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Thomas Edison

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Thomas Edison
Edison por volta de 1922, quando ainda dirigia negócios de baterias e gravações sonoras
Nome completoThomas Alva Edison
Conhecido(a) porFonógrafo, lâmpada incandescente, distribuição de energia elétrica e primeiros filmes
Nascimento
Milan, Ohio, Estados Unidos
Morte
18 de outubro de 1931 (84 anos)

West Orange, Nova Jérsei, Estados Unidos
Local de sepultamentoGlenmont, West Orange
Nacionalidadenorte-americana
ParentescoLewis Miller (sogro)
CônjugeMary Stilwell (1871–1884)
Mina Miller (1886–1931)
Filho(a)(s)6, entre eles Charles e Theodore
EducaçãoAutodidata, com um curso de química na Cooper Union
OcupaçãoInventor e empresário
Período de atividade1877–1930
PrêmiosMedalha Matteucci (1887), Medalha John Scott (1889), Medalha Edward Longstreth (1899), Medalha John Fritz (1908), Medalha Franklin (1915) e Medalha de Ouro do Congresso (1928)
Assinatura

Thomas Alva Edison (11 de fevereiro de 1847 – 18 de outubro de 1931) foi um inventor e empresário norte-americano que trabalhou com a lâmpada incandescente, o fonógrafo, a distribuição de energia elétrica e os primeiros filmes. A fusão da Edison General Electric Company com a concorrente Thomson-Houston Electric Company deu origem à General Electric. Edison registrou 1.093 patentes nos Estados Unidos.

Edison nasceu em Milan, no estado de Ohio, e cresceu em Michigan, onde recebeu pouca instrução escolar. Perdeu a audição ainda criança e aprendeu muito por meio da leitura e de experiências práticas. Começou a trabalhar cedo e, como telegrafista ferroviário, dedicou boa parte do tempo a melhorar os sistemas de telégrafo. Aos 22 anos, já havia vendido algumas invenções e se mudou para Nova York para trabalhar com engenharia. Teve três filhos com a primeira esposa, Mary, mas esteve pouco presente na família. Ela morreu aos 28 anos, e suas relações com os filhos continuaram difíceis. Com o apoio de amigos, conseguiu investidores e ampliou os negócios. Aos 29 anos, era dono de uma fábrica de aparelhos telegráficos em Newark, com mais de cem empregados.

Em Menlo Park, Edison instalou o que passou a ser considerado o primeiro laboratório de pesquisa industrial. Chamado de "Mágico de Menlo Park", cobrava jornadas exaustivas da equipe e também trabalhava até o limite. Buscou investimentos e publicidade para suas invenções. O fonógrafo lhe trouxe fama internacional, embora levasse anos para se tornar um produto comercial. Mais tarde, construiu um laboratório maior em West Orange.

Em 1878, Edison começou a desenvolver um sistema de iluminação elétrica para substituir as lâmpadas a gás. A passagem da lâmpada à rede elétrica exigiu décadas de invenções, investimentos e articulação empresarial. Edison e seus colaboradores projetaram lâmpadas, geradores e sistemas de distribuição capazes de lhes render grandes fortunas. A concorrência com o sistema de corrente alternada da Westinghouse Electric o obrigou a ceder espaço e levou à formação da General Electric.

Ao mesmo tempo, Edison criou uma empresa de mineração que nunca deu lucro e quase o levou à falência. Com a diminuição de sua participação no setor de iluminação, fundou uma empresa de cimento e começou a trabalhar numa câmera cinematográfica. Esse projeto se desdobrou num dos primeiros estúdios de produção de filmes. Viajou pelos Estados Unidos e pela Europa para divulgar suas invenções. Em Boston, conheceu Mina, sua segunda esposa. Tiveram três filhos, e ele voltou a ser pouco presente na criação deles. Mais tarde, aproximou-se dos filhos homens, que acabaram trabalhando em suas empresas. Charles assumiu a presidência da empresa do pai em 1926. Edison enfrentou problemas de saúde e conviveu com o diabetes por muitos anos. Continuou a trabalhar intensamente até morrer. Depois do êxito com a iluminação, dirigiu empresas de baterias, filmes, discos fonográficos e fenol. Nos últimos anos, procurou uma fonte de borracha produzida nos Estados Unidos.

Nesta gravação de 1929, Edison recita "Mary Had a Little Lamb", verso que já usara ao demonstrar o fonógrafo.

Primeiros anos

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Retrato em preto e branco do jovem Edison com chapéu e cachecol.
Edison aos catorze anos, quando começava a aprender telegrafia e a fazer experiências por conta própria.

Thomas Edison nasceu em 1847 em Milan, no estado de Ohio. A família se mudou para Port Huron em 1854, e ele cresceu nessa cidade de Michigan. Era o sétimo e último filho de Samuel Ogden Edison Jr. e Nancy Matthews Elliott. Samuel havia morado em Vienna, Ontário, antes de fugir para Ohio após participar da Rebeliões de 1837.[1]

Sua mãe, que havia sido professora, ensinou-lhe a ler, escrever e fazer contas. Edison frequentou a escola por poucos meses e aprendeu grande parte do que sabia lendo por conta própria.[2] Um exemplar de A School Compendium of Natural and Experimental Philosophy, dado pela mãe, despertou seu interesse por experiências com eletricidade.[3][4] Seus pais também possuíam livros de Thomas Paine, cuja obra continuou a influenciar seu pensamento ao longo da vida.[5][6][7]

Edison começou a ter problemas de audição aos 12 anos. O historiador Paul Israel sugeriu que infecções recorrentes do ouvido médio e talvez um episódio de escarlatina contribuíram para sua surdez; a causa exata permanece incerta. Chamado de Alva quando jovem, Edison mais tarde inventou histórias fantasiosas para explicar a perda auditiva.[8][9] Não ouvia de um ouvido e mal conseguia ouvir do outro.[a] Quando adulto, acreditava que essa condição o ajudava a evitar distrações e a se concentrar no trabalho.[9][11]

Começou a trabalhar como vendedor de jornais, doces e verduras nos trens entre Port Huron e Detroit.[12] Aos 13 anos, ganhava cerca de 50 dólares por semana e gastava esse dinheiro em materiais para experiências elétricas e químicas.[13] Criou o jornal Grand Trunk Herald, vendido junto com outras publicações. Produziu 24 edições com notícias locais próprias, conquistou quinhentos assinantes e contratou pelo menos dois ajudantes.[14] Guardou em casa, pelo resto da vida, uma cópia emoldurada da primeira edição.[15]

Quando menino, Edison montou com um vizinho uma pequena linha telegráfica. No trabalho ferroviário, acompanhava operadores de telégrafo para aprender o ofício.[16][b] Tornou-se telegrafista numa loja local e depois passou a trabalhar à noite para a Grand Trunk Railway em Stratford Junction, Ontário.[19] No emprego, estudava análise qualitativa, fazia experiências químicas e dormia durante o expediente.[20] Sua desatenção quase causou uma colisão entre dois trens, e ele pediu demissão.[21][20]

Telegrafia

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Desenho técnico de um registrador de votos, com número de patente.
Sua primeira patente, concedida em 1869, descrevia um aparelho elétrico para registrar votos.

