Romance planetário

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Capa da revista Planet Comics, julho de 1948 (arte de Joe Doolin)

Romance planetário é um tipo de história de Ficção científica Soft ou fantasia científica na qual o grosso da ação consiste em aventuras em um ou mais planetas exóticos, caracterizados por cenários físicos e culturais distintos. Alguns romances planetários transcorrem em uma sociedade futura onde viagens entre mundos via espaçonave são corriqueiras; outros, particularmente os primeiros exemplos do gênero, não o fazem, invocando tapetes voadores, projeções astrais e outros métodos implausíveis de viajar entre planetas. Em qualquer dos casos, são as aventuras planetárias o foco da história, não o método de viagem.

Protótipos e Características[editar | editar código-fonte]

Como o nome do gênero sugere, o romance planetário é uma extensão dos "pulps" e romances de aventura de fins do século XIX e início do século XX numa montagem planetária. Os romances "pulp" (de escritores como Henry Rider Haggard e Talbot Mundy) apresentam personagens destemidos em cenários exóticos e "mundos perdidos" tais como a América do Sul, África, Oriente Médio e Extremo; uma variante ocorria em países reais ou fictícios de tempos antigos e medievais, e eventualmente contribuíram para o moderno gênero da fantasia (literatura).

No romance planetário, as transformações da "space opera" são aplicadas ao gênero de romance "pulp": o bravo aventureiro torna-se um viajante espacial, freqüentemente da Terra, simbolizada pela Europa e Estados Unidos modernos (entendidos como centros de tecnologia e colonialismo). Outros planetas (freqüentemente, nas primeiras histórias do gênero, Marte e Vênus) substituindo Ásia e África como locais exóticos; onde tribos hostis de aleinígenas e suas decadentes monarquias substituem os estereótipos ocidentais de "raças selvagens" e "despotismo oriental". Enquanto o romance planetário tem sido usado como um modo de expressar uma vasta variedade de idéias políticas e filosóficas, um assunto permanente é o do encontro de civilizações mutuamente alienígenas, suas dificuldades de comunicação e os resultados freqüentemente desastrosos que se seguem.

Edgar Rice Burroughs e as histórias de "Espada e Planeta"[editar | editar código-fonte]

Arte de James Allen St. John para Thuvia, Maid of Mars de Edgar Rice Burroughs, McClurg, 1920.

O primeiro autor a obter um grande mercado para esse tipo de história foi Edgar Rice Burroughs, cujos primeiros episódios da série Barsoom apareceram no "pulp" All-Story em 1911. Ainda que os escritos de Burroughs não fossem inteiramente originais, ele ao menos popularizou o conceito do tipo de aventuras "pulp" em outros planetas. O "Barsoom" (Marte) de Burroughs manifestava uma mistura caótica de estilos culturais e tecnológicos, combinando dispositivos futurísticos tais como "pistolas de rádio" e máquinas voadoras suspensas por um misterioso raio levitante, com anacrônicas cargas de cavalaria marcianas, um sistema feudal com imperadores e princesas, muitas lutas de espadas, e um código marcial pouco crível para justificá-las. O universo de Duna de Frank Herbert e Star Wars de George Lucas são descendentes diretos desta tradição de fundir o futurístico ao medieval. O conteúdo das histórias de Barsoom era pura fanfarronada, constituindo-se numa série de aprisionamentos, lutas de gladiadores, fugas ousadas, matança de monstros e duelos com vilões. Elementos de fantasia são mínimos; com exceção da telepatia, a maior parte dos exemplos de "magia" são dispensados ou expostos como parvoíces.

As histórias de Burroughs deram origem a um grande número de imitadores. Alguns, como Otis Adelbert Kline exploraram o novo mercado que Burroughs havia criado; mesmo Burroughs imitou a si mesmo em sua série sobre Vênus, iniciada em 1934. Depois de estar fora de moda por algumas décadas, os anos 1960 viram surgir um interesse renovado em Burroughs e na produção de imitações "burroughsianas" por autores como Lin Carter e Michael Moorcock. Este gênero conscientemente imitativo, influenciado também por autores de espada e feitiçaria como Robert E. Howard , atende pelo nome de ficção "Espada e Planeta", até mesmo Howard escreveu um romance do gênero: Almuric[1] ; ela é essencialmente estática, um gênero "retrô", visando reproduzir mais do mesmo gênero de história, com pouquíssima variação numa fórmula estabelecida. Talvez por essa razão, muitos autores de "Espada e Planeta" tenham escrito séries com seqüências exageradamente longas, o exemplo extremo sendo a saga de Dray Prescot de Kenneth Bulmer, composta de cinqüenta e três romances.

