Sport Clube Gaúcho

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Gaúcho de Passo Fundo
SCGaucho.png
Nome Sport Clube Gaúcho
Alcunhas Periquito do Boqueirão
O Mais Querido da Cidade
Mascote Periquito
Fundação 12 de maio de 1918 (100 anos)
Estádio Wolmar Salton (BSBios Arena)
Capacidade 4.000 pessoas
Localização Passo Fundo, RS
Presidente Augusto Ghion Júnior
Treinador Fabiano Borba
Patrocinador BSBios
Merlin Empreendimentos
Farmácias São João
Lavoro John Deere
Material (d)esportivo Dec's Uniformes
Competição Gaúchão - Série C
Copa FGF
Website Facebook
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
titular
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
alternativo
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
alternativo
Temporada atual
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O Sport Clube Gaúcho é uma agremiação esportiva da cidade de Passo Fundo (RS). Foi fundado no dia 12 de Maio de 1918. É um dos mais tradicionais clubes do estado, sendo o segundo maior campeão do Campeonato Gaúcho de Futebol - Divisão de Acesso, com três títulos, bem como é o clube de Passo Fundo com mais títulos estaduais e o maior campeão do Campeonato Citadino de Passo Fundo, ao lado do 14 de Julho, tendo realizado 1.921 partidas até o final do ano de 2017.[1][2]

História[editar | editar código-fonte]

O Sport Clube Gaúcho, clube mais antigo em atividade da cidade de Passo Fundo, foi fundado em 12 de maio de 1918, na residência do casal Augusto Schell Loureiro (morto havia seis meses) e Carlota Rico Loureiro, na esquina da Avenida Brasil com a Rua Sete de Agosto. Além de Gil e Alfredo, filhos do casal e que comandaram a fundação, também estavam presentes primos e amigos, como Victor Loureiro Issler, Antonio e Brasileiro Marcondes Pimpão Loureiro, Amadeo De Felippo, os irmãos Aníbal e João Colavin, Antão Abade de Castro, Antão Chagas, Antônio Junqueira da Rocha, os irmãos Argemiro, Felipe e Jerônimo Marques, Lauro Loureiro Lima, o coronel Lauro Xavier de Castro, que presidiu a assembleia da fundação, Marcio Marcondes Loureiro, Martim “Bugre” Xavier, Moisés Lima Morsch, Salathiel Sperry e Vicente Silva. Eles tinham entre 18 e 28 anos de idade.[2]

O nome "Gaúcho", foi ideia de Gil. Para ele, Gaúcho era sinônimo de “povo determinado, lutador e valente”. As cores foram escolhidas por Alfredo. A escolha foi simples. Ele disse que "se o Gaúcho anda a cavalo pelos campos, e a cor predominante da paisagem é verde... nós usaremos o verde!"! Tempos depois, discutiu-se se a cor era uma referência ao Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), dos "chimangos". Isso não é verdade, até porque a família tinha posição política contrária, apoiando os federalistas, os "maragatos", de cor vermelha.

Seu primeiro campo, nos altos da Rua Morom, foi conhecido como "Cancha do Gaúcho". Curiosamente, o clube voltaria a usar o local 40 anos depois, onde construiria o Estádio Wolmar Salton.

O Sport Clube Gaúcho sempre teve papel destacado na história do futebol de Passo Fundo, sendo um dos membros fundadores da Liga Passo-Fundense de Futebol em 28 de maio de 1926, juntamente com o 14 de Julho, atual Passo Fundo, e o extinto Riograndense[1]. Bem como é o maior vencedor do Campeonato Citadino de Passo Fundo, com 16 conquistas[3]. É também o clube passo-fundense com melhor campanha no Campeonato Gaúcho de Futebol, com o terceiro lugar em 1928 e 1939.

No ano de 1929 a crise mundial que assolou o Mundo atingiu também o Gaúcho, que acabou encerrando suas atividades até o ano de 1937, quando uma grande mobilização de autoridades municipais de Passo Fundo possibilitou o retorno do clube. O retorno do alviverde foi um sucesso, visto que o clube conseguiu nos dois primeiros anos do retorno, o bicampeonato citadino.

