Aviação do Exército Brasileiro

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Bolacha da Aviação do Exército (1988).

Aviação do Exército[editar | editar código-fonte]

A Aviação do Exército (AvEx) é o segmento aéreo do Exército Brasileiro e foi recriada com o objetivo primaz de proporcionar aeromobilidade ao mesmo. Além disso, ela carrega consigo o desígnio de ser um vetor de modernidade para, com isso, constituir-se num pólo de absorção, domínio e difusão de tecnologia e doutrina deste segmento da guerra moderna. Para tanto, a cada dia, a Aviação do Exército vem se desenvolvendo pelo constante aprimoramento técnico-profissional de seus integrantes, pelo adestramento operacional de seus elementos orgânicos e pelo aperfeiçoamento das doutrinas atinentes ao emprego da aviação em prol da força terrestre.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Primórdios[editar | editar código-fonte]

A origem da Aviação do Exército tem como cenário os campos de batalha de Humaitá e Curupaiti, na Guerra da Tríplice Aliança em 1867. Ao patrono do exército Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias, coube o pioneirismo de empregar balões cativos em operações militares na América do Sul, com a finalidade de observar as linhas inimigas. Foi o chefe militar que já estava atento a importância da terceira dimensão do campo de batalha para o desdobramento das manobras. Legou ao Exército Brasileiro a honra de ter sido a primeira força a utilizar balões para observação e busca de informações, o que possibilitou as forças aliadas observar as formidáveis fortificações paraguaias de Curupaiti e Humaitá, e assim auxiliar de maneira decisiva no planejamento e a montagem da ofensiva de grande porte. Após a guerra, foi criado o Serviço de Aerostação Militar, cujas atividades balonísticas se desenvolveram por mais quarenta e sete anos.

Em 1911, na fábrica de Cartuchos e Artefatos de Guerra do Exército, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, o alagoano e então tenente Marcos Evangelista da Costa Vilella Junior começava seus trabalhos de construção de um avião. Um ano mais tarde, Vilella, solicitou apoio ao então ministro da Guerra, Vespasiano de Albuquerque, que o negou.

A falta de apoio oficial não desanimou o tenente, que, paciente e obstinadamente enfrentou a carência de recursos, levando adiante seu projeto de construção de um avião construído com materiais nacionais. Seis anos mais tarde, ele concluía e voava com êxito em seu primeiro avião: o Aribu. O aparelho era um monoplano construído com material nacional, exceto o motor, de 50 cavalos, importado da França. A estrutura era de madeira e a cobertura de tela. A hélice fora desenhada e construída por Vilella, empregando madeira nacional.

Em 1913, foi criada a Escola Brasileira de Aviação (EsBAv) no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro (RJ), ocasião em que foram adquiridos os primeiros aviões do exército de fabricação italiana.

Capitão Ricardo Kirk, patrono da Aviação do Exército Brasileiro, e o memorial a sua memória, em Taubaté, onde estão depositados seus restos mortais.

Durante o ano de 1914, o governo tentava abafar as sedições de grupos populacionais na região do Contestado. O general Setembrino de Carvalho verificou a necessidade de reconhecer, assinalar as posições dos redutos e conduzir os fogos da Artilharia, para isso convocou a EsBAv e o 1º tenente Ricardo Kirk para o serviço de “Exploração aérea”. Coube ao tenente Kirk o primeiro emprego do avião em operações militares no Brasil. Brevetado na França – 1912, foi o primeiro oficial do EB a pilotar aviões. O então tenente-aviador Ricardo Kirk, Diretor da Escola de Aviação e Comandante do Destacamento de Aviação, faleceu nesta campanha em 1º de março de 1915 durante uma missão de reconhecimento aéreo onde hoje está localizado o município de General Carneiro (PR). Em reconhecimento pelo seu pioneirismo e numerosos feitos, o tenente Kirk foi promovido post mortem ao posto de capitão. Também por sua importância, é considerado, por todos os aviadores da força terrestre, como o maior herói da Aviação do Exército. Seus restos mortais repousam em um memorial ao lado da pista da Base de Aviação de Taubaté.

Ainda em 1917, o major Villela iniciou a construção de um segundo aparelho, batizado Alagoas. Era um avião consideravelmente mais desenvolvido do que o Aribu. Aproveitando a fuselagem de um avião Bleriot, Vilella projetou as asas e hélices e dotou o aparelho de um motor Luckt, importado, de 80 cavalos. Contando, desta vez, com recursos do Ministério da Guerra, Vilella concluiu mais rapidamente o aparelho. Em novembro de 1918, apresentou-o às autoridades militares e à imprensa, realizando um voo de demonstração no Campos dos Afonsos. O avião elevou-se a cerca de 800 metros de altura e voou suavemente. Mais tarde o major Vilela foi o oficial mais graduado a compor a nova arma de aviação, sendo o primeiro Brigadeiro da Aeronáutica Brasileira.

