Estação Ferroviária de Porto - São Bento

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Porto - São Bento
Estação São Bento Porto.JPG
Inauguração 7 de Novembro de 1896
Linha(s) Linha do Minho
(PK 2,618)
Coordenadas 41° 8′ N 8° 36′ W
Concelho Porto
Zona C1
Serviços Ferroviarios Urbano e Regional
Serviços Ligação a autocarros Linha D (Metro do Porto) Serviço de táxis Informações - Gabinete de Apoio ao Cliente Bilheteira Estação sem barreiras arquitectónicas Guarda de bagagem Telefones públicos Caixas Multibanco Bar ou cafetaria Restaurante Sala de espera Lavabos Posto de perdidos e achados Acesso à Internet Parque de estacionamento

A Estação Ferroviária de Porto - São Bento, igualmente denominada de Estação de São Bento, e originalmente como Estação Central do Porto, é uma interface de caminhos de ferro, que serve a cidade do Porto, em Portugal; embora tenha entrado ao serviço no dia 7 de Novembro de 1896, só em 5 de Outubro de 1916 é que se deu a inauguração oficial.[1] Está situada na Praça de Almeida Garrett, na cidade do Porto, tendo o edifício da Estação, de influência francesa, sido delineado pelo arquitecto portuense José Marques da Silva[2] [3]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

A estação tem acesso pela Praça de Almeida Garret, no centro da cidade do Porto.[4] [5] [3]

Vias, plataformas e classificação[editar | editar código-fonte]

Em 2004, possuía 8 vias de circulação, aonde se podiam efectuar manobras; esta interface dispunha, igualmente, de um serviço de informação ao público.[6] Em 2011, o número de vias já tinha sido reduzido para 6, com comprimentos úteis entre os 100 e 167 metros; as gares, com uma extensão entre os 119 e 180 metros, tinham 90 centímetros de altura.[7] Devido ao reduzido espaço disponível, as plataformas da estação vão até à entrada do túnel.[3]

Painéis de azulejos[editar | editar código-fonte]

A Estação é célebre pelos seus painéis de azulejos, de temática histórica.[3] Cobrindo uma superfície de cerca de 551 metros quadrados, representam, principalmente, cenas passadas no Norte do país, estando retratados, entre outras cenas, o Torneio de Arcos de Valdevez, a apresentação de Egas Moniz com os filhos ao Rei Afonso VII de Leão e Castela, no Século XII, a entrada de D. João I e de D. Filipa de Lencastre no Porto, em 1387, e a Conquista de Ceuta, em 1415; um friso colorido, no átrio, dedica-se à história dos transportes em Portugal, concluindo com a inauguração dos caminhos de ferro.[1] Foram instalados entre 1905 e 1906 pelo artista Jorge Colaço, que, nessa altura, se afirmava como o mais popular azulejador em Portugal.[3]

Serviços[editar | editar código-fonte]

Comboios urbanos do Porto (UME 3400) na Estação de São Bento, a principal da sua rede e um dos maiores ex-libris do Porto.

Ferroviários[editar | editar código-fonte]

Unidade de Suburbanos do Grande Porto

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros no Grande Porto)
Serviços: BSicon BHFq yellow.svg AveiroBSicon fBHFq.svg Braga
BSicon uBHFq.svg Caíde/MarcoBSicon BHFq.svg Guimarães


(g) Covas 
Track turning from left Station on transverse track Transverse terminus from right
 Guimarães (g)
(g) Nespereira 
Station on track
 