Entre 1863 e 1869, Edison trabalhou como telegrafista no turno da noite em Ontário, Michigan, Kentucky, Ohio e Massachusetts. Empregado da Western Union, transmitia notícias da Associated Press. Em Cincinnati, morou com Ezra Gilliland, de quem foi amigo por 25 anos. Filiou-se à National Telegraph Union e escreveu para sua revista. Os colegas o viam como um jovem engenhoso e disposto a experimentar, embora seus testes por vezes atrapalhassem o serviço.[22][23]

Em Boston, entre 1867 e 1869, ganhou algum dinheiro com um aparelho que registrava cotações da bolsa para clientes locais. Perdeu o que havia ganho ao tentar expandir o negócio para Nova York.[24] Sua primeira patente, a de um registrador elétrico de votos, foi concedida em 1.º de junho de 1869 sob o número 90.646.[25]

Trabalhadores posam diante de uma fábrica; Edison aparece numa janela alta.
A fábrica de Newark já reunia dezenas de empregados em 1873; Edison aparece na janela do quarto andar e escreveu que estava ocupado demais para descer.[26]

Edison se mudou para Nova York em 1869. Um de seus primeiros mentores foi o telegrafista Franklin Leonard Pope, que lhe ofereceu moradia e espaço de trabalho no porão de sua casa em Elizabeth enquanto o jovem trabalhava para Samuel Laws na Gold Indicator Company. Pope e Edison abriram uma empresa de engenharia elétrica em outubro daquele ano.[27][28] Edison atraiu investidores com dinheiro e contatos.[c] Em poucos meses, contrataram cinquenta pessoas e abriram uma oficina maior em Newark. A empresa alugava linhas telegráficas e fabricava registradores de mensagens e máquinas de escrever capazes de imprimir os sinais recebidos pelo fio. Edison exigia produtividade dos empregados e seguia fazendo experiências sem parar.[27]

Para desenvolver um novo sistema de telegrafia com Charles Batchelor, Edison se matriculou num curso de química da Cooper Union. Foi seu único curso numa instituição de ensino superior.[30] Na fábrica, os dois experimentavam quase continuamente formas de aperfeiçoar o telégrafo. Assinavam juntos os cadernos de trabalho com as iniciais "E&B".[31]

A empresa chegou a ter algumas centenas de empregados. Em 1874, Edison recebeu 30 mil dólares pelo telégrafo quádruplo, primeiro aparelho capaz de transmitir quatro mensagens ao mesmo tempo por um único fio.[32][33] Até então, tivera dificuldades para pagar suas dívidas e quase perdera os bens por execução de hipoteca em mais de uma ocasião.[32] Com o dinheiro, investiu na ferrovia urbana de Port Huron, pertencente a seu irmão William Pitt.[33][34] Também ampliou a empresa e contratou o pai e um sobrinho ainda jovem.[33]

Laboratório de Menlo Park

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Centro de pesquisa e desenvolvimento

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Interior do laboratório com vários homens, bancadas e lâmpadas suspensas.
O laboratório de Menlo Park reunia os equipamentos e trabalhadores necessários às experiências de Edison.

Em Menlo Park, Edison instalou um laboratório industrial voltado à produção de conhecimento e ao controle de suas aplicações.[35][36] A construção, iniciada em 1876 em Raritan Township, hoje denominada Edison Township em sua homenagem, foi financiada com a venda do telégrafo quádruplo. A equipe trabalhava sob suas orientações e recebia cobranças constantes por resultados.[37]

O nome de Edison consta de 1.093 patentes nos Estados Unidos.[38][39][d] Ao longo da vida adulta, isso correspondeu, em média, a uma patente a cada dez ou doze dias.[41] Como chefe do laboratório, recebia crédito por invenções desenvolvidas em boa parte pelos empregados. Trabalhava por muitas horas e esperava o mesmo dos demais. As jornadas chegavam a 18 horas diárias de segunda a sexta-feira, com trabalho também nos fins de semana. Um empregado falou dos "limites da exaustão humana".[42] Edison contratou advogados especializados em patentes e contestou os direitos de propriedade intelectual de muitos contemporâneos.[43][44]

Interior reconstruído com bancadas e numerosos frascos nas prateleiras.
A reconstrução em Greenfield Village permite ver como eram dispostas as bancadas e os materiais do laboratório de Menlo Park.

O crescimento dos negócios trouxe intensa publicidade. Edison restringiu o acesso do público e dos jornalistas ao laboratório de Menlo Park e moldou a imagem que apresentava nas entrevistas.[e] Em pouco mais de dez anos, as instalações passaram a ocupar dois quarteirões. Ele queria manter ali "um estoque de quase todos os materiais imagináveis".[46]

Microfone de carbono

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Esquema de um diafragma, contatos e grânulos de carbono ligados por fios.
A pressão das ondas sonoras sobre o diafragma altera a resistência do carbono e permite transmitir a voz pelo circuito.

Em 1876, Edison começou a aperfeiçoar o telefone com um microfone de carbono. A Western Union financiou os experimentos para competir com Alexander Graham Bell. Edison considerava o microfone de Emil Berliner a parte mais fraca do telefone de Bell. Testou muitos modelos à procura de um som claro e forte o bastante para que ele próprio conseguisse ouvi-lo. O transmissor que Edison aperfeiçoou até o início de 1878 usava um pequeno botão de carbono sob o diafragma. A pressão exercida pelas ondas sonoras alterava a resistência elétrica do carbono e, assim, a corrente no circuito. Ao longo dos experimentos, ele testou numerosos materiais e configurações para o diafragma e os contatos.[47][48][49]

David Edward Hughes publicou em 1878 um artigo sobre a física dos microfones de carbono com contatos frouxos e recebeu crédito pela descoberta do efeito semicondutor. Edison se irritou, e surgiu uma controvérsia pública, sobretudo porque Hughes reconheceu ter recebido orientação de um colaborador de Edison.[50]

Fonógrafo

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Edison jovem sentado ao lado de um fonógrafo de cilindro.
O fonógrafo trouxe a Edison notoriedade nacional antes que ele conseguisse vendê-lo em larga escala.

O fonógrafo, inventado por Edison em 1877, chamou a atenção de um público muito mais amplo.[51] Como telegrafista, ele já imaginara uma máquina capaz de registrar mensagens recebidas e reproduzi-las. Primeiro patenteou um disco giratório em que as mensagens seriam gravadas em relevo para posterior leitura. As experiências com Batchelor levaram a formas rudimentares de gravar e reproduzir sons.[52] O primeiro fonógrafo registrava o som numa folha de estanho enrolada em torno de um cilindro com sulcos, o que limitava a qualidade e a durabilidade das gravações.[53] A notícia do aparelho começou a circular em novembro.[54] Edison deu demonstrações públicas e procurou os jornalistas para divulgá-lo.[55] Aos olhos de muita gente, a máquina parecia quase mágica, e ele ganhou o apelido de "Mágico de Menlo Park".[56][57] Na velhice, passou a rejeitar a imagem de "gênio" e a insistir na fórmula de "1% de inspiração e 99% de transpiração".[58]

Em abril de 1878, Edison apresentou o fonógrafo à Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.[59] Obteve uma patente naquele ano,[60] mas pouco fez para comercializá-lo até que Alexander Graham Bell, Chichester Bell e Charles Tainter criaram, na década de 1880, um aparelho concorrente com cilindros de papelão revestidos de cera.[61]

A Edison Phonograph Company foi fundada em 1887 para concorrer com Bell. Ezra Gilliland, amigo de Edison, ajudou a iniciar o negócio, apesar de já ter trabalhado para Bell.[62][63] O dinheiro acabou antes de a empresa lançar um produto, e foi preciso recorrer a um investidor que impôs condições desfavoráveis. Jesse Lippincott negociou ao mesmo tempo com Edison, Gilliland e Bell para formar um monopólio dos fonógrafos. Sabendo que Edison não aceitaria a proposta se conhecesse os participantes, ocultou seu próprio papel e o de Gilliland e Bell e a apresentou por meio do advogado pessoal de Edison. Quando soube do arranjo, Edison ficou furioso. Gilliland partiu para a Europa, e a amizade terminou.[62][64] Depois de cinco anos de disputas judiciais, Edison assumiu o controle integral da empresa. O episódio também rompeu outras amizades em seu círculo de inventores abastados.[62]

Cilindro azul e agulha posicionada sobre sua superfície.
Encontrar cilindros resistentes ao desgaste foi uma dificuldade central na comercialização das gravações sonoras.

