Sérgio Godinho

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Sérgio Godinho
Sérgio Godinho Cosmopolite (212359).jpg
Informação geral
Nome completo Sérgio de Barros Godinho
Nascimento 31 de agosto de 1945 (72 anos)
Origem Porto
País Portugal
Género(s) Folk, Música popular portuguesa, Música de intervenção
Período em actividade 1972-actualidade

Sérgio de Barros Godinho mais conhecido por Sérgio Godinho[1] OL (Porto, 31 de Agosto de 1945) é um poeta, compositor, intérprete e, também actor português.

Como autor, compositor e cantor, personifica perfeitamente a sua música “O Homem dos Sete Instrumentos”. Multifacetado, representou já em filmes, séries televisivas e peças teatrais. A dramaturgia surge com a assinatura de algumas peças de teatro assumindo-se também como realizador.

História[editar | editar código-fonte]

Sérgio Godinho nasceu em 1945, no Porto. Com apenas 20 anos de idade, partiu para o estrangeiro. Primeiro destino: Suíça, onde estudou Psicologia durante dois anos. Mais tarde, mudou-se para França. Viveu o Maio de 68 na capital francesa. No ano seguinte, integrou a produção francesa do musical "Hair", onde se manteve por dois anos. Em Paris, privou com outros músicos portugueses, como Luís Cília e José Mário Branco. Sérgio Godinho ensaiava então as suas primeiras composições, na altura em francês.

Em 1971, participou no álbum de estreia a solo de José Mário Branco, «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», como músico e como autor de quatro das letras. Em 1971, fez a sua estreia discográfica com a edição do E.P. "Romance de Um Dia na Estrada" e do seu primeiro L.P., "Os Sobreviventes". Três dias após a sua edição, foi interditado, depois autorizado, depois novamente interditado. O disco foi eleito «Melhor disco do ano» e Godinho recebeu o prémio da Imprensa para «Melhor autor do ano».

Em 1972, Sérgio apresentou um novo álbum, «Pré-histórias», que inclui um dos temas mais emblemáticos da sua carreira: «A noite passada». Colaborou como letrista no álbum «Margem de certa maneira» de José Mário Branco.

Em 1973, mudou-se para o Canadá, onde casou com Shila, colega na companhia de teatro The Living Theatre. Integrou a companhia de teatro Génesis. Estabeleceu-se numa comunidade hippie em Vancouver, e foi aí que recebeu a notícia da Revolução do 25 de Abril, que o levou a regressar a Portugal. Já em terras lusitanas, editou o álbum À queima-roupa (1974) um sucesso que o fez correr o país, actuando em manifestações populares, frequentes no pós-25 de Abril.

Havendo regressado a Portugal após a revolução democrática do 25 de Abril de 1974, Sérgio Godinho tornou-se autor de algumas das canções mais unanimemente aclamadas da música portuguesa - «Com um brilhozinho Nos olhos», «O primeiro dia», «É terça-feira», para citar apenas três.

Em 1975, participou, com José Mário Branco e Fausto, na banda sonora do filme de Luís Galvão Telles, "A Confederação". No ano seguinte, escreveu a canção-tema do filme de José Fonseca e Costa "Os Demónios de Alcácer Quibir", onde participou como actor. O tema viria a ser incluído no seu novo álbum, "De pequenino se torce o destino" (1976).

Em 1977, colaborou em dois temas da banda sonora do filme "Nós por cá todos bem", realizado por Fernando Lopes. O seu quinto álbum de originais, "Pano-cru", foi editado no ano seguinte. Em 1979, foi editado o álbum "Campolide". O disco viria a ser premiado com o "Prémio da crítica Música & Som" para melhor álbum de música portuguesa desse ano.

Em 1980, voltou a colaborar com o realizador José Fonseca e Costa, desta vez no clássico do cinema português, "Kilas, o Mau da Fita". O álbum com a banda sonora do filme foi editado nesse mesmo ano. "Canto da boca", novo álbum de originais, foi também editado em 80, havendo recebido o prémio de "Melhor disco português do ano", atribuído pela Casa da Imprensa e, ainda, o Sete de Ouro para o "Melhor cantor português do ano".

