Oligochaeta

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Como ler uma caixa taxonómicaOligochaeta
en:Lumbricus terrestris, uma espécie de minhoca nativa da Europa, mas encontrada em várias partes do mundo.

en:Lumbricus terrestris, uma espécie de minhoca nativa da Europa, mas encontrada em várias partes do mundo.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Annelida
Classe: Clitellata
Subclasse: Oligochaeta
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Oligochaeta ou oligoqueta (do Latim oligos=pouco, chaeta=cerda; ou "poucas cerdas") é uma subclasse de animais que possuem o corpo constituído de segmentos que lembram anéis. São metaméricos, triblásticos, celomados e com simetria bilateral. Habitam o solo e corpos aquáticos tanto de água doce (lagoas, açudes, rios, etc.) quanto salgada (mar). O animal mais representativo deste grupo é a minhoca. Esse táxon apresenta mais de 8.000 espécies descritas[1]

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Anatomia externa[editar | editar código-fonte]

A anatomia externa é bastante simples. O corpo é dividido em: prostômio, peristômio e pigídio. Entre o peristômio e o pigídio encontra-se o clitelo, uma estrutura glandular que só é visível em animais sexualmente maturos. A boca é ventral e está presente no peristômio, enquanto que o ânus está localizado no pigídio. Com exceção do primeiro segmento, os demais apresentam cerdas que são visíveis ou não a olho nu, dependendo do tamanho do animal. O prostômio e o pigídio não são considerados segmentos verdadeiros por não conterem celoma.

Anatomia interna[editar | editar código-fonte]

Diferentemente da anatomia externa, a anatomia interna apresenta uma enorme variação entre as espécies, porém, em geral, o sistema digestivo é composto pela boca, faringe, esôfago, moela, intestino e ânus. O sistema circulatório é fechado e constituído por um vaso dorsal e um ventral, os quais são ligados por comissuras laterais que funcionam como corações, bombeando o sangue da região posterior para a anterior dorsalmente e da região anterior para a posterior ventralmente. O sangue apresenta coloração vermelha devido à presença da hemoglobina. O sistema nervoso apresenta um gânglio cerebral dorsal e um par de cordões nervosos que seguem ventralmente ao longo do restante do corpo. Os nefrídios são as estruturas básicas do sistema excretor. O sistema reprodutor é formado por testículos, ovários, funis espermáticos, funis ovarianos e espermatecas (ou receptáculos seminais).

Biologia e fisiologia[editar | editar código-fonte]

Coprólitos produzidos por minhocas

Os Oligochaeta estão constantemente liberando um muco. Este tem a função de manter o tegumento do animal úmido para que possam realizar tanto as trocas gasosas através da epiderme, quanto auxiliar na fixação das paredes das galerias que esses animais constroem no solo. A maioria dos Oligochaeta não apresentam olhos ou estruturas similares, mas todos eles são capazes de detectar a presença de luz.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Minhocas trocando esperma

Todos os Oligochaeta são hermafroditas, podendo reproduz-se sexuadamente ou assexuadamente. Na reprodução sexuada, os animais se fixam em posições opostas e trocam esperma, os quais ficam alojados nas espermatecas. A fecundação na maioria dos casos é externa (a exceção é a família Eudrilidae). Ocorre quando um casulo é produzido pelo clitelo e este, ao deslizar para a região anterior do corpo do animal recebe o(s) ovo(s) e o esperma, respectivamente. Na reprodução assexuada, podem reproduzir por fragmentação, o que não é muito comum.

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

Devido ao seu modo de vida e as suas características fisiológicas, as minhocas têm sido exploradas em vários aspectos, como:

Bioindicador[editar | editar código-fonte]

As minhocas são consideradas importantes bioindicadoras por se mostrarem sensíveis às ações antrópicas, particularmente no que diz respeito à utilização de produtos químicos no solo. Esses organismos têm-se apresentado como bons bioindicadores de produtos químicos, como pesticidas; contaminantes de solo, como metais pesados; fatores físicos, como compactação e hidrologia; e, utilização da área, como agricultura[2] .

