Humaitá (Amazonas)

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Município de Humaitá
"Princesa do Madeira"
Berço intelectual do Amazonas

Berço intelectual do Amazonas
Bandeira de Humaitá
Brasão de Humaitá
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 15 de maio
Fundação 4 de fevereiro de 1890 (124 anos)
Gentílico humaitaense
Prefeito(a) José Cidenei Lobo do Nascimento (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Humaitá
Localização de Humaitá no Amazonas
Humaitá está localizado em: Brasil
Humaitá
Localização de Humaitá no Brasil
07° 30' 22" S 63° 01' 15" O07° 30' 22" S 63° 01' 15" O
Unidade federativa  Amazonas
Mesorregião Sul Amazonense IBGE/2008[1]
Microrregião Madeira IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte e Oeste com Manicoré, Sul com Rondônia, Leste com Tapauá e Canutama.
Distância até a capital 675 km
Características geográficas
Área 33 071,667 km² [2]
População 50 230 hab. (AM: 10º) –  IBGE/2014[3]
Densidade 1,52 hab./km²
Altitude 90 m
Clima equatorial
Fuso horário UTC-4
Indicadores
IDH-M 0,605 médio PNUD/2010 [4]
PIB R$ 298 375 mil IBGE/2012[5]
PIB per capita R$ 6 492,91 IBGE/2012[5]
Página oficial

Humaitá é um município brasileiro localizado no interior do estado do Amazonas. Pertencente à mesorregião do Sul Amazonense e microrregião do Madeira, sua população é de 50 230 habitantes, de acordo com estimtivas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2014.[3]

Limita-se com os municípios de Manicoré ao norte, leste e oeste; Porto Velho, capital de Rondônia, ao sul; e Tapauá e Canutama ao oeste. Sua área é de 33071.667[2] , pouco superior à área do estado de Alagoas, fazendo do município um dos maiores do estado em área territorial. O município dispõe ainda de um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 225.637, o que o coloca como o décimo-primeiro município com maior PIB no Amazonas e o terceiro em sua mesorregião.[6]

Toponímia[editar | editar código-fonte]

Segundo autores, a palavra vem do Tupi-guarani, significando "A pedra agora é negra" (Hu = negro, ma = agora, itá = pedra). Outros autores apontam para uma possível tradução do Guarani, significando "Pedra Antiga" (yma = antiguidade, itá = pedra). Já por Machado, em seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, o significado seria derivado do tupi (“mbaitá” = Papagaio pequeno) (Machado, 2003, pág. 246). Há também a língua da etnia Parintintin (“mu`tá” = Pau atravessado), pois era comum os antigos irem ao Porto da Anta, que fica atrás do primeiro mercado municipal onde existia um buraco, para fazer armadilhas e pegar caça, pescar e avistavam as toras de madeira descendo rio abaixo. (Mª. G. Parintintin, 1994). Mas seu fundador dera este nome devido a uma das batalhas que o Brasil travou contra o Paraguai no Forte Humaitá.

História[editar | editar código-fonte]

Humaitá remonta suas origens ao ano de 1693, com a fundação da Missão de São Francisco, fundada pelos jesuítas no rio Preto, afluente do rio Madeira.[7]

Os primeiros habitantes da região foram os indígenas, que praticavam a economia de subsistência, como a caça, a pesca, o extrativismo e a agricultura familiar. Os rios Maici e Marmelo - também chamados de rios Torá e Tenharim - abrigavam a maior parte das etnias indígenas que povoavam o lugar, sendo grandemente numerosos. As principais etnias que habitavam a região eram a Parintintin, Pama, Arara e os Mura.[7]

José Francisco Monteiro, um comerciante, foi um dos primeiros colonizadores da localidade, que chegou à região em busca de riquezas, se interessando em habitá-la definitivamente. Sua chegada deu-se em 15 de maio de 1869. Nesta época, a Missão de São Francisco, fundada pelos jesuítas em 1693, estava instalada num lugar chamado Pasto Grande, no Rio Preto, próximo à atual cidade. Por conta dos constantes ataques dos índios, a sede da Freguesia foi transferida em 1888 para o lugar onde hoje está a sede do município, com o nome de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Belém de Humaitá. A transferência ocorreu por força da Lei nº 790 de 13 de novembro daquele ano, e a transição foi feita pelo comendador.[7]

