014, 2018 e 2024. Órgãos públicos e grupos culturais usaram esses encontros para discutir financiamento, patrimônio, educação artística e programas locais.[8][153][154]
A Casa de Cultura Dom José Lima ocupa o Prédio Amarelo na Praça São Sebastião. O edifício abriga a biblioteca municipal, o Museu Municipal Jaime Resende, a Escola Municipal de Música Hebe Pereira Franco, salas de exposição e os escritórios municipais responsáveis por cultura e patrimônio.[155]
A biblioteca municipal tinha cerca de 22 mil volumes em 2020. O acervo abrangia literatura, livros escolares, obras de referência e periódicos, com material em braile, espaço infantil, mesas de estudo e computadores para o público. A biblioteca organizou sessões de contação de histórias e exposições sobre livros e escritores, algumas vezes com material fornecido pela Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.[155][156]
O Museu Municipal Jaime Resende foi criado em 2008 e consta no Cadastro Nacional de Museus mantido pelo Instituto Brasileiro de Museus.[157] Seu acervo tinha cerca de 500 objetos em 2020, organizados em torno do trabalho doméstico, da agricultura, dos ofícios, da música e de Dom José Lima. A equipe oferece visitas guiadas a grupos de escolas e universidades.[155][157]
O museu iniciou o projeto Contos de Museu em 2018. Moradores convidados usam objetos, depoimentos orais, fotografias e lembranças pessoais para conversar sobre temas como a migração japonesa, a capoeira, o Congado, a Corporação Musical Sargento Gabriel, o Sparta Futebol Clube e o povoamento de São Gotardo. Outros trabalhos de educação patrimonial usaram caminhadas guiadas, fotografia, desenhos, textos, palestras e visitas a prédios protegidos.[156]
Música, artes visuais e literatura
[editar | editar código]A Escola Municipal de Música Hebe Pereira Franco começou as aulas em 2013 e mudou-se para o Prédio Amarelo em 2015. A Lei Municipal nº 2 346 formalizou sua criação e seu nome em 2019. A escola oferece aulas gratuitas de instrumentos e canto e empresta instrumentos aos alunos.[155]
Um dos objetivos da escola era reorganizar a Corporação Musical Sargento Gabriel. A banda começou com aulas de teoria musical em 1967 e fez sua primeira apresentação pública na Festa de Nossa Senhora da Abadia, em 15 de agosto de 1969, com 35 músicos. Chamava-se inicialmente Corporação Musical Santa Cecília e recebeu o nome Sargento Gabriel pela Lei Municipal nº 677, de 5 de junho de 1990. A banda parou de se apresentar em 2001 por falta de dinheiro para substituir e cuidar dos instrumentos. Um convênio federal pagou novos instrumentos em 2020, enquanto a escola de música formava crianças e adultos para um novo conjunto.[158]
A Fanfarra Municipal José Maria Fonseca foi organizada em 2015 para o centenário da transferência da sede municipal. Tinha cerca de 80 integrantes em 2020 e ensaiava com as escolas municipais e o Programa Municipal de Apoio ao Menor. Encontros realizados em setembro levavam bandas marciais e fanfarras de outros municípios a São Gotardo.[156][158]
Um festival municipal gratuito de música começou em 2017. Artistas de São Gotardo e de municípios próximos competiam nas categorias solo, dupla, banda, instrumental e infantil em praças públicas. Os prêmios incluíam horas de gravação em estúdio e uma quantia em dinheiro.[156]
A viola caipira é tocada nas visitas da Folia de Reis, nas festas de Congado, em encontros religiosos, festas comunitárias e reuniões musicais informais. Minas Gerais registrou como patrimônio imaterial estadual os saberes, as formas musicais e os modos de tocar e fabricar a viola em junho de 2018.[159] O Instituto Cultural Amigos da Viola organizou uma orquestra local de violas em 2004. Ela tinha 12 músicos em 2020.[160] Dezessete músicos participaram do segundo encontro municipal de violeiros em julho de 2023, quando o Amigos da Viola também se apresentou.[161]
Programas municipais ofereceram aulas de pintura para crianças e adultos. Artistas locais trabalharam com escultura, madeira, papel e artesanato. Exposições ocorreram na Casa de Cultura e, por meio de parcerias, no fórum municipal e em espaços particulares.[156][158]
