Robertinho de Recife

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Robertinho de Recife
Informação geral
Nome completo Carlos Roberto Cavalcanti de Albuquerque
Nascimento 5 de novembro de 1953 (67 anos)
Local de nascimento Recife, PE
Brasil
Nacionalidade  Brasil
Gênero(s) MPB, heavy metal, forró, frevo, rock progressivo
Ocupação(ões) Guitarrista, compositor, produtor musical e arranjador musical
Instrumento(s) Guitarra
Gravadora(s) CBS, NewDisc/Polydor, Ariola, RCA Victor, EMI-Odeon
Afiliação(ões) Metal Mania
Yahoo
Página oficial www.derecifedomundo.com.br

Robertinho de Recife, por vezes chamado de Robertinho do Recife, nome artístico de Carlos Roberto Cavalcanti de Albuquerque (Recife, 5 de novembro de 1953), é um guitarrista, compositor, produtor musical e arranjador musical brasileiro.

Considerado um dos melhores guitarristas do Brasil, sua trajetória no universo da música popular consagra-o como profissional de múltiplos talentos e iniciativas.

No período em que foi músico de estúdio, tocava estilos radicalmente diversos ao acompanhar artistas como Jane Duboc, Cauby Peixoto, The Fevers e Hermeto Pascoal. Outras modalidades que também tocou incluem o heavy metal e a música infantil. Na ocasião do lançamento de seu disco "Rapsódia Rock", em 1990, apresentava-se vestido de Mozart.[1]

Como guitarrista, Robertinho de Recife já participou em shows ou gravou com vários artistas internacionais, tais como: George Martin, Watchpocket, Nina Hagen, Stanley Clarke, Peter Tosh, Andy Summers (The Police), Deep Purple (quando este esteve no Brasil), Stewart Copeland (The Police), Quiet Riot (quando este esteve no Brasil), Steve Cropper, Miami Sound Machine, Phil Collen (Def Leppard), John Lee Hooker, Simon Kirke (Free), Bonnie Ratt, Arto Lindsay, Taj Mahal, Gilles Martin, Dr. John and the Night Tripper e Candy Shoes String.[2]

Dentre os artistas nacionais com quem gravou destacam-se: Yahoo (no qual foi integrante-fundador), Rádio Táxi, Xuxa, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Raimundo Fagner, Hermeto Pascoal, Sivuca, Elba Ramalho, Amelinha, Lenine, Luis Melodia, Dominguinhos, Zeca Baleiro, Luiz Caldas, Frank Solari, Moraes Moreira, Orlando Morais, Lulu Santos, Martinho da Vila, Marisa Monte, Gal Costa, Tânia Alves, Pepeu Gomes, Wagner Tiso, José Augusto, Agnaldo Timóteo, Elymar Santos, Rosanna, Nara Leão, entre outros.[3]

Carreira musical[editar | editar código-fonte]

Quando tinha 10 anos, a caminho de uma quadrilha junina, foi atropelado por um carro. Passou dois dias em coma, colocou platina na perna. Ficou quase um ano deitado, sem poder andar.[4] Começou a tocar ainda menino, sendo logo apontado como guitarrista prodígio. Aos 12 anos, já considerado virtuose, apresentava-se tocando até com os pés. A família, que sempre morou na zona norte do Recife, contava muitos músicos, incluindo tios, primos e sua mãe, Ana Clea, que havia sido cantora antes de casar.[4] Ainda como aluno de seminário, estudou música sacra.[1]

Foi convidado a entrar em bandas, fazer show em boates em que não era permitida a entrada de menores, em conjuntos como Os Moderatos, banda de baile, e Os Bambinos, que tocavam em festas tropicalistas do Recife e também na TV Jornal.[4]

No final dos anos 1960, acompanhou alguns ídolos da Jovem Guarda, como Rosemary e Jerry Adriani.

Em 1971, foi para os Estados Unidos, onde tocou em bandas de country e blues.[5] Por mais que a experiência tenha sido positiva, houve outro acidente grave de carro, que o deixou em coma, depois da paralisia temporária na face, numa fase de dependência das drogas.[4]

Voltou para o Recife e, para se recuperar, buscou um retiro espiritual, estudando no Seminário Teológico do Norte. Tocava em igrejas e foi numa delas que Fagner o viu tocar pela primeira vez, o que resultou numa longa parceria. A aceitação da música "Frevo dos palhaços" foi boa.[4]

