Anastácio I de Bizâncio
| Anastácio I | |
|---|---|
| Imperador bizantino | |
Moeda de Anastácio I |
|
| Governo | |
| Reinado | 11 de abril de 491 - 9 de julho de 518 |
| Consorte | Ariadne |
| Antecessor | Zenão |
| Sucessor | Justino I |
| Dinastia | Dinastia Leonina |
| Vida | |
| Nome completo | Flavius Anastasius Augustus |
| Nascimento | ca. 430 |
| Dirráquio (atual Durres, na Albânia) | |
| Morte | 9 de julho de 518 (88 anos) |
| Constantinopla | |
| Sepultamento | Igreja dos Santos Apóstolos, Constantinopla |
| Filhos | Sem filhos |
| Pai | Pompeius |
| Mãe | Anastácia Constantina |
Anastácio I em latim: Flavius Anastasius Augustus, em grego: Ἀναστάσιος) foi imperador bizantino de 491 até sua morte e 518. Durante o seu reinado, a fronteira oriental romana sofreu uma extensiva refortificação, incluindo a construção de Dara, uma fortaleza construída especialmente para se contrapor à fortaleza sassânida de Nísibis. Foi também sob seu comando que se construiu uma das mais fortificadas cidades medievais no Adriático, o Castelo de Durres, em Dirráquio.
Seu reinado foi marcado por guerras externas (Império Sassânida, a leste; eslavos e búlgaros a oeste) e internas (contestação de Longino (irmão de Zenão I) e a controvérsia monofisita).
Índice |
Contexto e características pessoais[editar]
Anastácio nasceu na cidade de Dirráquio em data desconhecida, mas acredita-se que não tenha sido depois de 430 ou 431, numa família ilíria1 , filho de Pompeius (n. ca. 370), nobre local, e sua esposa Anastácia Constantina (n. ca. 410). Sua mãe era ariana, irmã de Clearco, também ariano, e neta por parte de pai de Gallus (n. ca. 370), filho de Anastácia (n. ca. 352) e seu marido. Esta, por sua vez, era filha de Flavius Claudius Constantius Gallus (césar 351-354) com a esposa-prima Constantina (filha de Constantino).2
Anastácio tinha um olho negro e outro azul (heterocromia)3 e, por isso, ganhou a alcunha de Dicorus (em grego: Δίκορος - "duas-pupilas").
Ascensão[editar]
Com a morte de Zenão, Anastácio, um oficial do palácio (silentiarius), tido em grande estima, foi alçado ao trono do Império Romano do Oriente por Ariadne, viúva de Zenão, que o escolheu em detrimento do irmão do falecido, Longino.
Ariadne se casou com Anastácio logo após sua ascensão em 20 de maior de 4191. Seu reinado, apesar de posteriormente ter sido perturbado por guerras internas e externas, além de conflitos religiosos, começou auspiciosamente. Ele conseguiu o apoio popular através de uma cautelosa redução de impostos e demonstrou um grande vigor e energia na administração dos assuntos imperiais.
Política externa e guerras[editar]
As principais guerras nas quais se envolveu Anastácio foram a Guerra Isáuria e a guerra contra a Pérsia.
A primeira, que durou de 492 até 497, foi provocada pelos aliados de Longino, o irmão do imperador Zenão que fora candidato à sucessão juntamente com Anastácio. A batalha de Cotyaeum, em 492, "quebrou a espinha" da revolta, mas uma guerra de guerrilha continuou nos montes isaurianos por vários anos.
Na guerra contra a Pérsia (502-505), Teodosiópolis e Amida foram capturadas pelo inimigo, mas as províncias persas também sofreram muito, terminando com a recuperação pelos bizantinos de Amida. Ambos os adversários estavam exaustos quando se firmou a paz em 506 com base no status quo. Anastácio posteriormente construiu a fortaleza de Daras para manter em xeque os persas em Nísibis. As províncias balcânicas, porém, foram deixadas sem tropas e acabaram devastadas por invasões de eslavos e búlgaros. Para proteger Constantinopla e suas redondezas contra eles, o imperador construiu a Muralha de Anastácio, que se estendia do Propontis até Euxine (o Mar Negro).