Francisco Monteiro é considerado o fundador de Humaitá. O município foi criado pelo Decreto Nº 31 de 4 de fevereiro de 1890, tendo sua área territorial desmembrada do município vizinho de Manicoré. A Comarca de Humaitá foi criada no ano seguinte, através do Decreto-Lei nº 95-A de 10 de abril de 1891, assinado pelo Governador Eduardo Ribeiro. neste ano também aconteceu a fundação do primeiro jornal da cidade, O Humaythaense (o segundo jornal, O Madeirense, foi fundado anos depois, em 1917), assim como a vinda do primeiro Destacamento da Polícia Militar do Amazonas para o município. Em outubro de 1894, no auge do Ciclo da Borracha, Humaitá é elevada à categoria de cidade.[7]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 07º30'22" sul e a uma longitude 63º01'15" oeste, estando a uma altitude de 90 metros. Sua população estimada em 2014 era de 50 230 habitantes.[3] Possui uma área de 33.071,00 km²

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Quente e úmido com duas estações do ano: uma chuvosa “inverno” que vai de outubro a abril e outra de estiagem “verão” que vai de maio a setembro. No meio do ano, às vezes acontece o fenômeno da “friagem” que é uma queda da temperatura provocada pelo deslocamento da Massa de Ar Polar Atlântica.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

O município é coberto pela Floresta Amazônica com sua exuberante riqueza em espécies vegetais e animais. Com a chegada dos missionários no século XVII ainda possuía uma imensa floresta equatorial, porém com a exploração desordenada de madeira, animais e a formação de enormes campos para agricultura e a pecuária, muitas espécies vegetais desapareceram.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Humaitá esta a 90m acima do nível do mar, possui algumas praias como: Praia de São Miguel e Praia do Paraíso, localizada no rio Madeira; Praia do Ipixuna, localizada a 40 km no rio Ipixuna. Humaitá localiza-se na Planície Amazônica e seu relevo contém:

Terra firme[editar | editar código-fonte]

Terrenos altos que não alagam, onde nascem grandes árvores tanto para venda como para utilização local, como: castanheiras, seringueiras (Havea Brasiliense), cedro, itaúba, louro, pau-rosa, curupira, acariquara, jatobá.

Várzea[editar | editar código-fonte]

Terrenos baixos e alagadiços, localizados às margens dos rios, lagos e paranás. As espécies vegetais encontradas são: taxizeiro, marimari, samaúma e a muratinga. Após alagada, ela seca ficando com as terras férteis prontas para agricultura. Exemplos de várzea: Ilha das Pupunhas, Puruzinho, nestes terrenos aparecem extensões de areia (Praias). Existem as praias de São Miguel e Paraíso às margens do rio Madeira, e a Praia do Ipixuna às margens do rio Ipixuna a 40 km de Humaitá.

Igapós[editar | editar código-fonte]

Terrenos mais baixos das margens dos cursos d’água escura, vivem permanentemente alagados, existindo uma vegetação típica, como: apuizeiro, buriti, tarumanzeiro e marajazeiro. E é utilizado também para pesca.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rio Madeira, um dos maiores da Bacia Amazônica e de fundamental importância para a vida dos ribeirinhos. Dele se tira a água, o peixe e em alguns lugares o ouro, além de ser um importante meio de transporte.