Com o término da Primeira Guerra Mundial, o EB resolveu retomar as atividades da aviação. Para isso deu início à sua escola de formação de aviadores militares – 1919, precursora do atual Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx). Iniciou suas atividades com aparelhos, oficiais aviadores e mecânicos conseguidos junto ao governo francês. Entre os instrutores mesclavam-se oficiais do EB. Durante esse período podemos citar como fatos importantes: o desdobramento da Av Militar no RS – 1921, com quartéis em Alegrete e Santa Maria; a Revolução de 1922 e 1924 em São Paulo, onde tomaram parte aviadores militares pelos dois lados conflitantes; a ampliação do Campo dos Afonsos e a construção de mais edificações no aquartelamento. Nesta fase de amadurecimento, a aviação militar tomava impulso e adquiria experiência.

Chegamos assim ao ano de 1927, onde a aviação militar adentra numa nova era de reorganização e desenvolvimento. O marco foi a criação da novíssima Arma de Aviação – 13 de janeiro de 1927, que terminava definitivamente com o perigoso período de estagnação de 1922-1926. Dentre as medidas de criação da nova arma podemos observar: a criação da Diretoria da Aviação Militar; a fixação de efetivos para o quadro de oficiais, atraindo oficiais de outras armas e garantindo um acesso de cadetes oriundos da Escola Militar, a transferência dos oficias que já possuíam o diploma militar de aviação; 2º tenente para os cadetes que escolhessem a aviação e a transferência de capitão e 1º tenente com menos de 30 anos que requeressem e fossem aprovados no curso da Escola de Aviação Militar. Merece destaque a aprovação do estatuto da Aviação Militar e do regulamento para os exercícios e combate da aviação, baseado na doutrina francesa – a mais desenvolvida na época. Como curiosidade a matrícula dos aviões da escola iniciava-se pela letra “k” de Kirk, e para os regimentos empregava-se apenas números (exceção feita as aeronaves de instrução desta unidades que tinham a letra “T”). Em 1932, são adquiridos aparelhos de treinamento ingleses e durante a Revolução de 32, dezenas de aviões de observação e de caças americanos.

O estandarte da aviação foi criado em 21 de janeiro de 1932 e o hino dos aviadores em 10 de novembro de 1935.

Oficiais do Exército Brasileiro, dentre eles o general Setembrino de Carvalho e o tenente Ricardo Kirk, em Porto União, região do Contestado.

O ano de 1931 marca o início das atividades do correio aéreo militar, que junto com o correio aéreo naval, formariam o correio aéreo nacional. O correio aéreo militar traria repercussões profundas na evolução da aviação militar e no desenvolvimento do próprio país. Nascido da inspiração de jovens oficiais teve o apoio então ministro da guerra, que vinha marcando sua administração por uma série de iniciativas, pelas quais o EB se tornava menos pesado ao erário nacional, prestando serviços em tempo de paz. Mais importante que tudo isso, era ânsia incontida dos jovens pilotos por se libertarem do “cilindro teórico”, de 10 quilômetros em torno dos Afonsos. Por fim permitiu a aviação descobrir aeronauticamente o Brasil interior.

A partir de 1933, a aviação iniciou a etapa seguinte do seu desenvolvimento, que foi o seu desdobramento pelo território nacional, principalmente para a direção Sul, por onde se estendia a maior porção do dispositivo do EB. O decreto que reorganizou a aviação criou: as unidades aéreas do Exército, que se compunham de aviação, aeroestação e artilharia antiaérea. Foram criadas três zonas militares aéreas e os sete regimentos de aviação (RAv). Eles ficavam assim distribuídos: 1º RAv no Rio de Janeiro; o 2º Rav em São Paulo; o 3º RAv em Porto Alegre; o 4º RAv em Belo Horizonte; o 5º RAv em Curitiba; o 6º RAv no Recife e o 7º RAv em Belém. De imediato foram ativados o 1º, 3º e 5º RAv, sucessivamente, ao longo de 1934 – 1936 foram sendo criados os destacamentos de Campo Grande e de Fortaleza; os núcleos do 4º e do 7º RAv.