(g) Vizela 
Station on track Urban head station
 Caíde (d)
(b) Braga 
Unknown route-map component "fKBHFa" Station on track Urban straight track
 Pereirinhas (g)
(b) Ferreiros 
Unknown route-map component "fBHF" Straight track Urban station on track
 Meinedo (d)
(b) Mazagão 
Unknown route-map component "fBHF" Station on track Urban straight track
 Cuca (g)
(b) Aveleda 
Unknown route-map component "fBHF" Straight track Urban station on track
 Bustelo (d)
(b) Tadim 
Unknown route-map component "fBHF" Station on track Urban straight track
 Lordelo (g)
(b) Ruilhe 
Unknown route-map component "fBHF" Straight track Urban station on track
 Penafiel (d)
(b) Arentim 
Unknown route-map component "fBHF" Station on track Urban straight track
 Giesteira (g)
(b) Couto de Cambeses 
Unknown route-map component "fBHF" Straight track Urban station on track
 Paredes (d)
(m)(b) Nine 
Unknown route-map component "fBHF" Station on track Urban straight track
 Vila das Aves (g)
(m) Louro 
Unknown route-map component "fBHF" Straight track Urban station on track
 Oleiros (d)
(m) Mouquim 
Unknown route-map component "fBHF" Station on track Urban straight track
 Caniços (g)
(m) Famalicão 
Unknown route-map component "fBHF" Straight track Urban station on track
 Irivo (d)
(m) Barrimau 
Unknown route-map component "fBHF" Station on track Urban straight track
 Santo Tirso (g)
(m) Esmeriz 
Unknown route-map component "fBHF" Unknown route-map component "KRW+l" Unknown route-map component "KRWr" Urban station on track
 Cête (d)
(m)(g) Lousado 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-R" Urban station on track
 Parada (d)
(m) Trofa 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-R" Urban station on track
 Recarei-Sobreira (d)
(m) Portela 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-R" Urban station on track
 Trancoso (d)
(m) São Romão 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-R" Urban station on track
 Terronhas (d)
(m) São Frutuoso 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-R" Urban station on track
 S. Martinho do Campo (d)
(m) Leandro 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-R" Urban station on track
 Valongo (d)
(m) Travagem 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-R" Waterway turning from left Urban track turning from right Urban station on track
 Suzão (d)
(m)(d) Ermesinde 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-M" Unknown route-map component "uBHF-R" Urban straight track Urban station on track
 Cabeda (d)
(m) Ág. Santas / Palm.ª 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-M" Unknown route-map component "uBHF-R" Waterway turning to left Waterway turning to right
 
(m) Rio Tinto 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-M" Unknown route-map component "uBHF-R" Unknown route-map component "BS2+l_yellow" Unknown route-map component "BS2+r_yellow"
 
(m) Contumil 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-M" Unknown route-map component "uBHF-R" Unknown route-map component "STR yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 General Torres (n)
(n)(m) Porto (Campanhã) 
Unknown route-map component "fBHF-L" Unknown route-map component "BHF-M" Unknown route-map component "uBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Vila Nova de Gaia (n)
(m) Porto (São Bento) 
Unknown route-map component "fKBHF-Le" Unknown route-map component "KBHF-Me" Unknown route-map component "uKBHF-Me" Unknown route-map component "KBHF-Re yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Coimbrões (n)
(n) Aveiro 
Unknown route-map component "KBHFa yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Madalena (n)
(n) Cacia 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Valadares (n)
(n) Canelas 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Francelos (n)
(n) Salreu 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Miramar (n)
(n) Estarreja 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Aguda (n)
(n) Avanca 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Granja (n)
(n) Válega 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Espinho (n)
(n) Ovar 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Silvalde (n)
(n) Carvalheira-Maceda 
Unknown route-map component "BHF yellow" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Paramos (n)
(n) Cortegaça 
Unknown route-map component "STRlf yellow" Unknown route-map component "cSTRq yellow" Unknown route-map component "BHFq yellow" Unknown route-map component "dSTRq yellow" Unknown route-map component "BHFq yellow" Unknown route-map component "cSTRq yellow" Unknown route-map component "STRrf yellow"
 Esmoriz (n)

Linhas: d Linha do Dourog Linha de Guimarães
b Ramal de Bragam Linha do Minhon Linha do Norte
Fonte: Página oficial, 2010.04

Sede da CP Urbanos do Porto, unidade de negócios da operadora Caminhos de Ferro Portugueses, vocacionada para a prestação do serviço urbano de transporte ferroviário pesado de passageiros na área do Grande Porto e regiões próximas, nomeadamente nas subregiões do Cávado até Braga, do Ave até Guimarães, do Tâmega até Marco de Canaveses, e do Baixo Vouga até Aveiro, num círculo de cerca de 60 km de raio à volta da cidade do Porto.

Partindo da Linha do Minho, opera também os serviços regionais das linhas:

  • Ramal de Braga: serviços regional de passageiros entre o Porto e Braga.
  • Linha do Douro: serviços regional e turístico de passageiros entre o Porto e o Pocinho.
  • Linha de Guimarães: serviços regional de passageiros entre o Porto e Guimarães.