Em 1983, no seu álbum "Coincidências", incluiu temas compostos em parceria com alguns dos mais reputados músicos brasileiros - nomes como Chico Buarque, Ivan Lins ou Milton Nascimento - algo até então inédito na produção musical portuguesa.

Nos seis anos que se seguiram, Sérgio Godinho gravou mais três álbuns de originais - "Salão de Festas", "Na Vida Real" e "Aos Amores". Foi também editada a colectânea "Era uma vez um rapaz" (1985) e o álbum para crianças "Sérgio Godinho canta com os Amigos do Gaspar" (1988).

Em 1990, apresentou o espectáculo "Sérgio Godinho, Escritor de Canções", onde revisitou as suas músicas sob uma nova perspectiva - apenas dois músicos acompanhantes e num auditório mais pequeno, neste caso o Instituto Franco-Português, onde fez 20 espectáculos de grande êxito. Desses espectáculos saiu o álbum ao vivo "Escritor de Canções".

Foi autor da série "Luz na Sombra", exibida pela RTP 2 no Verão de 1991, onde abordou em seis programas algumas das profissões menos conhecidas do mundo da música: letristas, técnicos de som, produtores, etc.; . Em 1992, realizou três filmes de ficção, de meia hora cada, com argumento e música igualmente seus. Estes filmes, com o título genérico de "Ultimactos", foram produzidos para a RTP, que os exibiu em 1994.

Escreveu ainda "O pequeno livro dos medos", obra infanto-juvenil, que também ilustrou.

Voltou à música em 1993, com o disco "Tinta permanente" e o espectáculo "A face visível", ambos merecedores dos maiores elogios da crítica e do público.

A 9 de Junho de 1994, foi feito Oficial da Ordem da Liberdade.[2]

Em Novembro de 1995, foi editado o disco "Noites passadas", que foi gravado ao vivo em três espectáculos realizados no Teatro S. Luiz em Novembro de 1993 e no Coliseu de Lisboa em Novembro de 1994. Recebeu também o Prémio Tenco e é convidado a participar na compilação de Natal "Espanta-espíritos" com o tema "Apenas um irmão" em dueto com PacMan (vocalista da banda Da Weasel).

Em Junho de 1997, foi editado o disco "Domingo no Mundo", produzido por Manuel Faria, que contou com a participação de músicos e arranjadores de diferentes áreas musicais: (Pop, Rock, Popular, Erudita, Jazz). O disco foi apresentado com enorme êxito no Teatro Rivoli do Porto e no Coliseu de Lisboa, nos espectáculos de nome "Godinho no mundo".

Em 1998, foi editado o álbum "Rivolitz", gravado ao vivo nos espectáculos do Teatro Rivoli e no Ritz Clube, em Lisboa.

Em 2000, Sérgio Godinho voltou com o disco “Lupa”, com dez canções originais e produção de Hélder Gonçalves e Nuno Rafael. O disco foi apresentado ao vivo, em Novembro desse ano, com dois espectáculos no Centro Cultural de Belém e um no Coliseu do Porto.

Dois mil e um foi o ano dos 30 anos de carreira. O aniversário foi marcado pelo lançamento de “Biografias do Amor”, uma colectânea de canções de amor, e de “Afinidades”, uma gravação dos espectáculos em conjunto com os Clã.

Em 2003, foi lançado o disco “Irmão do meio” onde Sérgio Godinho juntou alguns amigos com quem partilhou 15 canções. Entre muitos outros artistas, participaram neste disco Camané, Da Weasel, Jorge Palma, Teresa Salgueiro, Tito Paris, Xutos e Pontapés e alguns grandes nomes da música popular brasileira.