A estreia em disco solo, "Jardim da infância", de 1977, acontece numa fase de afirmação dos artistas através do trabalho de cada um, de formação de público. E vários elementos do LP evidenciam isso: na capa deslumbrante de Fausto Nilo, também parceiro em várias letras do disco; nos vocais de Elba Ramalho, Amelinha e Fagner, que assina a coprodução; na sanfona de Sivuca, no trompete de Márcio Montarroyos; no baixo de Itiberê. Jazz e rock, música nordestina, indiana, flamenca.[4]

Em 1978, Robertinho voltou sua atenção para o frevo e lançou o álbum "Robertinho no Passo" ao lado de Hermeto Pascoal. Outra influência forte no som daquele disco, segundo Robertinho, é a tradição indígena. O disco, na época, foi uma das apostas da gravadora para o carnaval.[6]

Realiza a turnê Tropical, como músico de Gal Costa, de onde veio inspiração para seu terceiro álbum, "Loucos Swings Tropicais". Ritmos latinos em destaque, participação de Gal em "Merengue" e o duelo entre guitarra e vocoder, em "Papo de guitarrista".[4]

Do casamento com Emilinha, vieram "Satisfação", de 1981, e "Robertinho de Recife e Emilinha", de 1982, ambos no estilo new wave.[4]

Em 1984, grava a música "É de chocolate" junto com o Trem da Alegria, que vira um grande sucesso. No dia em que recebeu o disco de platina, chegou da cerimônia de entrega e o jogou do 12º andar.[4]

Em 1985, Robertinho, juntamente com sua banda, o Metal Mania, abriu shows da banda norte-americana Quiet Riot, em São Paulo (26 de abril, no Corinthians), Rio de Janeiro (no Maracanãzinho) e Porto Alegre (no Gigantinho). No último show, no Mineirinho em Belo Horizonte, a banda se ausentou devido a uma greve dos aeroviários.[7]

Em 1988, Robertinho fundou o grupo musical Yahoo, porém deixou a banda um ano e meio após sua fundação, em 1989.[8] A banda ficou bastante conhecida por fazer versões de grandes sucessos internacionais com letras em português.

Robertinho de Recife teve o auge de sua carreira nos anos 70 e 80 e depois se dedicou a produzir artisticamente, nomes como Xuxa, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Raimundo Fagner.[9][10][11]

Havia optado uma vez por deixar a carreira musical de lado, negando um convite para integrar o grupo americano Chicago, porém, foi convidado pelo cantor Fagner na década de 1980.

A partir de 1990, se afasta dos palcos.[12] Por muito tempo, trabalhou como produtor musical em seu estúdio, o Special Discos, no Rio de Janeiro. Um dos trabalhos mais relevantes foi o álbum "Flor da Paraíba", da cantora brasileira Elba Ramalho, lançado em 1998.[13]

Em 2012, o músico sofre um acidente, onde fratura o braço esquerdo, no qual são colocados 16 parafusos.[14]

Depois de 25 anos, volta aos palcos em 2014, com a reedição do show "Rapsódia Rock".[14][15][16] Neste mesmo ano, em março, sofre um infarto e vai para a UTI do Hospital Copa D”Or, no Rio de Janeiro, para cirurgia cardíaca, onde são colocados cinco stents para desentupir artérias que dão acesso ao coração.[17][18] Também neste ano, reúne novamente o Metal Mania, para lançar o álbum "Metal Mania – Back for More".[4]

Em 2017, lança o EP "Wild" com o Metal Mania, nas plataformas digitais.[19]

Em 2019, lança com Zé Ramalho hits metaleiros com versões em português: "Sr. Ozzy" (versão de Mr. Crowley de Ozzy Osbourne)[20] e "Ás de espadas"[21][22] (versão de Ace of Spades da banda Motörhead).[23][24] Também planejava lançar disco de baladas com o cantor Andre Matos, que veio a falecer neste ano.[25]

Em 2020, vira tema de uma série documental chamada "Robertinho de Recife? Robertinho do Mundo!", dirigido por Claudia Andre e transmitido no canal por assinatura Music Box Brazil.[26][27] Neste mesmo ano, anuncia o fim da banda Metal Mania.[28]

Além do episódio do convite da banda Chicago para tocar com eles, tocou em várias bandas de destaque internacional como Watch Pocket, com a sua banda MetalMania, dividiu o palco com várias atrações internacionais como: Quiet Riot[10], Deep Purple, Judas Priest, Accept, e também fez uma participação especial na apresentação da banda Manowar, no Monster´s of Rock 2015, em São Paulo.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Carreira solo[editar | editar código-fonte]

Com a banda Yahoo[editar | editar código-fonte]

Sucessos como "Mordida de Amor" (cover da canção Love Bites, da banda britânica Def Leppard) e "Anjo" (cover da canção Angel, da banda norte-americana Aerosmith) levaram sua marca na guitarra.

com Marconi Notaro[editar | editar código-fonte]

Com Flaviola[editar | editar código-fonte]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Casado com a empresária Claudia André, com quem tem 2 filhos, Hana Khalil, ex-participante do Big Brother Brasil 19, e Fhorggio, desde 1996.