Por decreto presidencial, em 20 de janeiro de 1941, foi criado o Ministério da Aeronáutica, atribuindo-se à Força Aérea Brasileira a exclusividade da realização de estudos, serviços ou trabalhos relativos à atividade aérea nacional, extinguindo-se a Aviação Naval Brasileira e a Aviação Militar, encerrando a fase inicial da Aviação do Exército.

O renascimento da Aviação do Exército[editar | editar código-fonte]

Brevê dos aviadores do exército após a recriação da Aviação do Exército (1988).

As experiências e constatações colhidas dos conflitos bélicos, após a Segunda Guerra Mundial mostraram a necessidade da força militar terrestre dominar e utilizar a faixa inferior do espaço aéreo, buscando mobilidade tática e o aumento do poder de combate. Acompanhando a evolução de outros exércitos, o Exército Brasileiro conscientizou-se da necessidade de implantar uma aviação própria e, com isso, propiciar um maior poder, mobilidade e flexibilidade à força terrestre. Buscando a modernização e a adequação da força ao novo cenário, na década de 80, o Estado-Maior do Exército iniciou os estudos doutrinários do emprego de aeronaves de asas rotativas em proveito das forças de superfície.

Os estudos culminaram na criação da Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx) e do 1º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx), em 1986. Fisicamente, a aviação passou a tomar forma com a instalação do 1º BAvEx na cidade de Taubaté-SP, em janeiro de 1988. Esta localidade foi escolhida, dentre outras, por sua posição estratégica no eixo Rio - São Paulo e por sua proximidade aos importantes centros industriais e de pesquisa na área da aviação, como a Embraer, Helibras e Centro Técnico Aeroespacial. Outro marco da implantação foi a concorrência realizada, em 1987, que culminou com a aquisição de 16 Helicópteros HB 350 L1 - Esquilo (HA-1) e 36 SA - 365 K Pantera (HM-1) do Consórcio Aeroespatiale/Helibras e com a entrega, em abril de 1989, do primeiro helicóptero Esquilo ao 1º BAvEx. Após o recebimento das 52 aeronaves adquiridas e em face da reorganização da AvEx e da necessidade de mais helicópteros, por meio de um termo aditivo ao contrato com o consórcio Aeroespatiale/Helibras, foi comprado um lote de 20 AS 550 A2 FENNEC (versão da Anv HA-1).

Vista aérea da Base de Aviação de Taubaté (1996).

Organização[editar | editar código-fonte]

Atualmente a Aviação do Exército é composta por um Comando de Aviação do Exército (CAvEx), sediado em Taubaté - SP, e integrado por seis unidades: o 1º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx), 2º Batalhão de Aviação do Exército (2º BAvEx), o Batalhão de Manutenção e Suprimento de Aviação do Exército, o Centro de Instrução de Aviação do Exército, a Base de Aviação de Taubaté e o próprio CAvEx.

Além dessas unidades fazem parte da Aviação do Exército o 4º Batalhão de Aviação do Exército (4º BAvEx), situado em Manaus - AM, subordinado ao Comando Militar da Amazônia, o 3º Batalhão de Aviação do Exército (3º BAvEx), situado em Campo Grande - MS e a Diretoria de Material de Aviação do Exército, situada em Brasília - DF, responsável pela gestão do material.

Aos batalhões de aviação do exército cabe o emprego operacional das aeronaves, enquanto as demais unidades respondem pelo suporte necessário em manutenção, ensino, operação de aeródromos e outras necessidades administrativas.

O futuro da Logística da Aviação do Exército[editar | editar código-fonte]

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Estamos no ano de 2032. Vinte anos se passaram desde aquele 29 de Março de 2012, onde a Unidade Logística de Aviação, ímpar no Exército Brasileiro, completou os seus primeiros vinte anos de criação! Sonho... não, certeza da manutenção da conquista da nobre missão de Fazer Voar !!! Foi assim que ao assumir o comando desta fantástica organização militar o comandante, o comando do BMS com seus oficiais idealizaram suas novas instalações. Capacitadas, modernizadas, par a par dos moderníssimos equipamentos e destas maravilhosas máquinas que um dia um nobre brasileiro alçou voo nos Campos de Bagatelle em Paris, nosso Santos Dumont.

Para muitos, aquele ano de 2011, era um ano de sonhos. Mas a perseverança era a marca que, aliada a uma palavra que move o mundo a “oportunidade” não podia deixar de sonhar em criar, e consolidar assim, um legado para as futuras gerações de gerentes e pilotos logísticos, um legado de dedicação a Logística da Aviação do Exército Brasileiro.

