Editora Abril

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Editora Abril
Editora Abril S.A.
Tipo Sociedade anônima
Gênero Editora
Fundação 1950 (66 anos)
Fundador(es) Victor Civita
Sede São Paulo, São Paulo, Brasil
Proprietário(s) Grupo Abril
Pessoas-chave Giancarlo Civita (CEO do Grupo Abril e Diretor Editorial)
Alexandre Caldini (Presidente)
Produtos Revistas, Jornais e Livros
Faturamento Lucro R$ 2,98 bilhões (2012)[1]
Sítio oficial Abril Editora

A Editora Abril é uma editora brasileira, sediada na cidade de São Paulo, parte integrante do Grupo Abril. A empresa atualmente publica 18 títulos, com circulação de 188,5 milhões de exemplares, em um universo de quase 28 milhões de leitores e 4,1 milhões de assinaturas, sendo a maior do segmento na América Latina.[2]

A editora é líder em 21 dos 25 segmentos em que atua e tem sete entre as 10 revistas mais lidas do país. VEJA é hoje a maior revista do Brasil e a segunda maior e mais lida revista semanal de informação do mundo, sendo a maior do mundo fora dos Estados Unidos.

Em julho de 2014, Alexandre Caldini assumiu a presidência da Editora Abril.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Birmann 21, o edifício sede da editora. É um dos maiores arranha-céus do Brasil.

Entre 1936 e 1938, o Italkim Cesar Civita trabalhou na Arnoldo Mondadori Editore da Itália, editora que publicava histórias em quadrinhos da Disney. Na editora, Civita foi gerente geral. Civita nasceu em Milão[4] , em 1938. Com o avanço do fascismo, Civita resolve se mudar com a esposa e os três filhos para Nova York em 1941.[5] Em seguida foi para Buenos Aires, Argentina, onde fundou a Editorial Abril[6] . A editora publica vários títulos de história em quadrinhos de autores como Hugo Pratt, Mario Faustinelli, Alberto Ongaro, Ivo Pavone, Héctor Oesterheld, Alberto Breccia, Dino Battaglia, e Paul Campani, além dos quadrinhos da Disney.[7] .

Em 1946, o jornalista Adolfo Aizen, dono da editora brasileira "Grandes Consórcios de Suplementos Nacionais", funda uma nova editora a Editora Brasil-América Ltda (mais conhecida com EBAL), e estabelece uma parceira com Civita para publicar personagens Disney na revista Seleções Coloridas, foi impressa na Argentina - já que além de possuir a licença dos personagens, a editora de Civita possuía uma moderna impressora colorida. No ano seguinte, a editora de Aizen publicaria a revista "O Heroi" (sem acento) por conta própria.[7]

Durante as férias de 1949, Cesar se reencontrou com o irmão Victor na Itália. Preocupado com como o Peronismo poderia prejudicar seu bem-sucedido negócio, Cesar propôs a Victor um novo empreendimento no Brasil. Victor visitou o Editorial Abril na Argentina, e em seguida foi para o Rio de Janeiro e São Paulo, decidindo se mudar para a segunda, enviando uma carta para a esposa e os filhos pedindo para vender tudo e vir para o Brasil.[8] Em Maio de 1950 Victor funda a Editora Primavera, seu primeiro título é a revista Raio Vermelho, uma revista em quadrinhos com títulos de origem italiana, que não faz muito sucesso. Em julho, rebatiza sua corporação como Editora Abril.[7] Sua primeira publicação foi a revista em quadrinhos O Pato Donald. Anos depois, esse começo inspirou Civita a parafrasear uma frase de Walt Disney - "Espero que nunca percamos a vista de uma coisa - tudo começou com um rato." - e declarar que "Tudo começou com um pato".[9] A empreitada foi financiada com US$ 500 mil, conseguidas por meio de empréstimos e dois sócios, o grupo Smith de Vasconcelos, e o mineiro filho de italianos Giordano Rossi, que seria seu parceiro nas primeiras décadas da Abril.[10]