A Feira Cultural foi autorizada pela Lei Municipal nº 2 160, de 24 de maio de 2016. Era realizada quatro vezes por ano, antes do Dia das Mães, do Dia dos Pais, do Dia das Crianças e do Natal. Artesãos vendiam produtos feitos à mão e alimentos regionais, e músicos e outros artistas se apresentavam.[156]
A biblioteca guarda livros de autores de São Gotardo, entre eles obras de história local, poesia e ficção.[160] Um festival literário de três dias realizado em 2025 levou ao município contação de histórias, música, palestras, livreiros e debates. Mais de 1 200 alunos das escolas municipais participaram.[162]
Tradições religiosas e populares
[editar | editar código]Duas associações de Congado, São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, organizam celebrações em julho e setembro. Seus seis ternos, ou irmandades que se apresentam, são Beija-Flor, Bombachinho, Congo Real Evangelista, Congo Real Unidos do Rosário, Congo Sereno Santo Antônio e Moçambique Rosário de Maria. Os participantes cantam, tocam tambores, dançam, carregam bandeiras e acompanham procissões e cerimônias da igreja.[158]
Grupos de Folia de Reis visitam casas em dezembro e janeiro. Levam uma bandeira decorada e cantam acompanhados por viola, violão, sanfona, percussão e outros instrumentos. Minas Gerais registrou as Folias de Minas como patrimônio imaterial estadual em janeiro de 2017.[163]
Os quatro grupos em atividade em São Gotardo em 2020 eram Anjo Mensageiro, Magos do Oriente, Folia do Senhor Gumercindo e Folia do Edinho. O último já existia havia mais de um século.[158] A secretaria municipal de cultura realizou seu primeiro encontro de grupos de Folia de Reis em 2020. O quinto encontro ocorreu na Praça São Sebastião em novembro de 2024, seguido por uma sexta edição em 2025.[164][165]
A Festa de Santa Cruz ocorre em Guarda dos Ferreiros durante abril e maio. A celebração chegou à 150ª edição em 2017. As cerimônias religiosas são acompanhadas por um encontro e uma procissão de carros de boi, com veículos e carreiros vindos de São Gotardo e dos municípios vizinhos. A programação também teve cavalgadas, caminhadas, leilões, barracas de comida, música e brincadeiras comunitárias.[166][158]
Encontros de carros de boi também ocorrem na Vila Funchal. O décimo encontro local foi realizado em abril de 2026 e seguido por uma procissão com uma imagem de São Sebastião, missa, bênção dos carreiros, leilão e música de viola.[167]
Festas juninas são realizadas por escolas, paróquias e grupos de bairro, com fogueiras, quadrilha, música, comida e celebrações de Santo Antônio, São João e São Pedro.[158] A Associação de Capoeira Arte Mineira estava ativa em São Gotardo em 2020. A roda de capoeira e o ofício dos mestres de capoeira estão registrados como patrimônio cultural brasileiro desde 2008.[158][168]
O Carnaval já contou com escolas de samba de bairros. A Unidos do Cargueiro representava o Cargueiro, a Direito de Nascer vinha do Alto Bela Vista e a Bem-te-vi foi formada em Abaeté dos Venâncios. Os desfiles terminaram quando os grupos deixaram de funcionar na década de 1990.[160]
Patrimônio cultural
[editar | editar código]A Lei Municipal nº 1 242, de 1º de abril de 1997, instituiu a política local de proteção do patrimônio de São Gotardo. O serviço municipal de patrimônio mantém um inventário, acompanha prédios e objetos protegidos, organiza projetos educativos e prepara os registros para o programa ICMS Patrimônio Cultural de Minas Gerais.[153][160]
A proteção municipal abrange a Igreja de São Sebastião, o Prédio Amarelo, a Escola Estadual Conselheiro Afonso Pena, o conjunto paisagístico da Vila Funchal, cruzes de madeira na Praça São Sebastião e no alto da Rua São Geraldo e imagens religiosas de São Gotardo e São Sebastião.[160]
O inventário de 2023 revisou os registros de seis imagens religiosas guardadas na Vila Funchal. Elas representam São Sebastião, São José, Nossa Senhora da Rosa Mística, o Sagrado Coração de Jesus, o Sagrado Coração de Maria e Nossa Senhora Aparecida. A Farmácia Verde, na sede municipal, foi acrescentada ao inventário naquele ano.[152]
Festas e eventos comunitários
[editar | editar código]A Festa Nacional da Cenoura, conhecida como Fenacen, ocorre desde 1997. Nasceu em torno do cultivo comercial de cenoura no município e se transformou em uma feira agrícola com shows, rodeio, eventos equestres, barracas de comida, parque de diversões e escolha da rainha da festa.[87] A edição de 2026 ocorreu de 15 a 19 de julho no Parque de Exposições e teve uma etapa do circuito Professional Bull Riders Brasil.[169]