Visando expandir sua força no futebol, em 1957 o Gaúcho construiu o Estádio da Montanha, posteriormente nomeado Estádio Wolmar Salton. Em partida inaugural contra o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Em 1962 quando o Esporte Clube Cruzeiro de Porto Alegre regressava, em pleno mês de agosto, de uma excursão realizada em países europeus, tendo enfrentado, amistosamente, os maiores times da época, entre eles o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano. O Gaúcho foi o convidado para o amistoso que marcaria o retorno do invicto Cruzeiro, em jogo disputado na Colina Melancólica, estádio alvi-azul cruzeirista, o Gaúcho não tomou conhecimento do adversário e venceu o amistoso por 3 a 2.

Em 1965, o Sport Clube Gaúcho chegou às finais do Campeonato Gaúcho da divisão de acesso, juntamente com o Foot-Ball Club Riograndense. Acabou sendo derrotado e viu o seu sonho de ascender a divisão principal adiado.

Em 18 de dezembro de 1966 o Sport Club Gaúcho venceu seu primeiro título estadual, com a conquista do Campeonato Gaúcho de Futebol - Divisão de Acesso, em decisão contra o Esporte Clube Uruguaiana, que havia vencido o primeiro jogo em Uruguaiana pelo placar de 1 a 0. Apesar de aplicar uma goleada de 5 a 0 no time de Uruguaiana, foi necessária uma prorrogação de 30 minutos para decidir o título, pois na época não existia saldo de gols. A decisão da prorrogação acabou com o placar de 1 a 0 para o Gaúcho, sendo o primeiro título estadual conquistado por uma equipe de Passo Fundo.

No dia 11 de novembro de 1973 em jogo contra o Ypiranga Futebol Clube pela Copa Governador do Estado, o Gaúcho editaria fato que ficou conhecido como A Batalha de Erechim. Em uma briga generalizada entre os jogadores do Gaúcho e do Ypiranga, iniciada em uma confusão entre Daizon Pontes e o goleiro Valdir numa cobrança de escanteio, o árbitro terminou expulsando 21 jogadores. Os dirigentes dos dois times tentam convencer o trio a continuar a partida, mas o juiz Hedo Porto Alegre se negou, afirmando havia expulsado os 11 jogadores do Ypiranga e 10 do Gaúcho. A exceção do jogo foi o ponta Mosquito, do Gaúcho.

Em 14 de fevereiro de 1975 o Gaúcho enfrentaria um dos maiores planteis do Brasil. O Palmeiras, conhecido na época como A Academia de Futebol, foi um dos únicos times que foram capazes de parar o Santos de Pelé nos anos 60. O Palmeiras que tinha Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina, Ademir da Guia, Gildo e Tupanzinho acabou vencendo pelo placar de 3 a 1, em um jogo memorável entre as duas equipes.

Repetindo o feito de 1966, em 1977 o Gaúcho voltou a vencer um título estadual, com a conquista do bicampeonato do Campeonato Gaúcho de Futebol - Divisão de Acesso. Em 1984 conquistaria o tricampeonato estadual do Campeonato Gaúcho de Futebol - Divisão de Acesso, se tornando o clube de Passo Fundo com o maior número de títulos estaduais.

No dia 3 de setembro de 1978 o Gaúcho venceu o Santo Ângelo por 9 a 1, sendo a maior goleada alviverde no campeonato estadual. Dos 13 jogadores do Gaúcho que participaram da partida, sete fizeram gol, sendo que o meia Pontes e o zagueiro Airton, do Santo Ângelo, fizeram dois gols contra.

Em situação difícil no fim dos anos 80, o Sport Clube Gaúcho acabou rebaixado no Campeonato Gaúcho de Futebol em 1986. A situação delicada dos clubes mais tradicionais de Passo Fundo, Gaúcho e 14 de Julho, acabou gerando um fato marcante para o futebol da cidade, a fusão entre os dois clubes, dando origem ao Esporte Clube Passo Fundo. No ano seguinte, entretanto, a fusão, que tinha prazo de um ano com possibilidade de renovação, acabou não permanecendo, e o Gaúcho resolveu abandonar a união. Nos anos 90 o Gaúcho manteve seu departamento de futebol fechado, concentrando seus esforços nas categorias de base do clube.

No início dos anos 2000, o Gaúcho participou de grandes campanhas no cenário estadual. Conquistou o Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão de 2000, sob a batuta do ídolo Bebeto.

