Silvio Piola

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Silvio Piola
Silvio Piola (Pro Vercelli).jpg
Informações pessoais
Nome completo Silvio Piola
Data de nasc. 29 de setembro de 1913
Local de nasc. Robbio, Flag of Italy (1861-1946).svg Itália
Falecido em 4 de outubro de 1996 (83 anos)
Local da morte Gattinara,  Itália
Informações profissionais
Posição Atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos/gols)
1929-1934
1934-1943
1943-1944
1944-1947
1947-1954
Flag of Italy (1861-1946).svg Pro Vercelli
Flag of Italy (1861-1946).svg Lazio
Flag of Italy (1861-1946).svg Torino
Flag of Italy (1861-1946).svg Itália Juventus
Itália Novara
127 (51)
227 (143)
23 (27)
56 (27)
185 (86)
Seleção nacional
1935-1952 Flag of Italy (1861-1946).svg/Flag of Italy.svg Itália 34 (30)

Silvio Piola (Robbio, 29 de setembro de 1913Gattinara, 4 de outubro de 1996) foi um futebolista italiano, considerado um dos mais profílicos centroavantes de todo o futebol daquele país.

Ficou notabilizado por sua longeva carreira cheia de gols (foram um total de 405 em 642 partidas disputadas)[1] e, principalmente, por ser o principal destaque da Seleção Italiana (com a qual teve a grande marca de 30 gols em 34 jogos) campeã da Copa do Mundo de 1938.

Piola era um atacante astuto e altamente eficiente, raramente desperdiçando chances.[1] Sua única mágoa com o futebol foi o fato de nunca ter conquistado a primeira divisão do campeonato italiano,[1] [2] apesar de seus gols e de ter atuado em dois dos maiores vencedores da competição, os rivais Torino e Juventus. Seu único outro título além da Copa foi uma Serie B, quando estava no Novara. Na Serie A, foi três vezes vice-campeão.

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

Começou a carreira no tradicional Pro Vercelli, debutando na temporada 1929/30. Com ainda dezessete anos, marcou treze gols em sua segunda temporada. Em 1934, por suposta pressão de membros do partido fascista,[2] transferiu-se para a equipe apadrinhada pelo partido, a Lazio. Conquistou no time biancoceleste sua primeira artilharia no campeonato italiano, na temporada 1936/37, em que a Lazio foi vice-campeã - a melhor colocação do clube até 1974, quando finalmente faturaria o scudetto.

Ficou no clube romano até 1943, após alcançar a artilharia pela segunda vez. Saiu em virtude da Segunda Guerra Mundial, para a qual foi convocado.[2] Chegou a ser dado como morto e ter uma missa rezada em sua homenagem,[2] mas logo reapareceu, como jogador do Torino, que havia sido o campeão daquela temporada 1942/43.

Em um único ano no Toro, anotou incríveis 27 gols em 23 partidas. Para o seu azar, o campeonato italiano estava oficialmente suspenso com o agravamento da Guerra no território italiano. Em 1944, foi contratado pela arquirrival Juventus. A Serie A voltou a ser realizada ao fim da guerra, em 1945. Ficou na Juve até 1947, sendo vice-campeão nas duas temporadas - ironicamente, para o Torino. Por outro lado, escapou de estar entre as vítimas da tragédia de Superga, em que toda a delegação de sua ex-equipe morreu em um acidente de avião em 1949.

Veterano, Piola já pertencia desde 1947, quando tinha 34 anos, ao Novara, então na Serie B, que ele disputaria pela primeira vez na carreira. Logo conduziu a pequena equipe ao título na temporada 1947/48, encerrando sua longeva carreira em 1954. Seu último jogo como profissional foi em apoteótica partida em que ele, como capitão, recebeu os aplausos de um público de 90 mil pessoas em Florença que pagou para despedir-se do artilheiro,[1] que aposentou-se como o maior goleador da Serie A, com 274 gols. Duas temporadas depois, o Novara acabaria rebaixado e só retornaria à elite do futebol italiano 55 anos depois.[3]

Seleção Italiana[editar | editar código-fonte]

Se mesmo com sua longa carreira não pôde sentir o gosto de ser campeão italiano, Piola sagrou-se campeão de uma Copa do Mundo pela Seleção Italiana, sendo o grande destaque da campanha vitoriosa no mundial de 1938. A primeira convocação veio em 1935. A última, em 1952, quando ele já tinha 39 anos e estava à beira de aposentar-se, no Novara. Sua astúcia nos clubes manteve-se na Seleção, onde chegou a marcar um gol com a mão em partida contra a Inglaterra, em lance tão rápido que o árbitro e boa parte dos observadores não notaram a irregularidade.[1]

Seu papel na Copa foi decisivo, marcando gols importantes em quase todas as partidas: na estreia, fez o gol da vitória de 2 x 1 na prorrogação, contra a Noruega; marcou outros dois na partida seguinte, já pelas quartas-de-final, contra os aniftriões, os franceses; a semifinal, contra o Brasil, foi a única partida em que ele não acertou as redes, ainda assim sendo determinante para a vitória italiana: o primeiro gol da Azzurra surgiu em jogada dele, na primeira vez em que conseguira antecipar-se a Domingos da Guia, servindo para Gino Colaussi abrir o marcador aos 6 minutos do segundo tempo.[4] Foi provocando Domingos que ele, em lance sem disputa de bola entre ambos, cavou, nove minutos depois, pênalti que seria convertido por Giuseppe Meazza.[4]

Na final, voltou a marcar. Com a partida empatada em 1 x 1, aproveitou passe de Meazza para chutar no ângulo esquerdo do gol húngaro [5] e colocar os italianos à frente, ainda aos 16 minutos do primeiro tempo. Posteriormente, com o jogo em 3 x 2 para a Itália, Piola ruiu qualquer possível reação adversária ao conseguir aos 37 minutos do segundo tempo, mesmo prensado, colocar a bola no canto direito.[5] Sua eficiência fez com que ele, vice-artilheiro do mundial, fosse escalado para a seleção da Copa, sobrepujando o artilheiro Leônidas da Silva [6] (ausente na semifinal por estar contundido [4] ).

A não-realização de Copas do Mundo nos anos 40 em virtude da Segunda Guerra acabaria prejudicando Piola, tirando-lhe as possibilidades de fazer novas exibições no torneio. Quando a Copa voltou a ser realizada, na edição de 1950, já tinha 37 anos e acabou deixado de fora, mesmo com a Seleção tragicamente desfalcada de seus principais jogadores, uma vez que a equipe-base titular era praticamente o elenco do Torino morto em 1949, tendo levado para o Brasil um time mais fraco.

Títulos e Prêmios individuais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e O que vale é bola na rede (novembro de 1999). Placar - Especial "Os Craques do Século". Editora Abril, p. 98
  2. a b c d GEHRINGER, Max (novembro de 2005). Os campeões. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 3 - 1938 França. Editora Abril, p.p 42-43
  3. Novara vence Padova e sobe para a Serie A Trivela.com (13/06/2011). Visitado em 13/06/2011.
  4. a b c GEHRINGER, Max (novembro de 2005). Derrota amarga. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 3 - 1938 França. Editora Abril, p. 38
  5. a b GEHRINGER, Max (novembro de 2005). Os gols da final. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 3 - 1938 França. Editora Abril, p. 41
  6. GEHRINGER, Max (novembro de 2005). Ainda melhor que em 1934. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 3 - 1938 França. Editora Abril, p. 40