Edison levou anos para colocar o fonógrafo no mercado. O principal obstáculo técnico era encontrar um material que resistisse ao uso prolongado sem desgastar a agulha.[65] Tentou produzir bonecas falantes com um pequeno fonógrafo no interior,[66][67] mas os aparelhos costumavam deixar de funcionar durante o transporte, e a fabricação terminou em 1890.[66] Ele imaginava que a máquina transformaria o trabalho de secretariado. Em 1899, porém, sua empresa passou a atender à procura por música e lançou um modelo barato. Em 1900, o aparelho custava dez dólares, e os compradores podiam escolher entre três mil gravações musicais feitas por mil empregados da fábrica. Especialistas fiscalizavam de perto a qualidade da produção.[68]

Edison não tinha formação musical, não sabia ler partituras e mal ouvia. Ainda assim, até 1915 controlou rigidamente a produção de discos e aprovava pessoalmente os artistas segundo seu gosto.[69][70] Os nomes dos intérpretes não apareciam nos discos.[69]

A difusão do rádio prejudicou as vendas do fonógrafo. A empresa vendeu 90% menos discos em 1921 do que em 1920, enquanto as vendas de rádios cresceram 843% entre 1922 e 1926. Administradores mais jovens, sobretudo seu filho Charles, queriam que Edison investisse em rádio ou mudasse a publicidade. Ele preferiu dispensar empregados que não atingiam as metas que estabelecia.[71]

Tasímetro

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Aparelho científico do século XIX sobre uma base, com escala e conexões.
O tasímetro foi criado para perceber variações muito pequenas de calor, inclusive durante a observação da coroa solar.

Edison inventou o tasímetro, um instrumento muito sensível para medir radiação infravermelha. Queria medir o calor da coroa solar durante o eclipse solar de 29 de julho de 1878.[72][73]

Luz elétrica

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Lâmpada antiga de vidro escurecido, com o filamento visível.
Um dos modelos usados nas demonstrações de Menlo Park: a durabilidade do filamento era decisiva para vender iluminação elétrica.

Em 1878, Edison começou a desenvolver um sistema de iluminação elétrica que pudesse ser oferecido comercialmente em grande escala e concorresse com a iluminação a gás e a óleo.[74] Outros inventores já haviam criado lâmpadas incandescentes, mas sua vida útil curta e o consumo de muita corrente elétrica dificultavam o uso comercial amplo.[75] Edison tentou primeiro um filamento de papelão carbonizado com negro de fumo comprimido, que se queimou depressa demais. Experimentou gramíneas e fibras vegetais, entre elas cânhamo e palmeto, antes de escolher o bambu.[76]

Edison planejou a iluminação como um sistema completo.[77] Seus experimentos abrangeram o gerador elétrico e a distribuição de energia, enquanto ele divulgava o projeto ao público. Criou em Nova York a Edison Electric Light Company com a J. P. Morgan & Co., integrantes da família Vanderbilt e outros investidores que conhecera por meio de Grosvenor Lowrey.[78][79]

Desenho de patente mostrando uma lâmpada e suas ligações.
Na patente de 1880, Edison apresentou o filamento e os contatos da lâmpada como partes de um sistema de iluminação.

Edison continuou a aperfeiçoar a lâmpada. Em 4 de novembro de 1879, depositou o pedido da patente norte-americana 223.898, concedida em 27 de janeiro de 1880, para uma lâmpada com "um filamento ou tira de carbono enrolada e ligada a fios de contato de platina".[80] O documento propunha filamentos de fios de algodão e linho, lascas de madeira e papel enrolado de diferentes maneiras.[80] Só alguns meses depois da concessão da patente Edison e Batchelor descobriram que um filamento de bambu carbonizado durava mais de 1.200 horas.[80][81] A alta resistência desse filamento levou Edison a adotar 110 V como tensão de seu sistema, acima da empregada pelos concorrentes.[82] Empregados do laboratório testaram filamentos, produziram o vidro e aperfeiçoaram o vácuo dentro das lâmpadas. A retirada do ar prolongava sua vida útil ao impedir que os gases reagissem com o filamento.[83][84]

Para mostrar que o sistema podia distribuir energia em escala maior, os empregados estenderam fios e instalaram lâmpadas em Menlo Park.[85] Em fevereiro de 1880, visitantes iam ver a chamada "Vila da Luz".[86] Em 1883, Edison também abriu um negócio de construção desses sistemas para pequenas cidades dos Estados Unidos.[87]

Edison contratou Francis Robbins Upton, antigo aluno de Hermann von Helmholtz, em 1878.[88][89] Upton conduziu boa parte da pesquisa sobre iluminação elétrica, recebeu 5% dos lucros e chegou à direção geral da empresa.[88] Também escreveu alguns discursos de Edison e ajudou a contratar empregados.[88] John Ott executou aperfeiçoamentos mecânicos propostos por Edison e fez experimentos no laboratório. Os dois colaboradores aceitaram que Edison aparecesse como inventor na maioria das patentes, embora algumas tenham sido registradas apenas em nome de Ott. O testemunho dele ajudou a sustentar as reivindicações de Edison em disputas de patentes.[90] Fred, irmão de John, trabalhou como assistente experimental de Edison durante 57 anos.[91]

Navio a vapor com dois mastros e uma chaminé sobre a água.
O navio Columbia recebeu em 1880 uma das primeiras aplicações comerciais das lâmpadas de Edison.[92]

Henry Villard financiou um trem elétrico, iluminado e construído para circular numa via especialmente instalada pela empresa de Edison. O veículo funcionou, e parte da tecnologia recebeu patentes, mas Edison preferiu dedicar-se às lâmpadas e não continuou o desenvolvimento do trem.[93]

A lâmpada incandescente patenteada por Edison também se difundiu na Europa. Ele enviou engenheiros para divulgar o sistema, primeiro em Londres e depois em outros países.[94] Em 4 de setembro de 1882, ligou o sistema de Pearl Street em Manhattan, acendendo cerca de 400 lâmpadas.[95] Quase ninguém percebeu a mudança. Alguns chegaram à noite para perguntar por que as lâmpadas ainda não haviam sido acesas, tão estável e semelhante à luz a gás lhes parecia a iluminação. A imprensa deu pouca atenção ao evento, mas o Boston Globe escreveu: "Edison teve sua noite de estreia. Sua intenção é abrir a noite até transformá-la em dia".[96]

Em 1883, o escritório de patentes dos Estados Unidos julgou inválida a patente de Edison para um processo de aperfeiçoamento do filamento, por considerá-lo baseado no método de William E. Sawyer.[97] Tentativas de evitar o escurecimento do vidro, causado pela emissão de carbono eletricamente carregado pelo filamento aquecido,[98] levaram às lâmpadas com o chamado efeito Edison.[99] Em 1883, Edison pediu patente para um indicador elétrico que empregava esse efeito e também podia auxiliar na regulação da tensão. A patente foi concedida em 1884.[100] O aparelho foi um precursor dos dispositivos eletrônicos.[101] Esse efeito viria a ser usado no desenvolvimento das válvulas eletrônicas.[98] Para evitar uma disputa judicial com outro concorrente, Edison e Joseph Swan, titular de uma patente britânica de 1880 para uma lâmpada semelhante, formaram a Ediswan para fabricá-la e vendê-la no Reino Unido.[75] O processo de Sawyer era superior. A Westinghouse, detentora dos direitos sobre a patente, conquistou até 1889 uma parcela considerável do mercado de lâmpadas de Edison.[102]

Distribuição de energia elétrica

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Fachada de edifício industrial com o nome Edison Machine Works.
A Edison Machine Works fabricava parte dos equipamentos necessários à distribuição de eletricidade.