Venceu a primeira partida de sua história contra a dupla GreNal: vitória sobre o Internacional por 1 a 0 pela semifinal da Copa FGF de 2004. Na final o Gaúcho foi derrotado pelo Esportivo de Bento Gonçalves, ficando com o vice-campeonato da Copa FGF de 2004 e com uma vaga para o Campeonato Brasileiro Série C de 2005, sua primeira e única participação em uma competição a nível nacional, onde fez uma modesta campanha, sendo eliminado na segunda fase.

O vice-campeonato do Campeonato Gaúcho de Futebol - Divisão de Acesso em 2005 rendeu ao clube do bairro boqueirão o acesso a primeira divisão do Campeonato Gaúcho do ano seguinte, 21 anos após a última participação na principal divisão do estado.

Em 2006 o Gaúcho fez uma modesta campanha no Campeonato Gaúcho, com destaque para a vitória de 3x1 sobre o rival Passo Fundo em pleno Vermelhão da Serra.

Entretanto, em 2007, o Sport Clube Gaúcho enfrentaria a maior crise de sua história, com a penhora de seu estádio e demais bens por decisão judicial, bem como o rebaixamento no campeonato estadual, crise que luta até os dias de hoje para se recuperar.

Seu retorno aos gramados se deu no ano de 2010, onde mandou suas partidas na vizinha cidade de Marau. Destaque para as vitórias frente a seu rival local.

Em 2011, agora retornando a Passo Fundo, mandou suas partidas no estádio do seu rival local. Após uma fraca campanha, acabou sendo rebaixado para a recém criada segunda divisão, popularmente conhecida como terceirona gaúcha.

O ano de 2012 foi emblemático. Após um início cambaleante na segunda divisão, o Gaúcho foi superando etapas até chegar na finalíssima do campeonato. As derrotas frente ao Aimoré de São Leopoldo não abalaram os ânimos alviverdes, pois a vaga a divisão de acesso já estava garantida.

No ano de 2013 porém, o Gaúcho fez uma campanha pífia, com um jejum de 12 jogos sem vitória, sendo novamente rebaixado para a segunda divisão.

Em 2014 o Gaúcho iniciou sua caminhada para retornar à divisão de acesso, mas acabou falhando em suas ambições fazendo um campeonato bem abaixo das expectativas, acabou como lanterna do campeonato.

Em 2015 novamente o alviverde frustrou o seu torcedor ficando de fora das fases finais da segunda divisão. No segundo semestre, agora mandando seus jogos em Carazinho, se aventurou nas copas regionais, mas não obteve êxito nos certames.

O ano de 2016 ficou marcado como o ano da inauguração de sua nova praça esportiva, a Arena Wolmar Salton. No jogo inaugural, vitória alviverde por 4x2 frente ao time juvenil do Grêmio Portoalegrense. No certame estadual, chegou às finais juntamente com o Guarany de Bagé. Derrotado em Bagé e em Passo Fundo, viu o título e o acesso escapar.

Em 2017 o Gaúcho fez uma campanha modesta, sendo eliminado pelo Internacional de Porto Alegre nas quartas de final do campeonato.

Em 2018, no ano do seu centenário, o Sport Clube Gaúcho, então dono de melhor campanha e invicto no certame, após conquistar a vaga para as semifinais com direito a uma goleada de 7x1 sobre o Rio Grande, viu seu sonho ir por água abaixo. Acabou denunciado por escalação irregular de atleta.

No segundo semestre do ano o Gaúcho disputou a Copa Wianey Carlet, onde acabou conquistando uma vaga para a Série D do Brasileirão de 2019 depois de uma brilhante campanha, onde deixou para trás adversários perigosos como o Internacional de Porto Alegre e o Ypiranga de Erechim.

Na final, uma derrota em Santa Cruz do Sul pelo escore mínimo acabou dando o título para a equipe local.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Estaduais
Competição Títulos Temporadas
Bandeira do Rio Grande do Sul.svg Campeonato Gaúcho - 2ª Divisão 3 1966, 1977 e 1984
Bandeira do Rio Grande do Sul.svg Campeonato Gaúcho - 3ª Divisão 1 2000
Bandeira do Rio Grande do Sul.svg Torneio Extra Everaldo Marques da Silva 1 1970
Bandeira do Rio Grande do Sul.svg Copa Brigadeiro Jerônimo Bastos 1 1977
Municipais
Competição Títulos Temporadas
Passo Fundo (RS) - Brasao.png Campeonato Citadino de Passo Fundo 16 1926, 1927Cscr-featured.png, 1928Cscr-featured.png, 1939Cscr-featured.png, 1948Cscr-featured.png, 1949, 1950, 1954Cscr-featured.png, 1961Cscr-featured.png, 1963, 1964, 1965Cscr-featured.png, 1966Cscr-featured.png, 1967Cscr-featured.png, 1968Cscr-featured.png e 1970Cscr-featured.png
Passo Fundo (RS) - Brasao.png Torneio Relâmpago do Campeonato Citadino 2 1947Cscr-featured.png e 1948Cscr-featured.png
Passo Fundo (RS) - Brasao.png Torneio Initium do Campeonato Citadino 8 1926Cscr-featured.png, 1940Cscr-featured.png, 1946Cscr-featured.png, 1948Cscr-featured.png, 1949Cscr-featured.png, 1950Cscr-featured.png, 1951Cscr-featured.png, e 1965Cscr-featured.png

