Imigração neerlandesa no Brasil

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Neerlando-brasileiros
Países BaixosBrasil
Josewilker10082006.jpg Lobao.jpgJoao mauricio wanderley.jpgNelson Angelo Piquet.jpgIldi Silva 01.jpgIsmael Nery - Auto-retrato, 1930.jpg
Notáveis Neerlando-brasileiros:
José Wilker · Lobão · João Maurício Wanderley · Nelson Angelo Piquet · Ildi Silva[1]  · Ismael Nery
População total

940.000- 11.500.000

Regiões com população significativa
São Paulo,Rio de Janeiro e Pernambuco.
Grupo relevante também em Rio Grande do Norte,Paraíba e Sul do Brasil.
Línguas
Predominante Português. Minorias falam neerlandês.
Religiões
Protestantes e Católicos
Grupos étnicos relacionados
Teuto-brasileiros, Neerlandeses, Neerlando-americanos, Neerlando-canadenses, Flamengos e Frísios

Imigração neerlandesa no Brasil foi o movimento migratório ocorrido nos séculos XIX e XX de neerlandeses para várias regiões do Brasil. Apesar da imigração neerlandesa ter sido menos expressiva do que a de outros grupos de imigrantes, os imigrantes neerlandeses formaram cooperativas e empresas agrícolas em todas as regiões onde se estabeleceram colaborando assim com o desenvolvimento da economia brasileira.

Neerlando-brasileiro (popularmente denominado holando-brasileiro) é um brasileiro que possui ascendentes neerlandeses. Também são consideradas neerlando-brasileiros as pessoas nascidas nos Países Baixos mas radicadas no Brasil. A maioria dos neerlando-brasileiros residem em São Paulo,Pernambuco e Rio de Janeiro[2] , mas também encontram-se pequenos grupos em Goiás,Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e na Paraíba.[3] Rio Grande do Norte,Ceará (onde inclusive foi fundado o forte de Schoonenborch,dando origem a capital Fortaleza) e, estado dominado por holandeses durante décadas, e teve Mauricéia (atual cidade do Recife) como a capital holandesa no Brasil.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Invasão neerlandesa ao Brasil[editar | editar código-fonte]

Nâo necessariamente em um movimento migratório consentido e natural, mas não menos importante do ponto de vista histórico-cultural e até genético, durante o século XVII, por cerca de um pouco mais de duas décadas, em torno de oitenta mil holandeses invadiram e colonizaram a Capitania de Pernambuco,[4] que compreendia os territórios dos atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e a porção ocidental da Bahia, e posteriormente invadiram a capitania do Maranhão, atuais estados do Maranhão e do Piauí.

Após a invasão militar, muitos holandeses imigram incentivados pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para o novo território conquistado, para se dedicar a atividade de comerciantes e de senhores de engenho. A ausência de mulheres holandesas estimulou a união e mesmo o casamento de oficiais militares e colonos holandeses com filhas de abastados senhores de engenho luso-brasileiros, e mais informalmente, dos praças militares holandeses com índias, negras, caboclas e mulatas locais, segundo o historiador Eduardo Fonseca, estas uniões teriam gerado na atualidade, cerca de um milhão de brasileiros nordestinos com ascendência holandesa,[5] e que esta origem teria inclusive influenciado parte da cultura nordestina, acredita-se que em suas manifestações culturais, o violino holandês teria sido incorporado, lá sendo chamado de rabeca.[5]

Esses imigrantes invasores eram divididos em dois grupos: os Dienaaren ("servidores", sobretudo militares à serviço da Coroa Holandesa) e os Vrijburghers ("homens livres", os colonos que vieram exercer a função de comerciantes).