O aniversário do município é comemorado em setembro. A programação já reuniu concertos públicos, teatro, feiras, exibições de filmes, apresentações escolares e encontros de bandas marciais.[156]
Um festival gastronômico e cultural realizado diante do Prédio Amarelo em maio de 2026 apresentou a culinária mineira, nordestina e japonesa das comunidades que se estabeleceram em São Gotardo. Doze estabelecimentos de alimentação participaram, e orquestras locais se apresentaram durante os dois dias.[170]
Esportes
[editar | editar código]O futebol organizado em São Gotardo começou em 13 de agosto de 1922, quando moradores fundaram o Sparta Futebol Clube. Seus primeiros dirigentes incluíam o médico José Soares de Carvalho, o advogado Cincinato Sampaio, o futuro prefeito Bento Ferreira dos Santos e o dirigente municipal Frederico Coelho Duarte. As partidas eram disputadas aos domingos. Um jogo entre os primeiros e os segundos quadros do clube em 24 de setembro de 1922 atraiu espectadores e teve acompanhamento da banda municipal.[28]
O Sparta original encerrou as atividades depois de poucos anos. O futebol passou a ser disputado no Campo Olavo Bilac de Resende, embora esse terreno também tenha deixado de ser usado.[28] O campo de futebol municipal é o Estádio José Raimundo Pinto, abaixo do Balneário Municipal. Uma lei municipal de 2018 autorizou a concessão de seu uso em troca de investimentos no estádio e de cuidados com a margem do córrego vizinho.[171]
O município organiza competições amadoras de futebol e futsal. Equipes locais disputam o Campeonato Municipal de Futebol Amador, e o Campeonato Municipal de Empresas é um torneio de futsal.[172][173] Partidas de futsal e competições escolares ocorrem no Poliesportivo José de Castro.[174]
O Inter São Gotardo trabalha com equipes de futebol de base. Seus times sub-15 e sub-17 conquistaram o acesso à primeira divisão dos respectivos campeonatos estaduais para a temporada de 2019.[175] São Gotardo também foi a principal sede da Copa de Futebol do Alto Paranaíba. A quinta edição levou cerca de 2 700 jogadores das categorias de base à região em janeiro de 2019, com partidas em São Gotardo e municípios vizinhos.[176]
Alunos de escolas públicas e particulares disputam os Jogos Estudantis de São Gotardo no Poliesportivo José de Castro. Nove escolas participaram dos jogos de 2023.[177]
O taekwondo é ensinado em oficinas escolares e em um projeto social da equipe Scorpions. O projeto atendia cerca de 200 alunos da rede pública em 2022, entre eles 40 em uma extensão na Escola Francisco Rodrigues, em Guarda dos Ferreiros.[178]
A Corrida da Cenoura ocorre durante a Fenacen. A prova de rua chegou à décima primeira edição em 2025, quando percorreu um circuito de 6 km (3,73 mi) com largada e chegada no Parque de Exposições.[179]
Pessoas notáveis
[editar | editar código]- Antônio Luciano Pereira Filho (1913–1990), médico, industrial, hoteleiro e deputado federal por Minas Gerais de 1963 a 1967.[180]
- Buglê, nome completo José Alberto Bougleux, nascido em 1944, futebolista que jogou pelo Atlético Mineiro, Santos e Vasco da Gama. Marcou o primeiro gol do Mineirão em 5 de setembro de 1965.[181]
- Janaina Mello Landini, nascida em 1974, artista visual cujas instalações e obras escultóricas foram expostas no Brasil e no exterior.[182]
- Chico Uejo, nome completo Francisco Takeshi de Souza Uejo, nascido em 1978, advogado e político que foi vice-prefeito de São Gotardo e deputado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.[69]
- Danilo, nome completo Danilo Gabriel de Andrade, nascido em 1979, futebolista e treinador que venceu a Copa Libertadores e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA pelo São Paulo e pelo Corinthians.[183][184]
- Pedro Bernardes de Oliveira, desembargador que presidiu o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais de 2018 a 2019.[185]
Ver também
[editar | editar código]Referências
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Ligações externas
[editar | editar código]- Página da prefeitura
- São Gotardo no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
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