Cscr-featured.png Campeão Invicto

Torneios amistosos[editar | editar código-fonte]

  • Medalha de Prata - Livraria A Minerva: 1 (1918)
  • Estatueta Cine Coliseu: 1 (1920)
  • Taça Chevrolet: 1 (1926)
  • Torneio da Cruz Vermelha Brasileira: 1 (1942)
  • Torneios Dia do Futebol: 8 (1943, 1944, 1950, 1952, 1962, 1964, 1965, 1966)
  • Taça Café Vitória: 1 (1954)
  • Taça Piscinas H. Egger: 1 (1963)
  • Taça Arno Pini: 2 (1967 e 1990)
  • Taça Oliquerque: 2 (1975 e 1977)
  • Taça Cidade de Erechim: 1 (1982)
  • Troféu Dom Urbano Allgayer: 1 (1982)
  • Taça 50 Anos da Liga Passo-Fundense de Futebol: 1 (1990)
  • Taça RBS 10 Anos: 1 (1990)
  • Taça Rádio Uirapuru 30 Anos: 1 (2011)

Outros títulos*:

  • Campeonato Regional: 5 (1926, 1927, 1928, 1965, 1966)
  • Campeonato da Região Serrana: 4 (1926, 1927, 1928, 1939)
  • Campeonato da Zona Norte: 2 (1965, 1966)
  • Campeonato da Região Fronteira-Sul: 1 (1939)

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Participações[editar | editar código-fonte]

Participações em 2019
Competição Temporadas Melhor campanha Estreia Última P Aumento R Baixa
Rio Grande do Sul Campeonato Gaúcho 22 3º colocado (1928 e 1939) 1926 2007 3 3
Segunda Divisão 24 Tricampeão (1966, 1977 e 1984) 1954 2013 1 2
Terceira Divisão 8 Campeão (2000) 2000 2019 2
Copa FGF 4 Vice-campeão (2004 e 2018) 2004 2018
Brasil Série C 1 29º colocado (2005) 2005 2005
Brasil Série D 1 Á Disputar (2019)
2019 2019

Campanhas de destaque[editar | editar código-fonte]

Artilheiros[editar | editar código-fonte]

  1. Bebeto - 1973 (13 gols)
  2. Bebeto - 1975 (13 gols)
  1. Joares - 1977 (11 gols)
  2. Bebeto - 1984 (19 gols)
  3. Marcelo Buda - 2001 (13 gols)
  1. Paulo Gaúcho - 2000 (15 gols)
  1. Zangão - 1970 (3 gols)
  2. Bebeto - 1972 (15 gols)
  3. Bebeto - 1973 (13 gols)
  4. Bebeto - 1975 (10 gols)
  5. Luiz Fernando - 1979 (4 gols)
  • Artilheiros do Torneio Extra Everaldo Marques da Silva
  1. Zangão - 1970 (4 gols)

Estádios[editar | editar código-fonte]

Cancha do Gaúcho[editar | editar código-fonte]

Fundando em 1918, o Sport Clube Gaúcho jogou durante anos na mesma área onde posteriormente seria erguido o seu novo estádio. Em terreno pertencente a família Barreiro de Passo Fundo, a chamada Cancha do Gaúcho era um campo sem estrutura onde o clube passo-fundense realizava seus jogos no período amador[4]. Em 1954, com a profissionalização do clube, o mesmo terreno foi adquirido e iniciou-se a construção do Estádio Wolmar Salton.

