Marco Vipsânio Agripa

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Marco Vipsânio Agripa
Marcus agrippa louvre portrait.jpg
Busto de Marcus Vipsanius Agrippa, no Museu do Louvre
Nascimento 63 a.C.
Morte 12 a.C.
País Império Romano

Marco Vipsânio Agripa (ca. 63 a.C.12 a.C.), em latim Marcus Vipsanius Agrippa, foi um general e estadista do Império Romano. Foi cônsul, governador da Síria e o general máximo do exército romano. Era amigo e genro do imperador Augusto, e responsável por muitos dos sucessos militares de Otaviano, entre eles a vitória naval da Batalha de Áccio contra Marco Antônio e Cleópatra VII do Egito.

Agripa destacar-se-ia pela sua capacidade militar e política, e pelas construções com que embelezou a cidade de Roma, bem como pelo mapa do mundo antigo que elaborou com os dados obtidos durante as suas viagens.

Dos mais importantes generais do período inicial do Império Romano, era oriundo de família modesta. Estudou na Grécia com Otaviano, futuro augusto, nascendo entre ambos sólida e duradoura amizade. Responsável pelas vitórias de Filipos contra os assassinos de César, de Naucolos contra Sexto Pompeu em 36 a.C. e da Batalha de Áccio contra Marco Antônio em 31 a.C., bem como da reorganização do exército romano.

Em 27 a.C., o general Agripa criou as províncias: Tarraconense, antiga Hispânia Citerior; a Bética e a Lusitânia, a partir da Hispânia Ulterior.

No inicio do governo de Augusto, participou das reformas do programa do imperador como edil romano e mais tarde cônsul, ocupando importantes cargos públicos. Sua atuação como conselheiro do imperador foi discreta mas significativa. Para preparar sua sucessão, Augusto fê-lo casar-se com sua filha Júlia Cesária, de quem teve, entre outros, Caio e Lúcio César e Agripina.

De caráter reservado, avesso às intrigas políticas, Agripa morreu de uma crise de gota, quando viajava pela Campânia.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe da sua vida até 43 a.C., em que começou a apoiar Augusto na luta pelo poder desencadeado após a morte de Júlio César.

Agripa nasceu nas zonas rurais nas cercanias de Roma, no seio de uma rica família da classe equestre. Seu pai foi Lúcio Vipsânio Agripa, e a sua irmã foi Vipsânia Pela. Tinha a mesma idade que Otaviano e ambos foram amigos desde a infância. Otaviano e Agripa serviram como oficiais de cavalaria sob comando de Júlio César na batalha de Munda, em 45 a.C., aonde Agripa fora após a luta contra Catão e os republicanos ao norte da África. Após a batalha, de volta para Roma, Júlio César adotou Otaviano como herdeiro.

Enquanto César se dedicava a consolidar o seu poder em Roma, enviou Agripa e Otaviano a estudar em Apolônia, na Ilíria, com as legiões situadas na Macedônia. César também enviou o filho de um dos seus amigos, Caio Cílnio Mecenas, a estudar com eles.

Os três jovens desenvolveram uma forte amizade no tempo em que estiveram afastados de Roma e sob as ordens de César. Agripa pronto conseguiu o apoio das legiões macedônias, graças à sua habilidade de liderado. Também aprendeu arquitetura, sendo esta uma área do conhecimento que aplicaria mais adiante na sua vida.

Enquanto estudavam em Apolônia, chegaram as notícias do assassinato de Júlio César em 44 a.C. Otaviano partiu imediatamente para Roma.

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Após o retorno de Otaviano a Roma, os três (Caio Cílnio Mecenas, Otaviano e Agripa) deram-se conta de que precisavam o apoio das legiões. Agripa voltou para Grécia para assumir o comando das legiões macedônicas (e, nomeadamente, da Legio IV Macedonica) e marchar com elas para Roma.

Uma vez que Otaviano teve o controlo dessas legiões, chegou a um pacto com Marco Antônio e Marco Emílio Lépido no que seria o segundo triunvirato, para se enfrentarem unidos contra os assassinos de Júlio César. Agripa lutou com Otaviano e Antônio como o general de maior categoria na Batalha de Filipos.

Na sua volta a Roma, Otaviano enviou Agripa em 41 a.C. para que comandasse a guerra contra Lúcio Antônio e Fúlvia Antônia, irmão e mulher, respectivamente, de Marco Antônio. A guerra terminou com a captura de Perugia em 40 a.C.

