Judaísmo no Brasil

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Judeus brasileiros יהודים ברזילאיים
Israel Brasil
Henrysobel21092006.jpg Marcelo Gleiser.JPG Moacir Scliar.jpg
Silviosantos.jpg Dan Stulbach.jpg Natália Timberg.jpg
PAUL Singer.JPG Serginho Groisman.jpg Roberto Justus.jpg
Bussunda AgBrasil.jpgOlga benario 2.jpg Carlos Minc (19-05-2008).jpg
Notáveis Judeus brasileiros:
Henry SobelMarcelo GleiserMoacyr Scliar

Silvio SantosDan StulbachNatália Thimberg
Paul SingerSerginho GroismanRoberto Justus

BussundaOlga BenárioCarlos Minc
População total

109.339 (2010)[1]

Regiões com população significativa
Bandeira do estado de São Paulo.svg São Paulo 44.569
Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro 29.157
Bandeira do Rio Grande do Sul.svg Rio Grande do Sul 8.330
Bandeira do Paraná.svg Paraná 2.408
Bandeira do Amazonas.svg Amazonas 2.010
Bandeira de Minas Gerais.svg Minas Gerais 1.656
Bandeira de Pernambuco.svg Pernambuco Aprox. 2.000
Bandeira do Pará.svg Pará 899
Bandeira da Bahia.svg Bahia 855
Línguas
Português, Hebraico, Yidish, Alemão, Polonês, Russo, Ladino.
Religiões
Judaísmo
Grupos étnicos relacionados
Ashkenazim, Sefaradim, Mizrahim e outras divisões étnicas do Judaísmo.

O Brasil conta hoje com uma população de 107.329 Judeus [2] sendo a segunda maior comunidade judaica da América Latina, perdendo apenas para a Argentina, e a décima primeira a nível mundial.

A imigração judaica no Brasil foi um movimento migratório do início do século XIX até a primeira metade do século XX, especialmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Somam hoje mais de 100 mil praticantes do Judaísmo no Brasil, sendo o número de ascendentes não muito exato. O judeu brasileiro é um brasileiro que possui ascendentes e/ou crença judaica. Também são consideradas judeus brasileiros as pessoas nascidas no exterior mas radicadas no Brasil.

Os judeus no Brasil colônia[editar | editar código-fonte]

O Brasil foi palco para a primeira comunidade judaica estabelecida nas Américas. Com a expulsão dos judeus de Portugal, logo após a sua descoberta, judeus convertidos ao catolicismo (cristãos-novos) já se haviam estabelecido na nova colônia. Ao menos dois pisaram na terra quando Pedro Álvares Cabral chegou em 1500, fazendo parte de sua tripulação: Mestre João, médico particular da Coroa Portuguesa e astrônomo; e Gaspar da Gama, intérprete (ajudara Vasco da Gama nas Índias, onde vivia) e comandante da nau que trazia mantimentos.

A Kahal Zur Israel, no Recife em Pernambuco, foi a primeira sinagoga das Américas.

Nos dez anos seguintes, outro judeu naufragou perto da costa brasileira e integrou-se aos indígenas: João Ramalho, que serviu de intérprete para novos portugueses que foram chegando. No mesmo período, Fernão de Noronha extraía pau-brasil da costa atlântica; as árvores ficariam conhecidas como "madeira judaica". Muitos judeus portugueses, procurando fugir da intolerância católica em Portugal, viam no "novo mundo" a oportunidade de praticar livremente seu culto, incluindo-se aí os cristianizados que praticavam o judaísmo em segredo - os cristãos-novos. Martim Afonso de Sousa era um dos cristãos-novos que chegaram ao Brasil no século XVI, como governante de uma das capitanias hereditárias.

Mais judeus pioneiros chegaram ao país na época das invasões holandesas do Brasil, em 1630, uma vez que compunham na Holanda uma comunidade tolerada, razão pela qual os holandeses foram bem recebidos pela comunidade judaica já estabelecida no Brasil. O Nordeste brasileiro ficou sob o domínio holandês por vinte e quatro anos e, neste período, muitos sefarditas se estabeleceram no país, principalmente em Recife, onde tornaram-se prósperos comerciantes e fundaram a primeira sinagoga das Américas. Com a expulsão dos holandeses, a maioria dos judeus estabelecidos no Brasil fugiram para os Países Baixos ou outras possessões holandesas, como as Antilhas e Nova Amsterdã, que posteriormente seria renomeada como Nova York após ser cedida aos ingleses. Ali fundaram a primeira comunidade judaica dos Estados Unidos, e uma minoria se estabeleceu no interior do Sertão, o Seridó, para assim fugirem da Inquisição.[3]

As últimas informações sobre a presença destes judeus ibéricos no Brasil datam de meados do século XVIII. Nessa época, com o desenvolvimento da mineração na colônia, milhares de portugueses se deslocaram para a região das Minas Gerais, entre eles, um número considerável de cristãos-novos. Através da Inquisição, muitos desses sefarditas foram julgados, enviados à Portugal e condenados à prisão. De fato, muitos desses cristãos-novos não mais mantinham ligações com o judaísmo, mas, por serem ricos comerciantes e mineiros, eram acusados de praticar judaísmo por seus inimigos e dificilmente se livravam das condenações da Inquisição.

No final do século XVIII, já não havia mais relatos sobre judeus no Brasil. Todos haviam saído da colônia ou se convertido ao Cristianismo, o que faz com que muitos brasileiros possuam, mesmo sem saber, origens em judeus portugueses.