"Ligação Directa" foi o álbum de originais que se seguiu. Editado a 23 de Outubro de 2006, pôs termo a um interregno de 6 anos durante o qual o cantautor não produzira novos discos de originais. O álbum é composto por 10 temas, todos da autoria de Sérgio Godinho, com excepção de "O big-one da verdade", cuja música é de Hélder Gonçalves (dos Clã), e de "O Ás da Negação", cuja música é de Nuno Rafael. Nuno Rafael foi também responsável pela produção e direcção musical do álbum, que contou ainda com a participação de Manuela Azevedo, Hélder Gonçalves, Joana Manuel, Tomás Pimentel, Nuno Cunha, Jorge Ribeiro e Jorge Teixeira como músicos convidados.

Junta-se a José Mário Branco e Fausto para os concertos "Três Cantos Ao Vivo" em 2009.

Doze de Setembro de 2011 marcou o seu regresso aos discos de originais, com "Mútuo consentimento". Com o habitual grupo de músicos que o acompanham há vários anos (Os Assessores) gravou 12 novas canções, que resultaram do seu método habitual de composição: "Olhar à volta e ver o que se passa".

Em 2013, gravou o disco "Caríssimas canções" que resultou de uma série de crónicas para o jornal Expresso e que também foi editado em livro. Dois mil e quatorze foi o ano de "Liberdade ao vivo" e do livro de contos "Vidadupla" (Quetzal, 2014).

Juntou-se a Jorge Palma para uma digressão em conjunto que também deu origem a um disco.

"Coração mais que perfeito" (Quetzal, 2017) foi o nome do seu primeiro romance.[3]

"Eu o que faço é tentar contar coisas, falar de coisas, fazer interrogações à minha maneira e saber que há pessoas que são tocadas por isso", sublinhou o cantautor, hoje com 66 anos. Essas interrogações são "contos de um instante", como canta numa das canções do novo disco, e tanto podem falar de amor ("Intermitentemente"), como da situação do país e das incertezas do presente ("Acesso bloqueado").

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de originais[editar | editar código-fonte]

Álbuns ao vivo[editar | editar código-fonte]

Álbuns em colaboração[editar | editar código-fonte]

Colectâneas[editar | editar código-fonte]

Compilações
  • A Cantar Con Xabarín - 1996
  • Espanta Espíritos - 1995
  • Novas Vos Trago - 1999
  • Sons de Todas as Cores - 1997
  • Variações As Canções de António - 1994
  • Voz & Guitarra - 1997
  • o Disco do Benfiquista, naturalmente - 2003
  • UPA 08 - 2008

Bandas sonoras[editar | editar código-fonte]

EPs[editar | editar código-fonte]

Singles[editar | editar código-fonte]

  • Na Boca do lobo(1975) - Guilda da Música/Sassetti
  • Liberdade (1975) - Sassetti
  • Nós por cá todos bem (1977) - Diapasão
  • Kilas, o mau da fita (1981) - Philips
  • Tantas vezes fui à guerra (1983) - Philips

Colaborações[editar | editar código-fonte]

DVD[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Retrovisor - Uma Biografia Musical de Sérgio Godinho (2006) - Biografia
  • As Letras como Poesia (Objecto Cardíaco, 2006, e Afrontamento, 2009) - letras
  • O Pequeno Livro Dos Medos(2007) - Literatura infantil
  • Liberdade
  • O Primeiro Gomo da Tangerina - Literatura infantil
  • Sérgio Godinho e as 40 ilustrações
  • Caríssimas Canções
  • Vidadupla - contos - 2014
  • Coração mais que perfeito - romance - 2017

Prémios[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Entrevistas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Certidão de lista de associadas da Audiogest» (pdf). IGAC/Ministério da Cultura. 25 de julho de 2007. Consultado em 6 de Janeiro de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 24 de Dezembro de 2013 
  2. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Sérgio Godinho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 15 de abril de 2015 
  3. http://www.sabado.pt/gps/palco-plateia/livros/detalhe/sergio-godinho-em-vez-de-ler-um-livro-escrevi-um-livro
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