Dois anos depois pacificou a Gália após o levantamento da Aquitânia, e chegou a cruzar o Reno, tornando-se o segundo general da história em fazê-lo, após Júlio César, e com a finalidade de retaliar as agressões prévias das tribos germânicas. À sua volta recusou celebrar um triunfo, se bem que aceitasse ocupar o seu primeiro consulado em 37 a.C.

Para então, Sexto Pompeu conseguira o controlo sobre o mar que rodeia as costas da Itália, pelo qual a guerra já era algo iminente. A primeira preocupação de Agripa foi conseguir um porto seguro para as suas naves, o que conseguiu mediante a eliminação da separação do lago Lucrino do mar. Nesta época, Agripa contraiu matrimônio com Cecília Ática, filha do amigo de Cícero, Tito Pompônio Ático.

Otaviano tentou por si mesmo conquistar a ilha da Sicília, que se encontrava controlada por Sexto Pompeu, mas foi derrotado na batalha naval de Messina em 37 a.C., e novamente em agosto de 36 a.C. Octávio enviou Agripa contra Sexto Pompeu. Este, após ser nomeado comandante-em-chefe, mandou treinar as suas tripulações até acreditar que estavam capacitadas para se enfrentarem à frota de Pompeu. No prazo de um mês, Agripa derrotou a frota de Pompeu nas batalhas de Mylae e Nauloco. Agripa recebeu como condecoração uma coroa naval pelos seus serviços na Sicília.

Vida ao serviço público[editar | editar código-fonte]

Disposição das tropas durante a batalha de Áccio

Em 33 a.C., Agripa foi eleito edil, e usou os seus conhecimentos de arquitetura para realizar o seu trabalho. Sobressaiu no cargo graças à posta em funcionamento de importantes melhoras da cidade de Roma, restaurando e construindo aquedutos, incrementando e limpando a Cloaca Máxima, construindo termas, como as denominadas Termas de Agripa e pórticos e plantando jardins. Também estimulou a exibição pública de obras de arte. Augusto mais adiante presumiria de "ter-se encontrado uma cidade de tijolo e deixado uma de mármore" graças aos grandes serviços que proporcionou Agripa sob a sua autoridade.

Em comemoração da Batalha de Áccio, Agripa construiu o edifício que seria o Panteão de Roma até a sua destruição em 80. O imperador Adriano construiria o seu próprio Panteão a partir dos desenhos de Agripa. Este último ainda permanece em pé. A inscrição do segundo edifício, porém, preserva o texto da inscrição do primeiro. Nos anos posteriores ao seu terceiro consulado, Agripa permaneceu na Gália, reformando a administração provincial e o sistema tributário e efetuando a construção de um importante sistema de estradas e aquedutos.

A guerra contra Marco António[editar | editar código-fonte]

Panteão de Agripa. Amostra a lenda M·AGRIPPA·L·F·COS·TERTIVM·FECIT, que significa Marco Agripa, filho de Lúcio, construído durante o seu terceiro consulado

Agripa foi chamado novamente a comandar a frota quando se iniciou a guerra contra Marco Antônio e Cleópatra. Nessa guerra, Otaviano obteria a vitória definitiva na batalha de Áccio, que lhe daria o controle total do império. Grande parte da vitória deveu-se, novamente, aos dotes militares de Agripa.

As naves de António, grandes e lentas, dirigidas pelo cônsul Caio Sósio, foram derrotadas pelas naves menores e manobráveis de Agripa e pelo seu superior armamento. As naves de Cleópatra, em vez de lutar, fugiram através das naves combatentes, seguidas por Antônio.

A luta concluiu o dia 2 com a aniquilação da frota de Antônio e a fuga de Antônio e Cleópatra para o Egito.

Como amostra de agradecimento, Otaviano concedeu-lhe a mão da sua sobrinha, Cláudia Marcela Maior, em 28 a.C. Também obteve um segundo consulado conjuntamente com Otaviano esse mesmo ano. Em 27 a.C., Agripa conseguiu o seu terceiro consulado, de novo com Otaviano, ano no qual o senado concedeu a Otaviano o título de augusto.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Sua amizade com Augusto parece que se viu embaciada pela animosidade do seu meio-irmão Marcelo, que possivelmente se via incrementada como resultado das intrigas de Lívia Drusa, a terceira esposa de Augusto, que temia a sua influência sobre o seu marido. Tradicionalmente disse-se que o resultado dos ciúmes foi que Agripa deixara Roma, oficialmente para tomar o governo da província romana da Síria (uma espécie de exílio honorável). Contudo, Agripa somente enviou o seu legado a Síria, enquanto ele permaneceu na ilha de Lesbos e governava na distância. À morte de Marcelo, que ocorreu o ano do seu exílio, foi chamado novamente a Roma por Augusto.