Depois de desenvolver uma lâmpada de filamento de carbono em 1879, Edison decidiu criar uma empresa de utilidade pública para fornecimento de eletricidade que concorresse com as companhias de iluminação a gás.[103][104] Para mostrar o avanço do projeto, iluminou com seu sistema uma reunião do conselho da empresa.[105] Fundou a Edison Illuminating Company em 17 de dezembro de 1880 e patenteou, ao longo daquela década, um sistema de distribuição elétrica.[106]

A comercialização exigia uma quantidade enorme de cobre. Para gastar menos metal, Edison criou um sistema de distribuição de três fios, em vez dos dois utilizados até então. A menor corrente necessária para fornecer energia à rede permitia usar fios de menor bitola.[107][108]

Para ampliar sua atuação em Nova York e assegurar o direito de instalar linhas subterrâneas, Edison transferiu suas operações para o número 65 da Quinta Avenida em 1881. Até o fim daquele ano, a Edison Machine Works e a Edison Electric Tube Company também estavam instaladas na cidade.[109][110] Na década de 1880, Edison pagava salários consideravelmente superiores aos de outras empresas nova-iorquinas.[111] Antes de vender eletricidade em escala, precisava medir o consumo dos clientes. Criou uma célula com solução e placas de zinco, pela qual passava parte da corrente usada em cada endereço. O zinco se depositava nas placas, que eram pesadas mensalmente para calcular o consumo e cobrar a conta.[112]

Em janeiro de 1882, Edison pôs em operação, no viaduto de Holborn em Londres, uma usina a vapor de 93 kW para demonstrar a viabilidade do sistema. Em 4 de setembro daquele ano, ligou em Pearl Street, Nova York, a Pearl Street Station, usina de cogeração a vapor com potência de 600 kW. O sistema fornecia corrente contínua a 110 V. Em 1884, atendia 508 clientes, com 10.164 lâmpadas.[111][113]

Expansão e concorrência

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Edifícios de exposição com contornos marcados por lâmpadas à noite.
A iluminação elétrica ganhou espaço também em eventos públicos; esta exposição no Tennessee ocorreu em 1897.

À medida que ampliava sua rede de corrente contínua (CC), Edison passou a enfrentar empresas que instalavam sistemas de corrente alternada (CA). O desenvolvimento de transformadores na Europa e pela Westinghouse Electric nos Estados Unidos, em 1885 e 1886, permitiu transmitir corrente alternada a distâncias maiores por fios mais finos e baratos. Assim, a CA podia alimentar iluminação pública, pequenos estabelecimentos e residências, em concorrência direta com a rede de Edison.[114][115] O alcance reduzido era uma desvantagem da CC. Suas usinas não conseguiam atender consumidores situados a mais de cerca de 1,6 km, o que limitava o mercado às áreas urbanas densas.[116]

Edison dizia em público que a CA era impraticável e que as altas tensões eram perigosas demais.[114][117] Quando George Westinghouse começou a instalar seus primeiros sistemas de CA em 1886, Edison afirmou que a tecnologia mataria um cliente em seis meses, pois exigiria muitos experimentos antes de funcionar de modo seguro.[118] A Edison Electric já havia instalado mais de cem sistemas de CC, e Edison não queria mudar os padrões adotados.[117] No fim de 1887, a Westinghouse tinha 68 usinas de CA, ante 121 usinas de CC da empresa de Edison. A Thomson-Houston Electric Company havia construído outras 22 usinas de CA.[119]

Retrato de Edison usando paletó e gravata-borboleta.
Edison em 1889, durante a disputa entre os sistemas de corrente contínua e alternada.

Na primavera de 1888, mortes causadas por linhas de alta tensão instaladas em postes provocaram indignação pública e uma campanha da imprensa contra a corrente alternada e as empresas de iluminação.[120] Edison aproveitou esse temor e se juntou a Harold P. Brown numa campanha contra a CA. Ajudou Brown a organizar demonstrações públicas em que animais eram eletrocutados com corrente alternada[114] e apoiou leis que restringiriam severamente a instalação de sistemas de CA e suas tensões. A disputa ficou conhecida como guerra das correntes.[121] Embora fosse contrário à pena de morte, a partir de 1887 Edison apoiou a criação de uma cadeira elétrica alimentada pelo sistema de Westinghouse, tentando prejudicar a imagem da corrente alternada.[f][123]

Apesar de também ter experimentado a CA, Edison perdeu terreno para os concorrentes, e essa forma de distribuição passou a dominar o setor. Sua posição na própria empresa se enfraqueceu.[124] Em 1890, disse ao presidente Henry Villard que talvez fosse hora de deixar os negócios de iluminação.[125] A concorrência e os processos por patentes consumiam os recursos das empresas, e financistas passaram a discutir uma fusão.[119] Depois de vencer ações por violação de sua patente de lâmpadas, a empresa de Edison considerou comprar uma concorrente de CA para encerrar disputas e obter suas patentes.[119] Em 1892, Villard e J. P. Morgan negociaram a fusão da Edison General Electric com a Thomson-Houston. O resultado foi diferente do que Villard esperava. Morgan considerou a Thomson-Houston mais valiosa, afastou Villard e entregou a direção da nova General Electric aos administradores da rival.[126][127][128] A companhia passou a controlar três quartos do setor elétrico norte-americano e a competir com a Westinghouse no mercado de CA.[125]

Edison ressaltou publicamente o ganho financeiro que obteve com a fusão, mas em particular já perdera o interesse pelo negócio da iluminação.[129] Permaneceu alguns anos no conselho de administração como figura de destaque e depois vendeu suas ações.[130][131]

Mineração

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Vista de instalações industriais e estruturas usadas no beneficiamento de minério.
Na unidade de Ogdensburg, Edison tentou mecanizar a separação de ferro de minério de baixo teor.

No fim da década de 1870, Edison começou a se interessar pela mineração. O minério de ferro de alto teor era escasso na costa leste dos Estados Unidos e precisava ser transportado da região Centro-Oeste, o que elevava seu preço.[132] Edison tentou aproveitar minério de baixo teor e areia das praias.[132][133] Outros já haviam usado ímãs para separar o ferro de outros minerais, mas ninguém conseguira tornar o processo lucrativo.[134]

A Edison Ore-Milling Company iniciou suas atividades em 1880, separando ferro da areia das praias. Edison prometeu entregar centenas de toneladas de minério por mês a alguns compradores, mas encerrou a operação três anos depois. Apenas um cliente havia recebido o produto.[132] William Kennedy Dickson e John Birkinbine ajudaram a conduzir o empreendimento.[132][135] Batchelor e Samuel Insull forneceram parte do capital, e Edison financiou do próprio bolso a participação majoritária.[136][135]

A primeira tentativa permitiu que Edison licenciasse parte da tecnologia a produtores de ferro mais bem-sucedidos. Sua equipe em West Orange continuou a aperfeiçoá-la, e ele comprou uma mina em Bechtelsville, na Pensilvânia.[132] Birkinbine queria usá-la para demonstrar o processo a outros proprietários de minas, mas Edison pretendia assumir a mineração ele mesmo. Birkinbine foi demitido em 1890.[137]

Edison comprou outras minas no leste dos Estados Unidos e começou a construir uma unidade central em Ogdensburg. Rolos e britadores reduziam rochas de cinco toneladas a fragmentos menores. Para extrair os blocos, adquiriu a maior escavadeira a vapor do país. Entre os equipamentos novos estavam rolos elétricos de setenta toneladas, que giravam com velocidade periférica de cerca de 1.067 metros por minuto. Seus mecanismos de transmissão se soltavam quando as rochas caíam, permitindo que a força do movimento as esmagasse. Edison procurou automatizar o trabalho. Correias transportadoras, a gravidade, peneiras e novos rolos conduziam o material pela instalação. O minério fino passava repetidas vezes por um campo magnético produzido por 480 eletroímãs para separar o ferro.[138]

As siderúrgicas não aceitavam minério com muito fósforo, que prejudicava o processo de Bessemer.[138][139] Edison criou um sistema pneumático para separar o fósforo, aproveitando a diferença de densidade entre os materiais.[138] Para facilitar o transporte e o manuseio nas usinas, o minério também precisava ser comprimido em briquetes. Edison automatizou essa etapa e se orgulhava de concluí-la em duas horas. Queria que ninguém precisasse tocar no ferro durante o processamento.[140] Apesar disso, a mina perdia dinheiro rapidamente.[138]

Em 1893, os Estados Unidos atravessavam uma forte recessão. Os gastos com a mineração, a queda do preço do ferro e as despesas da família de Mina deixaram Edison próximo da insolvência. Ele também estava doente, e o diabetes começava a afetá-lo.[141] Decidiu pedir um empréstimo ao sogro.[142][143]

Mesmo após o fracasso da empresa de mineração, Edison aproveitou materiais e equipamentos para fabricar cimento Portland.[144][145] O tratamento do minério deixava muita areia como resíduo, que ele vendeu a fabricantes de cimento. Em 1899, fundou a Edison Portland Cement Company.[146]

Para produzir cimento Portland, aquece-se o calcário com outros minerais. Edison projetou fornos horizontais com cerca de 46 metros de comprimento, nos quais a mistura permanecia por mais tempo a uma temperatura menor, mantendo a qualidade do produto.[147][145] Isso economizava carvão e reduzia o trabalho necessário para alimentar os fornos. Ele reutilizou grande parte dos materiais da unidade de extração de ferro de Ogden. Além de vender cimento, licenciou o processo a fabricantes norte-americanos e recebeu pagamentos pelo uso da tecnologia até a década de 1920.[145]

A poeira da britagem causava problemas às máquinas.[148][149] Os dínamos precisavam dissipar calor, o que dificultava isolá-los do ar empoeirado. Edison criou um sistema de ventilação que trazia ar limpo para resfriá-los sem expô-los à poeira da fábrica.[149]

Edison sentado junto a uma maquete de casa.
O modelo de casa de concreto fazia parte da tentativa de aproveitar a produção de cimento em moradias de baixo custo.

