Dekasseguis brasileiros

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Brasil  Imigração Japonesa no Brasil
Japão   日系ブラジル人
Nipo-brasileiros
Família de imigrantes japoneses em Bastos, São Paulo, 1930
Imigração

Início oficial: 1908 com navio Kasato Maru.
Principais destinos: São Paulo, Paraná, Pará.
Total de imigrantes: cerca de 200 mil.

Artigos sobre Imigração Japonesa no Brasil
Imigração japonesa no Brasil
Cronologia da imigração japonesa no Brasil
Fazenda Santo Antônio   |   Kasato Maru
Shindo Renmei   |   Imigração japonesa
Dekasseguis   |   Dekasseguis brasileiros

Centenário da imigração japonesa ao Brasil

Nipo-brasileiros

População: cerca de 1.500.000 (0.7% da população brasileira[1]).
Religião: católica[2], budista, xintoísta[3].
Idiomas: Português e Japonês (minoria).
Brasileiros no Japão: cerca de 300 mil[4].

Artigos sobre Nipo-brasileiros
Nikkei   |   Categoria:Nipo-brasileiros
Lista de nipo-brasileiros

Os dekasseguis brasileiros constituem o quarto maior contingente de trabalhadores estrangeiros residente no Japão. São cerca de 254 mil brasileiros residentes no Japão em condições legais.

Índice

[editar] Significado de dekassegui

O verbete dekassegui (出稼ぎ) é utilizado no Japão para designar todos trabalhadores estrangeiros residentes no Japão, tenham ou não ascendência japonesa. Os japoneses que ja migraram de províncias distantes para trabalhar nos grandes centros - como Tóquio e Osaka - também são chamados de dekasseguis. Traduzindo para português, dekassegui equivale a trabalhador migrante.

[editar] Histórico

No início do século XX, milhares de japoneses emigraram para outros países com o intuito de fazer fortuna e retornar para o Japão. No caso do Brasil, a imigração começou em 1908 e praticamente cessou na década de 1960. Formou-se então, no Brasil, a maior comunidade de japoneses e descendentes de japoneses que vive fora do Japão.

A partir do fim dos anos 80, ocorreu uma inversão do fluxo migratório entre o Brasil e o Japão. Os brasileiros descendentes ou cônjuges de japoneses passaram a imigrar para o Japão à procura de melhores oportunidades de trabalho.

Com necessidade de mão-de-obra na década de 1980, o Japão criou leis para facilitar a entrada de trabalhadores estrangeiros. Em junho de 1990 foi editada a "Lei de Controle de Imigração", permitindo que japoneses e seus cônjuges ou descendentes (nikkeis, 日系) até a 3ª geração (sanseis) possam exercer qualquer atividade e com um período de residência relativamente longo. O visto para descendentes de japoneses da quarta geração (yonseis) só é concedido se estes imigraram na companhia dos pais (3ª geração, sanseis).

O desemprego e as crises econômicas brasileiras das décadas de 1980 e 1990 incentivaram os descendentes de japoneses a trabalhar no Japão onde os salários são bem melhores. Junto com eles, foram seus cônjuges, uma parte sem ascendência japonesa, além de filhos mestiços ou não.

[editar] Demografia

Em 2005, o Ministério da Justiça estimou que 302.000 brasileiros viviam no Japão legalmente. Este número inclui também cônjuges de nipo-brasileiros sem ascendência japonesa.

Em 2011, o Ministério da Justiça estima que o número de brasileiros vivendo no Japão é de 254.000 brasileiro. A queda do número de brasileiros residentes teria tido essa redução em 6 anos, devido à Crise econômica de 2008-2009, que havia tornado o trabalho escasso, fazendo com que muitas pessoas perdessem seus empregos. Isso afetou bastante a comunidade dos Dekasseguis Brasileiros, forçando muitos a retornar ao Brasil.

