Demografia do Rio Grande do Sul

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Demografia do Rio Grande do Sul
Ficha técnica
Área 281 748,5 km².
População 10.695.532 (2010).
Densidade 38,9 hab./km² (2000).
Crescimento demográfico 1,2% ao ano (1991-2006).
População urbana 80,8% (2004).
Domicílios 3 464 544 (2005).
Carência habitacional 281 800 (2006).
Acesso à água 84,6% (2005).
Acesso à rede de esgoto 80,7% (2005).
IDH 0,814 (2005).
Número de Municípios 496.
Taxa média de crescimento anual 0,49% (2010).

A demografia do Rio Grande do Sul é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas do território gaúcho.

Ao analisarmos as 22 regiões do estado, constata-se que sete apresentam crescimento acima da média estadual, estando seis delas situadas no eixo Porto Alegre-Caxias do Sul. Isto indica uma concentração populacional cada vez mais intensa nas regiões em torno deste eixo. A região do Paranhana-Encosta da Serra, com 2,94%, seguida do Litoral, com 2,83% são as que possuem as taxas mais altas do estado. Quinze cresceram a taxas inferiores à média ou apresentaram taxas negativas. As Missões, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial e Médio Alto Uruguai apontam para uma perda significativa de população com taxas entre 0,04% e 0,86%.

O crescimento vegetativo está em torno de 1,1% ao ano, tem uma população referente a 10.978.587 em 2006 e é, segundo o IBGE, composto por:

Cor/Raça Porcentagem
Brancos 82,3%
Negros 5,9%
Pardos 11,4%
Amarelos ou Indígenas 0,4%

Fonte: PNAD (dados obtidos por meio de pesquisa de autodeclaração).[1]

Densidade populacional[editar | editar código-fonte]

Densidade populacional do Rio Grande do Sul.
  0-25 hab/km²
  25-50 hab/km²
  50-100 hab/km²
  100-150 hab/km²
  150-200 hab/km²
  200-300 hab/km²
  300-400 hab/km²
  400-500 hab/km²
  > 500 hab/km²
Mapa do município de Santa Maria com as divisões em bairros. Em escalas de azul os bairros com predominância masculina e em escalas de rosa os bairros com predominância feminina.

O estado do Rio Grande do Sul tem densidade populacional irregular, indo de regiões densamente povoadas, como a Região Metropolitana de Porto Alegre com municípios chegando aproximadamente aos 3000 habitantes/km², até regiões fracamente povoadas, como a Mesorregião do Sudoeste Rio-Grandense com valores até 25 habitantes/km². Além desses extremos, regiões com importante densidade populacional incluem o trecho que começa no Vale do Taquari em direção ao oeste até Santa Maria, a Microrregião de Caxias do Sul, o litoral norte na Microrregião de Osório, os municípios de Pelotas e Rio Grande, e municípios da Mesorregião do Noroeste Rio-Grandense, incluindo municípios como Passo Fundo, Erechim e Santo Ângelo.

Os vazios demográficos mais significativos do estado incluem os Campos de cima da Serra, na região de Vacaria e Lagoa Vermelha, toda a fronteira com o Uruguai, do Chuí até Uruguaiana (com a exceção de Bagé) e a Microrregião de Santiago, nos entornos do Vale do Jaguari. Observa-se também uma relação direta entre o tamanho maior dos municípios dessas regiões com a fraca densidade demográfica.

Etnias[editar | editar código-fonte]

O Rio Grande do Sul é um dos estados mais europeizados do Brasil, e tem sua população derivada sobretudo da imigração e colonização europeia do século XIX. Os principais imigrantes foram os portugueses, espanhóis, italianos e alemães, somados aos ameríndios e escravos africanos. Podemos citar entre os grupos de imigrantes minoritários: poloneses, irlandeses, suíços, austríacos, franceses, ingleses, russos, neerlandeses, judeus, árabes, libaneses, turcos, lituanos, estado-unidenses, japoneses, argentinos, chineses, entre outros.[carece de fontes?]

Milicianos, portugueses e espanhóis[editar | editar código-fonte]

Anteriormente, no século XVIII, o Rio Grande do Sul era uma região disputada entre portugueses e espanhóis. A ocupação iniciou-se de fato com os milicianos, que eram tropeiros de São Paulo e Minas Gerais, sendo reforçada com a vinda de casais açorianos em meados do século XVIII. Essa imigração açoriana foi promovida pela Coroa Portuguesa, para estabelecer o domínio português na região.

