Insurgência islâmica na Nigéria

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Guerra atual
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Insurgência islâmica na Nigéria
Parte da(o) Violência religiosa na Nigéria
Wilayat al Sudan al Gharbi.png
Mapa da região dominada pelos insurgentes.
Período 2009 – presente
Local Norte da Nigéria
Resultado Em andamento
  • Militantes islâmicos lutam para estabelecer um Estado Islâmico no norte da Nigéria;
  • Alastramento em Camarões (desde 2012) e no Níger (desde 2015).
Participantes do conflito
Nigéria

 Camarões[1]
 Chade[2]
 Niger[3]
Apoio:
 Estados Unidos[4]
 Benin[3]
 Reino Unido[5][6]
 França[5]
 China[5]
 Canada[7]
 Irã[8]
 Israel[9]

Flag of Jihad.svg Boko Haram
Flag of Ansaru.svg Ansaru[10][11]

Apoiados por:

Líderes
Nigéria Goodluck Jonathan
Nigéria Muhammadu Buhari
Nigéria Ibrahim Geidam
Nigéria Ali Modu Sheriff
Nigéria Isa Yuguda
Flag of Jihad.svg Mohammed Yusuf
Flag of Jihad.svg Abubakar Shekau
Flag of Jihad.svg Mallam Sanni Umaru[12]
Flag of Ansaru.svg Abu Usmatul al-Ansari
Flag of Ansaru.svg Abu Jafa'ar
Baixas
+15 000 mortos[13][14][15]

Centenas de milhares de civis desalojados[16]

A Insurgência islâmica na Nigéria é um conflito armado entre grupos militantes islâmicos jihadistas e o governo da Nigéria. Trata-se de um fenômeno social recente que contrapõe o fanatismo islâmico e o governo central nigeriano, o primeiro para a inclusão da "sharia" em todos os estados da Nigéria e de maioria não-muçulmana e o segundo pela luta contra o que consideram "avanço avassalador da violência anti-cristã".[17]

Segundo alguns relatos, a violência teria matado mais de 15 mil pessoas,[18] e vários milhares deslocados pela devastação em cidades devidos a confrontos e tumultos.[19]

Causas[editar | editar código-fonte]

De acordo com um estudo sobre a demografia e a religião na Nigéria, os muçulmanos formam 50,5% da população. Eles vivem principalmente no norte do país. A maioria dos muçulmanos da Nigéria são sunitas. Os cristãos são o segundo maior grupo religioso e compõem 48,2% da população. Eles predominam no centro e no sul do país, enquanto seguidores de outras religiões constituem 1,4% .[20]

Como muçulmanos formam estritamente a maioria da população, muitos deles procuram introduzir a Sharia - lei islâmica - como principal fonte de legislação. Os 12 estados do Norte introduziram a sharia como base do executivo e do judiciário, nos anos 1999 e 2000. Nos últimos anos, o conflito sectário tem se intensificado.

Um grupo que vem ganhando destaque é o Boko Haram que já tomou mais de vinte cidades no nordeste nigeriano, sobretudo nos estados de Yobe e Borno e nas proximidades da fronteira com o norte de Camarões. O grupo extremista islâmico vem cometendo atrocidades contra cristãos, sequestram meninas e mulheres, estupram, praticam comércio de seres humanos e realizam saques.

Conflitos[editar | editar código-fonte]

As descrições dos refugiados sobre as condições em Bama no início de setembro, contradizem as alegações das forças armadas nigerianas. Os militares dizem que tropas apoiadas por helicópteros armados arrancaram a cidade e Bama do controle dos extremistas.

Moradores que fugiram de Bama para a cidade mais próxima de Maiduguri no início de setembro de 2014, dizem que o esforço governamental não é suficiente para expulsar os insurgentes do Boko Haram de algumas cidades, testemunhas e relatórios de agências independentes afirmam que os extremistas circulam livremente nas estradas do nordeste da Nigéria. De acordo com Agência Nacional de Gestão de Emergência do Governo só em setembro eram mais de 12.000 refugiados de Bama.[21] Dezenas de pequenas cidades e aldeias foram dominadas pelos terroristas em todo estado de Borno.

O governo da Nigéria tem respondido ao grupo com uma campanha de bombardeios e comprando novos equipamentos para Força Aérea. A legislação da Nigéria está atualmente considerando um empréstimo de US$ 1 bilhão para os militares.[21] Alguns dos combatentes do grupo estão acampados em prédios do governo, delegacias de polícia e prisões, mas boa parte deles vive e atua em cidades e territórios conquistados. Jacob Zenn um analista político africano alertou que as estratégias da força aérea não estão funcionando e que os extremistas podem ir para a selva se esconder dos ataques e depois voltar.[21]

Um relatório da Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais), aponta que os soldados no nordeste estão sofrendo de mau funcionamento de equipamentos, moral baixa, deserções e motins. Apesar do grande aumento de gastos do governo com o exército, pouca parte desse apoio encontrou seu caminho para as linhas de frente já que muitas das tropas que lutam contra a Boko Haram foram pagas com atraso, e por vezes, alguns soldados não receberam.[22]