Isca para pesca[editar | editar código-fonte]

O uso das minhocas como isca para pesca é amplamente conhecido. No Brasil, ainda não existem registos, mas nos Estados Unidos o comércio de minhocas como isca para a pesca é uma prática bastante rentável[3] .

Compostagem[editar | editar código-fonte]

Produção de humus através da compostagem

Outra utilização prática das minhocas é a sua aplicação em alternativas de manejo de resíduos, sobretudo de origem orgânica. Essa aplicação é conhecida como compostagem, ou mais especificamente com o uso das minhocas como vermicompostagem. A importância das minhocas na decomposição de matéria orgânica e a liberação de nutrientes que ela contém são conhecidas há bastante tempo[4] . As técnicas de produção e manejo são bastante variadas e têm sido aplicado em vários países do Mundo.

Medicina[editar | editar código-fonte]

A utilização de substâncias produzidas por minhocas na medicina, apesar de conhecida entre algumas comunidades e entre alguns grupos de pesquisa, não é bastante difundida. Isso deve-se ao facto, principalmente, dos estudos de cunho científico voltados nessa perspectiva serem relativamente recentes. O uso destes animais na medicina popular é comum em comunidades tradicionais asiáticas e vem sendo documentada desde o ano 1340. Práticas na medicina popular visam tratamento de doenças como a piorreia, fraqueza pós-parto, varíola, pedra nos rins e reumatismo[5] . A medicina moderna tem avaliado compostos isolados de algumas espécies e detectado propriedades médicas promissoras como a actividade antiasmática [6] , anti-inflamatória [7] , antioxidativa [8] , e os quais demonstram ser um potente fibrinolítico e anticoagulante [9] .

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A subclasse Oligochaeta é dividida em três ordens, quatro subordens e 36 famílias, de acordo com a classificação proposta por Reynolds & Cook (1993)[10] :

Referências

  1. Reynolds, J. W., & Wetzel, M. J. 2007. Nomenclatura Oligochaetologica: suplementum quartum. Champaign: Ilinois Natural History Survey Special Publication.
  2. Römbke, J., Jänsch, S., & Didden, W. 2005. The use of earthworms in ecological soil classification and assessment concepts. Ecotoxicology and Environmental Safety, 62(2): 249-265.
  3. Ruppert, E. E., Barnes, R. D., & Fox, R. S. 2005. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. São Paulo: Roca.
  4. Darwin, C. R. 1897. The formation of vegetable mould through the action of worms: with observations on their habits. London: John Murray.
  5. Reynolds, J. W., & Reynolds, W. M. 1972. Earthworms in Medicine. American Journal of Nursing, 72.
  6. Chu, X., Xu, Z., Wu, D., Zhao, A., Zhou, M., Qiu, M., & Jia, W. 2007. In vitro and in vivo evaluation of the anti-asthmatic activities of fractions from Pheretima. Journal of Ethnopharmacology, 111(3): 490-495.
  7. Ismail, S. A., Plxandiran, K., & Yegnanarayan, R. 1992. Anti-inflammatory activity of earthworm extracts. Soil Biology and Biochemistry, 24(12): 1253-1254.
  8. Grdisa, M., Popovic, M., & Hrzenjak, T. 2001. Glycolipoprotein extract (G-90) from earthworm Eisenia foetida exerts some antioxidative activity. Comparative Biochemistry and Physiology - Part A: Molecular & Integrative Physiology, 128(4): 821-825.
  9. Sumi, H., Nakajima, N., & Mihara, H. 1993. A very stable and potent fibrinolytic enzyme found in earthworm Lumbricus rubellus autolysate. Comparative Biochemistry and Physiology Part B: Biochemistry and Molecular Biology, 106(3): 763-766.
  10. Reynolds, J. W., & Cook, D. G. 1993. Nomenclatura Oligochaetologica: suplementum tertium. New Brunswick: New Brunswick Museum.