Faz interface com a estação de São Bento da linha D do Metro do Porto.

Autocarros[editar | editar código-fonte]

Madrid-MetroEMT.PNG Autocarros dos STCP:

Rede Diurna
  • 202 Lóios ⇄ Castelo do Queijo
  • 400 São Bento ⇄ Azevedo (Campanhã)
  • 500 Lóios ⇄ Matosinhos (Mercado)
  • 900 Trindade ⇄ Sto. Ovídio
  • 901 Trindade ⇄ Valadares
  • 906 Trindade ⇄ Madalena
Rede da Madrugada
  • 01M Av. dos Aliados ⇄ Matosinhos (Fonte Luminosa)
  • 10M Av. dos Aliados ⇄ Vila d'Este

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Após a sua inauguração, a Estação de Campanhã tornou-se, desde logo, a principal interface do Porto, com um movimento de passageiros e mercadorias muito elevado; no entanto, situava-se demasiado longe do centro da cidade, pelo que se decidiu construir uma nova gare ferroviária, mais próxima do coração da urbe.[1] [8]

Planeamento[editar | editar código-fonte]

O plano para a nova estação a ser construída e o seu ramal para a rede ferroviária, com o nome de Linha Urbana dos Caminhos de Ferro do Porto, foi apresentado na sessão da Câmara Municipal do Porto de 8 de Julho de 1887, pelos vereadores António Júlio Machado e José Maria Ferreira.[8] [1] Em 18 de Janeiro de 1888, o ministro das Obras Públicas, Emídio Navarro, autorizou a construção do ramal através de uma portaria[8] [1] ; Este diploma estabeleceu igualmente que a estação deveria ser instalada junto à Praça de D. Pedro, no local do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria[8] , do qual a estação recebeu a denominação.[3] Aquele complexo, construído no Século XVI, foi danificado num incêndio em 1783, tendo sido, posteriormente reconstruído, mas encontrava-se em mau estado de conservação nos finais do Século XIX.[3] Apesar dos vultuosos investimentos e dos grandes problemas técnicos em levar a via férrea até ao centro da cidade, considerou-se que aquela obra era indispensável.[8]

Em 4 de Fevereiro de 1888, foi nomeada uma comissão para tratar das expropriações necessárias à construção da linha, tendo sido estabelecido que deveria ser construída e gerida pela divisão estatal dos Caminhos de Ferro de Minho e Douro[9] , então dirigida pelo conselheiro Justino Teixeira.[8] Em 5 de Novembro, uma portaria aprovou o plano e o orçamento e cadernos de encargos correspondentes, sendo a construção do ramal integrada na Empreitada D, que também incluía, desde logo, a instalação da Estação Central.[1]

Construção e inauguração da estação provisória[editar | editar código-fonte]

Inauguração da estação provisória de São Bento, em 1896.

As obras do ramal iniciam-se em 1890, e são oficialmente concluídas pelo engenheiro responsável, Hippolyte de Baère, às 11 horas do dia 29 de Setembro de 1893.[1] Para comemorar este acontecimento, o Centro Comercial do Porto colocou uma placa sobre uma das entradas do Túnel de São Bento, homenageando Emídio Navarro, Lobo de Ávila, Artur Campos Henriques e José Maria Ferreira.[1] Em 14 de Maio de 1894, o Conselho Superior de Obras Públicas voltou a analisar os planos para a estação.[8]

O primeiro comboio chegou à Estação Central do Porto em 7 de Novembro de 1896[1] [10] [2] , tendo a abertura ao serviço ocorrido no dia seguinte[8] ; nessa altura, o complexo contava apenas em 3 edifícios de madeira, tendo a estação sido instalada num armazém que também servia para as expedições de pequena velocidade, no lado da Rua da Madeira.[1] [8] Devido ao reduzido local em que se encontrava, e às elevadas cotas das ruas em redor, a estação teve de ficar com linhas de comprimento menor do que o desejável; aproveitou-se, assim, o espaço disponível ao máximo, tendo a estação ficado até à boca do túnel.[8]

Construção e inauguração da estação definitiva[editar | editar código-fonte]

Painel de azulejos no interior da Estação, retratando o Infante D. Henrique na conquista de Ceuta.