Em 1901, Edison tentou ampliar o negócio do cimento com uma proposta de moradias baratas. Imaginava pequenas cidades onde qualquer norte-americano pudesse comprar uma casa. Mais tarde, para reduzir o custo da construção, desenvolveu moldes que permitiam concretar de uma só vez uma casa inteira de três andares.[150] Construiu moradias para empregados por esse método e divulgou a ideia, mas a procura não foi suficiente para continuar o projeto.[151]

Em 1907, a fábrica de cimento de Edison tinha grande porte, mas ainda não dava lucro devido à concorrência. Ele tentou agir em conjunto com outros produtores para estimular o uso de cimento na construção. A empresa só se tornou lucrativa em 1922.[152]

West Orange

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Transferência das fábricas

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Edison em pé diante de um dos edifícios do laboratório.
O complexo de West Orange, visto aqui em 1918, substituiu o espaço menor de Menlo Park.

A primeira greve de empregados de Edison ocorreu na primavera de 1886, sob a liderança de D. J. O'Dare, da Edison Tube Works. Nas fábricas de Nova York, a jornada habitual era de nove horas, e os empregados de Edison estavam entre os mais bem pagos da cidade. Contudo, não recebiam pelas horas extras que frequentemente trabalhavam. Pediam aumento, pagamento das horas adicionais e direito à sindicalização. Edison e os demais administradores recusaram-se a negociar esse último ponto, pois não queriam perder o controle sobre os empregados. Até o fim do ano, as fábricas nova-iorquinas foram fechadas e a produção se concentrou numa nova unidade da Edison United Manufacturing Company em Schenectady, no estado de Nova York. Para atrair a empresa, os moradores da cidade subsidiaram 16% do custo do terreno.[153]

Samuel Insull começou a trabalhar para Edison como secretário em 1881, depois de passar pela revista Vanity Fair. Os dois se tornaram amigos, e Insull ganhou sua confiança. Quando Mary estava morrendo, ajudou a família a organizar os cuidados necessários. Assim como os outros colaboradores, cumpria jornadas longas. Tornou-se um dos dois administradores da nova Edison United Manufacturing Company.[154]

Em 1887, Edison considerou pequeno o laboratório de Menlo Park e encarregou Batchelor de construir outro complexo em West Orange. Quando ficou pronto, era mais de dez vezes maior que o anterior.[155]

Restos de edifícios industriais após um incêndio.
O incêndio de 1914 destruiu edifícios da fábrica de fonógrafos; a produção foi retomada após a reconstrução.

Em dezembro de 1914, um incêndio matou um empregado, destruiu treze edifícios e causou prejuízos de 1,5 milhão de dólares.[156][157] A fábrica de fonógrafos foi consumida pelas chamas. Edison mandou reconstruí-la com equipamentos novos, e a produção de discos recomeçou em janeiro.[158][156] Os exercícios regulares de combate a incêndios ajudaram a limitar as consequências.[157]

Em 1921, após a posse de Warren G. Harding, a economia norte-americana entrou em recessão. Edison já havia administrado suas empresas em crises anteriores e visto amigos irem à falência. Demitiu milhares de empregados, inclusive administradores. A economia se recuperou no outono, e os negócios voltaram, mas a empresa esteve perto da falência.[159]

Fluoroscopia

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Dois homens junto a um aparelho de raios X, com uma mão sob observação.
Edison experimenta um fluoroscópio com tela de tungstato de cálcio; os riscos da exposição aos raios X ainda eram pouco conhecidos.

Edison soube da descoberta dos raios X por Wilhelm Röntgen em 1896 e recebeu uma radiografia das mãos do cientista, com os ossos visíveis. Entusiasmado, tentou melhorar os aparelhos existentes com vidro de melhor qualidade e maior potência elétrica. Nas experiências, percebeu que telas de tungstato de cálcio produziam imagens mais nítidas e comunicou a descoberta a lorde Kelvin.[160]

O projeto básico de seu fluoroscópio continuou a ser utilizado, mas Edison abandonou as experiências depois de quase perder a visão e depois que seus assistentes, os irmãos Clarence e Charles Dally, sofreram ferimentos graves.[161][162] Em 1903, disse: "Não me fale de raios X. Tenho medo deles".[163] Os irmãos tinham servido repetidamente como cobaias do aparelho. Clarence morreu aos 39 anos de lesões ligadas à exposição à radiação.[161][162]

Bateria recarregável

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Vitrine de exposição com baterias e aparelhos sobre suportes.
A exposição de 1915 mostra como Edison passou a promover suas baterias além dos laboratórios.

Em 1899, Edison começou a pesquisar uma bateria recarregável mais eficiente para automóveis elétricos.[164] As baterias de chumbo-ácido eram comuns, mas apresentavam limitações e estavam protegidas por patentes de outros inventores. Edison optou por uma bateria alcalina.[165] Seu laboratório testou dez mil combinações de eletrodos e soluções até escolher níquel e ferro.[166]

Waldemar Jungner desenvolvia ao mesmo tempo uma bateria semelhante, da qual Edison provavelmente tinha conhecimento.[166][167] Os dois disputaram judicialmente os direitos sobre as invenções quando Edison tentou comercializar seu produto.[168] Edison obteve patentes nos Estados Unidos e na Europa em 1901 e fundou a Edison Storage Battery Company.[166] Preocupado com o resultado da disputa, Edison escreveu ao presidente Theodore Roosevelt em dezembro de 1903 para tentar influenciar o escritório de patentes. A patente de Jungner acabou declarada inválida.[169][170]

A Edison Storage Battery Company tinha 450 empregados em 1904.[166] Suas primeiras baterias recarregáveis destinavam-se a carros elétricos.[166][171] Como perdiam capacidade depois de alguns ciclos de recarga, a empresa teve de recolher toda a produção.[166][172]

Henry Ford conheceu Edison em 1896, quando trabalhava para a Edison Illuminating Company. Edison incentivou suas experiências com automóveis, e Ford deixou o emprego em 1899 para fundar a primeira empresa de veículos.[173] Com o Model T nas ruas em 1908, os carros a gasolina ganhavam mercado.[174] Edison só apresentou em 1910 uma bateria de níquel-ferro durável e eficiente, com uma solução alcalina como eletrólito. Como bateria para automóveis elétricos, a tecnologia não alcançou grande sucesso. Os carros elétricos perdiam espaço, e as baterias de chumbo-ácido haviam se tornado comuns para dar partida nos automóveis a gasolina.[166] As baterias de Edison, porém, encontraram aplicações em ferrovias e minas e se tornaram uma das atividades mais lucrativas de suas empresas.[175] Ford ainda acreditava no uso em automóveis. Em novembro de 1912, acertou um empréstimo inicial de 500 mil dólares para uma nova fábrica de baterias. Ao longo dos dois anos e meio seguintes, emprestou a Edison um total de 1,2 milhão de dólares, mas a bateria não foi amplamente adotada nesse mercado.[176][177]

O filme Leonard–Cushing Fight (1894) foi vendido aos exibidores em seis assaltos de um minuto, por 22,50 dólares cada.[178] No último, Leonard derrubou Cushing.