Contudo, situando os acontecimentos no quadro da crise de 23 a.C., não parece tão provável que enquanto se enfrentava uma oposição significativa o imperador Augusto fosse situar um homem no exílio com o controle do corpo mais importante das tropas romanas. Parece mais provável que o exílio de Agripa fosse um cuidadoso movimento político para situar o seu leal tenente no comando desse exército tão importante, com a finalidade de ajudar Augusto se finalmente este precisasse apoio militar.

Diz-se que Mecenas aconselhou a Augusto vincular-se a Agripa ainda mais mediante um ligação matrimonial. Agripa divorciou-se de Marcela para se casar com a filha de Augusto, Júlia, a Velha, em 21 a.C. Júlia era a viúva de Marcelo, e possuía uma grande fama tanto pela sua beleza, como pela sua conduta indecente.

Em 19 a.C. Agripa foi enviado a pôr fim a uma revolta dos Cântabros na Hispânia, as chamadas Guerras Cantábricas. Mais tarde voltou a ser nomeado governador da Síria em 17 a.C., e conseguiu nessa província ganhar o respeito dos seus habitantes (e particularmente dos judeus) graças à sua boa administração. Agripa também recuperou o controlo romano sobre a Crimeia durante o seu governo.

Entre 16 a.C. e 15 a.C., foi encarregado de construir o Teatro romano de Augusta Emerita, atual Mérida, por ordem de Augusto.

Seu último serviço foi o começo da conquista da região situada para além da fronteira natural criada pelo rio Danúbio, que se tornaria na província romana da Panônia em 13 a.C. No Inverno desse último ano enfermou, falecendo pouco depois do seu regresso a Roma em março de 12 a.C., aos 51 anos. Seu filho póstumo, Marco Vipsânio Agripa Póstumo, recebeu o nome na sua honra.

Augusto honrou a sua memória com um funeral majestoso no que leu o discurso fúnebre, e ele próprio passou um mês inteiro de luto. Ordenou que o enterrassem no mausoléu imperial. Também se encarregou pessoalmente da educação dos seus filhos, e até mesmo adotou dois deles: Caio César e Lúcio César. Não chegou a adotar o último deles, Agripa Póstumo, para preservar a linhagem do amigo. Segundo a autobiografia de Augusto, tratava-se de um jovem desequilibrado e de mente fraca, sendo executado logo após a morte de Augusto.

Legado[editar | editar código-fonte]

Agripa também foi conhecido pela sua faceta de escritor, e especialmente de geografia. Entre os escritos que realizou existem referências a uma autobiografia, que se perdeu.

Marco Vipsânio Agripa foi, com Caio Mecenas e o próprio Augusto, uma personagem central na criação do sistema imperial do Principado, que governaria o Império Romano até a crise do século III e o surgimento do Dominato. Dentre os seus descendentes, o seu neto Caio seria conhecido na história como o imperador Calígula, e o seu bisneto Lúcio Domício Ahenobarbo governaria como o imperador Nero.

Matrimônios e descendência[editar | editar código-fonte]

Agripa teve vários filhos com diferentes esposas:

Vários dos filhos de Júlia foram logo adotados pelo seu avô Augusto e nomeados seus herdeiros, pelo qual o seu nome trocou de Vipsânio Agripa para César.

Caio e Lúcio, herdeiros do império por parte de Augusto, foram designados Principis Iuventutis. Porém, faleceram de causas naturais pelo qual a herança do império recaiu em Nero Cláudio Druso (quem faleceu de um acidente) e posteriormente em Tibério, que finalmente sucederia a Augusto. Druso e Tibério eram filhos do matrimônio anterior de Lívia Drusa, a esposa de Augusto, bem como foram adotados por este.


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • REINHOLD, Meyer: Marcus Agrippa: a biography. The W. F. Humphrey Press: Geneva, New York 1933.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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