Islã no Brasil

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O Islã no Brasil conta com 35.167 seguidores, segundo dados do censo demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).[1] Porém, algumas instituições islâmicas brasileiras consideram que o número de seguidores é muito superior e que há cerca de 1,5 milhão de fiéis do Islã no país.[2] [3] O número de brasileiros convertidos ao islã cresceu 25% entre 2001 e 2011.[4] O fenômeno pode ser explicitado pelo aumento no número de mesquitas no país (de 70 para 115), de sheikhs que falam português (que triplicou) e de brasileiros no topo da hierarquia de entidades muçulmanas.[3]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Centro Islâmico de Campinas, São Paulo.

A maior parte dos muçulmanos brasileiros vivem nos estados de São Paulo e Paraná, mas também existem comunidades significativas nos estados do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Mato Grosso do Sul. Uma grande parte desses muçulmanos são descendentes de imigrantes sírios e libaneses, que fixaram residência no país durante a Primeira Guerra Mundial na iminência da dissolução do Império Otomano. Entretanto, boa parte dos muçulmanos também são de origem palestina, marroquina, egípcia e de aricana. O Brasil também recebeu uma quantidade significativa de refugiados dos conflitos entre israelenses e palestinos, da Guerra do Líbano de 1982 e dos recentes conflitos no Iraque.

Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, em Foz do Iguaçu, Paraná; a cidade abriga a maior comunidade muçulmana do Brasil.
Mesquita em Brasília, DF

A convergência de imigrantes árabes para a fronteira do estado do Paraná com o Paraguai fez com que a região, especialmente a cidade de Foz do Iguaçu, se tornasse um dos locais de maior concentração de muçulmanos na América Latina. Proporcionalmente, a cidade possui a maior comunidade islâmica do Brasil.[5]

Na cidade de São Paulo existem cerca de dez mesquitas, dentre as quais a Mesquita Brasil, na Avenida do Estado (centro da cidade), cujas obras de construção começaram em 1929 e que foi a primeira mesquita edificada na América Latina. Há ainda templos, salas de oração, sociedades beneficentes e cemitérios em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.[3] A mesquita mais recente a ser erguida foi construída pela comunidade islâmica de Manaus, enquanto a comunidade de Salvador está levantando fundos para construir o primeiro templo da Bahia.[3] Existem atualmente 94 instituições islâmicas no país, contra apenas 33 em 1983.[3]

Segundo dados do IBGE, 83,2% dos muçulmanos são autodeclarados brancos, 12,2% são pardos, 3,8% são negros, 0,8% são orientais e 0,04% são indígenas. Quase a totalidade dos muçulmanos brasileiros (99,2%) vivem em centros urbanos. Apesar de 60% dos muçulmanos brasileiros serem homens, sete em cada dez novos revertidos (convertidos) ao islã são mulheres.[3] O hábito de usar as vestimentas típicas da religião vem crescendo no país. Em 2008, 60% das muçulmanas usavam o hijab; atualmente mais de 90% usam.[3] A metade das novas fiéis são mulheres divorciadas, separadas ou que têm filhos.[3]

História do islamismo no Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver também: Escravidão no Brasil

O islamismo na África subsariana repercutiu de forma indireta na história do Brasil colonial, uma vez que muitos escravos trazidos ao país praticavam o islamismo. A maioria desses escravos exercia atividades agrárias, mas os escravos das áreas urbanas ultrapassaram o limite da relação com seus senhores, entrando em contato com diferentes grupos sociais, fazendo com que o islamismo se propagasse mais rapidamente. No contexto urbano, os escravos muçulmanos se diferenciavam dos demais por não aceitarem a imposição religiosa de seus senhores. Os escravos muçulmanos eram convertidos ao catolicismo pelos senhores e passavam a ser chamados de mouriscos,[3] mas essa conversão forçada apenas contribuiu para que eles ficassem ainda mais unidos em sua prática religiosa.

Manifestação pró-islâmica em um muro, em Goiânia, Goiás (Apesar de ser favorável à fé, danos à propriedade alheia contrariam a lei islâmica).

Em 1835, os escravos muçulmanos organizaram a Revolta dos Malês, na Bahia contra a escravidão. Alguns historiadores assinalam a notável organização do movimento, de modo que pode ser constatado o Jihad Fi Sabilillah ("esforço pela causa de Alá") durante a revolta. A revolta foi importante para o enfraquecimento do sistema escravocrata, mas seus principais líderes, quando capturados em batalha, foram devolvidos ao continente africano, pois os militares temiam que caso fossem mortos a fé dos combatentes aumentaria.

Antes de chegar ao Brasil, Heitor Furtado de Mendonça, padre português e primeiro inquisidor oficial em terras brasileiras, visitou colônias portuguesas na África, onde identificou os procedimentos religiosos dos nativos daquele continente, tendo adentrado pelo Reino de Benin, que, mediante aliança político-comercial com Portugal, serviu de porto para o comércio de escravos. Já no Brasil, Furtado assinalou os costumes dos "maometanos" (seguidores de Maomé), tais como a oração de Salatul Juma, o não-consumo de carne ou gordura de porco e de bebidas alcoólicas, a escrita de caracteres árabes e a leitura de livros como o Alcorão.

Desde 2001, o número de convertidos ao islã no país aumentou significativamente. Segundo Paulo Hilu da Rocha Pinto, autor de Islã: Religião e Civilização – Uma Abordagem Antropológica, este fluxo foi marcado pela exibição, entre outubro de 2001 e junho de 2002, da telenovela O Clone. Segundo ele, foi a obra que "introduziu no imaginário cultural brasileiro imagens bastante positivas dos muçulmanos como pessoas alegres e devotadas à família".[4] Outra explicação dada para o aumento do número de muçulmanos no país foram os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, que trouxe mais exposição midiática, mesmo que distorcida, à fé islâmica.[3]

O grande número de brasileiros revertidos ao islã fez com que centros islâmicos tradicionalmente presididos por muçulmanos de origem árabe passassem a ser presididos por brasileiros.[3] A maior frequência do uso do português foi um dos principais fatores que impulsionaram o crescimento da religião; antigamente o idioma era pouco utilizado porque os sheikhs oriundos de países árabes vinham para o Brasil com o desejo de retornar à terra natal, o que os desencorajava a aprender o idioma.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. IBGE: Censo demográfico 2010
  2. Árabes no Brasil: um retrato de mascates e fé O Globo oglobo.globo.com. Visitado em 4-2-2009.
  3. a b c d e f g h i j k l Rodrigo Cardoso (21 de fevereiro de 2014). Os caminhos do Islã no Brasil Istoé. Visitado em 3 de janeiro de 2015.
  4. a b [1]
  5. Pessuti reúne-se em Foz do Iguaçu com a diretoria do Centro Cultural Islâmico SEAE.

Literatura[editar | editar código-fonte]

  • KUSUMO, Fitra Ismu, "ISLAM EN AMÉRICA LATINA Tomo II: Migración Árabe a América Latina y el caso de México (Spanish Edition)" [3]
  • KUSUMO, Fitra Ismu, "ISLAM EN AMÉRICA LATINA Tomo III: El Islam hoy desde América Latina (Spanish Edition)"[4]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]