Já em 1888, começou-se a planear a construção do edifício da estação, que deveria ser suficientemente grande para acolher confortavelmente os serviços de passageiros e recovagens, no espaço exíguo entre a praça, em frente, o terreno traseiro, de grande cota, e as ruas laterais, do Loureiro e da Madeira; em 29 de Julho de 1889, o Conselho Superior de Obras Públicas pronunciou-se pela primeira vez sobre os planos que já tinham sido elaborados para o edifício.[8] Logo nos primeiros anos de serviço, as instalações provisórias da estação revelaram-se insuficientes para o movimento de passageiros e mercadorias, não se podendo realizar serviços no regime de pequena velocidade; assim, começou-se a planear a construção da estação definitiva.[11] Em 6 de Dezembro de 1897, o Conselho Superior de Obras Públicas consultou um plano para a estação definitiva, elaborado pelo arquitecto Marques da Silva; no ano seguinte, este documento começou a ser revisto, para se ajustar às instruções dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro, que pretendiam colocar, no mesmo edifício, além dos serviços dos caminhos de ferro, também os telégrafos e correios.[8] O projecto original apresentava um edifício no topo das vias, a partir do qual saíam várias plataformas para as vias destinadas aos comboios de passageiros, com um lado para partidas e outro para chegadas.[8] Ambas as vias laterais seriam aproveitadas para serviços de mercadorias em pequena velocidade, com armazéns próprios, limitando lateralmente a Estação, e acessos pelas Ruas do Loureiro e da Madeira.[8] Nos inícios do Século XX, a maior parte do tráfego da Estação era para o transporte de passageiros e recovagens, sendo previsível, nessa altura, que estas duas tipologias iriam tomar conta de todo o espaço disponível; dessa forma, e devido ao facto de não existir espaço suficiente para gerir um grande volume de mercadorias, calculava-se que, para introduzir a modalidade do transporte em pequena velocidade, esta teria de ser realizada de forma diferente do habitual, em condições mais restritas.[8]

A cerimónia do lançamento da primeira pedra foi realizada em 22 de Outubro de 1900, pelo rei D. Carlos e por D. Amélia de Orleães, no cunhal da Rua da Madeira;[1] [3] no entanto, as obras não puderam prosseguir, devido ao planeamento da estação ainda não ter sido concluído.[8]

Em 1901, terminou-se a alteração ao plano original de Marques da Silva, sendo este novo documento datado de 20 de Agosto; o orçamento correspondente foi calculado em 258:377$700 réis.[8] Para os correios e telégrafos, devia ser erigido um primeiro andar sobre os cais cobertos de mercadorias, do lado da Rua do Loureiro; a Inspecção-Geral dos Correios e Telegraphos aprovou este plano, mas criticou a falta de espaço disponível para o previsível desenvolvimento futuro destes serviços.[8]

Entretanto, prosseguiram as obras do terrapleno no lado da Rua do Loureiro, nomeadamente a demolição da Igreja de São Bento, algumas escavações e instalação de canos de esgoto, e a construção de um muro de sustentação do terreno, de grande cota.[8]

Em 10 de Julho de 1902, no entanto, o Conselho Superior de Obras Públicas voltou a examinar os planos, e decidiu que, devido ao previsível crescimento da cidade e correspondentemente do movimento de passageiros e mercadorias, seria necessário dedicar todo o espaço disponível no interior da estação para os serviços ferroviários; por outro lado, e pelo mesmo motivo, também se previa um incremento na utilização dos serviços de correios e telégrafos, pelo que deviam ser colocados num outro edifício, deixando apenas um escritório no interior da estação, para o tráfego de última hora.[8] Assim, um despacho ministerial de 4 de Agosto ordenou que fosse elaborado um novo plano para o edifício da estação, tendo em conta as modificações deliberadas.[8] O novo plano, datado de 12 de Março de 1903 e orçado em 191:965$000 réis, foi elaborado pelo arquitecto José Marques da Silva e dirigido pelo conselheiro Póvoas.[12]