Os brasileiros representam o terceiro maior contingente imigrante no Japão. Os dekasseguis brasileiros constituem a segunda comunidade de brasileiros vivendo fora do país[5] e a maior comunidade de falantes de português na Ásia, superando as ex-colônias portuguesas como Macau e Goa[6].

As províncias com mais brasileiros são Aichi, Shizuoka, Gifu, Mie, Saitama, Gunma e Kanagawa. As cidades com mais brasileiros são Hamamatsu (Shizuoka), Nagoya (Aichi), Oizumi (Gunma), Shizuoka (Shizuoka), Gifu (Gifu) e Saitama (Saitama)[5].

[editar] Trabalho

A maior parte dos imigrantes no Japão vão aliciados por agências de recrutamento, legais ou ilegais[7].

Muitos brasileiros residentes no Japão têm alta escolaridade, boa parte tem curso superior, mas não tem fluência na língua japonesa e o diploma brasileiro não é valido no Japão, portanto, são empregados como operários em fábricas executando as tarefas consideradas "pesadas, perigosas e sujas" pelos japoneses. Os maiores empregadores são as empresas que vendem serviços para as indústrias de automóvel e eletrônicos.

Muito raramente um dekassegui brasileiro é empregado em altos cargos de uma grande empresa japonesa, recebendo salários e benefícios comuns aos japoneses deste nível, devido a falta de fluência na língua japonesa e a invalidade do diploma brasileiro no Japão. Quase todos são submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, chamada escravidao remunerada, uma vida sofrida cheia de preconceitos, e entao o dekassegui segue, ganhando salários pequenos para o padrão de vida japonês[7].

[editar] Importância econômica

No ano de 2002, os brasileiros residentes no Japão mandaram para o Brasil 2,5 bilhões de dólares[7]. O Ministério da Justiça estimou em 2005 os dekasseguis brasileiros enviem anualmente para o Brasil entre 1,5 e 2 bilhões de dólares.

Estes valores chegam a superar a quantidade de divisas obtidas pelo Brasil com a exportação de café.

[editar] Identidade cultural

Apesar de serem descendentes de japoneses, muitos nipo-brasileiros são culturalmente brasileiros e muitas vezes são tratados pelos japoneses como qualquer outro estrangeiro.

Existe hoje uma grande variedade de empresas direcionadas aos brasileiros residentes no Japão. Dentre elas, redes de TV (IPC TV, Rede Record, Globo Internacional), portais web (Dokoo.com, Japaoamarelo.com), agências de publicidade (ethanow.net), mercados, lojas de roupas, lojas de carros, etc.

Alguns dekasseguis, sem identidade cultural e o conhecimento basico do idioma japonês, sofrem preconceito social[6], sendo confundidos com imigrantes asiaticos. O japonês típico acredita que todos descendentes de japoneses têm a obrigação natural de saber a língua e os costumes japoneses. Os filhos de brasileiros são, muitas vezes, isolados nas escolas japonesas por não falarem bem o idioma japonês. Milhares de crianças brasileiras se encontram fora da escola no Japão[6].

Os nipo-brasileiros se sentem (e, muitas vezes, são vistos) como japoneses no Brasil. Todavia, quando imigram para o Japão, alguns percebem que são totalmente brasileiros. Surge então um forte sentimento de "identidade brasileira" na comunidade que se organiza para celebrar sua herança cultural brasileira, promovendo festas de carnavais ao som de samba e consumindo comida típica do Brasil. Muitos nipo-brasileiros fazem questão de exibir sua origem brasileira em terra japonesa[8].

Referências

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

  • Web Town - Diretório de sites criados pela comunidade brasileira no Japão
  • ABD - Associação Brasileira de Dekasseguis
  • IPC Digital - Portal de notícias dos brasileiros no Japão
  • NHK Nagoya - Portal da NHK de Nagoya em português
  • Revista Alternativa - Voltada para a comunidade brasileira no Japão
  • Alfainter Travel – Agência de turismo que oferece serviços para a comunidade brasileira no Japão
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