A hidrovia do Madeira é atualmente uma das mais importantes do país – por ela passam as balsas graneleiras que dão escoamento à produção de grãos do Centro Oeste brasileiro e de Rondônia para Itacoatiara e Belém e de lá, para o comércio exterior. De barco, em três dias chega-se a Manaus e em um dia chega-se em Porto Velho. Fazem também parte da hidrografia os rios: Marmelo, Maicí, Machado e Ipixuna, além dos Igarapés Caxiri, Behém, Banheiro, Pupunha, Puruzinho,.... e dos Lagos: Pupunha, Paraíso, Uruapiara, dos Reis, do Antonio, do Acará entre outros.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Bairros[editar | editar código-fonte]

O município possui treze bairros, são eles:

Bairro Região
São Domingos Sávio Zona Norte
Divino Pranto Zona Norte
Nossa Srª do Carmo Zona Sul
São José Zona Sul
São Francisco Zona Sul
Santo Antônio Zona Leste
Centro Zona Leste
Nova Humaitá Zona Noroeste
Nova Esperança Zona Noroeste
São Pedro Zona Oeste
São Sebastião Zona Oeste
Novo Centenário Zona Nordeste
São Cristóvão Zona Sudoeste

Regiões[editar | editar código-fonte]

Humaitá está dividida em seis regionais (regiões) para fins administrativos e segurança. São eles: Zona Sudoeste, Zona Oeste, Zona Sul, Zona Leste, Zona Norte e Zona Noroeste.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Etnias[editar | editar código-fonte]

População residente por etnia (Censo 2000)[8]

Religião[editar | editar código-fonte]

População residente por religião (Censo 2000)[9]

Economia[editar | editar código-fonte]

Pecuária de bovinos. Piscicultura. Pesca artesanal. Agricultura de arroz, soja, milho, cupuaçu e hortaliças. Artesanato. Fábricas de doces e licores. Beneficiadoras de Castanha. Movelaria. Madeireiras. Extrativismo Vegetal. Garimpo. O Governo do Estado tenta contribuir com incentivos através de programas especiais de financiamentos e orientação técnica que visam melhorar e aumentar a produção, nas diversas frentes de trabalho. É o chamado III Ciclo. Sendo a porta de entrada do Amazonas para quem vem do Centro Sul do país há perspectivas de que o município torne-se um centro regional importante. Em alguns aspectos ele já se destaca em relação ao estado do Amazonas.

Prefeitos de Humaitá[editar | editar código-fonte]

1 Francisco Fiúza Maia – ano
2 José Francisco Monteiro – ano
3 Francisco de Assis Ataíde – ano
4 Pedro de Alcântara Bacelar - ano
5 Edmundo Francisco Monteiro – ano
6 Antonio da Costa Crespo – ano
7 Osvaldo Tennyson Costa Crespo – ano
8 José Francisco Monteiro Neto - ano
9 Raul Oran Prestes – ano
10 Antonio Augusto Guimarães Neto – ano
11 Raimundo Figueiredo Cavalcante – ano
12 José de Souza Lobo – ano
13 Raimundo Figueiredo Cavalcante – ano 1955 a
14 Antonieta Henrique Ataíde – ano
14 Antonio Augusto Guimarães Neto – ano
16 Tito Botelho Neves – ano
17 Mário Freire da Silva Ramos – ano
18 José de Souza Lobo – ano
19 Francisco Correa da Cruz – Salú – ano
20 João Batista Teodoro Alves Filho – ano
21 Áureo Cid Botelho – ano
22 Roberto Rui Guerra de Souza - ano 1983 a 1988
23 Raimundo Rodrigues do Nascimento - Mundaia - 1989 a 1992
24 Irio Jabes Guerra de Souza - ano 1993 a 1996
25 Renato Pereira Gonçalves - ano 1997 a 2002
26 Fausto Manoel e Silva – ano 2003 a 2004
27 Roberto Rui Guerra de Souza – atual ano 2005 a 2008
28 José Cidenei Lobo do Nascimento – Dedei Lobo 2009 a 2012
29 José Cidenei Lobo do Nascimento – Dedei Lobo 2013 a 2016

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

Entre as personalidades que nasceram em Humaitá podem ser citadas:

  • Plínio Ramos Coelho, é humaitaense, Governador do Estado do Amazonas por duas vezes, 1955-1959, 1963-1964, advogado;
  • Raimundo Neves de Almeida, é humaitaense, nascido na comunidade de Uruapiara, é escritor, historiador, prosador, contista e poeta, sócio titular da Associação dos Escritores do Amazonas, sócio Pelouro Cultural da Associação Internacional dos Amigos de Ferreira de Castro (São João da Madeira - Portugal), sócio fundador da União dos Artistas de Humaitá, sócio da Academia História do Amazonas e Membro do Instituto Cultural Vale Caririense de Juazeiro do Norte-CE.
  • Álvaro Botelho Maia, é humaitaense, Governador do Estado do Amazonas por três vezes, 1930-1933, 1935-1945, 1951-1955, escritor e poeta, ex-senador;
  • Almino Monteiro Álvares Affonso, é humaitaense, nascido em 1929, político, ministro do Trabalho e Previdência Social no governo de João Goulart, viveu no exílio, foi vice-governador do estado de São Paulo na gestão de Orestes Quércia. É pai do músico Sérgio Britto, é advogado, autor de várias obras: "Raízes do Golpe", "Parlamentarismo, Governo do Povo" e "Almino Affonso - Tribuno da Abolição", "Comendador Monteiro - Tronco e Ramagens".
  • Ubiratan de Lemos, filho do barão da borracha Jovino de Lemos, foi jornalista investigativo em Manaus e no Rio de Janeiro, chegando a trabalhar para Assis Chateaubriand. Notabilizou-se por ser o primeiro vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo.

Entre as personalidades que não nasceram em Humaitá, porem exerceram cargos públicos de relevância podem ser citados:

Referências[editar | editar código-fonte]

  • AFFONSO, Almino Monteiro Álvares. Comendador Monteiro - Tronco e Ramagens, 1ª edição, Ed. Valer e Ed. UniNorte e Governo do Estado do Amazonas, Manaus, 2004.
  • ALMEIDA, Raimundo Neves de, Retalhos Históricos e Geográficos de Humaitá, O Autor, 1ª e 2ª edição, Porto Velho-RO, 1981 e 2005.
  • ALMEIDA, Raimundo Neves de, Na Beira do Barranco - Estórias, Crendices, Sentimentos e Humor de Caboclos do Madeira, O Autor, 1ª e 2ª edição, Porto Velho-RO, 2005.
  • BENTES, Dorinethe dos Santos / ROLIM, Amarildo Rodrigues – O Amazonas no Brasil e no Mundo, Manaus, ed. Mens’sana, 2005.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, Mini Aurélio Século XXI Escolar, Rio de Janeiro-RJ, Ed. Nova Fronteira, 2001.
  • HUGO, Vitor, Os Desbravadores, Vol. I e II, Ed. Salesiana C. B. A. G., 1959 e 1991.
  • IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2007.
  • MACHADO, José Pedro, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, 8ª edição, Ed. Livros Horizontes, Lisboa-Portugal, 2003.
  • Prefeitura Municipal de Humaitá, Administração - Quadro Histórico de Prefeitos, 2006.
  • PINTO - Emanuel Pontes, Rondônia, Evolução Histórica, A Criação do T. F. G, Fator de Integração Nacional, Rio de Janeiro-RJ, ed. Expressão e Cultura, 1993.
  • ROCQUE, Carlos. Grande Enciclopédia da Amazônia, Vol. III, AMEL - Amazônia Editora Ltda, Manaus, 1968.
  • SEDUC - Secretaria de Estado da Educação, Série Descobrindo Nosso Município – Humaitá - Am, Estudos Sociais, Manaus, 1993.
  • TEIXEIRA - Marco Antônio Domingues & Fonseca, Dante Ribeiro, História Regional (Rondônia), Porto Velho-RO. Rondoniana. 1998.
  • THOMPSON, George, A Guerra do Paraguai, Enciclopédia dos Temas Brasileiros, 1978.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. a b IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. a b c Estimativas populacionais para os municípios brasileiros em 01.07.2014 Estimativa populacional 2014 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2014). Visitado em 30 de agosto de 2014.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 09 de setembro de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2012 IBGE. Visitado em 14 de dezembro de 2014.
  6. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas IBGE_PIB_2009
  7. a b c d Humaitá-AM - Informações
  8. Etnias no Brasil IBGE.
  9. Religião no Brasil IBGE.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]