Jatobá

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Hymenaea courbaril

Hymenaea courbaril
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Fabales
Família: Fabaceae
Subfamília: Caesalpinioideae
Tribo: Detarieae
Género: Hymenaea
Espécie: H. courbaril
Nome binomial
Hymenaea courbaril
L., 1753

Jatobá é um nome popular que se refere a árvores do gênero Hymenaea L. (Fabaceae - Caesalpinioideae). Estas também são conhecidas pelos nomes jataí, jutaí e pão-de-ló-de-mico[1] . São árvores que ocorrem em toda América Latina, com seu centro de diversidade na Floresta Amazônica.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Jatobá" (árvore com frutos moles [2] ) é oriundo do tupi yata'wá[1] . "Jataí" deriva do tupi yata'i[1] . "Jutaí" é oriundo do tupi yuta'i[3] . "Pão-de-ló-de-mico" é uma referência ao pó no interior de seu fruto, que se parece com o pão de ló e que costuma ser consumido pelos micos.

Características[editar | editar código-fonte]

Com altura entre quinze e trinta metros (até 95 metros na Amazônia) e um tronco que pode ultrapassar um metro de diâmetro, suas folhas têm dois folíolos brilhantes com de seis a quatorze centímetros de comprimento.

Há registros de exemplares, na Amazônia e no Rio de Janeiro, com altura de quarenta metros e diâmetro maior que três metros. A chamada "árvore de Martius", encontrada por este pesquisador na Amazônia, tinha altura estimada em trinta metros, diâmetro de oito metros, idade entre 2 000 e 4 000 anos e talvez fosse um jatobá.[4]

Jatobá provavelmente bicentenário com trinta metros e 1,5 metros de diâmetro em fazenda de Mococa, em São Paulo, no Brasil.

O fruto é um legume indeiscente, de casca bastante dura. Cada legume costuma ter 3 sementes e é preenchido por uma massa verde/amarelada, comestível, com grande concentração de ferro, indicado para anemias crônicas. Doces feitos com esta farinha eram muito comuns até o século XIX.

Usos[editar | editar código-fonte]

A madeira é empregada na construção civil em vigas, caibros, ripas, acabamentos internos (marcos de portas, tacos e tábuas para assoalhos), na confecção de artigos para esportes, cabos de ferramentas, peças torneadas, esquadrias, joias, objetos de arte e peças de decoração, bem como móveis de alto luxo. Conhecida, em inglês, como brazilian-cherry, a madeira do jatobá consta, junto com as do ipê (brazilian-walnut) e as do mogno (mahogany), no grupo das dez mais valiosas e negociadas madeiras do mundo.

Frutos e folhas do jatobá.

A polpa do legume é comestível e muito nutritiva. É usada como alimento também pela fauna. A dispersão das sementes - de duas a quatro em cada legume - se dá, em grande parte, por morcegos.

Entre seringueiros e moradores de regiões próximas das florestas onde se encontram, é comum se utilizar a casca da árvore para fazer um chá, também chamado de "vinho de jatobá". Acreditam que este chá é um poderoso estimulante e fortificante. Por volta do início dos anos 2000, para evitar a retirada da casca, a Universidade Federal do Acre desenvolveu um método de extração do vinho do jatobá através de uma mangueira. Os mercados americanos e europeus são grande mercado para os extratos de jatobá.

Em épocas diferentes, desde 1930, foi indicada a comercializada para fins medicinais. A partir do final do século XX, passou a ser estudada por etnobotânicos americanos, sendo consumida nos Estados Unidos com os mesmos fins tradicionais. Como planta medicinal, diferentes partes são usadas por indígenas do Brasil, Guianas e Peru contra diarreia, tosse, bronquite, problemas de estômago e fungos nos pés. Estudos recentes indicam que jatobás antigos podem produzir substâncias com eficácia no combate a alguns tipos de câncer.

Tem sido usada na recomposição de matas degradadas e, com este fim, suas sementes são comercializadas pelas redes de sementes oficiais de seus biomas de origem.

Jatobá gigantesco de Mococa; esta árvore ainda frutifica bastante.

Fruta Mística[editar | editar código-fonte]

O jatobá é um fruto muito conhecida dos índios da América Latina por ser uma das frutas místicas. Por assim ser, os índios pesquisavam seus efeitos antes de consumi-lo. Este fruto trazia equilíbrio de anseios, desejos, sentimentos e pensamentos. Os índios costumavam, em tempos remotos, comer um ou dois pedaços de jatobá e, logo após, fazer rodas de meditação. Eles cultuavam a fruta e, hoje, a árvore (jatobeira ou jatobazeiro) é considerada um patrimônio sagrado no Brasil.

Ao longo do tempo, as pessoas foram se perguntado se a polpa do fruto fazia mesmo efeito sobre a saúde mental e sentimental. Com isso, muitos cientistas passaram a estudar seus efeitos. Estes concluíram que o jatobá traz alguns benefícios importantes, como a organização mental e a purificação dos sentimentos. Já o quanto tempo a pessoa precisa se alimentar disso para se sentir bem ainda é contestável. Também foi descoberto que o exagero no consumo diário pode gerar efeito contrário, deixando a pessoa atordoada e organismo desregulado.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.985
  2. 100 Árvores do Cerrado-sentido restrito:guia de campo, de Manoel Cláudio da Silva Junior - Brasília, Ed. Rede de Sementes do Cerrado, 2012.
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.997
  4. Árvores Gigantescas da Terra e as Maiores Assinaladas no Brasil

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 1. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002, 4a. edição. ISBN 85-86174-16-X
  • Lorenzi, Harri; Abreu Matos, Francisco José de: Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002. ISBN 85-86714-18-6

Ver também[editar | editar código-fonte]

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