Os espanhóis introduziram a criação de gado, que rapidamente tornou-se a economia predominante no Rio Grande do Sul. A população se concentrava nos pampas, tendo havido uma fusão de costumes espanhóis, portugueses e indígenas, que deram origem ao tipo regional gaúcho. Embora o gaúcho fosse mais português que espanhol [carece de fontes?], a influência cultural vinda dos países vizinhos tornaram os gaúchos dos pampas bastante hispanizados, a ponto de falarem um dialeto que misturava elementos espanhóis e portugueses.

Povos ameríndios[editar | editar código-fonte]

Os primeiros povos ou povos originais da região do atual estado do Rio Grande do Sul já estavam aculturados, em boa parte, especialmente devido ao estabelecimento das missões jesuíticas católicas nos séculos XVII e XVIII (ver Padre Roque Gonzales, filho de pai espanhol e de mãe nativa do Paraguai - o primeiro estrangeiro/europeu a pisar em solo riograndense). Porém a relação dos gaúchos com os povos indígenas era extremamente conflituosa, embora a miscigenação entre os dois grupos tornou-se algo inevitável. Ainda hoje (2006) existem pequenos grupos de povos aborígenes que lutam para manter a suas identidades. Por exemplo, os mbyás-guaranis e os caingangues ou kaingang).

Escravos africanos[editar | editar código-fonte]

As pessoas escravizadas de origem africana começaram a ser levadas em maior número ao estado do Rio Grande do Sul a partir do final do século XVIII, com o desenvolvimento das charqueadas e chegaram a representar metade da população rio-grandense em 1822. Eram em sua maioria originários de Angola. O Rio Grande foi o segundo estado brasileiro em número de escravos na primeira metade do Século XIX, perdendo apenas para a Bahia. Todavia, grande parte dessa população afro-gaúcha iria morrer durante a Guerra do Paraguai e a Guerra dos Farrapos, chegando a cair de 50% em 1822, para 25% do total da população da província em 1858. Outro fator importante para a dimuição da participação dos negros na população gaúcha, durante o século XIX, foi o tráfico interno. Com o bloqueio inglês do tráfico negreiro no Oceano Atlântico, foi natural a transferência de escravos de estados com economias que não necessitavam de muita mão de obra, como a gaúcha, para estados cafeeiros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, os negros representam apenas 9% da população gaúcha, concentrando-se em cidades médias e grandes, principalmente na Grande Porto Alegre e região de Pelotas.

Imigrantes alemães[editar | editar código-fonte]

O Lago Negro em Gramado

A população do Rio Grande do Sul não passava de 100 mil pessoas no ano da Independência do Brasil, composta por estancieiros e seus escravos, sendo a grande maioria concentrada na região dos pampas ou na região de Porto Alegre. Preocupado com a escassez de habitantes e a cobiça dos países vizinhos sobre o Sul do Brasil, o Imperador Dom Pedro I resolveu atrair imigrantes para a região. Casado com a princesa austríaca Dona Leopoldina, o imperador optou pelos imigrantes alemães, conhecidos por serem trabalhadores e guerreiros. O major Antonio Schaffer foi mandado para a Alemanha e ficou responsável por encontrar pessoas que estivessem dispostar a imigrar para o Brasil. Nos arredores de Hamburgo, o major agrupou 9 famílias, ao todo 39 pessoas que, após vários dias de viagem, chegaram ao Rio de Janeiro e mais tarde foram encaminhadas para o Rio Grande do Sul.

Os primeiros alemães chegaram, ao que seria atualmente a cidade de São Leopoldo, a 25 de julho de 1824. Foram-lhe prometidos 50 hectares de terra para cada família, além de porcos, cavalos e sementes para que pudessem se desenvolver. Apenas as terras foram dadas, sendo os alemães prontamente abandonados à própria sorte nos primeiros anos. A região era coberta por florestas e os imigrantes tinham que construir suas próprias casas e desenvolver a terra para sua sobrevivência. Nos primeiros 6 anos, entraram no Rio Grande do Sul 5.350 alemães. Apesar de abandonados pelo governo brasileiro, os colonos se expandiram por toda a região do Vale do Rio dos Sinos, mantendo-se distantes dos estancieiros gaúchos que estavam à procura de mão-de-obra barata para criar o gado.