Em 1951, a Abril abriu sua primeira gráfica, e em seus primeiros anos, a editora diversificou seu conteúdo e se posicionou como um das mais importantes do país.[11] Em 1952, a Abril lançou a feminina Capricho, que em seu formato inicial publicava fotonovelas importadas da Itália – apenas em 1981 passou a tratar de temas voltados para adolescentes. No fim da década, a aposta da Editora foi no mundo da moda, com o lançamento do título Manequim, com fotografias fornecidas por agências estrangeiras.[12] Em 1958, Victor convidou seu filho Roberto, então residindo em Tóquio como subchefe da sucursal local da Time, para voltar para o Brasil e trabalhar na Abril. Roberto eventualmente aceitou desde que pudesse criar três revistas, uma financeira nos moldes da Fortune (Exame, criada em 1967), uma semanal informativa nos moldes da Time (Veja, 1968, depois de uma similar mensal em 1965, a Realidade), e uma versão brasileira da Playboy (criada em 1975 com o nome Revista do Homem, recebendo permissão para rebatismo como Playboy três anos depois).[11]

Mas foi na década de 60 que a empresa fez uma revolução no mercado editorial, ao lançar fascículos semanais. A Editora Abril trouxe para as bancas, dividido em capítulos, assuntos que antes se restringiam em livrarias e bibliotecas. As coleções variavam desde enciclopédias e personalidades da história, até livros e discos temáticos. Neste mesmo período a Abril diversificou seu conteúdo, lançando e fortalecendo suas publicações voltadas para os públicos infantil, feminino, turismo, automóveis e esportes.

No início da década a Abril lançou a revista em quadrinhos Zé Carioca, a primeira com conteúdo totalmente produzido pela Abril e, posteriormente, exportado para outros países. Na mesma época chegou às bancas Claudia, com conteúdo de comportamento feminino e Quatro Rodas, com informações sobre turismo e automóveis.

No fim dos anos 60, outros três lançamentos marcaram a transformação da editora como a mais importante do continente sul-americano. Em 68 surgiu a semanal Veja, que hoje é maior revista semanal de notícias do Brasil e a terceira mais vendida no mundo. No ano seguinte foi lançada a revista infantil Recreio e, em 1970, Placar, a mais importante publicação esportiva dos últimos 40 anos.

Expandindo os segmentos, a Abril passa a publicar revistas masculinas (Playboy, Vip e Men's Health) e amplia suas publicações voltadas para o público feminino, com Estilo (versão brasileira da americana InStyle), Nova (versão brasileira da americana Cosmopolitan) e Elle (versão brasileira da revista francesa homônima). Nos anos 80, a Abril se consolidou como a líder do mercado e investiu em publicações técnicas e voltadas para ciência e tecnologia. A primeira, em 1981, foi Ciência Ilustrada; em 1983 chega às bancas o Guia do Estudante; e em 1987 são lançadas a Info e a Superinteressante, até hoje a líder no segmento[carece de fontes?]. Para conseguir um espaço em nichos específicos, a Abril se associou o filho de Giordano, Ângelo Rossi, para criar em 1986 a Editora Azul, com revistas segmentadas como Contigo!, Boa Forma, Viagem e Turismo, Saúde, AnaMaria, Terra, Set e Bizz.[13] Alguns dos títulos foram absorvidos pela Abril em 1997, quando Rossi vendeu sua parte em troca de trazer certas revistas para sua nova editora, a Peixes.[14]

Em 2010 foi criada a Abril Mídia, um dos pilares do Grupo Abril, que reúne diversas plataformas de comunicação do grupo. Ela é composta pela Editora Abril, Abril Mídia Digital, MTV, Alpha Base e Elemídia. No ano seguinte a Abril investiu em uma entrada no mercado do livro digital com o Iba, um site com livros, jornais e revistas digitais para leitura em tablet, smartphone ou computador. 50 editoras oferecem produtos no site, que incluem 20 publicações da Abril.[15]