Uma matéria do The Washington Post alega que o governo está perdendo o controle do nordeste do país e não se empenha tanto em combater o grupo.[23]

O Boko Haram tem erguido bandeiras sobre as cidades que invadiu, forçando qualquer morador a seguir sua versão estrita da sharia.[24]

No começo de 2015, as forças armadas nigerianas, apoiados por diversas nações da África Ocidental (como o Chade, o Níger e Camarões), lançaram diversas ofensivas, nas regiões norte e leste da Nigéria, para tentar expulsar os militantes do Boko Haram destas áreas. A estratégica cidade de Damasak foi retomada pelas tropas africadas em março, após uma semana de combates (pelo menos 200 islamitas foram mortos), marcando uma das primeiras vitórias significativas da nova aliança regional para combater o Boko Haram e seus simpatizantes.[25][26] Ao fim de março, a importante cidade de Gwoza, no noroeste da Nigéria, também conquistada pelo exército nigeriano. Este município era considerado o quartel-general do Boko Haram na região.[27]

Em abril de 2015 o exército nigeriano já havia retomado boa parte da região nordeste do país. A luta na maioria das frentes se tornou então em um confronto de guerrilha e contra-insurgência após o Boko Haram ter perdido boa parte do seu território.[28]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Faced with Boko Haram, Cameroon weighs death penalty for terrorism. By Tansa Musa, Reuters. YAOUNDE Wed Dec 3, 2014.
  2. Chad armoured column heads for Cameroon to fight Boko Haram. AFP for Yahoo! News, January 16, 2015.
  3. a b West Africa leaders vow to wage 'total war' on Boko Haram By John Irish and Elizabeth Pineau. 17 May 2014.
  4. Gryboski, Michael. «US Offers to Help Find Over 200 Nigerian Schoolgirls Abducted by Boko Haram». Christian Post. Consultado em 3 de maio de 2014 
  5. a b c Kidnapped schoolgirls: British experts to fly to Nigeria 'as soon as possible'. theguardian.com, Wednesday 7 May 2014.
  6. «British troops to help fight against Boko Haram as SAS target Isil». the Telegraph. 20 de dezembro de 2014 
  7. Canada joins effort to free Nigerian schoolgirls. May 14, 2014. By Murray Brewster, The Canadian Press
  8. Iran ready to help Nigeria over abducted girls: Diplomat. Monday 19 May, 2014.
  9. Israel sends experts to help hunt for Nigerian schoolgirls kidnapped by Islamists. Jerusalem Post; 05/20/2014.
  10. Sudarsan Raghavan (31 de maio de 2013). «Nigerian Islamist militants return from Mali with weapons, skills». The Washington Post 
  11. Steve White (13 de março de 2013). «Nigerian hostage deaths: British hostage executed in error». Daily Mirror 
  12. «Nigeria: Boko Haram Resurrects, Declares TotalJihad». allAfrica 
  13. Isaacs, Dan (5 de maio de 2004). «Analysis: Behind Nigeria's violence». BBC News 
  14. AFP: Curfew relaxed in Nigeria's violence-wracked city: army. Página acessada em 6 de maio de 2014.
  15. «'Hundreds dead' in Nigeria attack». BBC News. 8 de março de 2010 
  16. «Attack on Nigerian town kills more than 200». CNN. 8 de março de 2010 
  17. Ismene Zarifis (2002). «Human Rights Brief: Rights of Religious Minorities in Nigeria» (em inglês). Wcl.american.edu 
  18. (em inglês). BBC News http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/1630089.stm. Consultado em 6 de maio de 2014  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  19. (em inglês). CNN http://edition.cnn.com/2010/WORLD/africa/03/07/nigeria.violence/index.html?iref=allsearch  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  20. Pewforum.org http://pewforum.org/world-affairs/countries/?countryID=150  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  21. a b c «Boko Haram Extends Control Over Northeast Nigerian City». The Wall Street Journal 
  22. «Chatham House: Nigeria's Interminable Insurgency?» (PDF). Chatham House. Consultado em 28 de novembro de 2014 
  23. «Nigeria losing control of northeast to Boko Haram». The Washington Post 
  24. «The other caliphate». The Economist. Consultado em 28 de novembro de 2014 
  25. "Moral de tropas africanas é alto após expulsarem Boko Haram de cidades da Nigéria". Reuters.com.br. Página acessada em 20 de março de 2015.
  26. "Nigeria launches 'final onslaught' against Boko Haram". Al Jazira. Página acessada em 20 de março de 2015.
  27. "Boko Haram HQ Gwoza in Nigeria 'retaken'". Página acessada em 27 de março de 2015.
  28. Corones, Mike (5 de maio de 2015). «Mapping Boko Haram's decline in Nigeria». Reuters. Consultado em 10 de maio de 2015