Assim, nasceu o chamado “ Projeto 32”. No início, motivo de desconfianças por um nome tão audacioso. Um passo que talvez não tivesse sido sonhado por muitos, mas, para aqueles que viveram esta unidade logística de aviação, vestiram sua camisa e sentiram o cheiro do querosene ao entrar pelas portas do Hangar, sabiam da necessidade de pensar na transformação e criação de novas instalações para que a logística de aviação pudesse manter seu alto valor e profissionalismo, agora com as novas aeronaves da Aviação do Exército.

Esta matéria é dedicada a uma Visão de Futuro, onde vamos agradecer aos feitos de todos os militares antecessores comandantes ou não, mas aqueles que um dia puderam contribuir com suas ideias e ideais em prol da missão de “Fazer Voar!” A criatividade requer uma mente aberta e disposição para enfrentar as convenções, quebrar regras e assumir alguns riscos. Assim, a base para este pensamento criativo capaz de impulsionar pessoas em busca de um objetivo comum, foi utilizada para a concepção do Projeto 32, ao largo dos anos de 2011 e 2012.

Acredito que esta experiência, agora transformada em realidade com o início do projeto nas instalações do comando de Aviação do Exército, pode servir de alguma forma, como exemplo de transformação de sonhos em uma realidade. Gerar ideias inovadoras e obter sucesso na solução de problemas.

Como projetar algo para o futuro? A resposta a esta frase se traduz em olhar para o passado aprendendo com cada passo dado pelos comandantes antecessores, suas melhorias implantadas, suas dificuldades e obstáculos na condução da Logística da Aviação do Exército, suas vitórias em aperfeiçoar o nosso amado BMS. Assim, após percorrer instalações do campo aeronáutico de São José dos Campos, pôde-se levantar uma série de modernidades aeronáuticas em instalações e equipamentos que a indústria propiciou àquela região, núcleo central da modernidade aeronáutica brasileira.

Passou-se então a pensar o novo BMntSupAvEx, unidade que ocuparia o outro lado da pista de pouso do Complexo da Aviação de Exército em Taubaté-SP. Pensou-se em tudo, da ampliação do espaço atual que iria passar de 7.000 m2 para 14.000 m2. Um grande desafio! Assim, a primeira planta do novo hangar nascia em meados de 2011.

Com o Projeto 32 os problemas que ao logo de vinte anos de criação do BMntSupAvEx foram analisados e inseridos na nova estrutura iniciada com a licitação realizada pela Comissão Regional de Obras / 2 (CRO-2) em Jun 2013. Buscou-se assim a criação da nova Organização Logística de Aviação com parte da solução dos grandes problemas logísticos da AvEx.

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Aeronaves[editar | editar código-fonte]

Aeronave Origem Emprego Designação Quantidade
Eurocopter AS-550 C2  França Reconhecimento e ataque HA-1 19
Helibrás HB-350L  França Reconhecimento e ataque HA-1 16
Eurocopter AS-365K  França Emprego geral HM-1 33
Sikorsky UH-60L  Estados Unidos Emprego geral HM-2 4
Eurocopter AS-532 Cougar  França Transporte HM-3 8
Eurocopter EC-725  França Transporte HM-4 2 (+14)

Batalhões de Aviação[editar | editar código-fonte]

Unidade Nome Esquadrilhas Aeronaves Base de Aviação
1º Batalhão de Aviação do Exército Batalhão Falcão 1 Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque e 2 Esquadrilha de Emprego Geral HA-1 Fennec, HM-1 Pantera e HM-4 Caracal Base de Aviação de Taubaté
2º Batalhão de Aviação do Exército Batalhão Guerreiro 1 Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque e 2 Esquadrilhas de Emprego Geral HA-1 Fennec, HM-1 Pantera e HM-3 Cougar Base de Aviação de Taubaté
3º Batalhão de Aviação do Exército Batalhão Pantera 1 Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque e 1 Esquadrilha de Emprego Geral HA-1 Fennec e HM-1 Pantera Base Aérea de Campo Grande - MS
4º Batalhão de Aviação do Exército Batalhão Cel. Ricardo Pavanello 2 Esquadrilhas de Emprego Geral HM-1 Pantera, HM-2 Black Hawk, HM-3 Cougar Base Aérea de Manaus
Batalhão de Manutenção e Suprimento de Aviação do Exército "O Guardião da Aviação" 4 Companhias (CCap, Cia Mnt Av, Cia L Mnt Av e Cia Sup Trnsp Av) Manutenção e Suprimento de toda a Frota Av Ex Base de Aviação de Taubaté

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]