Estádio Wolmar Salton[editar | editar código-fonte]

Inicialmente chamado de Estádio da Montanha, o Estádio Wolmar Salton foi inaugurado em 1957 em partida contra o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Tinha capacidade para 5.500 pessoas[5] e pertenceu ao Sport Clube Gaúcho de 1957 até 2012 quando foi vendido para o Hospital São Vicente de Paulo a fim de quitar dívidas do clube [6]. O estádio foi demolido em 2014.

Arena Wolmar Salton[editar | editar código-fonte]

Visando quitar suas dívidas e construir um novo estádio, o Gaúcho vendeu o Estádio Wolmar Salton e conseguiu junto à administração local a concessão de nova área para a construção de uma nova Arena.

Em 2016, enfim o sonho estava sendo realizado. Em um jogo amistoso contra a equipe juvenil do Grêmio, era inaugurada a Arena Wolmar Salton. A vitória foi do time da casa pelo placar de 4x2. O primeiro gol da Arena foi marcado pelo atleta Johnny do Gaúcho.

A lenda[editar | editar código-fonte]

Houve um tempo em que nenhum time poderia se julgar merecedor de reinar no Rio Grande do Sul sem sobreviver ao teste de Passo Fundo. Eram os anos 60, o estadual havia acabado de trocar o formato das fases regionalizadas por um torneio longo, próximo do que se tem hoje, e o Sport Club Gaúcho passara a ser figura cativa na elite do Estado. Daison fazia dupla com seu irmão, João Pontes, e juntos os dois formaram a mais temida defesa do interior. Antes da criação dos cartões de advertência, em 1970, quando um jogador ser excluído da partida era raridade, Daison acumulou doze das suas dezoito expulsões na carreira – somente no insano 1964, foi mandado aos vestiários mais cedo em quatro ocasiões. João, o irmão mais novo, fora convidado a se retirar sete vezes. Daison não admitia desrespeito. Matou um cusco, bateu em criança, e certa vez destruiu com uma joelhada a coluna do argentino Nestor Scotta, do Grêmio, ao vê-lo cuspir na área do Gaúcho.

O lendário zagueiro chegou a tentar a sorte no Rio, de onde foi mandado embora por bater demais nos atacantes durante os treinos. Construiu sua fama em Passo Fundo. Estimulou a mística varonil da cidade, sendo suspenso do futebol por tudo o que um jogador poderia imaginar. Doping incluído. Em 1974, insultou o árbitro José Luiz Barreto após a marcação de um pênalti contra seu time, e ouviu do apitador que, se os dois se encontrassem fora de Passo Fundo, o cartão vermelho subiria para Pontes. “Se me expulsar, te quebro a cara”, respondeu Daison, que fez mais: prometeu só parar depois de atorar um árbitro. Semanas depois, Daison e Barreto se reencontraram em Santa Maria, num jogo do Gaúcho contra o Inter local. O juiz cumpriu a promessa. O beque, também. Daison foi o primeiro jogador a bater em um árbitro no Brasil. Foi a última expulsão da carreira de Daison, que, pela agressão, mergulhou numa suspensão de um ano e meio antes de voltar a vestir a camiseta alviverde que tanto amou.

Rivalidade[editar | editar código-fonte]

Nos primeiros anos de história, o principal rival do Gaúcho foi o Grêmio Esportivo e Recreativo 14 de Julho, decidindo diversos campeonatos citadinos de Passo Fundo. Em 10 de janeiro de 1986, o Grêmio Esportivo e Recreativo 14 de Julho e o Sport Clube Gaúcho fundiram-se, dando origem ao Esporte Clube Passo Fundo. Em 1987 o Gaúcho desfez a união, sendo que passou a rivalizar com o novo clube da cidade no clássico conhecido como Clássico do Planalto Médio ou Ga-Pas.

Publicações sobre o Gaúcho[editar | editar código-fonte]

Livros
  • DAMIAN, Marco Antonio. Futebol de Passo Fundo: contribuição à sua história. Passo Fundo: Editora do Autor, 2011. ISBN 978-85-64997-08-0
  • DAMIAN, Marco Antonio. O Mais Querido da Cidade - A história do Sport Club Gaúcho. Passo Fundo: Editora do Autor, 2001. ISBN 978-85-64997-47-9
  • DAMIAN, Heleno Alberto; DAMIAN, Marco Antonio. Páginas da Belle Époque Passo-Fundense. Passo Fundo: Passografic, 2008. ISBN 978-85-61035-44-0

Referências