Romance Planetário e ficção científica[editar | editar código-fonte]

A publicação das revistas "pulp" de ficção científica iniciada em 1926 (e tornando-se especialmente prolíficas nos anos 1930) criaram um novo mercado para romances planetários, e e tiveram um forte efeito sobre as encarnações posteriores do gênero. Alguns "pulps", tais como Planet Stories e Startling Stories, eram basicamente dedicados a publicar romances planetários, enquanto os "pulps" existentes de fantasia, como Weird Tales começaram a publicar romances de ficção científica junto do seu cardápio habitual de horror e espada-e-feitiçaria. Um dos mais espetaculares autores neste estilo foi C. L. Moore, o autor das histórias de Northwest Smith (1933-1947), apresentando um rude homem do espaço que se encontra continuamente envolvido com forças alienígenas quase mágicas. Há pouca fanfarronada nas histórias de Moore, o qual se concentra na tensão psicológica, especialmente o medo e a fascinação do desconhecido, que surge nas obras de Moore tanto perigoso quanto erótico.

Nos anos 1940 e 1950, uma das mais significativas contribuintes ao gênero do romance planetário foi Leigh Brackett, cujas histórias combinam heróis complexos e vagabundos (por vezes, criminosos), grandes aventuras, histórias de amor ocasionalmente, cenários ricamente detalhados com um peso e uma profundidade pouco usuais em "pulps" e um estilo que conectou "space opera" e fantasia. Brackett era uma contribuinte regular de Planet Stories e Thrilling Wonder Stories, para as quais ela produziu uma série de contos entrelaçados no mesmo universo, mas - com exceção das histórias de Eric John Stark - com protagonistas totalmente diferentes. As histórias de Brackett são basicamente ficção de aventura, mas também contém reflexões sobre os temas do imperialismo cultural e corporativo, e colonialismo.

Há uma semelhança instrutiva entre The Enchantress of Venus, uma das histórias de Stark escritas por Brackett e Empire of the Atom de A. E. Van Vogt. Ambos tomam como ponto de partida a trama e a situação de Eu, Cláudio de Robert Graves. Van Vogt segue a trama mais de perto, concentrando sua invenção no plano de fundo de seu império enquanto enfatiza a vulnerabilidade do herói. Brackett introduz um homem da Terra que é impactado pelo fascínio romântico da mulher envolvida nessas intrigas. Embora ambas as histórias sejam "space operas", somente a de Brackett é um romance planetário.

De meados dos anos 1960 em diante, o tipo tradicional de romance planetário que transcorre no Sistema Solar saiu de moda; visto que os avanços tecnológicos revelaram como hostis à vida a maioria dos mundos locais, as novas histórias planetárias transcorrem em planetas extra-solares, geralmente através da pressuposição de algum tipo de viagem-mais-rápida-que-a-luz.

O romance planetário tornou-se um componente significativo da ficção científica atual, embora - possivelmente devido ao fato do termo ser percebido como pejorativo - poucos escritores usam esta expressão ao se auto-descrever. Devido a polinização cruzada entre o romance planetário e a "space opera", muitas histórias são difíceis de serem classificadas como sendo totalmente de um tipo ou do outro.

A série Duna de Frank Herbert, particularmente os primeiros livros que transcorrem principalmente no planeta desértico de Arrakis, tem todas as características do romance planetário (e algumas da ficção "espada e planeta"), embora sejam usadas como suporte das meditações de Herbert sobre filosofia, ecologia e a política do poder.

Os romances de Marion Zimmer Bradley sobre Darkover podem também ser classificados como romances planetários, dado que o foco permanece firmemente ajustado sobre o planeta Darkover, embora o cenário galáctico nunca seja inteiramente limitado ao plano de fundo. De modo similar, a série Krishna de romances planetários racionalizados de L. Sprague de Camp são uma sub-série de sua série de "space opera" Viagens Interplanetarias.

Os primeiros trabalhos de Ursula K. Le Guin, tais como Rocannon's World e Planet of Exile podem ser reconhecidos como romances planetários; argumenta-se que a maior parte de sua série Ekumen poderiam ser classificados como tal, embora em trabalhos posteriores elementos de fantasia estejam submersos, e temas sociais e antropológicos vieram para a frente.

Autores famosos de romances planetários[editar | editar código-fonte]

Autores conhecidos com obras classificadas como pertencentes ao gênero do "romance planetário":

Veja também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • "The Cambridge Companion to Science Fiction". Editado por Edward James & Farah Mendlesohn. Série "Cambridge Companions to Literature". Cambridge University Press, 2003. ISBN 0-52181-626-2
  1. Don Herron. The Dark Barbarian: The Writings of Robert E Howard, a Critical Anthology. [S.l.]: Wildside Press LLC, 1984. 9781587152030