Políticas domésticas e eclesiásticas[editar]
O imperador era um ferrenho miafisita, seguindo os ensinamentos de Cirilo de Alexandria e Severo de Antioquia, que ensinavam uma cristologia de "uma natureza encarnada de Cristo" numa união sem divisões das naturezas humana e divina, ao contrário do pregava o Concílio de Calcedônia e o papa. Porém, sua política eclesiástica era moderada e ele procurou manter o princípio por trás do Henotikon de Zenão e a paz da igreja. Foram as demonstrações revoltosas da população bizantina que o levaram, em 512, a abandonar essa política e adotar diretamente um programa miafisita. Sua consequente impopularidade nas províncias europeias foi utilizada por um general de fé calcedoniana, Vitaliano, para organizar uma perigosa revolta, na qual ele foi auxiliado por uma horda de hunos (514-515). Ele foi finalmente suprimida numa vitória naval em Constantinopla liderada por Marino.
Sucessor[editar]
O Anonymus Valesianus traz um relato sobre a sua escolha de sucessor: Anastácio não conseguia se decidir sobre qual de seus três sobrinhos deveria sucedê-lo e, por isso, colocou uma mensagem sob um sofá e fez com que eles tomassem seus lugares na sala, que continha mais dois sofás idênticos. Ele acreditava que o sobrinho que se sentasse no sofá "especial" seria o herdeiro apropriado. Porém, dois deles se sentaram no mesmo sofá e o especial ficou vazio.
Então, depois de colocar o assunto nas mãos de Deus numa oração, ele determinou que a primeira pessoa a entrar no seu quarto na manhã seguinte seria o próximo imperador. Esta pessoa foi Justino, o chefe de sua guarda. Na realidade, Anastácio provavelmente jamais pensou nele como sucessor, mas o assunto foi decidido em seu nome após sua morte. No final de seu reinado, ele deixou o tesouro imperial 23 000 000 solidi (ou 160 000 quilos de ouro) mais rico.4
Anastácio morreu sem filhos em Constantinopla em 9 de julho de 518 e foi enterrado na Igreja dos Santos Apóstolos.
Família[editar]
Sabe-se que Anastácio teve um irmão chamado Flavius Paulus, que serviu como cônsul em 496.5 Uma cunhada, conhecida como Magna, era mãe de Irene e sogra de Olybrius. Este Olybrius era filho de Anicia Juliana e Areobindus Dagalaiphus Areobindus.6 A filha de Olybrius e Irene chamava-se Proba, se casou com Probus e era mãe de uma Juliana. Esta jovem Juliana se casou com outro Anastácio e era mãe de Areobindus, Placídia e de uma jovem Proba.7 Outro sobrinho de Anastácio era Flavius Probus, cônsul em 502.8 Cesária, irmã de Anastácio, casou-se com Secundino. Eles eram pais de Hipácio e Pompeius.8 Flavius Anastasius Paulus Probus Moschianus Probus Magnus, cônsul em 519 também era um sobrinho-neto de Anastácio. Sua filha, Juliana, posteriormente se casou com Marcelo, um irmão de Justino II.7 Esta enorme família pode também ter tido em seu meio diversos outros candidatos viáveis para o trono.9
Ver também[editar]
| Precedido por Zenão I |
Imperador bizantino 491 — 518 |
Sucedido por Justino I |
Referências
- ↑ Croke, Brian. Count Marcellinus and his chronicle (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press, 2001. p. 89. ISBN 978-0-19-815001-5 Página visitada em 12 de outubro de 2010.
- ↑ Settipani, Christian, Continuite Gentilice et Continuite Familiale Dans Les Familles Senatoriales Romaines, A L'Epoque Imperiale, Mythe et Realite. Linacre, UK: Prosopographica et Genealogica, 2000. ILL. NYPL ASY (Rome) 03-983
- ↑ Hugh Elton. Anastasius (AD 491–518) (em inglês). Florida International University – An Online Encyclopedia of Roman Emperors. Roman-emperors.org.
- ↑ P. Brown, The world of late antiquity, W.W. Norton and Co. 1971 (p 147)
- ↑ The Consular List. Roman-empire.net.
- ↑ Late Antiquity: A Guide to the Postclassical World (by G.W. Bowersock, Oleg Grabar). Harvard University Press, 1999. Pages 300–301
- ↑ a b Prosopografia do Império Romano Tardio, vol. 3
- ↑ a b Prosopografia do Império Romano Tardio, vol. 2
- ↑ James Allan Evans. "Justin I (518–527 A.D.)". Roman-emperors.org.
Bibliografia[editar]
- Este artigo incorpora texto do artigo «Anastasius I of Rome» da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público.
- Les ancêtres de Charlemagne, 1989 (em francês)
- Continuité gentilice et continuité sénatoriale dans les familles sénatoriales romaines à l'époque impériale, 2000 (em francês)
- Continuité des élites à Byzance durante les siècles obscurs. Les princes caucasiens et l'Empire du VIe au IXe siècle, 2006 (em francês)