Racismo no futebol

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No campo como futebol, vôlei e etc... praticada em campo durante alguma partida de futebol ou ainda nas arquibancadas, direcionada as da partida. Isso tende a acontecer com certa facilidade mesmo havendo a pressão da mídia e da sociedade contra esses casos que trata da temática do racismo no futebol é O Desporto e as Estruturas Sociais de Esteves (1967). Este escritor português desenvolve, no capítulo "O Negro e o Desporto", reflexões que posteriormente seriam ampliadas em outro livro: Racismo e Desporto (1978), no qual destaca os aspectos do racismo desportivo no Brasil.

A questão do racismo no futebol é retomada no Brasil em 1998 por meio de um artigo contundente: "A linguagem racista no futebol brasileiro" (SILVA, 1998). Neste trabalho, o autor interpreta notícias veiculadas em jornais após as derrotas da seleção brasileira em Copas do Mundo. Discute o papel da mídia na reprodução e construção do racismo no futebol brasileiro e conclui que nas derrotas o sentido construído socialmente para determinadas metáforas desclassifica o jogador, sobretudo, como ser humano e não apenas como atleta. Esse sentido desclassificatório dirige-se com mais ênfase a determinados grupos de jogadores, que em geral são negros ou mestiços.

Em 1999, Soares publica um artigo na Revista Estudos Históricos que contesta as descrições elaboradas por Mário Filho em O Negro no Futebol Brasileiro, dizendo que as narrativas da obra funcionam como história mítica que vai sendo atualizada, principalmente, em função das demandas às denúncias racistas. Esta tese recebe críticas contundentes de Murad (1999) e um pouco mais brandas de Helal e Gordan Jr. (1999).

A primeira tese de doutorado que vai tocar diretamente na questão do racismo no futebol brasileiro é o trabalho de Silva (2002), intitulado “Futebol, Linguagem e Mídia: Entrada, Ascensão e Consolidação dos Jogadores Negros e Mestiços no Futebol Brasileiro”. Além de ratificar as conclusões demonstradas no artigo “A linguagem racista no futebol brasileiro”, Silva apresenta um tópico inédito até então. Em sua conclusão, introduz uma discussão sobre as estruturas de dominação que dificultam a ascensão dos treinadores negros no Brasil. Nas entrevistas que realizou com jornalistas, ficou evidenciado que os negros têm muitas dificuldades para ingressar no mercado de trabalho de treinadores de futebol.

Em 2010, Tonini defendeu a dissertação de mestrado “Além dos gramados: história oral de vida de negros no futebol brasileiro (1970-2010)”. Neste trabalho, o autor focaliza o mercado de trabalho dos treinadores negros. A partir da análise e interpretação de 20 entrevistas, realizadas com ex-jogadores, árbitros e outras pessoas do cotidiano do futebol, conclui que existe uma herança do ideário escravocrata, cuja idéia é a de que o negro não serve para pensar e, por esta razão, seria incapaz de comandar. Mistifório jurídico

A expressão racismo no futebol é empregada de forma tecnicamente equivocada, porque o que é assim classificado pela mídia se trata, na verdade, do crime de injúria qualificada, definido no artigo 140, § 3º, do Código Penal Brasileiro, e não do crime de racismo, prescrito na lei 7.716 de 1989. Em 2010, Tonini defendeu a dissertação de mestrado “Além dos gramados: história oral de vida de negros no futebol brasileiro (1970-2010)”. Neste trabalho, o autor focaliza o mercado de trabalho dos treinadores negros. A partir da análise e interpretação de 20 entrevistas, realizadas com ex-jogadores, árbitros e outras pessoas do cotidiano do futebol, conclui que existe uma herança do ideário escravocrata, cuja idéia é a de que o negro não serve para pensar e, por esta razão, seria incapaz de comandar.

Mistifório jurídico[editar | editar código-fonte]

A expressão racismo no futebol é empregada de forma tecnicamente equivocada, porque o que é assim classificado pela mídia se trata, na verdade, do crime de injúria qualificada, definido no artigo 140, § 3º, do Código Penal Brasileiro, e não do crime de racismo, prescrito na lei 7.716 de 1989.

Referências[editar | editar código-fonte]

ESTEVES, José. O desporto e as estruturas sociais. Aveiro: Prelo Editora, 1967.

ESTEVES, José. Racismo e desporto. Aveiro: Básica Editora, 1978. FILHO, Mário. O negro no futebol brasileiro. 4ª edição. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.

HELAL, Ronaldo; GORDAN Jr., Cesar. Sociologia, historia e romance na construção da identidade nacional atraves do futebol. Revista Estudos Historicos, v. 13, n. 23, 1999.

MURAD, Mauricio. Considerações possíveis de uma resposta necessária. Revista Estudos Historicos, v. 13, n. 24, 1999. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/2094/1233

NOGUEIRA, Claudio. Futebol Brasil memória: de Oscar Cox a Leônidas da Silva (1897-1937). Rio de Janeiro: Editora Sena Rio, 2006.

ROSENFELD, Anatol. Negro, macumba e futebol. São Paulo: Editora Perspectiva, 1993.

SILVA, Carlos Alberto Figueiredo. A linguagem racista no futebol brasileiro. In: Anais do VI Congresso Brasileiro de História do Esporte, Lazer e Educação Física, Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho, p. 394-406, 1998.

SILVA, Carlos Alberto Figueiredo. Futebol, linguagem e mídia: entrada, ascensão e consolidação dos jogadores negros e mestiços no futebol brasileiro. (Tese de Doutorado). Doutorado em Educação Física - Universidade Gama Filho, 2002. Disponível em: Parte I e Parte II

SILVA, Carlos Alberto Figueiredo. Racismo para dentro e para fora: o caso Grafite-Desábato. Revista Lecturas EFDeportes, n. 84, maio de 2005. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd84/racismo.htm

SILVA, Carlos Alberto Figueiredo; VOTRE, Sebastião Josué. Racismo no futebol. Rio de Janeiro: HP Comunicaçao Editora, 2006.

SILVA, Carlos Alberto Figueiredo; VOTRE, Sebastião Josué. Futebol, imaginário e mídia: as metáforas da discriminação no futebol brasileiro. Educação MultiRio, 2007. Disponível em: http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.asp?cod_artigo=1256

SOARES, Antonio J. História e a invenção de tradições no futebol brasileiro. Revista Estudos Históricos, v. 12, n. 23, 1999. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/viewFile/2087/1226

TONINI, Marcel Diego. Além dos gramados: história oral de vida de negros no futebol brasileiro (1970-2010). (Dissertação de Mestrado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, 2010. Disponivel em: http://www.ludopedio.com.br/rc/upload/files/190518_Tonini%20(M)%20-%20Alem%20dos%20gramados.pdf

TONINI, Marcel Diego. Racismo no futebol brasileiro: revisitando o caso Grafite/Desábato. Revista de História Regional 17(2): 438-468, 2012. Doi: 10.5212/Rev.Hist.Reg.v.17i2.0004. Disponível em:http://www.eventos.uepg.br/ojs2/index.php/rhr/article/viewFile/4197/3247

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