Tem também filhos de casamentos anteriores, como a atriz e musicista Roberta do Recife.

É também pai do ex-ator mirim Eduardo Caldas, fruto do casamento dele com a cantora Emilinha (futura componente do grupo Afrodite Se Quiser, na segunda metade da década de 80).

Referências

  1. a b http://www.dicionariompb.com.br/robertinho-do-recife
  2. «Cópia arquivada». Consultado em 23 de março de 2008. Arquivado do original em 12 de março de 2008 
  3. «Cópia arquivada». Consultado em 23 de março de 2008. Arquivado do original em 12 de março de 2008 
  4. a b c d e f g h i j Continente, Revista. «A volta do menino prodígio». Revista Continente. Consultado em 10 de abril de 2021 
  5. Carreira de Robertinho de Recife vai da guitarra à produção musical
  6. «Robertinho do Recife, lenda do Rock, foi fundamental na modernização do Carnaval». R7.com. 28 de fevereiro de 2017. Consultado em 10 de abril de 2021 
  7. «Quiet Riot: quebrando disco de banda brasileira em 1985». whiplash.net. Consultado em 10 de abril de 2021 
  8. http://www.fubap.org/roteador/2009/03/14/o-veneno-do-yahoo-2/
  9. http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/robertinho-de-recife.asp
  10. a b «Cópia arquivada». Consultado em 23 de março de 2008. Arquivado do original em 28 de setembro de 2007 
  11. http://www.jovemguarda.com.br/entrevista-robertinho-do-recife.php
  12. Continente, Revista. «A volta do menino prodígio». Revista Continente. Consultado em 10 de abril de 2021 
  13. http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/robertinho-de-recife
  14. a b CE, Do G1 (3 de março de 2014). «Robertinho de Recife volta aos palcos após 25 anos em festival no Ceará». Carnaval 2014 no Ceará. Consultado em 10 de abril de 2021 
  15. «Robertinho de Recife anuncia retorno aos palcos». Guitarload. 2 de abril de 2014. Consultado em 10 de abril de 2021 
  16. «Robertinho de Recife: músico está de volta 2 anos após acidente». whiplash.net. Consultado em 10 de abril de 2021 
  17. «Robertinho do Recife sofre infarto – Cremepe». Consultado em 10 de abril de 2021 
  18. Online, Do JC (21 de março de 2014). «Robertinho do Recife sofre infarto e faz cateterismo em clínica no Rio». JC. Consultado em 10 de abril de 2021 
  19. «Robertinho do Recife: lançado novo EP Wild». whiplash.net. Consultado em 10 de abril de 2021 
  20. «Ozzy Osbourne: Zé Ramalho e Robertinho de Recife fazem versão de "Mr. Crowley"». whiplash.net. Consultado em 10 de abril de 2021 
  21. «Motörhead: Robertinho de Recife e Zé Ramalho fazem versão de "Ace of Spades"; ouça». whiplash.net. Consultado em 10 de abril de 2021 
  22. «Combate Rock - Zé Ramalho e Robertinho de Recife fazem versão para 'Ace of Spades'». combaterock.blogosfera.uol.com.br. Consultado em 10 de abril de 2021 
  23. «Zé Ramalho e Robertinho de Recife se reúnem em disco de rock com versões em português de hits metaleiros». G1. Consultado em 10 de abril de 2021 
  24. «Robertinho de Recife revela como surgiu projeto com Zé Ramalho para regravar Ozzy e mais». Guitarload. 23 de fevereiro de 2020. Consultado em 10 de abril de 2021 
  25. Ernani, Felipe (22 de fevereiro de 2020). «Andre Matos iria lançar disco de baladas com Robertinho de Recife». Tenho Mais Discos Que Amigos!. Consultado em 10 de abril de 2021 
  26. «Robertinho de Recife une grandes músicos em série documental». Guitarload. 29 de setembro de 2020. Consultado em 10 de abril de 2021 
  27. «Robertinho de Recife une grandes músicos em série documental sobre sua carreira – Igor Miranda». Consultado em 10 de abril de 2021 
  28. «Robertinho de Recife: guitarrista confirma o fim da banda Metal Mania». whiplash.net. Consultado em 10 de abril de 2021 
  29. «Cópia arquivada». Consultado em 16 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 3 de maio de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]