Durante o projeto de mineração, em 1888, Edison e William Kennedy Dickson começaram a desenvolver uma câmera que, nas palavras de Edison, faria "para os olhos o que o fonógrafo faz para os ouvidos".[179][180] Talvez tenham recebido inspiração do trabalho de Eadweard Muybridge.[181] Edison cuidou dos mecanismos elétricos, enquanto Dickson conduziu o trabalho com a óptica e o filme.[182] Edison recebeu em 1897 a patente de uma câmera cinematográfica chamada cinetógrafo,[183] mas Dickson realizou boa parte do trabalho de invenção.[182] Um protótipo usava película de 19 mm com imagens circulares. Em 20 de maio de 1891, o aparelho foi mostrado a participantes de uma reunião de clubes femininos por meio de um visor simples.[184][185]

Edison queria mais que uma câmera. Planejava um cinetofonógrafo capaz de gravar imagens em movimento e sons para reprodução sincronizada.[186][184] Na primavera de 1890, Dickson fez uma primeira tentativa de filme sonoro em que ele próprio aparecia.[184] Manter som e imagem sincronizados era difícil, e Edison suspendeu o desenvolvimento comercial da tecnologia.[187]

Interior de gabinete com mecanismo de filme e visor na parte superior.
O cinetoscópio permitia que uma pessoa de cada vez visse uma sequência de imagens em movimento.

Em 1891, Edison construiu o cinetoscópio, aparelho com um visor pelo qual uma pessoa podia assistir a filmes curtos. Instalado em salões de diversões, permitia a exibição individual das imagens.[188] A apresentação de 1891 ocorreu diante daquele grupo de visitantes; a primeira demonstração pública do cinetoscópio aconteceu em 9 de maio de 1893, no Brooklyn Institute of Arts and Sciences.[184][189] Em 1895, Dickson começou a organizar um negócio próprio, separado do de Edison. Não se conhece com certeza o motivo da ruptura, possivelmente decorrente de divergências entre os dois.[190][191][192]

Em abril de 1896, Thomas Armat acertou com Edison a fabricação e venda do Vitascópio, projetor usado para exibir os filmes do estúdio de Edison. A publicidade apresentava o aparelho como invenção de Edison, embora tivesse sido criado por Armat e C. Francis Jenkins. Edison havia tentado fazer um projetor próprio sem sucesso e reconheceu que o Vitascópio era superior naquele momento.[193]

As companhias ligadas ao estúdio cinematográfico de Edison produziram quase 1.200 filmes entre 1894 e 1918.[194][195] A maior parte eram curtas-metragens com acrobatas, desfiles e saídas dos bombeiros. Entre eles estavam O espirro de Fred Ott (1894), O Beijo (1896), O Grande Roubo do Trem (1903), As Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1910) e a primeira adaptação cinematográfica de Frankenstein (1910). Edison deixou a direção criativa dos filmes com Edwin S. Porter.[196] Em 1903, os donos do Luna Park anunciaram que sacrificariam a elefanta Topsy. Uma equipe da Edison Manufacturing filmou a morte da elefanta por corrente alternada e lançou Electrocuting an Elephant. Edison não participou da decisão de sacrificá-la.[197][198]

O documentário A Day with Thomas Edison (1922) registra Edison entre as atividades de suas fábricas e laboratórios.

Em 1908, a Edison Manufacturing Company e a Biograph constituíram a Motion Picture Patents Company, que reuniu patentes e licenciou nove produtoras e um importador de filmes. O consórcio ficou conhecido como Edison Trust.[199][200]

Em 1913, atores e músicos costumavam acompanhar as projeções ao vivo. Edison voltou a apostar em seu cinetofone para sincronizar imagem e som gravado.[g][201] Léon Gaumont desenvolvia uma tecnologia semelhante. Nos dois sistemas, era preciso que um projecionista experiente ajustasse a velocidade do filme à reprodução do som.[202]

Insatisfeito com seu papel na companhia, Porter foi dispensado em novembro de 1909.[203] Em 1914, as questões técnicas dos filmes mudos em preto e branco já estavam em grande parte resolvidas, e as histórias filmadas não despertavam o interesse de Edison. O cinetofone era difícil de operar e vendia pouco. Seus negócios cinematográficos entraram em declínio.[204]

Edison dizia que seu filme favorito era O Nascimento de uma Nação. Achava que o cinema falado "estragara tudo": "Já não há boa atuação na tela. Agora se concentram na voz e se esqueceram de atuar. Percebo isso mais do que vocês porque sou surdo".[205] Seus artistas preferidos eram Mary Pickford e Clara Bow.[206]

Segurança nacional

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Fotografia coletiva dos integrantes da comissão naval, em três fileiras.
Edison integrou a comissão consultiva criada para aproximar inventores e a Marinha dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial.

Durante a Primeira Guerra Mundial, preocupado com a segurança dos Estados Unidos, Edison propôs um comitê de cientistas e industriais para aconselhar as forças armadas e realizar pesquisas. Em 1915, assumiu a presidência do Naval Consulting Board.[207] Participou de poucas reuniões devido à surdez. Uma das tarefas do conselho era escolher o local de um centro de pesquisa naval. Edison queria instalá-lo longe de Washington, para evitar que visitas de funcionários do governo atrasassem os trabalhos. Os demais integrantes não aceitaram a proposta, e ele se voltou a experiências com tecnologia militar.[208]

Submarinos

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Submarino antigo navegando à superfície antes da Primeira Guerra Mundial.
O submarino E-2 recebeu baterias de Edison em testes que acabaram marcados por uma explosão fatal em 1916.

No início da guerra, Edison testou métodos para detectar submarinos, mas a Marinha não os adotou.[209] Permitiu que Miller Hutchinson promovesse sua bateria como alternativa mais segura às baterias de chumbo dos submarinos. Tripulantes de uma embarcação norte-americana haviam sofrido ferimentos graves quando um vazamento numa bateria de chumbo-ácido levou à formação de gás cloro no interior do navio. A bateria de níquel-ferro de Edison, porém, liberava hidrogênio. Isso não constituía o mesmo problema nos automóveis, mas podia causar explosões no espaço fechado de um submarino. Em janeiro de 1916, uma explosão de hidrogênio matou cinco homens durante a manutenção de um submarino USS E-2 equipado com a bateria de teste. Edison e Hutchinson atribuíram o acidente a um erro dos operadores, enquanto muitos oficiais da Marinha os acusaram de ter exagerado as qualidades do produto. As vendas foram prejudicadas, mas Edison manteve suas relações com a Marinha.[210]

Dois homens examinando uma planta no jardim.
Edison e Harvey Firestone examinam uma planta durante a busca por uma fonte norte-americana de borracha.

Na década de 1920, os Estados Unidos consumiam cerca de três quartos da borracha produzida no mundo, embora fabricassem uma parcela insignificante dela.[211][212] Edison e outros empresários temiam a dependência das importações.[213] A preocupação cresceu com o plano britânico Stevenson, que entrou em vigor em novembro de 1922 e restringiu a exportação de borracha.[214][215][216] Edison obteve recursos dos amigos Ford e Firestone para pesquisar plantas que pudessem fornecê-la nos Estados Unidos. No dia em que completou 80 anos, mostrou seu jardim experimental a visitantes.[215]

Depois de testar 17 mil amostras de plantas, Edison encontrou uma fonte promissora de látex na vara-de-ouro. No fim de 1929, anunciou que a espécie Solidago leavenworthii poderia ser selecionada para produzir 12% de látex.[217] Ao comparar as plantas, considerava a quantidade de látex, a facilidade de extração, a parte da planta em que ele se concentrava, a velocidade de crescimento e as condições de colheita.[218]

Produtos químicos

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Trabalhadores junto à estrutura de uma fábrica de anilina em construção.
A escassez de matérias-primas na Primeira Guerra Mundial levou Edison a construir instalações para produzir corantes e outros produtos químicos.