Destaca-se que após a derrota para os brasileiros, uma estratégia de sobrevivência dos holandeses também influenciou a ser muito sutil a presença de descendentes de holandeses nas capitais nordestinas, com a vitória brasileira, a maior parte das tropas e colonos holandeses fugiu de volta à Holanda, mas um grande contingente de holandeses não conseguiu ou não quis retornar a Europa, principalmente comerciantes e numerosos soldados desertores do Exército Holandês,[6] muitos destes já estava há mais de vinte anos no Brasil, totalmente adaptados, falavam português, uniram-se com brasileiras e tinham filhos nascidos no Brasil, e seus negócios eram no Brasil. Com isso, muitos holandeses e suas famílias fugiram para o interior, o mais longe possível das capitais e grandes centros urbanos, principalmente para cidades litorâneas,[7] do interior do chamado nordeste setentrional, principalmente em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, onde ocultavam ou "aportuguesavam" seus nomes de origem holandesa, para fugir das tropas brasileiras e também da Inquisição católica, que também os perseguia por serem em maioria calvinistas ou judeus.[6]

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Com a abolição da escravatura no Brasil, o governo brasileiro passou a procurar substitutos para a mão-de-obra escrava na Europa com o objetivo de desenvolver o interior do país. As causas para a imigração neerlandesa ao Brasil encontram-se na miséria, no desemprego e na devastação causada pela Segunda Guerra Mundial nos Países Baixos.[8]

A posse rural e a possibilidade de formar núcleos agrícolas foram os principais fatores que atraíram os imigrantes neerlandeses ao Brasil.[9]

Imigração[editar | editar código-fonte]

Memorial da Imigração Holandesa em Castro, no Paraná

A imigração neerlandesa no Brasil teve início em 1858 com a chegada dos primeiros imigrantes neerlandeses ao Brasil, oriundos da província Zelândia, que fundaram em 1860 a colônia Holanda no Espírito Santo. Os imigrantes formaram uma companhia com o objetivo de vender os bens produzidos. Porém os bens produzidos só foram utilizados para o auto-consumo devido às dificuldades encontradas pelos imigrantes, impedindo a expansão da colônia.[10] [11]

Auge[editar | editar código-fonte]

O auge da imigração neerlandesa ocorreu entre 1899 e 1940, quando cerca de 8.200 neerlandeses imigraram ao Brasil. O governo brasileiro iniciou um projeto de colonização para a instalação de imigrantes europeus. Em 1908, imigrantes neerlandeses, vindos da província Holanda do Sul, estabeleceram a colônia Gonçalves Júnior em Irati no Paraná. Os imigrantes neerlandeses encontraram diversas dificuldades como matas densas, endemias, pragas de gafanhotos, porcos-do-mato e ratos, que resultaram na dispersão da colônia.[12]

Em 1911, um grupo de 450 imigrantes neerlandeses da província Holanda do Sul, entre eles colonos de Gonçalves Júnior em Irati, estabeleceram-se em Castro, onde fundaram a colônia Carambeí, atualmente um município emancipado. Os imigrantes neerlandeses fundaram em 1925 a Sociedade Cooperativa Hollandeza de Laticínios Batavo, a primeira cooperativa de laticínios do Brasil, nacionalmente conhecida como Batavo desde 1941 e considerada uma cooperativa exemplar.[13] [14] A Cooperativa Batavo, junto à Cooperativa Castrolanda e à Cooperativa Agropecuária Arapoti, formaram a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná, também localizada em Carambeí e responsável por uma das maiores bacias leiteiras do Brasil.

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

A segunda fase da imigração neerlandesa ocorreu de 1946 à 1976, quando 6.098 neerlandeses imigraram ao Brasil.[9]

A devastação causada pela Segunda Guerra Mundial fez com que o governo neerlandês estimulasse a emigração de neerlandeses para a Austrália, Brasil, Canada e França. Estes imigrantes trouxeram consigo tratores, máquinas agrícolas e cabeças de gado.

Um grupo de aproximadamente 500 imigrantes neerlandeses, oriundos da província Brabante do Norte, imigram para o Brasil e fixam-se na antiga fazenda Ribeirão em São Paulo. Lá os imigrantes neerlandeses fundam em 14 de julho de 1948 a colônia Holambra I e a Cooperativa Agro Pecuária Holambra. Em 1951 inicia-se o cultivo de flores, expandido entre 1958 e 1965.[15] Em 1989 é instalado o Veiling Holambra, o maior centro de comercialização de plantas e flores do Brasil.[16] Holambra, nacionalmente denominada "a cidade das flores", é o maior produtor e exportador florícola do Brasil.[17]