A principal modificação, em relação ao plano anterior, foi a remoção do primeiro andar sobre os cais de mercadorias, do lado da Rua do Loureiro, que estava destinado aos serviços de correios e telégrafos.[12] Assim, o plano apresentado contemplava um edifício central, de grandes dimensões, aonde iria ser instalado o vestíbulo, com 14 metros de largura por 42 metros de comprimento; no interior deste espaço, deviam ser colocadas as bilheteiras.[12] [8] De cada lado do edifício central, deveriam ser construídos 2 anexos, cada um com primeiro andar; o anexo do lado da Rua da Madeira seria reservado, no piso térreo, à expedição de bagagens e recovagens à partida, pelas salas de espera, e por um restaurante, enquanto que os escritórios da direcção do Minho e Douro deveriam ocupar o andar de cima.[12] [8] O pavilhão do lado da Rua do Loureiro albergaria, no piso térreo, os serviços de recepção das bagagens e recovagens, e uma estação de telégrafo postal, sendo o primeiro andar destinado a alojamentos para os funcionários, podendo, posteriormente, albergar também os escritórios da direcção, caso fosse necessário.[12] [8] De cada lado das vias, alinhados com os dois anexos laterais, deviam estar 2 cais cobertos para mercadorias, com pátios de acesso.[12] O vestíbulo daria acesso a uma plataforma de topo, de aonde sairiam 3 plataformas, servindo 6 vias; as 4 linhas centrais, organizadas em 2 pares separados por uma plataforma central, estavam destinadas aos serviços de passageiros, enquanto que as duas vias marginais, mais curtas, separadas das centrais por 2 plataformas, seriam utilizadas para mercadorias.[12] [8] De cada lado destas vias, alinhados com os dois anexos laterais, deviam estar 2 cais cobertos para o movimento de mercadorias, ladeados por pátios de acesso.[12] Um cais foi destinado especialmente para o transporte de peixe.[12] Em frente do edifício, deveria estar uma escadaria para vencer as diferenças de nível em relação à praça, e uma rua para veículos, com uma rampa de acesso.[12] Devido à falta de espaço, a plataforma central terminaria já dentro do túnel principal.[8]

O novo plano foi revisto pelo Conselho Superior de Obras Públicas em 14 de Maio, e aprovado por uma portaria de 16 de Maio[8] , embora tenham sido pedidas algumas alterações na fachada, de forma a oferecer mais sobriedade, sem alterar a distribuição dos vãos.[13] A companhia dos Caminhos de Ferro do Estado considerou a construção desta estação como um dos empreendimentos prioritários.[14]

Em Abril de 1902, já se tinham iniciado as obras dos muros de suporte e guarda, junto à Rua do Loureiro, devido à aprovação de uma nova matriz, proposta pelo director dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro.[15] Em 20 de Agosto, as instalações para os serviços de passageiros e bagagens foram colocadas nos antigos barracões da Estação.[16]

No final do mesmo ano, um grupo de comerciantes e proprietários da cidade do Porto, entregou uma proposta para a Estação, e disponibilizou-se para a sua construção.[17] Pouco depois, foi apresentada outra proposta, da Sociedade Construtora, constituída por Francisco Azevedo, Thomaz Dias e Isidoro Campos, que previa uma duração de 2 anos para a obra.[18]

Em Fevereiro de 1903, previa-se que a segunda via até Campanhã fosse instalada em poucos meses, faltando, nessa altura, concluir a última empreitada de terraplanagens da estação[19] ; em Novembro, a plataforma para o edifício da estação já tinha sido instalada[20] , tendo a construção do edifício em si sido iniciada em 9 de Novembro[2] [8] , dirigida pelo engenheiro Basílio de Sousa Pinto e por Marques da Silva.[8]

O novo projecto para a fachada da estação foi aprovado por uma portaria de 22 de Abril de 1904; na mesma data, foi publicado um despacho autorizando o uso do sistema de tarefas na construção, que tinha demonstrado excelentes resultados desde o início das obras.[8] Em 1905, já estavam construídas as plataformas de passageiros, o cais coberto do lado da Rua do Loureiro, alguns canos de esgoto que faltavam, e os alicerces do novo edifício de passageiros.[8]

No dia 10 de Janeiro de 1906, a ornamentação do vestíbulo, incluindo a instalação de painéis de azulejos, foi contratada ao artista Jorge Colaço.[1]