Edison obteve de outro químico a licença para usar o Condensite, material produzido pela condensação de fenol e formaldeído. O revestimento tornava os discos fonográficos muito mais resistentes.[219] Sua fabricação exigia também outros produtos químicos, cuja oferta diminuiu com o início da Primeira Guerra Mundial.[220]

Edison passou então a produzir fenol em sua unidade de Silver Lake com processos desenvolvidos por seus químicos.[221] Construiu duas fábricas capazes de produzir seis toneladas por dia, que começaram a funcionar na primeira semana de setembro, um mês depois do início da guerra na Europa. Em Johnstown e Bessemer, instalou unidades para fabricar benzeno. Outra fábrica próxima a Bessemer produzia corantes de anilina,[220] que antes eram monopolizados por empresas alemãs.[222] A escassez tornou esses empreendimentos lucrativos.[223][220]

Últimos anos

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Ford, Edison e Firestone de terno em um gramado.
Henry Ford, Edison e Harvey Firestone mantiveram uma amizade que se estendeu a viagens e negócios.

Edison e Henry Ford foram amigos até a morte do inventor. Ford tinha uma casa de inverno a poucas centenas de metros da dele em Fort Myers. Entre 1914 e 1924, viajaram anualmente de carro para acampar, muitas vezes acompanhados pelo empresário Harvey Firestone e pelo naturalista John Burroughs.[224] As viagens também divulgavam os automóveis de Ford, os pneus de Firestone e os negócios de Edison. Jornalistas acompanhavam o grupo.[225] Em 1918, antigos empregados e associados formaram o grupo Edison Pioneers.[226] Em 2 de agosto de 1926, aos 79 anos, Edison passou a presidência da Thomas A. Edison, Inc. a seu filho Charles e se tornou presidente do conselho de administração.[227][228]

Nos últimos anos, Edison continuou a mascar tabaco diariamente, enquanto o diabetes se agravava.[229] Morreu em 18 de outubro de 1931 em Glenmont e foi sepultado na propriedade.[230]

Após sua morte, Charles Edison pediu que alguns tubos de ensaio próximos do pai fossem fechados. Um deles foi enviado a Henry Ford com o rótulo "último suspiro de Edison" e está exposto no Museu Henry Ford.[231][232]

Durante dois dias, o corpo de Edison ficou exposto na biblioteca de sua casa em West Orange, onde as pessoas puderam se despedir.[233] Estima-se que quarenta mil visitantes passaram pelo local no segundo dia.[234] Em 21 de outubro de 1931, às 21h59 no horário da costa leste, milhões de luzes foram apagadas por um minuto nos Estados Unidos em sua homenagem. Cerca de um décimo das lâmpadas de Nova York se apagou. A tocha da Estátua da Liberdade também foi desligada, e linhas do metrô pararam.[235] A homenagem ocorreu a pedido do presidente Herbert Hoover.[233]

Tubo de vidro com rótulo numa vitrine de museu.
Um tubo recolhido após a morte de Edison foi guardado por Ford e passou a ser exibido como seu "último suspiro".
Retrato fotográfico de Mary Stilwell Edison.
Mary Stilwell foi a primeira esposa de Edison e mãe de seus três filhos mais velhos.

Em 25 de dezembro de 1871, aos 24 anos, Edison se casou com Mary Stilwell (1855–1884), de 16 anos. Ela trabalhava numa de suas oficinas. Segundo o que contou numa entrevista de 1884, conhecera Edison quando ainda era estudante e só depois passou a trabalhar para ele.[236] Tiveram três filhos:[h]

  • Marion Estelle Edison (1873–1965)[238]
  • Thomas Alva Edison Jr. (1876–1935)[239]
  • William Leslie Edison (1878–1937)[240]

Edison geralmente preferia o laboratório ao convívio com a família.[33] Depois da mudança para Nova York, os Edison moraram perto do Gramercy Park.[241] Após os primeiros anos de casamento, ele passou a dar pouca atenção a Mary.[242][243] Ela gostava de comprar vestidos da moda e de ir a bailes.[244] Em 1882, seu estado de saúde mental preocupava muito o médico da família.[241] Mary morreu em 9 de agosto de 1884, aos 28 anos.[245] Sua causa de morte não foi estabelecida com segurança; pesquisadores dos Thomas Edison Papers levantaram a hipótese de uma overdose de morfina, mas reconheceram que as evidências são circunstanciais.[246][247]

Thomas Jr.

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Retrato de Thomas Edison Jr. de pé, voltado ligeiramente para a esquerda.
Thomas Jr. buscou uma carreira de inventor, mas suas iniciativas comerciais causaram conflitos com o pai.

Thomas Jr. costumava adoecer na infância, e Edison deixou os cuidados com ele a cargo de Mary.[248]

Thomas Jr. queria ser inventor, embora não demonstrasse muita aptidão para isso. A partir da década de 1890, envolveu-se na venda de remédios de eficácia duvidosa e em outros negócios suspeitos ou fraudulentos. Seu pai passou a tratar com ele por meio de advogados e aceitou pagar-lhe uma pensão para que deixasse de usar o nome Edison nos empreendimentos.[249][250] Thomas Jr. também enfrentou problemas com a bebida e depressão.[249] Um casamento iniciado em 1899 durou apenas um ano e causou constrangimento público para pai e filho.[251]

Thomas conheceu Mina Miller na casa de Ezra Gilliland, em Boston, em 1885. Ela era filha do inventor Lewis Miller, que enriquecera com o aperfeiçoamento de uma máquina de ceifar trigo. Miller ajudou a fundar a Chautauqua Institution e financiava obras de caridade metodistas.[252] Mina gostava da vida social e seguiu a religião metodista com rigor por toda a vida.[253] Amiga da família Gilliland, Mina voltou a encontrar Edison naquele ano, enquanto ele trabalhava com Ezra em Boston. Os dois se viram numa reunião em Chautauqua, embora o caráter religioso do encontro pouco favorecesse o namoro. Edison a pediu em casamento depois de uma viagem que fizeram naquele ano.[254][255]

Jardim com espelho de água retangular, gramado e vasos.
O jardim de Mina em Fort Myers é parte da propriedade que a família usava no inverno.

Em 24 de fevereiro de 1886, Edison, então com 39 anos, casou-se com Mina Miller (1865–1947), de 20 anos, em Akron.[256]

Tiveram três filhos:

Retrato de Mina Edison em traje formal.
Mina assumiu grande parte da organização da casa e da criação dos filhos durante o segundo casamento de Edison.

Marion, a filha mais velha de Edison, visitava o laboratório de Menlo Park quando criança.[248] Na vida adulta, não se dava bem com Mina e foi morar na Alemanha em 1894.[261][262] Retornou em 1924 depois de se divorciar do marido, que lhe fora infiel.[263][264]

Tesla escreveu: "Se Edison não tivesse se casado com uma mulher de inteligência excepcional, que fez de sua preservação o único objetivo da vida, teria morrido muitos anos antes por simples falta de cuidados".[265]

No segundo casamento, Edison também passava pouco tempo com a esposa e os filhos. Quando estava em casa, controlava rigidamente a família, embora deixasse quase todas as tarefas domésticas e a criação das crianças a Mina e às cinco empregadas. Uma exceção era a festa de 4 de julho. Mesmo surdo, gostava do barulho dos fogos de artifício e fabricava os seus, acrescentando-lhes uma pequena quantidade de TNT.[266] Em viagens longas, escrevia cartas amorosas a Mina, dizendo sentir saudade dela.[267]

Madeleine disse que guardava poucas lembranças do pai na infância, quando ele costumava aparecer em casa apenas uma vez por semana.[268] Ela se casou com John Eyre Sloane.[257][258]

Theodore recebeu o nome do irmão de Mina, morto na Guerra Hispano-Americana pouco antes de seu nascimento.[269] Estudou física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).[270] Trabalhou para Charles depois que o pai se afastou dos negócios, mas decidiu abrir seu próprio laboratório como inventor independente.[271]

Charles estudou ciências gerais no MIT[272] e assumiu a presidência da empresa do pai em 1926. Mais tarde, governou Nova Jérsei entre 1941 e 1944.[259][273]

Vida pessoal

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Edison inclinado para ouvir um fonógrafo de cilindro.
Mesmo com perda acentuada da audição, Edison continuou a trabalhar com aparelhos de reprodução sonora.