A imigração a partir do século XIX[editar | editar código-fonte]

Uma nova onda de imigrantes judeus, sefarditas, começou a chegar ao Brasil em 1810, vindos principalmente do Marrocos, estabelecendo-se na Amazônia, principalmente nas cidades de Manaus e Belém. Boa parte dos que chegaram no final do século vinham em função da época dourada da borracha, e sua vinda foi financiada pelos que já estavam na região.

As famílias mais ricas mudaram-se para o Rio de Janeiro com o declínio da borracha. Ainda assim, a grande assimilação que tiveram na região, envolvendo também sincretismo religioso, fez com que a proporção de descendentes de judeus entre a população branca da Região Norte (amplamente de sefarditas) seja a maior do país.

O isolamento imposto aos sefarditas na Amazônia chamou a atenção de rabinos no Marrocos. No início do século XX, decidiram enviar um rabino à Amazônia para angariar fundos para uma yeshivá no Marrocos (ou em Jerusalém, não se sabe ao certo) e fiscalizar o cumprimento das normas religiosas pela comunidade estabelecida na floresta. Shalom Emanuel Muyal chegou à região em 1908 ou 1910, mas, dois anos depois de chegar a Manaus, morreu, provavelmente depois de contrair febre amarela. Curiosamente, o rabino Muyal acabou por ganhar fama de santo milagreiro entre os católicos locais. Foi enterrado no cemitério cristão, pois não havia, então, cemitério judeu na cidade, e sua sepultura tornou-se local de peregrinações. Zeloso, o rabino da sinagoga de Manaus mandou construir um muro ao redor do túmulo, mas foi pior: os devotos católicos passaram a usar o muro como suporte para placas e quadros em que fazem seus pedidos ao rabi Muyal e também proclamam as graças alcançadas. "Ele se tornou o santo judeu dos católicos da Amazônia", admite Isaac Dahan, da sinagoga de Manaus. Nos anos 1960, quando seu sobrinho, então ministro de governo do já criado Estado de Israel, tentou trasladar os restos mortais do santinho, houve protestos populares, e o governo do Amazonas pediu-lhe que não o fizesse. Enfim a sepultura do rabi Muyal foi para o cemitério judaico, anexo ao católico, e o santo rabi continuou a ser venerado no Amazonas.[4] [5]

A saga dos judeus amazônidas foi levantada no livro Eretz Amazônia, de Samuel Benchimol.

Em fins do século XIX, uma outra onda de imigração judaica já se fazia presente no sul do Brasil, inserida dentro do fenômeno da grande imigração no Brasil, que ocorreu principalmente entre 1870 e 1920. Neste período, cerca de 5,5 milhões de imigrantes desembarcaram no Brasil, sendo o número de judeus não muito expressivo, pois estes preferiam imigrar para os Estados Unidos.

Com a Proclamação da República do Brasil, uma Constituição foi promulgada, garantindo liberdade religiosa no Brasil, o que facilitou a vinda de imigrantes judeus, desta vez um grande número de asquenazes: a maior parte era proveniente do Leste europeu, regiões da atual Polônia, Rússia e Ucrânia. A maioria desembarcava no porto de Santos e rumava para a cidade de São Paulo onde rapidamente constituiu-se uma próspera comunidade de comerciantes judeus. Com a ascensão do nazismo na Alemanha na década de 1930, formou-se um maior contingente de imigrantes judeus (asquenazes em sua maioria) rumando para o Brasil. Além de São Paulo (principalmente no Bom Retiro), os judeus marcaram presença no Rio de Janeiro, no Sul do Brasil e em outras partes do país. No Rio Grande do Sul possui a fazenda Philipson, fundada no ano de 1904. Ela é considerada como a formadora da primeira escola judaica no Brasil e está localizada no município de Itaara ao lado da BR-158. Posteriormente os imigrantes e descendentes migraram do Bom Retiro para regiões nobres da cidade de São Paulo, como Higienópolis e Jardins.[6]

No Brasil, os imigrantes judeus praticamente não encontraram resistência religiosa e ficaram isentos de preconceito por parte da população local, o que tornou sua adaptação muito mais fácil que as comunidades judaicas norte-americana e argentina, por exemplo. Hoje em dia, a comunidade judaica brasileira participa ativamente na sociedade e estão bastante integrados no país.

Origem dos judeus brasileiros[editar | editar código-fonte]

Perguntados sobre sua origem étnica, os judeus brasileiros responderam:[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. IX Recenseamento Geral do Brasil, IBGE, 1980|http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/populacao/religiao_Censo2000.pdf.
  2. As 10 maiores religiões do Brasil. Portal R7. Página visitada em 20 de julho de 2012.
  3. www.cafetorah.com/node/4070
  4. "Amazônia, terra prometida". Veja, n° 1946, 8 de março de 2006.
  5. "Los Nuestros". Os marroquinos na Amazônia, por Reginaldo Jonas Heller. Morashá, ed. 55, dezembro de 2006.
  6. A nova ortodoxia judaica em São Paulo, por Gabriel Bolaffi (resenha do livro de Marta F. Topel, Jerusalém & São Paulo: a nova ortodoxia judaica em cena; Rio de Janeiro, Topbooks, 2005). Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 21, n° 60, supl. 60. São Paulo, fev. 2006.
  7. Fora de foco: diversidade e identidades étnicas no Brasil, por Simon Schwartzman.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]