Em 5 de Outubro de 1916, foi inaugurado o edifício definitivo da Estação de São Bento.[1]

Remodelação do edifício[editar | editar código-fonte]

Em 1968, o edifício encontrava-se em obras de remodelação interior e expansão, no âmbito da electrificação da via, prevendo-se, nessa altura, a instalação de um restaurante, e novas bilheteiras e salas de espera; no átrio, seria instalado um sistema de luz indirecta, de forma a melhor realçar os painéis de azulejos, e de uma placa para a identificação dos mesmos.[1]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Em 16 de Julho de 2010, iniciaram-se obras de restauro e conservação dos azulejos, da responsabilidade da REFER e do IGESPAR, que foram terminados em 9 de Maio de 2011.[21]

Em Agosto de 2011, foi eleita pela revista Travel + Leisure como uma das mais belas estações do mundo, tendo sido a única estação portuguesa incluída na lista.[22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n (16 de Dezembro de 1968) "A Capital do Norte e a sua linha ferroviária urbana". Gazeta dos Caminhos de Ferro 81 (1932): 160, 162. Visitado em 21 de Março de 2014.
  2. a b c Santos, 1989:331
  3. a b c d e f g h VAL, Yolanda del. (Março de 2009). "San Bento, Oporto" (em Espanhol). Via Libre 46 (528): 30, 31. Madrid: Fundación de los Ferrocarriles Españoles. ISSN 1134-1416.
  4. Porto São Bento - Linha do Minho Rede Ferroviária Nacional. Visitado em 19 de Dezembro de 2011.
  5. Ficha de Estação: Porto-São Bento Comboios de Portugal. Visitado em 19 de Dezembro de 2011.
  6. (13 de Outubro de 2004) "Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005": 59, 65. Rede Ferroviária Nacional.
  7. (25 de Março de 2010) "Directório da Rede 2011": 67. Rede Ferroviária Nacional.
  8. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae SOUSA, José Fernando de. (16 de Março de 1905). "A Estação Central do Porto". Gazeta dos Caminhos de Ferro 18 (412): 81-83. Visitado em 21 de Março de 2014.
  9. (1 de Março de 1888) "Parte Official". Gazeta dos Caminhos de Ferro de Portugal e Hespanha 1 (1): 3. Visitado em 21 de Março de 2014.
  10. Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 12
  11. (16 de Setembro de 1903) "Parte Official". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (378): 314. Visitado em 21 de Março de 2014.
  12. a b c d e f g h i j (1 de Abril de 1903) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (367): 110. Visitado em 19 de Janeiro de 2012.
  13. (1 de Junho de 1903) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (371): 196.
  14. (16 de Setembro de 1903) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (378): 320. Visitado em 21 de Março de 2014.
  15. (1 de Abril de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (343): 107. Visitado em 21 de Março de 2014.
  16. (1 de Setembro de 1902) "Avisos de serviço: Caminhos de Ferro do Estado - Direcção do Douro e Minho". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (353): 269. Visitado em 21 de Março de 2014.
  17. (1 de Dezembro de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (359): 370.
  18. (16 de Dezembro de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (360): 403. Visitado em 21 de Março de 2014.
  19. SOUSA, José Fernando de. (1 de Fevereiro de 1903). "O material de via das Linhas do Estado". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (363): 34.
  20. (1 de Novembro de 1903) "Parte Official: Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (381): 363. Visitado em 21 de Março de 2014.
  21. http://www.refer.pt/MenuPrincipal/ComunicacaoSocial/Noticias/Noticia/tabid/447/ItemId/304/View/Details/AMID/948/Default.aspx
  22. World's Most Beautiful Train Stations:São Bento Station, Porto, Portugal Travel + Leisure (Agosto de 2011). Visitado em 24 de Agosto de 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 pp. ISBN 989-619-078-X.
  • SANTOS, José Coelho. O Palácio de Cristal e Arquitectura de Ferro no Porto em Meados do Século XIX. Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida, 1989. 387 pp.
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre a Estação de Porto-São Bento
  • Brochura Estação de Porto S. Bento - Edifício de Passageiros - 75.º Aniversário, da Direcção de Operações Norte da CP, de 5 de Outubro de 1991. Textos de Rosa Gomes.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]