Em 2013 a editora passou por uma reestruturação, que cortou de dez para cinco o número de unidades de negócios,[16] podendo vir a extinguir diversas revistas. Nos dois anos seguintes, a Caras se desdobrou em uma editora própria, que adquiriu diversos títulos da Abril, como Placar e Você S/A; Exame e Capricho passaram a ter apenas versões digitais; e vários outros títulos foram extintos, tanto por queda de circulação como custos com royalties no caso das licenciadas Playboy, Men's Health e Women's Health.[17]

Em 7 de dezembro de 2015 a editora anunciou que as revistas Nova Escola e Gestão Escolar, sem fins lucrativos, em acordo foram transferidas para a Fundação Lemann que passou a ser responsável por sua produção. O acordo entrou em vigor em 2016.[18]

Depredações[editar | editar código-fonte]

No dia 25 de outubro de 2014, manifestantes depredaram e picharam a sede da organização Abril, que se localiza na zona oeste da cidade de São Paulo.[19] O ato foi uma resposta a uma reportagem publicada pela revista Veja, na qual se afirmava que Dilma Rousseff, presidente candidata à reeleição, e Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor, sabiam da corrupção na Petrobras.[20] Dilma usou seu programa eleitoral para afirmar que a revista fazia terrorismo eleitoral.[21] Ambos negaram veementemente o conteúdo da publicação e afirmaram que tomariam medidas judiciais contra a revista. O episódio de depredação, contudo, foi repudiado pelos candidatos à presidência, Dilma Rousseff e Aécio Neves.[22]

Publicações[editar | editar código-fonte]

Atuais[editar | editar código-fonte]

Abril Jovem[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/59235/editora+abril+demite+diretores+de+nucleo+ate+dez+titulos+podem+ser+fechados
  2. Institucional Abril Media
  3. "Alexandre Caldini assume presidencia da editora abril" Exame. Visitado em 21 de Julho de 2014.
  4. Fondazione Franco Fossati: César Civita, 2005 (em italiano)
  5. Smith, Joel. Saul Steinberg: Illuminations. Yale University Press, 2006.
  6. La Nación: Murió César Civita, el gran creador de la editorial Abril (em espanhol)
  7. a b c Gonçalo Júnior. In: Editora Companhia das Letras. A guerra dos gibis: a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-1964. [S.l.: s.n.]. ISBN 8535905820, 9788535905823
  8. 60 anos da Editora Abril - Parte I
  9. Marcus Ramone (13/01/10). Os 80 anos dos quadrinhos Disney (em português) Universo HQ. Visitado em 19/03/2010.
  10. Perfil de Victor Civita Editora Abril. Visitado em 6 de junho e 2010.
  11. a b Civita, Roberto. (5 de junho de 2013). "Memórias de um Editor". Veja (2324): 93-101. Visitado em 25 de junho de 2011.
  12. Era uma vez... abril.com. Visitado em 11 de janeiro de 2016.
  13. Constituição e segmentação do mercado de revistas no Brasil: o caso da Editora Abril
  14. Fractal, dona da G Magazine, muda de mãos
  15. Banca Portátil
  16. Editora Abril faz mudanças e pode extinguir Playboy D24am (10 de junho de 2013). Visitado em 11 de janeiro de 2016.
  17. Editora Abril deixará de publicar revista 'Playboy'
  18. Revistas 'Nova Escola' e 'Gestão Escolar' serão transferidas G1 economia (8 de dezembro de 2015).
  19. Sede da Editora Abril é pichada em SP em retaliação à revista 'Veja'
  20. "Sede da Abril é pichada". Folha de S. Paulo, 29/10/2014
  21. "No horario eleitoral Dilma afirma que revista veja faz terrorismo eleitoral". Folha de S. Paulo, 29/10/2014
  22. Maria Lima e Cristiane Jungblut (26 de outubro de 2014). Dilma e Aécio condenam o ataque ao prédio da revista 'Veja' O Globo. Visitado em 11 de janeiro de 2016.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]