Em dezembro de 1886, Edison teve pleurisia e precisou ficar em casa. Recuperou-se, mas em maio de 1887 passou por uma cirurgia de urgência para tratar abscessos abaixo da orelha.[274] Foi operado na mesma região em 1906 e 1908.[161] Não ouvia de um ouvido e mal conseguia ouvir do outro.[a] Também tinha diabetes.[141]

Propriedades

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Vista da casa de Glenmont entre árvores e gramado.
Glenmont, em West Orange, foi a residência que Edison compartilhou com Mina e onde morreu em 1931.

Em 1885, Edison comprou uma propriedade de cerca de 5,3 hectares em Fort Myers, na Flórida, por aproximadamente 2.750 dólares, e ali construiu a casa de inverno que mais tarde recebeu o nome de Seminole Lodge.[275] Em 1886, comprou Glenmont, uma casa em Llewellyn Park, West Orange.[276] Vendeu-a a Mina em 1891.[277] Gostava de barcos, carros e pesca.[278] Raramente dirigia, mas possuía automóveis para suas pesquisas. Os carros também aproximaram Edison de Charles, que ele incentivou a dirigir ainda criança.[279]

Ideias e posições

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Religião e metafísica

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Página de jornal com retratos de Edison e colunas de texto.
Numa entrevista de 1910, Edison expôs suas ideias sobre natureza, religião e sobrevivência da consciência após a morte.

O historiador Paul Israel chamou Edison de livre-pensador. A obra de Thomas Paine, sobretudo A Era da Razão, exerceu forte influência sobre ele. Edison defendeu o "deísmo científico" de Paine: "Chamaram-no de ateu, mas ele não era. Paine acreditava numa inteligência suprema, expressão da ideia que outros homens costumam chamar de divindade".[280] Numa entrevista de 2 de outubro de 1910, Edison declarou:

A natureza é o que conhecemos. Não conhecemos os deuses das religiões. E a natureza não é bondosa, misericordiosa nem amorosa. Se Deus me criou, o Deus lendário com as três qualidades de que falei, misericórdia, bondade e amor, também criou o peixe que pesco e como. Onde estão sua misericórdia, bondade e amor por esse peixe? Não. A natureza nos fez, foi a natureza que fez tudo, não os deuses das religiões.[281]

Essas palavras levaram alguns a chamá-lo de ateu. Edison não entrou na discussão em público, mas esclareceu sua posição numa carta particular: "Você interpretou mal todo o artigo, porque concluiu de imediato que ele nega a existência de Deus. Não há tal negação. Aquilo que você chama de Deus eu chamo de Natureza, a inteligência suprema que governa a matéria. O artigo diz apenas que, na minha opinião, é duvidoso que nossa inteligência, alma ou qualquer nome que se lhe dê continue a existir depois da morte como uma entidade, ou que se disperse de volta ao lugar de onde veio, entre as células que nos compõem".[280]

Edison também explorou e divulgou ideias ligadas ao panpsiquismo.[282]

Política

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Edison, Hoover, Henry Ford e Francis Jehl no laboratório reconstruído.
Em 1929, Edison encontrou o presidente Herbert Hoover na reconstrução de seu antigo laboratório em Menlo Park.

O pai de Edison era democrata e apoiava a secessão dos Estados Confederados da América.[283] Edison foi republicano durante quase toda a vida, mas apoiou por pouco tempo a terceira candidatura presidencial de Theodore Roosevelt pelo Partido Progressista.[284] Apreciava a defesa republicana do capitalismo industrial e das tarifas alfandegárias.[283]

Edison conheceu vários presidentes norte-americanos. Em 1879, apresentou o fonógrafo a Rutherford B. Hayes e, em 1890, encontrou Benjamin Harrison. A viagem anual de carros com Ford e Firestone lhe deu a oportunidade de conhecer Harding em 1921. Visitou Calvin Coolidge na casa do presidente em Vermont em 1924. Quatro anos depois, recebeu a Medalha de Ouro do Congresso, e Coolidge participou da cerimônia pelo rádio. Em 1929, Herbert Hoover o visitou no Seminole Lodge. Dez meses depois, Hoover acompanhou Edison e Ford à reconstrução do laboratório de Menlo Park feita por Ford.[285]

Edison apoiava o sufrágio feminino nos Estados Unidos.[284][286] Em 1915, afirmou: "Toda mulher deste país terá o direito de votar".[286] Também contratava mulheres para tarefas fabris que exigiam destreza manual, como a montagem dos fios das escovas dos dínamos.[287]

Edison criticou o nacionalismo belicoso que percebia na Europa.[288]

Prêmios e distinções

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Moeda prateada com busto de Thomas Edison.
A moeda de prata de 2004 assinalou os 125 anos das experiências de Edison com a lâmpada.

Esta lista de homenagens recebidas por Edison em vida é incompleta:

  • Em 20 de outubro de 1928, recebeu a Medalha de Ouro do Congresso, autorizada em 29 de maio daquele ano.[297]

Ver também

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Notas

  1. 1 2 Mais tarde, Edison encostava os dentes na madeira de um aparelho musical ou de um piano para perceber as vibrações sonoras pelo crânio.[10]
  2. ↑ Aos quinze anos, salvou uma criança de ser atropelada por um trem desgovernado. O pai da criança, que era telegrafista, aperfeiçoou a formação de Edison no ofício.[17] [18]
  3. ↑ Entre eles, a Western Union.[29]
  4. ↑ Além das patentes norte-americanas, 1.239 patentes estrangeiras foram registradas em nome de Edison.[40]
  5. ↑ Financiou a criação da revista Science, cujo primeiro volume saiu em 1880. Manteve anônima sua participação, e a publicação começou a divulgar textos favoráveis a ele. Em 1883, retirou-se porque a revista não dava lucro. Mais tarde, Alexander Graham Bell assumiu sua direção.[45]
  6. ↑ Edison cunhou o verbo "Westinghoused" para se referir à morte por corrente alternada de alta tensão.[122]
  7. ↑ Entre 1890 e 1913, Edison e Dickson não usaram nomes constantes para as tecnologias de cinema e som que desenvolveram.
  8. ↑ Marion e Thomas Jr. tinham, respectivamente, os apelidos "Dot" e "Dash", numa referência ao ponto e ao traço do código Morse.[237]
  9. ↑ Edison recusou a distinção por acreditar que não fizera mais pela Marinha que outras pessoas em funções semelhantes.[295]

Referências

  1. ↑ Israel 1998, pp. 1–5
  2. ↑ Israel 1998, pp. 6,7
  3. ↑ Baldwin 1995, p. 26
  4. ↑ Morris 2019, p. 30
  5. ↑ Morris 2019, p. 30
  6. ↑ Baldwin 1995, pp. 25–26
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  281. ↑ «"No Immortality of the Soul" Says Thomas A. Edison. In Fact, He Doesn't Believe There Is a Soul—Human Beings Only an Aggregate of Cells and the Brain Only a Wonderful Machine, Says Wizard of Electricity». The New York Times. 2 de outubro de 1910. Consultado em 26 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2025
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  283. 1 2 Israel 1998, pp. 32,33
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Bibliografia

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Fontes na internet

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Leitura adicional

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  • Albion, Michele Wehrwein. (2008). The Florida Life of Thomas Edison. [S.l.]: University Press of Florida. ISBN 978-0-8130-3259-7 
  • DeGraaf, Leonard. "Confronting the Mass Market: Thomas Edison and the Entertainment Phonograph." Business and Economic History 24#1 1995, pp. 88–96. JSTOR 23703274
  • Freeberg, Ernest. The Age of Edison: Electric Light and the Invention of Modern America (2014) em linha
  • Millard, Andre. "Thomas Edison and the Theory and Practice of Innovation." Business and Economic History 20, 1991, pp. 191–99. JSTOR 23702816
  • Winchell, Mike. The Electric War: Edison, Tesla, Westinghouse, And The Race To Light The World (Henry Holt, 2019)

Fontes primárias

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Ligações externas

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