Nos primeiros 50 anos de colonização, foram introduzidos mais de 30 mil alemães no Rio Grande do Sul. Eles se agruparam em diversas colônias rurais, dependendo da região de origem. Porém, com o passar do tempo, houve a mistura de alemães das mais diversas partes da Alemanha. As colônias nasceram principalmente na beira de rios, e ali nascia um novo Rio Grande do Sul, totalmente diferente do mundo gaúcho. Os colonos alemães criaram em terras brasileiras o ambiente que deixaram na Alemanha, mantendo a língua alemã e as tradições germânicas. Mas, com o decorrer da colonização, inevitavelmente os colonos alemães passaram a ter contato com a população gaúcha, ocorrendo o fenômeno do abrasileiramento ou gauchamento desses imigrantes.

Na região do Vale do Rio dos Sinos, os alemães deram os primeiros passos da indústria brasileira. Ali foram criadas fábricas de sapatos, têxtil e de algodão, principalmente para o mercado regional.

Imigrantes italianos[editar | editar código-fonte]

Em 1870, o governo do Rio Grande do Sul criou colônias na região das Serras gaúchas e esperava-se atrair 40 mil imigrantes alemães para que ocupassem a região. Porém, as notícias de que os alemães estavam enfrentando problemas no Brasil fizeram com que cada vez menos imigrantes viessem da Alemanha. Isso obrigou o governo a procurar por uma nova fonte de imigrantes: os italianos. Em 1875, chegou o primeiro grupo, vindos principalmente do Vêneto, e se instalaram no que atualmente são as cidades de Garibaldi e Bento Gonçalves. Ali eles passaram a viver da plantação de milho, trigo e outros produtos agrícolas, porém, a introdução do cultivo de vinho na região tornou a vinicultura a principal economia dos colonos italianos.

De 1875 à 1914, cerca de 100 mil italianos foram introduzidos no Rio Grande do Sul. A colonização italiana foi efutuada no alto das serras, pois as terras baixas já estavam ocupadas pelos alemães. No alto das serras nascia um Brasil peculiar, com gente que falava alto e chegada com grandes famílias em busca de terras para plantarem e sobreviverem. Nas regiões altas do Sul do Brasil surgiu um Brasil altamente italianizado.

O Rio Grande do Sul também possui o Talian como patrimônio linguístico aprovado oficialmente no estado.[3] [4] O município de Serafina Corrêa também possui esta língua como co-oficial no município, ao lado do português.[5]

Línguas minoritárias[editar | editar código-fonte]

Além do português, no Rio Grande do Sul também são faladas outras línguas como o kaingang ou o mbyá-guaraní, de povos autóctones.

Os imigrantes também falam os seguintes idiomas:

  • Alemão Hunsrückisch (um dialeto regional sul-brasileiro falado aí desde há quase dois séculos pela maioria dos teuto-brasileiros no Rio Grande do Sul) também conhecido como Riograndenser Hunsrickisch. Hoje o número de falantes é de pelo menos um ou dois milhões, se não mais, de acordo com as estimativas mais aceitas por especialistas.
  • Outras línguas, finalmente, em menor escala, ainda existem vários outros núcleos de idiomas e dialetos no Rio Grande do Sul (i.e. polaco, lituano, árabe ou iídiche.)

Ver também[editar | editar código-fonte]


Bandeira do Estado do Rio Grande do Sul
Rio Grande do Sul
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Referências

  1. Síntese dos Inidicadores Sociais 2008 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Tabela 8.1 - População total e respectiva distribuição percentual, por cor ou raça, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2007. Página visitada em 1º de outubro de 2008.
  2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sinopse do Censo Demográfico 2011. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2011. 261 p. ISBN 978-85-240-4187-7 Página visitada em 4 de setembro de 2011.
  3. Aprovado projeto que declara o Talian como patrimônio do RS. Página visitada em 21 de agosto de 2011.
  4. Talian: A língua vêneta de além mar Título não preenchido, favor adicionar.
  5. Vereadores aprovam o talian como língua co-oficial do município Título não preenchido, favor adicionar. Página visitada em 21 de agosto de 2011.