Um grupo de imigrantes neerlandeses fixam-se em 1949 na fazenda Monte Alegre (Telêmaco Borba), no Paraná, adquirida pela empresa Klabin em 1934. A empresa põe a fazenda à disposição dos imigrantes para estes fornecerem laticínios aos seus funcionários. O término do contrato com a Klabin na década de 1970 resulta na dispersão da colônia e no retorno de muitos colonos aos Países Baixos.[18]

Em 1949, imigrantes neerlandeses estabelecem-se em Não-Me-Toque no Rio Grande do Sul. Os neerlandeses foram o último grupo de imigrantes, depois dos portugueses, alemães e italianos, a fixarem-se em Não-Me-Toque. Eles adquirem as terras desgastadas e rejeitadas pelos imigrantes alemães, estabelecendo modernas empresas agrícolas. Os neerlandeses iniciam o plantio de batata e milho, posteriormente tornando-se grandes produtores de soja e trigo.[19]

Um grupo de imigrantes neerlandeses, oriundos das províncias Drente e Overijssel, junto aos filhos dos colonos de Carambeí estabeleceram em 1951 a colônia Castrolanda, no Paraná.[20] No mesmo ano fundaram a Sociedade Cooperativa Castrolanda, considerada a mais produtiva e avançada bacia leiteira do país[21] e responsável por uma considerável produção de grãos.

Em 1960, um novo grupo de imigrantes neerlandeses junto à colonos de Castrolanda e Carambeí estabeleceram-se em Arapoti, no Paraná. Lá, fundaram a Cooperativa Agropecuária Arapoti (Capal), cuja principal atividade econômica é a suinocultura.[22]

Imigrantes neerlandeses, oriundos da província Brabante do Norte, junto à descendentes dos colonos de Holambra fundam em 1960 a colônia Holambra II em Paranapanema, São Paulo. Os imigrantes fundaram a Cooperativa Agro-Industrial Holambra, cuja principais atividades econômicas incluim a produção de flores e de frutas que são comercializadas através de um leilão.[23]

Declínio[editar | editar código-fonte]

A imigração neerlandesa para o Brasil continua, mas com menos vigor que antes, quando era estimulada e apoiada pelo Governo.[24]

A situação econômica do Brasil entre a década de 1980 e o início da década de 2000 também contribuiu para o declínio da imigração neerlandesa para o Brasil.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.terra.com.br/homem/infograficos/gatas-de-a-a-z/i/gatas-1.htm
  2. http://www.terrabrasileira.net/folclore/influenc/holanda.html
  3. http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_imigr_holandesa.htm
  4. [1]
  5. a b [holandesa.http://www.brasileirosnaholanda.com/novo/coluna.php?codColuna=214]
  6. a b [2]
  7. [3]
  8. http://www.ape.es.gov.br/noticias/271005/index.htm
  9. a b Scherer, Rudinéia Rejane. A presença neerlandesa no município de Não-me-Toque, RS. Disponível em:<http://www.semina.clio.pro.br/4-2-2006/> como Formato de Documento Portátil (PDF).
  10. http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Plaatsnamen/families-in-holanda.htm
  11. http://www.morrodomoreno.com.br/especial40.htm
  12. http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Familienamen/vriesman/vriesman-gesch.htm
  13. http://www.coodetec.com.br/artigos.asp?id=78
  14. http://www.carambei.pr.gov.br/html/modules/xt_conteudo/index.php?id=21
  15. http://www.holambra.sp.gov.br/historia.asp
  16. http://www.aprendendoaexportar.gov.br/flores/como/canais_veiling.asp
  17. http://eptv.globo.com/rotasetrilhas/interna.asp?idnoticia=989
  18. http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Plaatsnamen/families-in-monte-alegre.htm
  19. http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Plaatsnamen/families-in-nao-me-toque.htm
  20. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-77012004000200005&script=sci_arttext
  21. http://www.laticinio.net/noticias.asp?cod=3833
  22. http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Plaatsnamen/families-in-arapoti.htm
  23. http://www.holambra.com.br/historico.aspx
  24. http://pt.shvoong.com/humanities/1654373-imigra%C3%A7%C3%A3o-neerlandesa-brasil/

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sorgdrager, Bart, Nederlandse Landbouwkolonies in Brazilë. Amsterdã: Fragment Uitgeverij, 1991. ISBN 9065790764

Ligações externas[editar | editar código-fonte]